Quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Primeira Semana do Tempo Comum, Ano Ímpar, 1ª Semana do Saltério, Livro III, cor Verde

 

Santos: Barbascêmino de Selêucia-Ctesifon (bispo) e Companheiros (mártires), Dácio de Milão (bispo), Félix de Nola (presbítero), Félix de Roma (presbítero), Macrina (viúva, mãe de São Basílio Magno, de São Gregório de Nissa e de São Pedro de Sebaste), Malaquias (profeta bíblico do Antigo Testamento), Sabas de Serbia (monge, bispo), Amadeu de Clermont (monge, bem-aventurado), Odo de Novara (monge, bem-aventurado), Pedro Donders (missionário redentorista, bem-aventurado)

 

Antífona: Ergamos os nossos olhos para aquele que tem o céu como trono; a multidão dos anjos o adora, cantando a uma só voz: Eis aquele cujo poder é eterno.

 

Oração: Ó Deus, atendei como pai às preces do vosso povo; dai-nos a compreensão dos nossos deveres e a força de cumpri-los. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Hebreus (Hb 3, 7-14)

Hoje é o dia em que ele realiza a redenção

 

Irmãos, 7escutai o que declara o Espírito Santo: “Hoje, se ouvirdes a sua voz, 8não endureçais os vossos corações, como aconteceu na provocação, no dia da tentação, no deserto, 9onde vossos pais me tentaram, colocando-me à prova, 10embora vissem as minhas obras, durante quarenta anos. Por isso me irritei com essa geração e afirmei: sempre se enganam no coração e desconhecem os meus caminhos. 11Assim jurei em minha ira: não entrarão no meu repouso”.  12Cuidai, irmãos, que não se ache em algum de vós um coração transviado pela incredulidade, levando-o a afastar-se do Deus vivo. 13Antes, animai-vos uns aos outros, dia após dia, enquanto ainda se disser “hoje”, para que nenhum de vós se endureça pela sedução do pecado, 14pois tornamo-nos companheiros de Cristo, contanto que mantenhamos firme até ao fim a nossa confiança inicial. Palavra do Senhor!

 

Leitura paralela recomendada: Sl 95,7-11

 

 

Comentando a I Leitura

Animai-vos uns aos outros, enquanto ainda se disser “hoje”

 

Não diversamente dos cristãos com que se ocupa a carta aos hebreus, os cristãos do nosso tempo encontram-se muitas vezes expostos a dupla tentação. A tentação de considerar a fé em Deus como uma espécie de apólice de seguro: contra as desgraças e doenças, contra as injustiças e afrontas, contra as calamidades naturais, contra as próprias enfermidades espirituais. Deus deve intervir para livrar o mundo das desgraças, para livrar das insídias da dúvida e do pecado aqueles que o invocam. A tentação de considerar a Igreja como um lugar de refúgio seguro, de onde se pode tranquilamente escutar o fragor das ondas que tragam os infelizes que estão “fora” do porto.

 

Para esses cristãos é inconcebível que o Concílio apresente, ao contrário, uma Igreja “em contínua busca da verdade”, uma Igreja chamada a renovar-se, a mudar as estruturas, para ser sinal da salvação para todos os homens. Mas esta é, justamente, a Igreja que Cristo quis. [MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 94 (95), 6-7.8-9.10-11 (R/.8)

Oxalá ouvísseis hoje a sua voz: não fecheis os vossos corações

 

6Vinde adoremos e prostremo-nos por terra, e ajoelhemos ante o Deus que nos criou! 7Porque ele é o nosso Deus, nosso pastor, e nós somos o seu povo e seu rebanho, as ovelhas que conduz com sua mão. 


8Oxalá ouvísseis hoje a sua voz: “Não fecheis os corações como em Meriba, 9como em Massa, no deserto, aquele dia, em que outrora vossos pais me provocaram, apesar de terem visto as minhas obras.

 

10Quarenta anos desgostou-me aquela raça e eu disse: Eis um povo transviado, 11seu coração não conheceu os meus caminhos! E por isso lhes jurei na minha ira: Não entrarão no meu repouso prometido!

 

Evangelho: Marcos (Mc 1, 40-45)

A lepra desapareceu e o homem ficou curado

 

Naquele tempo, 40um leproso chegou perto de Jesus, e de joelhos pediu: "Se queres, tens o poder de curar-me". 41Jesus, cheio de compaixão, estendeu a mão, tocou nele e disse: "Eu quero: fica curado!" 42No mesmo instante a lepra desapareceu e ele ficou curado. 43Então Jesus o mandou logo embora, 44falando com firmeza: "Não contes nada disso a ninguém! Vai, mostra-te ao sacerdote e oferece, pela tua purificação, o que Moisés ordenou, como prova para eles!" 45Ele foi e começou a contar e a divulgar muito o fato. Por isso Jesus não podia mais entrar publicamente numa cidade: ficava fora, em lugares desertos. E de toda parte vinham procurá-lo. Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas recomendadas: Lv 14,2-32; Mt 8,1-4; Lc 5,12-16

 

Comentário do Evangelho

Jesus compadecido

 

É comovente contemplar a sensibilidade de Jesus, em relação aos sofredores. Tem-se a impressão de que, quanto maior o sofrimento humano, tanto maior sua capacidade de comover-se. Nestas horas, a misericórdia falava mais alto.

 

O encontro com o leproso tocou, fundo, no coração de Jesus. Imaginemos aquele homem deformado e repelente, lançando-se aos pés do Mestre, em cujas mãos colocava a própria cura: "Se queres, tu tens o poder de curar-me!"

 

A reação natural seria a de censurá-lo, e ordenar que se afastasse, pois os leprosos não podiam conviver com as pessoas sadias. Outra reação seria a de afastar-se sem demora, para evitar o risco de contágio e o da impureza adquirida pelo simples contato com o doente.

 

Tudo se passa de forma diferente com Jesus. A presença daquele homem sofredor move-o à compaixão. Daí o gesto inesperado: Jesus toca o leproso. Sem dúvida, houve quem se escandalizasse e passasse a considerá-lo como impuro, como faziam com quem entrava em contato com os portadores da lepra.

 

Este tipo de tradição não tinha nenhum valor para Jesus. Seu único desejo era ver aquele infeliz livre de sua doença. E o cura!

 

A reação do ex-leproso é compreensível. Apesar da advertência de Jesus, saiu gritando o que lhe acontecera. A compaixão do Senhor deixou-o maravilhado. [O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano A,  ©Paulinas, 1997]

 

 

Preces dos Fiéis (Deus Conosco dia a dia, Editora Santuário Et Al)

Para que nos configuremos cada dia com o batismo que recebemos, e assim nos tornemos imagem viva do amor, rezemos ao bom Deus. Guiai-nos, Senhor, em vossos caminhos!

Para que sejamos hoje alegria para os tristes, conforto para os doentes, apoio para os desamparados, força para os fracos, rezemos ao bom Deus.

Para que pratiquemos sem medo e sem reserva o bem e a justiça, a solidariedade e a paz, rezemos ao bom Deus.

Por todos os que buscam a Deus com sinceridade de coração, rezemos ao bom Deus.

(Intenções próprias da comunidade)

 

Oração sobre as Oferendas:

Possa agradar-vos, ó Deus, a oferenda do vosso povo; que ela nos obtenha a santificação e o que confiantes vos pedimos. Por Cristo, nosso Senhor.

Antífona da comunhão:

Eu vim para que tenham a vida e a tenham cada vez mais, diz o Senhor. (Jo 10,10)

 

Depois da Comunhão:

Deus todo-poderoso, que refazeis as nossas forças pelos vossos sacramentos, nós suplicamos a graça de vos servir por uma vida que vos agrade. Por Cristo, nosso Senhor.

 

São Pedro Donders

 

Nasceu em Tilburg, Brabante do Norte em 27 de outubro de 1805. Filho de Arnold e de Petronila van den Brekel. Profundamente impressionado pelas lições do apóstolo Paulo (Hb 5,1) ordenou-se sacerdote aos 32 anos de idade em Oogstgeest, deixou sua pátria e trabalhou apostolicamente por quase 45 anos na Guiana Holandesa. Quando o vicariato apostólico da Guiana Holandesa foi confiado aos redentoristas que queriam se ocupar das almas mais abandonadas, são Pedro Donders pediu para ser admitido entre eles, em 27 de junho de 1867. Emitiu os votos perpétuos, tornando assim, definitivamente mais um dos filhos de Santo Afonso. Logo depois retornou para o meio dos leprosos entre os quais trabalhou com a maior dedicação até 1856. Além dos leprosos, ocupou-se dos índios e negros escravos e não escravos. O seu primeiro livro intitulou-se "Novo Apóstolo dos negros, dos índios e dos leprosos" São Pedro Donders naturalmente também se ocupou dos brancos em seus serviços sacerdotais. De 1842 a 1856 trabalhou na capital Paramaribo e de 1883 a 1885 em Corronie, na costa. Morreu em Batávia - na época, colônia dos leprosos no dia 14 de janeiro de 1887, aos 82 anos de idade.

 

 

O que teriam dito meu pai e minha mãe

 

Dom Pedro José Conti, Bispo de Macapá

 

As anedotas sobre a vida do Papa João XXIII são muitas. Uma delas é sobre o diálogo que se deu entre o Papa e o seu secretário, após a solene coroação na Basílica de São Pedro. O Papa já estava nos seus aposentos e caminhava para frente e para trás com uma mão no bolso e a outra contando as contas do terço. Andava pensativo e cabisbaixo. Vendo isto, o secretário se preocupou e perguntou:

 

¾     O que o senhor tem? Não está passando bem?

¾     Não, estou bem, meu filho, estou só um pouco triste, de verdade, um pouco triste, respondeu o Papa.

¾     Mas por que, santidade? – retrucou o secretário – Não deve; olhe pela janela, que dia magnífico, que alegria, que triunfo da fé!

¾     E o Santo Padre respondeu: tudo isso é muito grande para mim, é rico demais, é luxuoso demais. Acredite, quando me carregaram naquela cadeira, me senti humilhado: sim, foi para mim uma humilhação ver-me levantado tão alto! Olhei no meio do povo e pensei o que teriam dito de mim meu pai e minha mãe se tivessem me visto naquela situação.  Essas palavras do Papa João XXIII são um grande exemplo de humildade.

 

Ele sabia muito bem que não podia confundir a responsabilidade do cargo que estava ocupando com a sua pobre realidade humana. A lembrança das suas humildes origens, dos pais e dos irmãos camponeses, sempre o acompanhou. Em nenhum momento, nem na hora da coroação, pensou em se considerar superior aos outros. Ao contrário, ficou triste por tanta imerecida exaltação. Nem o canto “Tu és Pedro!” mudou a consciência dele.

 

É verdade que não podemos ler o evangelho deste domingo como um simples relato, mas devemos entendê-lo muito mais como uma declaração de fé por parte de João Batista e, mais ainda, por parte do autor do quarto evangelho. Contudo podemos imaginar o que deve ter pensado Jesus ao ouvir dizer: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. O que devem ter pensado as pessoas ouvindo o testemunho de João: “este é o Filho de Deus”? A resposta talvez esteja nas palavras do hino que encontramos na carta aos Filipenses (2,6-8): “Ele, existindo em forma divina, não se apegou ao ser igual a Deus, mas despojou-se, assumindo a forma de escravo e tornando-se semelhante ao ser humano. E encontrado em aspecto humano, humilhou-se, fazendo-se obediente até a morte – e morte de cruz!” Se houve exaltação na pessoa e na missão de Jesus foi pela sua obediência e o seu sacrifício, oferecendo sua vida na cruz.

 

Essa é a razão pela qual a Liturgia coloca esta página do Evangelho no início deste tempo, que chamamos comum, e que separa o tempo do Natal do tempo da Quaresma. O Menino que contemplamos no Presépio, visitado e adorado pelos Magos é sim o Filho de Deus, agora presente na história humana, tendo assumido a nossa natureza limitada no tempo e no espaço. O “Verbo” que era Deus, desde sempre, nada perdeu da sua divindade, mas aceitou a natureza humana para ser “aquele que tira o pecado do mundo”. Dessa vez Deus Pai, não falou e nem agiu mais por intermédio de alguém, mas pelo seu próprio Filho (cfr. Hebreus 1,1-6; segunda leitura da Missa do Dia de Natal). Sei que estou dizendo coisas difíceis para muitos que não estão acostumados, mas a dificuldade em entender não está somente nas afirmações da nossa fé; está, antes, em admitir a própria “encarnação”, o rebaixamento ou humilhação do Filho de Deus ao assumir a natureza humana em Jesus. Nós vivemos num tempo onde a humildade é considerada um defeito mais que uma virtude. Quantos de nós nos consideramos superiores aos outros, simplesmente pelo cargo que ocupamos, pelo dinheiro que temos ou pela simples incapacidade de reconhecermos as nossas limitações e os nossos defeitos. Não é questão de autoestima ou de algo parecido, infelizmente é questão de orgulho. O eterno orgulho humano que se aninha em cada um de nós e que transforma a nossa convivência em disputa pelo poder, em luta para aparecer, em frustrações por não conseguirmos ser sempre os primeiros.

 

Jesus é e sempre será, para quem acredita, o nosso salvador. Não por imposição, por esmagar os inimigos, mas por amá-los até o fim; a todos: amigos e inimigos. No Calvário os que tinham assistido à morte de Jesus como a um espetáculo, voltam batendo o peito. Se foi vitória, foi da humildade e do amor. É bom começar o novo ano com mais simplicidade e modéstia. Precisamos de projetos de paz e não de orgulho.

 

O Papa João XXIII sabia muito bem que se, naquele dia, ele estava sendo carregado nos ombros dos outros era porque estava começando a carregar também uma cruz muito pesada: a responsabilidade de manter a Igreja unida e fiel. Não o aguardava a soberba, mas o sacrifício.

 

Aconteceu no dia 13 de janeiro:

2010: Terremoto de 7,0 graus na escala Richter mata 217 mil pessoas em Porto Príncipe no Haiti ( 2010 ). As 18h40, horário local, um terremoto de 7,0 graus na escala Richter, devastou a cidade de Porto Príncipe no Haiti, ilha de São Domingos, arquipélago das grandes Antilhas, situado no Oceano Atlântico, onde 217 mil mortos e 1,2 milhão de pessoas desabrigadas foi o saldo da catástrofe. Entre eles 7 militares do 5ºBIL de Lorena (SP) perderam a vida no terremoto, eles estavam em missão de paz no Haiti.

 

2010: Morre Zilda Arns, fundadora das Pastorais da Criança e da Pessoa Idosa Drª Zilda Arns Neumann era médica sanitarista e fundadora das pastorais da Criança e da Pessoa Idosa e estava com 75 anos. Ela morreu vítima de destroços que caíram de um prédio, durante terremoto no Haiti, em 12 de janeiro de 2010. Zilda Arns era irmã do bispo emérito de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, e estava no Haiti a convite da Conferência de Religiosos.

 

 

Você só pode melhorar os outros se melhorar a si próprio. (Hugh R. Hanels)