Quinta-feira, 11 de setembro de 2008
23ª Semana do Tempo Comum, Ano Par, 3ª do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde
Vós sois justo, Senhor, e justa é a vossa sentença; tratai o vosso servo segundo a vossa misericórdia. (Sl 118, 137.124)
Hoje: Dia da Lei de Imprensa
Santos: BV João Gabriel Perboyle (sacerdote lazarista, 1840), Dídimo, Diomedes, , Proto e Jacinto (mártires, Roma), Pafnúncio (monge no Egito), Arneu e Almiro (eremitas), Paciente, Proto, Jacinto, Boaventura de Barcelona (confessor franciscano, 1ª ordem)
Oração: Ó Deus, pai de bondade, que nos redimistes e adotastes como filhos e filhas, concedei aos que crêem no Cristo a verdadeira liberdade e a herança eterna. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
1ª
Carta de Paulo aos Coríntios (1Cor 8, 1b-7.11-13)
Paulo afirma que há um único e verdadeiro Deus
Irmãos, 1b o conhecimento incha, a caridade é que constrói. 2Se alguém acha que conhece bem alguma coisa, ainda não sabe como deveria saber. 3Mas se alguém ama a Deus, ele é conhecido por Deus! 4Quanto ao comer as carnes de animais sacrificados aos ídolos, nós sabemos que um ídolo não é nada no mundo, e que Deus é um só. 5É verdade que alguns são chamados deuses, no céu ou na terra, e muita gente pensa que existem muitos deuses e muitos senhores. 6Para nós, porém, existe um só Deus, o Pai, de quem vêm todos os seres e para quem nós existimos. E, ainda, para nós, existe um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual tudo existe, e nós também existimos por ele. 7Mas nem todos têm esse conhecimento. De fato, alguns habituados, até ao presente, ao culto dos ídolos, comem da carne dos sacrifícios, como se ela fosse mesmo oferecida aos ídolos. E assim, a sua consciência, que é fraca, fica manchada. 11E então, por causa do teu conhecimento, perece o fraco, o irmão pelo qual Cristo morreu. 12Pecando, assim, contra os irmãos e ferindo a consciência deles, que é fraca, é contra Cristo que pecais. 13Por isso, se um alimento é ocasião de queda para meu irmão, nunca mais comerei carne, para não escandalizar meu irmão. Palavra do Senhor!
Comentando a I Leitura[1]
Pecando contra os irmãos é contra Cristo que pecais
O cristão é homem que pensa nos irmãos; contrariamente, "ferindo a consciência frágil dos irmãos, vós pecais contra Cristo" (v. 12). Ante um problema concreto da comunidade, relativo à relação fé-cultura, a resposta da ciência e clara: visto como os ídolos não existem, pode o cristão comer tranqüilamente as carnes oferecidas a eles. Mas "a ciência incha, ao passo que a caridade edifica" (v. 2). O cristão que come carnes oferecidas corre o risco de escandalizar os irmãos na fé que ainda não têm profunda maturidade de julgamento. A caridade pede ao cristão adulto abstenha-se das carnes imoladas, como deverá abster-se de qualquer coisa (lícita em si) que seja prejudicial ao irmão. A razão é que a fé não é só um relacionamento pessoal com Cristo, mas um relacionamento comunitário. Se escandalizo o irmão, ofendo a Cristo. A fé é vida de amor!
Salmo
Responsorial: 138 (139), 1-3.13-14ab.23-24 (R/.24b)
Conduzi-me no caminho para a vida, ó Senhor!
Senhor, vós me sondais e conheceis, sabeis quando me sento ou me levanto; de longe penetrais meus pensamentos, percebeis quando me deito e quando eu ando, os meus caminhos vos são todos conhecidos.
Fostes vós que me formastes as entranhas, e no seio de minha mãe vós me tecestes. Eu vos louvo e vos dou graças, ó Senhor, porque de modo admirável me formastes! Que prodígio e maravilha as vossas obras!
Senhor, sondai-me, conhecei meu coração, examinai-me e provai meus pensamentos! Vede bem se não estou no mau caminho, e conduzi-me no caminho para a vida!
Evangelho: Lucas (Lc 6, 27-38)
Sede misericordiosos, como também o vosso pai é
misericordioso
Naquele tempo, falou Jesus aos seus discípulos: 27"A vós que me escutais, eu digo: Amai os vossos inimigos e fazei o bem aos que vos odeiam, 28bendizei os que vos amaldiçoam, e rezai por aqueles que vos caluniam. 29Se alguém te der uma bofetada numa face, oferece também a outra. Se alguém te tomar o manto, deixa-o levar também a túnica. 30Dá a quem te pedir e, se alguém tirar o que é teu, não peças que o devolva. 31O que vós desejais que os outros vos façam, fazei-o também vós a eles. 32Se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Até os pecadores amam aqueles que os amam. 33E se fazeis o bem somente aos que vos fazem o bem, que recompensa tereis? Até os pecadores fazem assim. 34E se emprestais somente àqueles de quem esperais receber, que recompensa tereis? Até os pecadores emprestam aos pecadores, para receber de volta a mesma quantia.
35Ao contrário, amai os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai sem esperar coisa alguma em troca. Então, a vossa recompensa será grande, e sereis filhos do altíssimo, porque Deus é bondoso também para com os ingratos e os maus. 36Sede misericordiosos, como também o vosso Pai é misericordioso. 37Náo julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados. 38Dai e vos será dado. Uma boa medida, calcada, sacudida, transbordante será colocada no vosso colo; porque com a mesma medida com que medirdes os outros, vós também sereis medidos". Palavra da Salvação!
Comentando o Evangelho[2]
O amor heróico
O ápice do testemunho cristão acontece no amor aos inimigos, que atinge as raias do heroísmo. Este é a pedra de tropeço de muitos discípulos que consideram absurda uma tal exigência. Por que Jesus não omitiu de sua pregação este elemento? Seria possível considerar o amor aos inimigos como um componente opcional de sua doutrina?
O Mestre buscou aproximar, o máximo possível, o modo de agir dos discípulos com o modo de ser de Deus. Portanto, eles devem amar seus inimigos, porque é assim que o Pai age em relação à humanidade que constantemente o ofende pelo pecado. Ele, no entanto, sempre está pronto a refazer os laços de amizade. A misericórdia do Pai deve pautar a ação dos discípulos de Jesus. Sem isto, o discípulo em nada se diferenciaria dos pagãos. Estes gostam apenas daqueles que lhe fazem o bem, e estão sempre prontos a revidar a ofensa recebida, até o ponto de destruir a vida de quem os ofendeu.
Os discípulos do Reino devem agir de maneira diferente. Não sendo passivos, nem agindo por medo, mas sim com plena consciência e liberdade. Eles sabem que, agindo assim, estarão dando testemunho do amor característico do Reino, e quebrando a espiral de violência que arruina o projeto de Deus para a humanidade.
O amor heróico tem, portanto, uma vertente missionária. Tem a força de converter para o Reino e para o amor pessoas de boa vontade, em busca dos caminhos de Deus.
São João Gabriel Perboyre[3]
João Gabriel Perboyre nasceu em 5 de janeiro de 1802, em Mongesty, na diocese de Cahors, França, numa família de agricultores, numerosa e profundamente cristã. Foi o primeiro dos oito filhos do casal, sendo educado para seguir a profissão do pai.
Mas o menino era muito piedoso, demonstrando desde a infância sua vocação
religiosa. Assim, aos quatorze anos, junto com dois de seus irmãos, Luís e
Tiago, decidiu seguir o exemplo do seu tio Jacques Perboyre, que era sacerdote.
Ingressou na Congregação da missão fundada por são Vicente de Paulo para
tornar-se um padre vicentino ou lazarista, como também são chamados os
sacerdotes desta Ordem. Depois, também, duas de suas irmãs ingressaram na
Congregação das Filhas da Caridade. Uma outra irmã, logo após entrar para as
carmelitas, adoeceu e morreu.
João Gabriel recebeu a ordenação sacerdotal em 1826. Ficou alguns anos em
Paris, como professor e diretor nos seminários vicentinos. Porém seu desejo era
ser um missionário na China, onde os vicentinos atuavam e onde, recentemente,
padre Clet fora martirizado.
Em 1832, seu irmão, padre Luís, foi designado para lá. Mas ele morreu em pleno
mar, antes de chegar às Missões na China. Foi assim que João Gabriel pediu para
substituí-lo. Foi atendido e, três anos depois, em 1835, estava em Macau,
deixando assim registrado: "Eis-me aqui. Bendito o Senhor que me guiou e
trouxe". Na Missão, aprendeu a disfarçar-se de chinês, porque a presença
de estrangeiros era proibida por lei. Estudou o idioma e os costumes e seguiu
para ser missionário nas dioceses Ho-Nan e Hou-Pé.
Entretanto foi denunciado e preso na perseguição de 1839. Permaneceu um ano no
cativeiro, sofrendo torturas cruéis, até ser amarrado a uma cruz e
estrangulado, no dia 11 de setembro de 1840. Beatificado em 1889, João Gabriel
Perboyre foi proclamado santo pelo papa João Paulo II em 1996. Festejado no dia
de sua morte, tornou-se o primeiro missionário da China a ser declarado santo
pela Igreja.
A fé não está no corpo que se inclina, mas na alma que crê. (Santo Agostinho)