Quinta-feira, 10 de junho de 2010

Décima Semana do Tempo Comum, 2ª do Saltério (Livro III),  cor Litúrgica Verde

 

Hoje: Dia da Artilharia

Santos: Olívia, Getúlio, Itamar, Luciliano, Astério (bispo da Arábia), Eduardo Poppe, João Dominici, Rogato (cristão da África), Timóteio (bispo da Ásia), Máximo (bispo de Nápoles, Itália), Bem-Aventurado Censúrio (bispo)

 

Antífona: O Senhor é minha luz e minha salvação, a quem poderia eu temer? O Senhor é o baluarte de minha vida, perante quem tremerei? Meus opressores e inimigos, são eles que vacilam e sucumbem. (Sl 26, 1-2)

 

Oração: Ó Deus, fonte de todo bem, atendei ao nosso apelo e fazei-nos, por vossa inspiração, pensar o que é certo e realizá-lo com vossa ajuda. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: I Livro dos Reis (1Rs 18, 41-46)
Elias orou e o céu deu a chuva

 

Naqueles dias, 41Elias disse a Acab: "Sobe, come e bebe, porque já ouço o ruído de muita chuva". 42Enquanto Acab subia para comer e beber, Elias subiu ao cume do Carmelo, prostrou-se por terra e pôs o rosto entre os joelhos.43E disse ao seu servo: "Sobe e observa na direção do mar". Ele subiu, observou e disse: "Não há nada". Elias disse-lhe de novo: "Volta sete vezes". 44À sétima vez o servo disse: "Eis que sobe do mar uma nuvem, pequena como a mão de um homem". Então Elias disse-lhe: "Vai dizer a Acab que prepare o carro e desça, para que a chuva não o detenha". 45Nesse meio tempo, o céu cobriu-se de nuvens escuras, soprou o vento e a chuva caiu torrencialmente. Acab subiu para o seu carro e partiu para Jezrael. 46A mão do Senhor esteve sobre Elias; e ele, cingindo os rins, correu adiante de Acab até a entrada de Jezrael. Palavra do Senhor!

 

 

Salmo: 64(65), 10abcd.10e-11.12-13 (R/. 2a)
Ó Senhor, que o povo vos louve em Sião

 

Visitais a nossa terra com as chuvas, e transborda de fartura. Rios de Deus que vêm do céu derramam águas, e preparais o nosso trigo.

 

É assim que preparais a nossa terra: vós a regais e aplainais, os seus sulcos com a chuva amoleceis e abençoais as sementeiras.

 

O ano todo coroais com vossos dons, os vossos passos são fecundos; transborda a fartura onde passais. Brotam pastos no deserto as colinas se enfeitam de alegria.

 

Evangelho: Mateus (Mt 5, 20-26)
Todo aquele que encoleriza com seu irmão, será réu em juízo

 

Naquele tempo disse Jesus aos seus discípulos: 20"Se a vossa justiça não for maior que a justiça dos mestres da lei e dos fariseus, vós não entrareis no Reino dos céus. 21Vós ouvistes o que foi dito aos antigos: 'Não matarás! Quem matar será condenado pelo tribunal'. 22Eu, porém, vos digo: todo aquele que se encoleriza com seu irmão será réu em juízo; quem disser ao seu irmão: 'patife!' será condenado pelo tribunal; quem chamar o irmão de 'tolo' será condenado ao fogo do inferno.

 

23Portanto, quando tu estiveres levando a tua oferta para o altar, e ali te lembrares que teu irmão tem alguma coisa contra ti, 24deixa a tua oferta ali diante do altar, e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão. Só então vai apresentar a tua oferta. 25Procura reconciliar-te com teu adversário, enquanto caminha contigo para o tribunal. Senão o adversário te entregará ao juiz, o juiz te entregará ao oficial de justiça, e tu serás jogado na prisão. 26Em verdade eu te digo: dali não sairás, enquanto não pagares o último centavo". Palavra da Salvação!

 

Leitura complementar: Lc 12, 57-59

 

 

Comentando o Evangelho

A exigência da comunhão fraterna

 

O ensinamento de Jesus foi sempre incisivo na questão da comunhão fraterna. Este tema aparece já nas primeiras páginas da Bíblia que relatam o terrível episódio do assassinato de Abel pelas mãos de seu irmão Caim, nos primórdios da humanidade. Este fratricídio brutal e injustificado abriu a porta para todos os demais homicídios que mancharam de sangue a história da humanidade. Quando o Decálogo declarou, de maneira inequívoca, "Não matarás", estava visando a preservação da humanidade. Sem respeito à vida, a sobrevivência dos seres humanos estaria comprometida.

 

Os discípulos de Jesus foram confrontados com uma exigência superior à da Lei mosaica. Era preciso dar um passo adiante e assumir a comunhão fraterna como imperativo. Dela decorria a capacidade de ser compreensivo com o outro, evitando irritar-se com ele ou jogar-lhe em rosto palavras ofensivas. O relacionamento com Deus deveria ser vivido juntamente com o relacionamento com o próximo. A oferenda a Deus seria inútil, se o coração do oferente fosse contaminado pela inimizade, e o seu relacionamento com alguém estivesse rompido. A reconciliação tem prioridade em relação ao culto.

 

O discípulo sensato apressa-se a cumprir a ordem do Mestre, mesmo reconhecendo que deverá superar inúmeras barreiras, para chegar à reconciliação e acontecer a comunhão. [Evangelho nosso de cada dia, Pe. Jaldemir Vitório, ©Paulinas, 1997]

 

Para sua reflexão: Jesus se apresenta como autoridade soberana. Aqui há alguém maior que Moisés. A primeira antítese compreende duas partes: sobre o homicídio, sobre a reconciliação. O mandamento de não matar (Ex 20,13; Dt 5, 17; Lv 24,17) radicaliza-se na atitude interior de onde brota o homicídio e se estende a ofensas menores. “Inútil e louco” são insultos graves que negam ao outro a capacidade de compreender: expressam desprezo e talvez rancor, inveja, e podem conduzir a ações graves. O castigo está escalonado: o tribunal local, o Conselho nacional, o próprio Deus. (BIBLIA DO PEREGRINO)

 

Beato João Dominici

 

 

 

 

Entre os registros do Beato João Dominici que nos chegaram, há uma breve biografia escrita por São Antonino, Arcebispo de Florença, assim como um retrato pintado do famoso Fra Angélico, nos muros da catedral de São Marcos. São João era um florentino de origem humilde que veio ao mundo em 1376. Aos 18 anos recebeu o hábito dos dominicanos, na priorado de Santa Maria Novella, apesar da certa oposição causada por sua falta de educação e sua tendência a gaguejar. Porém aquelas carências ficaram compensadas por sua extraordinária capacidade de reter na memória o que aprendia. O Santo converteu-se, em pouco tempo, em um dos melhores teólogos de sua época e em um pregador eloquente. Escreveu os ´laudio´ o hinos na língua vernácula. Após terminar seus estudos na Universidade de Paris, dedicou 12 anos ao ensinamento e à pregação em Veneza. Foi nomeado prior em Santa Maria Novella. Em Fiésole e em Veneza, fundou novas casas para monges e estabeleceu um convento para monjas dominicanas, chamado Corpus Christi. A partir daí trabalhou para introduzir ou restabelecer a estrita regra de Santo em vários priorados. Também preocupou-se muitíssimo para que compartilhassem uma educação cristã à juventude e foi o primeiro a combater as perniciosas tendências da nova heresia que já começava a ser um perigo: o humanismo. Em 1406, assistiu ao conclave que escolheu ao Papa Gregório XII. Depois foi o confessor e conselheiro do Pontífice e este, sagrou-o Arcebispo de Ragusa e Cardeal de São Sixto. Seu culto foi confirmado em 1832.

 

O verdadeiro amor não se conhece por aquilo que

exige, mas por aquilo que oferece. (Jacinto Benavente)