Quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Segunda Semana do Advento, Ano “A”, 2ª do Saltério (Livro I), cor Roxa

 

Hoje: Dia Nacional do Fonoaudiólogo e Dia Internacional contra Corrupção

 

Santos: Amônio de Latópolis (mártir), Angilramo de Cêntula (abade), Balda de Jouarre (abadessa), Basílio, Mirão e Lúcio (mártires), Budoco de Dol (bispo), Budoco de Vannes (bispo), Cipriano de Genouillac (abade, mártir), Cipriano de Perigord (abade), Ciro de Pádua (bispo), Ciro de Pavia (primeiro bispo desta Igreja, mártir), Dāmlāhah, Sarūs, Hirmān, Bānūf e Bastāy (mártires do Egito), Daniel de Qartamĩn (bispo), Eusébio, Gemamal, Harūs e Bacco (mártires do Egito), Gerácio do Egito (eremita), Gorgônia de Nazianzo (irmã de São Gregório Nazianzeno e de São Cesário. Casada, mãe de três filhos), Heracliano de Pesaro (bispo), Juliano de Apamea (bispo), Leocádia de Toledo (virgem, mártir), Pedro Fourier (presbítero, fundador), Pedro, Sucesso, Bassiano, Primitivo e Companheiros (mártires), Próculo de Verona (bispo), Restituto de Cartagena (mártir), Severo de Praga (bispo), Valéria de Limoges (mártir), Vítor de Piacenza (bispo), Bernardo Maria de Jesus (religioso, bem-aventurado), Libório Wagner (pároco de Wurzburgo, mártir, bem-aventurado), Ulrico de Holme (eremita, bem-aventurado).

 

Antífona: Estais perto, Senhor, e todos os vossos caminhos são verdadeiros. Desde muito aprendi que vossa aliança foi estabelecida para sempre. (Sl 118, 151-152)

 

Oração: Despertai, ó Deus, os nossos corações, a fim de prepararmos os caminhos do vosso Filho, para que possamos, pelo seu advento, vos servir de coração purificado. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Isaias (Is 41, 13-20)
O Santo de Israel tudo criou

 

13Eu sou o Senhor, teu Deus, que te tomo pela mão e te digo: "Não temas; eu te ajudarei". 14Não tenhas medo, Jacó, pobre verme, não temais, homens de Israel. Eu vos ajudarei, diz o Senhor e Salvador, o santo de Israel. 15Eis que te transformei num carro novo de triturar, guarnecido de dentes de serra. Hás de triturar e despedaçar os montes, e reduzirás as colinas a poeira. 16Ao expô-los ao vento, o vento os levará e o temporal os dispersará; exultarás no Senhor e te alegrarás no santo de Israel. 17Pobres e necessitados procuram água, mas não há, estão com a língua seca de sede. Eu, o Senhor, os atenderei, eu, Deus de Israel, não os abandonarei. 18Farei nascer rios nas colinas escalvadas e fontes no meio dos vales; transformarei o deserto em lagos e a terra seca em nascentes de água. 19Plantarei no deserto o cedro, a acácia e a murta e a oliveira; crescerão no ermo o pinheiro, o olmo e o cipreste juntamente, 20para que os homens vejam e saibam, considerem e compreendam que a mão do Senhor fez essas coisas e o santo de Israel tudo criou. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

Eu sou o teu Salvador, o Santo de Israel

 

Está próxima a libertação, está para findar o exílio, o povo voltará à pátria. A imagem usada pelo profeta é de mais abonadoras: Eu sou o Senhor, teu Deus, que te tomo pela mão. Este Deus está sempre pronto a repetir em seu povo a experiência religiosa realizada no tempo do Êxodo, quando até a rocha se tornava fonte de água para o povo sedento. Mede a tua fé, tu que vives num mundo em que nem o sol nem a chuva, nem mesmo o perene milagre das messes têm já linguagem para proclamar que a mão do Senhor fez tudo isso. Para Isaías, a história tem um sentido, porque qualquer sabe aonde ela vai: um Deus que comunica aos homens o seu conhecimento, assinalando-lhes a história com maravilhas que trazem o seu selo. Cristão ou ateu, o homem moderno tem a pretensão de conduzir ele próprio a história a bom termo com o seu trabalho. Mas o cristão, diversamente do ateu, sabe realizar assim o plano de Deus sobre a história. [MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997]

 

 

 

Salmo: 144 (145), 1 e 9.10-11.12-13ab (R/8)

Misericórdia e piedade é o Senhor!  

Ele é amor, é paciência, é compaixão

 

Ó meu Deus, quero exaltar-vos, ó meu rei, e bendizer o vosso nome pelos séculos. O Senhor é muito bom para com todos, sua ternura abraça toda criatura.

 

Que vossas obras, ó Senhor, vos glorifiquem, e os vossos santos com louvores vos bendigam! Narrem a glória e o esplendor do vosso reino e saibam proclamar vosso poder!

 

Para espalhar vossos prodígios entre os homens e o fulgor de vosso reino esplendoroso. O vosso reino é um reino para sempre, vosso poder, de geração em geração.

 

 

Evangelho: Mateus (Mt 11, 11-15)

Não surgiu nenhum maior do que João Batista.

 

Naquele tempo, disse Jesus à multidão: 11"Em verdade eu vos digo, de todos os homens que já nasceram, nenhum é maior do que João Batista. No entanto, o menor no reino dos céus é maior do que ele. 12Desde os dias de João Batista até agora, o reino dos céus sofre violência, e são os violentos que o conquistam. 13Com efeito, todos os profetas e a Lei profetizaram até João. 14E se quereis aceitar, ele é o Elias que há de vir. 15Quem tem ouvidos, ouça". Palavra do Senhor!

 

Leituras relacionadas: Lc 7, 24-28

 

 

Comentando o Evangelho

A violência do reino

 

Como entender a afirmação de Jesus, segundo a qual o Reino sofre violência e são os violentos que o conquistam"? Pensou-se tratar das duras renúncias exigidas dos discípulos do Reino; da violência dos que querem estabelecer o Reino pela força das armas, como queriam os zelotas; da tirania dos poderes demoníacos (dos homens perversos) que resistem ao Reino, apoderando-se dele e impedindo que outras pessoas façam parte dele, e o Reino cresça; do Reino abrindo caminho pelo mundo com violência.

 

Por um lado, quando Jesus começou a pregar, nos dias de João Batista, muita gente se converteu, esforçando-se para entrar no Reino. Tratando-se de uma proposta dura e exigente, era impossível acolhê-la sem abrir mão dos projetos pessoais e sem se predispor a "tomar, cada dia, a própria cruz" e pôr-se a seguir Jesus. Portanto, nada de contemporizar com o egoísmo e a maldade que corrompem o coração humano.

 

Por outro lado, desde o inicio de seu ministério, o Mestre viu-se às voltas com a violência das forças do anti-­Reino, articuladas para neutralizá-lo, de modo a impedir que muitas pessoas entrassem nele. A trágica morte de João Batista serviu de presságio para o destino de Jesus.

 

O discípulo experimenta, pois, dois níveis de violência: um interno, enquanto combate seus vícios e pecados; e outro externo, enquanto é vítima da maldade dos inimigos do Reino. [Pe. Jaldemir Vitório, sj,, O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA ©Paulinas, 1997]

 

A palavra se faz oração (Missal Dominical)

·  Para que a Igreja não se intimide diante das dificuldades da missão, rezemos. Senhor, atendei nossa prece.

·  Para que o medo não iniba o testemunho que devemos dar, rezemos.

·  Para que saibamos reconhecer e valorizar os pequenos do reino de Deus, rezemos.

·  Para que os profetas e os missionários sejam testemunhas corajosas, rezemos.

·  Para que a caminhada para o Natal seja momento propício de conversão, rezemos.

·  (outras intenções)

 

Oração sobre as Oferendas:

Recebei, ó Deus, estas oferendas que escolhemos entre os dons que nos destes, e o alimento que hoje concedeis à nossa devoção torne-se prêmio da redenção eterna. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Vivamos neste mundo com justiça e piedade, esperando a feliz esperança e o advento da glória de nosso grande Deus. (Tt 2, 12-13)

 

Oração Depois da Comunhão:

Aproveite-nos, ó Deus, a participação nos vossos mistérios. Fazei que eles nos ajudem a amar desde agora o que é do céu e, caminhando entre as coisas que passam abraçar as que passam. Por Cristo, nosso Senhor.

 

São João Diego Cuauhtlatoatzin

 

Os registros oficiais narram que Juan Diego, para nós João Diego, nasceu em 1474 na Calpulli, ou melhor, no bairro de Tlayacac ao norte da atual Cidade do México. Era um índio nativo, que antes de ser batizado tinha o nome de Cuauhtlatoatzin, traduzido como "águia que fala" ou "aquele que fala como águia".


Era um índio pobre, pertencia à mais baixa casta do Império Azteca, sem ser, entretanto, um escravo. Dedicava-se ao difícil trabalho no campo e à fabricação de esteiras. Possuía um pedaço de terra, onde vivia feliz com a esposa, numa pequena casa, mas não tinha filhos.


Atraído pela doutrina dos padres franciscanos que chegaram ao México em 1524, se converteu e foi batizado, junto como sua esposa. Receberam o nome cristão de João Diego e Maria Lúcia, respectivamente. Era um homem dedicado, religioso, que sempre se retirava para as orações contemplativas e penitências. Costumava caminhar de sua vila à Cidade do México, a quatorze milhas de distância, para aprender a Palavra de Cristo. Andava descalço e vestia, nas manhãs frias, uma roupa de tecido grosso de fibra de cactos como um manto, chamado tilma ou ayate, como todos de sua classe social.


A esposa, Maria Lúcia, ficou doente e faleceu em 1529. Ele, então, foi morar com seu tio, diminuindo a distância da igreja para nove milhas. Fazia esse percurso todo sábado e domingo, saindo bem cedo, antes do amanhecer. Durante uma de suas idas à igreja, no dia 9 de dezembro de 1531, por volta de três horas e meia, entre a vila e a montanha, ocorreu a primeira aparição de Nossa Senhora de Guadalupe, num lugar hoje chamado "Capela do Cerrinho", onde a Virgem Maria o chamou em sua língua nativa, nahuatl, dizendo: "Joãozinho, João Dieguito", "o mais humilde de meus filhos", "meu filho caçula", "meu queridinho".


A Virgem o encarregou de pedir ao bispo, o franciscano João de Zumárraga, para construir uma igreja no lugar da aparição. Como o bispo não se convenceu, ela sugeriu que João Diego insistisse. No dia seguinte, domingo, voltou a falar com o bispo, que pediu provas concretas sobre a aparição.


Na terça-feira, 12 de dezembro, João Diego estava indo à cidade quando a Virgem apareceu e o consolou. Em seguida, pediu que ele colhesse flores para ela no alto da colina de Tepeyac. Apesar do frio inverno, ele encontrou lindas flores, que colheu, colocou no seu manto e levou para Nossa Senhora. Ela disse que as entregasse ao bispo como prova da aparição. Diante do bispo, João Diego abriu sua túnica, as flores caíram e no tecido apareceu impressa a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe. Tinha, então, cinquenta e sete anos.


Após o milagre de Guadalupe, foi morar numa sala ao lado da capela que acolheu a sagrada imagem, depois de ter passado seus negócios e propriedades ao seu tio. Dedicou o resto de sua vida propagando as aparições aos seus conterrâneos nativos, que se convertiam. Ele amou, profundamente, a santa eucaristia, e obteve uma especial permissão do bispo para receber a comunhão três vezes na semana, um acontecimento bastante raro naqueles dias. João Diego faleceu no dia 30 de maio de 1548, aos setenta e quatro anos, de morte natural.


O papa João Paulo II, durante sua canonização em 2002, designou a festa litúrgica para 9 de dezembro, dia da primeira aparição, e louvou são João Diego, pela sua simples fé nutrida pelo catecismo, como um modelo de humildade para todos nós. [www.paulinas.org.br]

 

Em estado de Advento

Cardeal Odilo Pedro Scherer

 

É muito bonito pensar no duplo sentido do Advento. De um lado, é o período litúrgico que prepara as festas do Natal e faz pensar no Mistério da Encarnação do Filho de Deus em nossa natureza humana; veio até nós, solidarizou-se com cada ser humano, deu valor a todos, não esqueceu os últimos e aqueles que, a nossos olhos, parecem menos dignos da condição humana. O Filho de Deus se fez homem para revelar-nos mais claramente a paternidade de Deus e para irmanar a humanidade inteira, como família de Deus.

 

Ainda isso está longe de acontecer na prática, pois a humanidade ainda está fechada, em grande parte, à mensagem do Natal, ou prefere não acolhê-la em sua inteireza. Por isso, o Advento vai continuando a trazer os anúncios proféticos e convidando a acolher a voz e os caminhos de Deus, para que se torne realidade aquilo que Deus promete com sua vinda. Sim, ainda não aconteceu que as armas de guerra se transformassem em instrumentos de trabalho (cf Is 2,4), ou que lobo e cordeiro vivam juntos, sem se machucar; ou que bezerro comesse junto com o leão, sem medo de ser devorado (cf Is 11,6). Mas isso será possível, em dúvida, quando os homens aceitarem os julgamentos de Deus e se deixarem guiar por sua luz (cf Is 2,5). Ainda valem os apelos a acolher a primeira vinda do Filho de Deus e o mundo teria tudo a ganhar com isso!

 

Mas o Advento nos faz olhar também adiante; por isso, a Liturgia nutre em nós o ardente desejo das coisas celestes e nos prepara para irmos ao encontro do Snhor glorioso com nossas “lâmpadas acesas” (cf,. Oração do 1° Domingo do Advento). Recorda-nos que Deus já veio, continuamente vem e ainda virá... E um dia virá de maneira gloriosa, para julgar vivos e mortos, como proclama a fé da Igreja. Já esquecemos que um dia vamos morrer? E quem sabe o dia e a hora? O Advento nos adverte: pode ser a qualquer momento e ninguém vai escapar disso! Um sadio realismo, que nos faz viver alertas, não necessariamente angustiados, mas preocupados em fazer o que é justo, bom, digno, honesto e respeitoso de Deus e dos homens ao longo de toda a vida.

 

Já no primeiro domingo do Advento, São Paulo nos lembrava: “já é hora de acordar! A noite vai adiantada e o dia se aproxima (cf Rm 13, 11-14); por isso, deixemos de lado as obras das trevas, que são todas as obras desonestas e corruptas, e revistamo-nos de Cristo Jesus”. Sim, porque Cristo é a imagem perfeita do “homem novo”, que somos chamados a ser, a seu exemplo. O risco é passar a vida inteira “distraídos”, sem nos preocuparmos com nada e só pensando em desfrutar todo gozo que a vida é capaz de nos proporcionar. Daí o chamado à vigilância, como atitude atenta para não tomar caminhos errados na vida, ou a não tropeçar e cair; ou ainda os encorajamentos a caminhar, a não desanimar, a produzir frutos de obras boas ao longo da vida, sem se cansar.

 

E se tudo isso não bastasse para despertar nossa consciência sobre a seriedade da vida e da necessidade de avaliar a quantas andam as coisas, se estamos, de fato, no caminho bom, ou nos encontramos num atalho que leva para longe de Deus e da grande meta de nossa vida, a Liturgia do Advento nos fala do julgamento de Deus: o Filho de Deus, um dia, virá como Juiz e Senhor da História, revestido de poder e glória, e todos deveremos prestar contas de nossa vida. Quem se opôs a Ele conscientemente nesta vida, terá que se explicar e encontrará dificuldades para ser reconhecido por Ele na hora do julgamento (cf Prefácio do Advento 1A). A árvore que não deu fruto bom será cortada e jogada ao fogo. E, enquanto o trigo será recolhido no celeiro de Deus, o céu, a palha improdutiva será queimada (cf Mt 3,1-12). As palavras de S.João Batista, no 2º Domingo do Advento não deixam dúvidas!

 

Mas não entendamos mal. O Advento não é um tempo de terror; pelo contrário, é marcado pela alegre esperança e a certeza da bondade e da misericórdia de Deus: “Deus tanto amou o mundo, que lhe enviou seu Filho único, para que todo o que nele crer, não pereça, mas tenha a vida eterna!” E mais: durante esta vida, Ele nos dá muitas oportunidades para que o possamos reconhecer e acolher: “agora e em todos os tempos ele vem ao nosso encontro, presente em cada pessoa humana, para que o acolhamos na fé e o testemunhemos na caridade, enquanto esperamos a feliz realização de seu reino” (Prefácio 1A).

 

O Advento, portanto, não é um tempo passageiro, mas é uma proposta para ser vivida ao longo de toda a vida. De fato, ele nos fala dos grandes mistérios da existência e joga um facho de luz e esperança sobre a vida; não existimos à toa e sem ter rumo; se para alguns filósofos a vida humana é absurda, por estar cheia de sonhos impossíveis, nós percebemos que não é assim; mas não somos nós a resposta última para os nossos sonhos: é Deus que entra em nossa história e caminha conosco, apontando-nos o rumo certo. De nossa parte, cabe-nos a atitude de escuta atenta e discernimento, para não nos deixarmos enganar nem desviar do caminho; a atitude certa é a abertura e a prontidão para ir ao encontro de Deus, quando ele vier ao nosso encontro. A vida não deve ser passada nas distrações, sem atenção àquilo que é realmente importante e decisivo. De fato. Nós vivemos em contínuo estado de Advento, à espera dos novos céus e da nova terra que Deus prepara para aqueles que o amam. [CNBB]

 

Você faz suas escolhas, e suas escolhas fazem você. (Steve Beckaman)