Quinta-feira, 12 de março de 2009
Segunda Semana da Quaresma, Ano Ímpar, 2ª Semana do Saltério, cor Litúrgica Roxa
Provai-me, ó Deus, e conhecerei meus pensamentos: vede se ando pela vereda do mal e conduzi-me no caminho da eternidade. (Sl 132, 23-24)
Hoje: Dia do Bibliotecário
Santos do Dia: Adolfo de Osnabrück (monge, bispo), Ardano de Tournus (abade), Bento de Aniane (abade, eremita), Calógero de Ravena (bispo), Castrense de Cápua (bispo), Gregório II (papa), Jonas de Demeskenyanos (eremita), Lázaro de Milão (bispo), Lúcio (bispo de Adrianópolis) e Companheiros (mártires), Pascoal I (papa), Saturnino, Dativo, Félix, Ampélio e Companheiros (mártires),Severino de Agaunum (abade), Teodora (imperatriz), Isabel Salviati (monja camaldulense, bem-aventurada), Heloísa de Coulombs (virgem, bem-aventurada).
Oração: Ó Deus, que amais e restaurais a inocência, orientai para vós os corações dos vossos filhos e filhas, para que, renovados pelo vosso Espírito, sejamos firmes na fé e eficientes nas obras. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.
I Leitura: Jeremias (Jr 17, 5-10)
Maldito o homem que confia no homem
5Isto diz o Senhor: "Maldito o homem que confia no homem e faz consistir sua força na carne humana, enquanto o seu coração se afasta do Senhor”; 6como os cardos no deserto, ele não vê chegar a floração, prefere vegetar-se na secura do ermo, em região salobra e desabitada.
7Bendito o homem que confia no Senhor, cuja esperança é o Senhor; 8é como a árvore plantada junto às águas, que estende as raízes em busca da umidade, e por isso não teme a chegada do calor: sua folhagem mantém-se verde, não sofre míngua em tempo de seca e nunca deixa de dar frutos. 9Em tudo é enganador o coração, e isto é incurável; quem poderá conhecê-lo?
10Eu sou o Senhor, que perscruto o coração e provo os sentimentos, que dou a cada qual conforme o seu proceder e conforme o fruto de suas obras". Palavra do Senhor!
Comentando a I Leitura
Bendito o homem que põe sua confiança no Senhor
Em quem se deve esperar? No homem, afirmam muitos de nossos contemporâneos, que sonham libertar o mundo das tutelas religiosas para confiá-lo totalmente às mãos do homem. Sua confiança no homem é comovedora, mas segundo a linguagem do profeta eles seriam malditos, iludidos. Acabam por ser homens sem esperança porque lhes falta a confiança na ressurreição. Além disso, constatando a maldade humana, concluem amargamente que o homem não merece confiança.
Só existe uma possibilidade de esperar no homem: esperar no homem Jesus Cristo. Nele Deus nos dá a possibilidade de tornar tudo novo e de crer no futuro. Nele a vida humana torna-se possível e vale a pena ser vivida. É possível, então, esperar também nos outros homens, porque sua graça pode transformá-los e torná-los co-responsáveis, mediante um engajamento fiel no mundo, pela construção de um futuro melhor.
Salmo: 1, 1-2.3.4 e 6 (R/.Sl 39 [40], 5a)
É feliz quem a Deus se confia!
1Feliz é todo aquele que não anda conforme os conselhos dos perversos; que não entra no caminho dos malvados, nem junto aos zombadores vai sentar-se; 2mas encontra seu prazer na lei de Deus e a medita, dia e noite, sem cessar.
3Eis que ele é semelhante a uma árvore, que à beira da torrente está plantada; ela sempre dá seus frutos a seu tempo, e jamais as suas folhas vão murchar. Eis que tudo o que ele faz vai prosperar.
4Mas bem outra é a sorte dos perversos. Ao contrário, são iguais à palha seca espalhada e dispersa pelo vento. 5Pois Deus vigia o caminho dos eleitos, mas a estrada dos malvados leva à morte.
Evangelho: Lucas (Lc 16, 19-31)
O homem rico e o pobre Lázaro
Naquele tempo, disse Jesus aos fariseus: 19"Havia um homem rico, que se vestia com roupas finas e elegantes e fazia festas esplêndidas todos os dias. 20Um pobre, chamado Lázaro, cheio de feridas, estava no chão, à porta do rico. 21Ele queria matar a fome com as sobras que caiam da mesa do rico. E, além disso, vinham os cachorros lamber suas feridas.
22Quando o pobre morreu, os anjos levaram-no para junto de Abraão. Morreu também o rico e foi enterrado. 23Na região dos mortos, no meio dos tormentos, o rico levantou os olhos e viu de longe a Abraão, com Lázaro ao seu lado. 24Então gritou: 'Pai Abraão, tem piedade de mim! Manda Lázaro molhar a ponta do dedo para me refrescar a língua, porque sofro muito nestas chamas'. 25Mas Abraão respondeu: 'Filho, lembra-te de que recebeste teus bens durante a vida e Lázaro, por sua vez, os males. Agora, porém, ele encontra aqui consolo e tu és atormentado. 26E, além disso, há grande abismo entre nós: por mais que alguém desejasse, não poderia passar daqui para junto de vós, e nem os daí poderiam atravessar até nós'.
27O rico insistiu: 'Pai, eu te suplico, manda Lázaro à casa de, meu pai, 28porque eu tenho cinco irmãos. Manda preveni-los, para que não venham também eles para este lugar de tormento'. 29Mas Abraão respondeu: 'Eles têm Moisés e os profetas, que os escutem!' 30 O rico insistiu: 'Não, Pai Abraão, mas se um dos mortos for até eles, certamente vão se converter'. 31Mas Abraão lhe disse: 'Se não escutam a Moisés, nem aos Profetas, eles não acreditarão, mesmo que alguém ressuscite dos mortos'". Palavra da Salvação!
Leituras paralelas nos Evangelhos Sinóticos: Mc 10, 32-34; Lc 18, 31-34
(Terceiro anúncio da paixão) e Mc 10, 35-45 (Contra a ambição).
Comentário do Evangelho[1]
O rico e Lázaro
A parábola evangélica é um alerta premente contra o perigo da riqueza e as conseqüências desastrosas para quem não sabe se servir dela como meio para obter a salvação eterna. A riqueza pode levar à condenação.
O rico simboliza aquela pessoa cuja vida limita-se à busca de prazeres: da
comida, da bebida, do vestir-se bem, do locupletar-se com bens materiais. Por
isso, não demonstra a mínima preocupação com Deus, nem muito menos com seus
semelhantes, de modo especial, os pobres e marginalizados. Interessa-lhes,
apenas, quem lhes pode proporcionar prazer, e seus companheiros de orgias.
Nada, porém, que possa significar amor e ruptura dos esquemas egoístas.
A riqueza estreitava os horizontes do rico da parábola, impedindo-o de ver para
além de seu pequeno mundo. O sofrimento do pobre Lázaro, à sua porta, era-lhe
desconhecido. Sua fome contrastava com a opulência dos banquetes que o rico
oferecia. Seu corpo coberto de feridas, dando-lhe um aspecto asqueroso,
chocava-se com a bela aparência dos convivas do rico, bem vestidos e adornados.
O desfecho da parábola parece lógico: a insensibilidade do rico farreador
valeu-lhe a condenação eterna de sofrimentos, pois deixara escapar a única
chance de construir sua felicidade eterna, fazendo-se solidário com o
sofrimento do próximo.
São Luis Orione[2]
Por quantos títulos este nobre santo era conhecido: "Apóstolo da caridade", "Pai dos pobres", "Benfeitor insigne da humanidade", "Fundador da Pequena Obra da Divina Providência". A mãe era analfabeta: pobre, porém boníssima e cristã. Sua mãe teve grande influência sobre os três filhos com sua piedade e sabedoria. Luís sentia chamado a vida sacerdote aos 10 anos de idade, mas via-se obrigado a ajudar ao pai como calceteiro de estradas. Aos 13 anos de idade foi recebido na Ordem franciscana mas logo teve que voltar para casa, por estar doente. Completou o ginásio no Oratório Salesiano, onde teve a graça de ter como confessor, são João Bosco. Em 1889, aos 17 anos de idade entrou no seminário de Tortosa. Após três anos seu pai veio a falecer e para que pudesse custear seus estudos foi-lhe dado o cargo de guardião da catedral. Mesmo ainda seminarista, fundou no bairro são Bernardino um colégio para vocações sacerdotais para pessoas pobres. Com 21 anos, ainda subdiácono, recebeu do bispo licença para pregar na Diocese. Ordenou-se sacerdote em 3 de abril de 1895, aos 23 anos de idade e sua atividade dirigiu-se a duas direções: escolas e colônias agrícolas. Muito querido por todos era bastante incentivado pelo Papa Pio X. Trabalhou nas obras de reconstrução pelos terremotos de Messina em 1908 e de Márcicas em 1915. Em 1916 iniciou a obra do Pequeno Cotolengo e fundou suas congregações religiosas, masculinas e femininas que ainda vivo viu se expandir continuamente. Em 1934-37, visitou suas obras no Chile, Uruguai, Argentina e Brasil. Atacado de angina pectoris foi obrigado a se retirar para casa de San Remo onde veio a morrer quase repentinamente. Seu corpo conserva-se até hoje incorrupto e encontra-se em Tortosa.
Respeito e fidelidade fortalecem o altar da amizade. (Selma Said)