Quinta-feira, 14 de abril de 2011

Quinta Semana da Quaresma e 1ª do Saltério (Livro II),  cor  litúrgica roxa

 

Hoje: Dia do Pan-Americanismo

 

Santos: São Dimas (o Bom Ladrão, Gólgota, Jerusalém, pregado na cruz ao lado de Cristo), Cirino (mártir), Irineu (bispo, mártir), Pelágio (bispo, Síria), Humberto (monge e abade), Hermelando (monge), Barôncio, Alvoldo (bispo), Tomás (beato), Margarete Clitherow (mártir), Jaime Bird (mártir, beato), Lúcia Fillippini (virgem), Jane Maria da Cruz (venerável franciscana, virgem, 2ª ordem), Desidério e Quirino.

 

Antífona: Cristo é o mediador de uma nova aliança, para que, por meio de sua morte, recebam os eleitos a herança eterna que lhes foi prometida. (Hb 9,15)

 

Oração: Assisti, ó Deus, aqueles que vos suplicam e guardai com solicitude os que esperam em vossa misericórdia, para que, libertos dos nossos pecados, levemos uma vida santa e sejamos herdeiros das vossas promessas. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.

 

I Leitura: Gênesis (Gn 17, 3-9)

Aliança do Senhor com Abraão

 

Naqueles dias, 3Abrão prostrou-se com o rosto por terra. 4E Deus disse: "Eis a minha aliança contigo: tu serás pai de uma multidão de nações. 5Já não te chamarás Abrão, mas o teu nome será Abraão, porque farei de ti o pai de uma multidão de nações. 6Farei crescer tua descendência infinitamente. Farei nascer de ti nações, e reis sairão de ti.

 

7Estabelecerei minha aliança entre mim e ti e teus descendentes para sempre; uma aliança eterna, para que eu seja teu Deus e o Deus de teus descendentes. 8A ti e aos teus descendentes darei a terra em que vives como estrangeiro, todo o pais de Canaã como propriedade para sempre. E eu serei o Deus dos teus descendentes". 9Deus disse a Abraão: "Guarda a minha aliança, tu e a tua descendência para sempre". Palavra do Senhor.

 

 

Comentando a I Leitura

Farei de ti o pai de uma multidão de nações

 

Achamo-nos diante do pacto com que se iniciou a história da salvação. Os protagonistas são Deus e Abraão. Este é um nômade prostrado com a face em terra, dobrado em atitude de adoração e submissão ao peso da bênção que deverá transmitir a "nações" e reis (versículo 6). Doravante terá um novo nome, Abraão, pai de muitos povos; e Deus, por sua vez, será o Deus de Abraão. Por força deste pacto Deus e Abraão (e sua descendência) fazem causa comum: a obra da salvação será levada sob a direção, o auxilio e a proteção de Deus. Deste acontecimento decisivo para a humanidade não se indica o lugar nem o tempo; o verdadeiro teatro da história da salvação não está ligado a lugar e a tempo. É Abraão, é o homem. Aí se decide a salvação, no encontro da Palavra de Deus com a fé do homem. Convém lembrar outro encontro da Palavra de Deus com a fé, verificado em Maria Santíssima, cujo fruto é Cristo salvador; verdadeiro tronco das nações, de que Abraão era figura. Ele iniciará a nova e eterna aliança, sancionada em seu sangue. Jesus, no evangelho de hoje, legítima esta aproximação: "Abraão exultou na esperança de ver o meu dia; viu-o e rejubilou-se" (Jo 8,56). O pacto de aliança continua a vigorar; realiza-se no batismo e no encontro de fé com a Palavra de Deus que, em Cristo e por Cristo, é dirigida a cada um de nós. [MISSAL COTIDIANO. ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 104 (105), 4-5.6-7.8-9 (R/.8a)

O Senhor se lembra sempre da aliança!

 

4Procurai o Senhor teu Deus e seu poder, buscai constantemente a sua face! 5Lembrai as maravilhas que ele fez, seus prodígios e as palavras de seus lábios!

 

6Descendentes de Abraão, seu servidor, e filhos de Jacó, seu escolhido, 7ele mesmo, o Senhor, é nosso Deus, vigoram suas leis em toda a terra.

 

8Ele sempre se recorda da Aliança, promulgada a incontáveis gerações; 9da Aliança que ele fez com Abraão, e do seu santo juramento a Isaac.

 

 

Evangelho: João (Jo 8, 51-59)

Antes de Abraão

 

Naquele tempo, disse Jesus aos judeus: 51"Em verdade, em verdade vos digo: se alguém guardar a minha palavra, jamais verá a morte".

 

52Disseram então os judeus: "Agora sabemos que tens um demônio. Abraão morreu e os profetas também, e tu dizes: 'Se alguém guardar a minha palavra jamais verá a morte'. 53Acaso és maior do que nosso pai Abraão, que morreu, como também os profetas? Quem pretendes ser?" 54Jesus respondeu: "Se me glorifico a mim mesmo, minha glória não vale nada. Quem me glorifica é o meu Pai, aquele que vós dizeis ser o vosso Deus. 55No entanto, não o conheceis. Mas eu o conheço e, se dissesse que não o conheço, seria um mentiroso, como vós! Mas eu o conheço e guardo a sua palavra. 56Vosso pai Abraão exultou, por ver o meu dia; ele o viu, e alegrou-se".

 

57Os judeus disseram-lhe então: "Nem sequer cinqüenta anos tens, e viste Abraão!" 58Jesus respondeu: "Em verdade, em verdade vos digo, antes que Abraão existisse, eu sou". 59Então eles pegaram em pedras para apedrejar Jesus, mas ele escondeu-se e saiu do Templo. Palavra da Salvação!

 

Comentário do Evangelho

O Senhor da vida

 

A origem e o destino de Jesus foram motivo de controvérsia com os judeus. Por um lado, o Mestre proclamava: “Se alguém guarda a minha palavra, jamais verá a morte”. Por outro, afirmava: “Antes que Abraão existisse, Eu sou”.


Seus adversários raciocinavam de maneira aparentemente lógica. Os personagens mais veneráveis do povo, como Abraão e os profetas, morreram. Acreditava-se na volta do profeta Elias, que fora arrebatado ao céu numa carruagem de fogo. Não se tinha, porém, notícia de alguém que não iria experimentar a morte. Com Jesus, não haveria de ser diferente. Quanto à sua origem, era suficiente considerar sua idade bastante jovem – “Ainda não tens cinqüenta anos ...” – para se dar conta da falsidade de sua afirmação.


Este modo de pensar estava em total descompasso com a real intenção de Jesus. Referindo-se à morte, pensava em algo muito mais radical que a pura morte física. Suas palavras abririam caminho para a vida eterna, na comunhão plena com o Pai, para além das vicissitudes desta vida terrena. Ao referir-se à sua origem, não estava pensando no seu nascimento carnal, historicamente determinável, e sim na sua vida prévia, no seio do Pai. Neste sentido, pode-se dizer anterior ao patriarca Abraão, por possuir uma existência eterna.


Os inimigos de Jesus eram demasiado terrenos para compreender esta linguagem. [O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano A, ©Paulinas, 1997]

 

Oração da assembleia (Liturgia Diária)

-Para que surjam, a exemplo de Abraão, profetas comprometidos com a missão, rezemos. Senhor, escutai a nosso prece.

-Para que saibamos viver o compromisso com Deus e agir conforme sua vontade, rezemos.

-Para que a caminhada quaresmal nos torne mais sensíveis e solidários, rezemos.

-Para que as famílias sejam fortalecidas na compreensão mútua e no diálogo, rezemos.

-Para que os desempregados encontrem oportunidade digna de trabalho, rezemos.

-Preces espontâneas

 

Oração sobre as Oferendas:

Acolhei, ó Deus, com bondade, este sacrifício para que seja proveitoso à nossa conversão e à salvação de todo o mundo. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Deus não quis poupar seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós e deu-nos, com ele, todas as coisas. (Rm 8,32)

 

Oração Depois da Comunhão:

Nutridos, ó Deus, pelo pão que nos salva, imploramos vossa misericórdia, a fim de que , pelo mesmo sacramento que nos dais como alimento neste mundo, nos leveis a participar da vida eterna. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Santa Liduína (Lidvina) I

 

Lidvina ou Liduína, como costuma ser chamada por nós, nasceu em Schiedan, Holanda, em 1380, numa família humilde e caridosa. Ainda criança, recolhia alimentos e roupas para os pobres e doentes abandonados. Até os quinze anos, Liduína era uma menina como todas as demais. Porém, no inverno daquele ano, sua vida mudou completamente. Com um grupo de amigos foi patinar no gelo e, em plena descida da montanha, um deles se chocou violentamente contra ela. Estava quase morta com a coluna vertebral partida e com lesões internas. Imediatamente, foi levada para casa e colocada sobre a cama, de onde nunca mais saiu, até morrer.

 

Depois do trágico acidente, apareceram complicações e outras doenças, numa seqüência muito rápida. Apesar dos esforços, os médicos declararam que sua enfermidade não tinha cura e que o tratamento seria inútil, só empobrecendo ainda mais a família.

 

Os anos se passavam e Liduína não melhorava, nem morria. Ficou a um passo do desespero total, quando chegou em seu socorro o padre João Pot, pároco da igreja. Com conversas serenas, o sacerdote recordou a ela que: "Deus só poda a árvore que mais gosta, para que produza mais frutos; e aos filhos que mais ama, mais os deixa sofrer". E pendurou na frente da sua cama um crucifixo. Pediu que olhasse para ele e refletisse: se Jesus sofreu tanto, foi porque o sofrimento leva à glória da vida eterna.

 

Liduína entendeu que sua situação não foi uma fatalidade sem sentido, ao contrário, foi uma benção dada pelo Senhor. Do seu leito, podia colaborar com a redenção, ofertando seu martírio para a salvação das almas. E disse ao padre que gostaria de receber um sinal que confirmasse ser esse o seu caminho. E ela o obteve, naquela mesma hora. Na sua fronte apareceu uma resplandecente hóstia eucarística, vista por todos, inclusive pelo padre Pot.


A partir daquele momento, Liduína nunca mais pediu que Deus lhe aliviasse os sofrimentos; pedia, sim, que lhe desse amor para sofrer pela conversão dos pecadores e pela salvação das almas. Do seu leito de enferma ela recebeu de Deus o dom da profecia e da cura pela oração aos enfermos. Após doze anos de enfermidade, também começou a ter êxtases espirituais, recebendo mensagens de Deus e da Virgem Maria.


Em 1421, as autoridades civis publicaram um documento atestando que nos últimos sete anos Liduína só se alimentava da sagrada eucaristia e das orações. Sua enfermidade a impossibilitava de comer e de beber, e nada podia explicar tal prodígio. Nos últimos sete meses de vida, seu sofrimento foi terrível. Ficou reduzida a uma sombra e uma voz que rezava incessantemente. No dia 14 de abril de 1433, após a Páscoa, Liduína morreu serena e em paz. Ao padre e ao médico que a assistiam, pediu que fizessem de sua casa um hospital para os pobres com doenças incuráveis. E assim foi feito.


Em 1890, o papa Leão XII elevou santa Liduína ao altar e autorizou o seu culto para o dia da sua morte. A igreja de Schiedan, construída em sua homenagem, tornou-se um santuário, muito procurado pelos devotos que a consideram padroeira dos doentes incuráveis. [paulinas.org.br]

 

Prática quaresmal – a esmola

Dom Genival Saraiva, Bispo de Palmares - PE

 

A espiritualidade e a solidariedade estão presentes na vida do povo e se expressam de muitas formas. Os católicos, numa vivência milenar, associam à Quaresma as práticas da oração, da esmola e do jejum como gesto penitencial e solidário. Essas práticas, por sinal, constituem uma herança do povo de Deus, no Antigo Testamento. São muitas as passagens bíblicas que tratam da esmola. “Uma das mais antigas discussões bíblicas encontra-se no Livro de Tobias, escrito em Aramaico no ano 200 a.C., e que foi incorporado na Bíblia com a sua tradução em grego. Em Tobias, eleemosyne é usada com o significado específico de que esta palavra havia de ter no Novo Testamento: dar esmola aos pobres. Dar esmola é misericórdia, misericórdia expressa em dinheiro”.

 

Jesus assume essas práticas e as propõe como sinais de identificação de seus seguidores. Assim, conforme relata o Evangelista Lucas, Zaqueu, ao encontrar Jesus, se reencontra, revê seu ofício de cobrador de impostos, passando a doar esmola e praticar a justiça: “Senhor, a metade dos meus bens darei aos pobres, e se prejudiquei alguém, vou devolver quatro vezes mais.” (Lc 19,8) Jesus chama a atenção para a possibilidade de distorção das práticas da esmola, da oração e do jejum, quando se tornam puro ritualismo exterior que perde, consequentemente, a sua razão de ser que é aproximar as pessoas de Deus e de seus semelhantes. Aliás Jesus coloca como ponto de partida a questão da motivação ou da intenção que move as pessoas na observância dessas práticas. Se pretendem ser vistas e reconhecidas como boas e perfeitas, porque as observam, Jesus diz que já receberam a sua recompensa. (cf Mt 6,1-18) Na era apostólica, a esmola era uma das práticas da comunidade cristã, como se lê nos Atos dos Apóstolos: “A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém considerava suas coisas que possuía, mas tudo entre eles era posto em comum. (...) Entre eles ninguém passava necessidade, pois aqueles que possuíam terras ou casas as vendiam, traziam o dinheiro e o depositavam aos pés dos apóstolos. Depois era distribuído conforme a necessidade de cada um.” (At 4,32.34-35) À luz desses exemplos bíblicos, percebe-se que a prática da esmola tem um sentido profundo diante de Deus e um valor muito grande perante os homens porque implica a vivência da fraternidade e o exercício da solidariedade. No gesto concreto da doação a pessoas necessitadas, sempre se revela o rosto de Jesus necessitado, como ele ensina: “Pois eu estava com fome, e me destes de comer; estava com sede e me destes de beber” (Mt 25,35)

 

Movidos pela caridade, os discípulos de Cristo, por uma razão de fé, fazem da esmola uma doação fraterna; outros podem fazer por uma questão de filantropia que sempre um significado social, como expressão de solidariedade humana. Biblica e eclesialmente, nem os doadores devem alimentar um estado de dependência nas pessoas contempladas com a doação de sua esmola e estas, tampouco, devem adotar uma atitude de acomodação, porque isso lhes tolheria a capacidade de autoafirmação e autopromoção. Ao realizar, anualmente, a Campanha da Fraternidade no Brasil, a Igreja Católica educa os fiéis para participarem do “gesto concreto”, na linha da caridade e da solidariedade, que permitirá à CNBB e às Dioceses criarem, respectivamente, o Fundo Nacional de Solidariedade e o Fundo Diocesano de Soliariedade. A “Coleta da Campanha da Fraternidade”, no Domingo de Ramos, contempla o sentido bíblico da esmola e vai além, dado que sempre está na direção de causas sociais que exigem intervenções preventivas e corretivas. Com efeito, “Os recursos arrecadados serão destinados prioritariamente a projetos que atendam aos objetivos propostos pela CF 2011.”

 

Só o amor constrói, só o amor aproxima, só o amor consegue o amor dos homens em sua diversidade. (Papa João Paulo II)

 

Aconteceu no dia 14 de abril de 1191: Aos 85 anos, Giacinto Borboni-Orsini se torna Papa Celestino III.