Quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Décima Nona Semana do Tempo Comum, 3ª do Saltério (Livro III),  cor Litúrgica Verde

 

Oração: Dia Nacional das Artes e dia Internacional da Juventude

 

Santos: Graciliano, Euplúsio (séc IV, Catânia, Sicília), Eusébio (462, bispo em Milão), Hilário (séc IV, Augsburg) Macário e Juliano (mártires na Síria), Herculano (sév VI), Equício, Euplo, Geraldo, Inocêncio XI Colombo e companheiros monges (mártires de Lérins), Digna e Eunômia (mártires), Equício (abade), Euplo de Catânia (diácono, mártir), Herculano de Bréscia (bispo), Jaenbert de Cantuária (bispo), Porcário (abade) e Companheiros (monges mártires em Lérins).

 

Antífona: Considerai, Senhor, vossa aliança, e não abandoneis para sempre o vosso povo. Levantai-vos, Senhor, defendei vossa causa e não desprezeis o clamor de quem vos busca. (Sl 73, 20.19.22-23)

 

Oração: Deus eterno e todo-poderoso, a quem ousamos chamar de Pai, dai-nos cada vez mais um coração de filhos, para alcançarmos um dia a herança que prometestes. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Ezequiel (Ez 12, 1-12)
Prepara uma bagagem de exilado, à vista deles

 

1A palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos: 2"Filho do homem, estás morando no meio de um povo rebelde. Eles têm olhos para ver e não veem, ouvidos para ouvir e não ouvem, pois são um povo rebelde. 3Quanto a ti, filho do homem, prepara para ti uma bagagem de exilado, em pleno dia, à vista deles. Emigrarás do lugar onde estás, à vista deles, para outro lugar. Talvez percebam que são um povo rebelde. 4Deverás tirar a bagagem em pleno dia, à vista deles, como se fosse a bagagem de um exilado. Mas deverás sair à tarde, à vista deles, como quem vai para o exílio. 5A vista deles deverás cavar para ti um buraco no muro, pelo qual sairás; 6deverás carregar a bagagem nas costas e retirá-la no escuro. Deverás cobrir a face para não ver o país, pois eu fiz de ti um sinal para a casa de Israel". 7Eu fiz assim como me foi ordenado. Tirei a bagagem durante o dia, como se fosse a bagagem de exilado; à tarde, abri com a mão um buraco no muro. Saí ao escuro carregando a bagagem às costas, diante deles. 8De manhã, a palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos: 9"Filho do homem, não te perguntaram os da casa de Israel, essa gente rebelde, o que estavas fazendo? 10Dize-lhes: Assim fala o Senhor Deus: Este oráculo refere-se ao príncipe de Jerusalém e a toda a casa de Israel que está na cidade. 11Dize: Eu sou um sinal para vós. Assim como eu fiz, assim será feito com eles: irão cativos para o exílio. 12O príncipe que está no meio deles levará a bagagem às costas e sairá ao escuro. Farão no muro um buraco para sair por ele. O príncipe cobrirá o rosto para não ver com seus olhos o país". Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a 1ª Leitura

Prepara para ti uma bagagem de exilado

 

Deportações mais ou menos violentas e clamorosas, fruto do pecado, acontecem de contínuo, também hoje: obrigação de emigrar em busca de trabalho, tráfico de mão de obra de países pobres para países ricos, intelectuais constrangidos a refugiar-se no estrangeiro... Há nisso uma erradicação de pessoas, rupturas de família, chocantes inospitalidades, falta de educação para as novas gerações, meios que esmagam o homem... Não basta denunciar estas coisas, é preciso agir: pôr às costas o fardo do exilado, fazê-lo aspirar a uma libertação integral levada até à libertação interior; desmascarar os egoísmos, as espoliações, os delitos; trabalhar por uma humanidade mais conforme à vontade de Deus. “Levai os fardos uns dos outros, assim cumprireis a lei de Cristo”. (Gl 6, 2) [Liturgia Cotidiana, Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 78/77, 56-57. 58-59. 61-62 (R/. cf. 7c)
Das obras do Senhor não se esqueçam

 

Mesmo assim, eles tentaram o altíssimo, recusando-se a guardar os seus preceitos. Como seus pais, se transviaram, e o traíram como um arco enganador que volta atrás.

 

Irritaram-no com seus lugares altos, provocaram-lhe o ciúme com seus ídolos. Deus ouviu e enfureceu-se contra eles, e repeliu com violência a Israel.

 

Entregou a sua arca ao cativeiro, e às mãos do inimigo a sua glória; fez perecer seu povo eleito pela espada, e contra a sua herança enfureceu-se.

 

 

Evangelho: Mateus (Mt 18, 21 - 19, 1)
Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete

 

Naquele tempo, 21Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: "Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?" 22Jesus respondeu: "Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete. 23Porque o Reino dos Céus é como um rei que resolveu acertar as contas com seus empregados. 24Quando começou o acerto trouxeram-lhe um que lhe devia uma enorme fortuna. 25Como o empregado não tivesse com que pagar, o patrão mandou que fosse vendido como escravo, junto com a mulher e os filhos e tudo o que possuía, para que pagasse a dívida.

 

26O empregado, porém, caiu aos pés do patrão, e, prostrado, suplicava: 'Dá-me um prazo! E eu te pagarei tudo'. 27Diante disso, o patrão teve compaixão, soltou o empregado e perdoou-lhe a dívida. 28Ao sair dali, aquele empregado encontrou um dos seus companheiros que lhe devia apenas cem moedas. Ele o agarrou e começou a sufocá-lo, dizendo: 'Paga o que me deves'. 29O companheiro, caindo aos seus pés, suplicava: 'Dá-me um prazo! E eu te pagarei'. 30Mas o empregado não quis saber disso. Saiu e mandou jogá-lo na prisão, até que pagasse o que devia. 31Vendo o que havia acontecido, os outros empregados ficaram muito tristes procuraram o patrão e lhe contaram tudo. 32Então o patrão mandou chamá-lo e lhe disse: 'Empregado perverso, eu te perdoei toda a tua divida, porque tu me suplicaste. 33Não devias tu também, ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti? 34O patrão indignou-se e mandou entregar aquele empregado aos torturadores, até que pagasse toda a sua dívida. 35É assim que o meu Pai que está nos céus fará convosco, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão". 19,1Ao terminar estes discursos, Jesus deixou a Galiléia e veio para o território da Judéia além do Jordão. Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas: Lc 17, 3-4

 

 

 

Comentando o Evangelho

Reconhecer-se perdoado

 

A difusão do Reino depende do testemunho da comunidade cristã. Uma comunidade dividida seria um contra-testemunho que leva as pessoas a se afastarem do Reino. Pelo contrário, a comunidade fundada no amor e no perdão atrai as pessoas para Deus.

 

A ofensa, que cria divisões, deve ser reparada o mais rápido possível. Por isso, a vítima do ultraje alheio não deve esperar que o seu agressor venha pedir-lhe perdão. Ela mesma deverá tomar a iniciativa de refazer os laços rompidos, dando mostras de ter perdoado e de desejar a reconciliação. O mais importante é ganhar o agressor para o Reino, ajudá-lo a superar sua mentalidade egoísta, que não respeita o próximo, e levá-lo a comportar-se como verdadeiro discípulo do Reino. Se, apesar de mostrar boa-vontade, o ofensor insiste em manter a ruptura, então, é preciso tomar medidas mais sérias, para não ser conivente com esta mentalidade contrária ao Reino, e o ofensor se sinta movido a mudar de atitude. Deve-se chegar até a providência extrema de convocar a comunidade para discernir, em clima de oração, se convém ou não conservar, entre seus membros, essa pessoa que se recusa a viver reconciliada. Não se descarta até mesmo a possibilidade de excomunhão. Contudo, é preciso fazer o possível para que o pecador se converta. [Evangelho Nosso de Cada Dia, Pe. Jaldemir Vitório, ©Paulinas, 1997]

 

Para sua reflexão: Setenta vezes sete significa sempre. À vingança tribal, Jesus opõe o perdão sem limites como característica do discípulo. Dez mil talentos, uma quantia enorme, significa que o servo não tinha saída para a sua dívida, salvando-se apenas graças à piedade do seu senhor. O talento valia entre 21 e 34Kg, e podia ser em outro ou em prata. Idêntico comportamento devia ele ter com o colega que lhe devia apenas cem denários. Esta soma irrisória não tinha proporção com a anterior.  A indicação teológica (19,1) pretende dizer que Jesus sai da região da Galileia (pagã) para se dirigir a Jerusalém, onde cumprirá o seu destino de Messias sofredor. (Bíblia dos Capuchinhos)

 

 

 

Inocêncio XI

 

 

 

No dia 19 de maio de 1611, nasceu, na cidade de Como, na Itália, aquele que se tornou o papa Inocêncio XI. Os pais, Livio Odescalchi e Paula Catelli de Grandino, ambos de famílias influentes e da nobreza, batizaram o menino com o nome de Bento Odescalchi.


Na infância, foi entregue para ser educado pelos jesuítas. Aos onze anos, ficou órfão de pai e, aos dezenove, de mãe também. Orientado pelo tio paterno, seguiu estudando direito em Nápoles e Roma. Em 1645, o papa Inocêncio X nomeou-o cardeal diácono da Igreja e, em 1650, foi nomeado bispo de Novarra. Depois, sucedeu esse sumo pontífice, passando a chamar-se Inocêncio XI, em 1676.


Uma de suas primeiras atitudes ao assumir a direção da Igreja foi advertir os cardeais sobre os males do nepotismo instaurado dentro do clero. O resultado foi muito positivo, pois conseguiu acabar com o déficit do tesouro da Santa Sé num período de dois anos.


Mas uma das maiores batalhas que o papa Inocêncio XI travou foi com o rei francês Luiz XIV, que não respeitara os direitos da Igreja a ponto de convocar uma assembleia dos bispos e padres franceses para promulgar quatro artigos que reduziriam sensivelmente os poderes do papa sobre a Igreja francesa. Entretanto Inocêncio XI atuou firmemente e anulou os quatro artigos impostos pelo rei, e ainda puniu os bispos que assinaram tal documento.

 

Ele foi um papa voltado às carências e ao sofrimento dos mais pobres. Ficou conhecido como "pai dos pobres". Era um homem preocupado com a doutrina da fé e da moral. Também apoiou o rei polonês Sobieski, que derrotou os turcos em Viena. Incentivava os fiéis à comunhão e insistia na educação do clero e na reforma da vida dos monges.

O papa Inocêncio XI morreu no dia 12 de agosto de 1689 e foi beatificado em 1956, pelo papa Pio XII, apesar dos veementes protestos e resistência dos clérigos franceses. [Paulinas.org.br]

 

É na arte que o ser humano se ultrapassa definitivamente. (Simone de Beauvoir)