Quinta-feira, 9 de setembro de 2010

23ª Semana do Tempo Comum, Ano Par, 3ª do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde

 

Hoje: Dia do Veterinário e Dia do Administrador de Empresas

 

Santos: Abraão (Patriarca do Antigo Testamento), Andrônico e Atanásia sua esposa (monges do Egito), Bernardo de Rodez (abade de Montsalvy),  Cirano, Clarano (549), Corbiniano, Dionísio Areopagita (bispo), Estratão,Gorgônio (mártir em Roma), Jacinto (mártir na Sabina), João de Lobedeau (franciscano), João Leonardi (presbítero), Luís Bertran (dominicano), Omero, Públia de Antioquia (abadessa), Sara (personagem do Antigo Testamento, esposa de Abraão), Cirilo Bertrán, Marciano José, Pedro Claver (1654, jesuíta espanhol), Augusto Andrés, Aniceto Adolfo e Vilfrido (mártires de Turón, bem-aventurados), Inocêncio da Imaculada e Companheiros (mártires, bem-aventurados), Serafina Sforza (franciscana da 2ª Ordem) Tiago Laval, Tibúrcio, Rufiniano, Rufo, Serafina, Ulfácio

 

Antífona: Vós sois justo, Senhor, e justa é a vossa sentença; tratai o vosso servo segundo a vossa misericórdia. (Sl. 118, 137.124)

 

Oração: Ó Deus, Pai de bondade, que nos redimistes e adotastes como filhos e filhas, concedei aos que creem em Cristo a verdadeira liberdade e a herança eterna. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Carta de Paulo aos Coríntios (1Cor 8, 1b-7.11-13)
Paulo afirma que há um único e verdadeiro Deus

Irmãos, 1b o conhecimento incha, a caridade é que constrói. 2Se alguém acha que conhece bem alguma coisa, ainda não sabe como deveria saber. 3Mas se alguém ama a Deus, ele é conhecido por Deus! 4Quanto ao comer as carnes de animais sacrificados aos ídolos, nós sabemos que um ídolo não é nada no mundo, e que Deus é um só. 5É verdade que alguns são chamados deuses, no céu ou na terra, e muita gente pensa que existem muitos deuses e muitos senhores. 6Para nós, porém, existe um só Deus, o Pai, de quem vêm todos os seres e para quem nós existimos. E, ainda, para nós, existe um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual tudo existe, e nós também existimos por ele. 7Mas nem todos têm esse conhecimento. De fato, alguns habituados, até ao presente, ao culto dos ídolos, comem da carne dos sacrifícios, como se ela fosse mesmo oferecida aos ídolos. E assim, a sua consciência, que é fraca, fica manchada. 11E então, por causa do teu conhecimento, perece o fraco, o irmão pelo qual Cristo morreu. 12Pecando, assim, contra os irmãos e ferindo a consciência deles, que é fraca, é contra Cristo que pecais. 13Por isso, se um alimento é ocasião de queda para meu irmão, nunca mais comerei carne, para não escandalizar meu irmão. Palavra do Senhor!

 

Comentando a I Leitura

Pecando contra os irmãos é contra Cristo que pecais

 

O cristão é homem que pensa nos irmãos; contrariamente, "ferindo a consciência frágil dos irmãos, vós pecais contra Cristo" (v. 12). Ante um problema concreto da comunidade, relativo à relação fé-cultura, a resposta da ciência e clara: visto como os ídolos não existem, pode o cristão comer tranquilamente as carnes oferecidas a eles. Mas "a ciência incha, ao passo que a caridade edifica" (v. 2). O cristão que come carnes oferecidas corre o risco de escandalizar os irmãos na fé que ainda não têm profunda maturidade de julgamento. A caridade pede ao cristão adulto abstenha-se das carnes imoladas, como deverá abster-se de qualquer coisa (lícita em si) que seja prejudicial ao irmão. A razão é que a fé não é só um relacionamento pessoal com Cristo, mas um relacionamento comunitário. Se escandalizo o irmão, ofendo a Cristo. A fé é vida de amor! [Trechos do COMENTÁRIO BÍBLICO, ©Edições Loyola, 1999 e BÍBLIA DE JERUSALÉM, ©Paulinas, 1991]

 

 

Salmo Responsorial: 138 (139), 1-3.13-14ab.23-24 (R/.24b)
Conduzi-me no caminho para a vida, ó Senhor!

 

Senhor, vós me sondais e conheceis, sabeis quando me sento ou me levanto; de longe penetrais meus pensamentos, percebeis quando me deito e quando eu ando, os meus caminhos vos são todos conhecidos.

 

Fostes vós que me formastes as entranhas, e no seio de minha mãe vós me tecestes. Eu vos louvo e vos dou graças, ó Senhor, porque de modo admirável me formastes! Que prodígio e maravilha as vossas obras!

 

Senhor, sondai-me, conhecei meu coração, examinai-me e provai meus pensamentos! Vede bem se não estou no mau caminho, e conduzi-me no caminho para a vida!

 

Evangelho: Lucas (Lc 6, 27-38)
Amor aos inimigos, “Regra de outro”

 

Naquele tempo, falou Jesus aos seus discípulos: 27"A vós que me escutais, eu digo: Amai os vossos inimigos e fazei o bem aos que vos odeiam, 28bendizei os que vos amaldiçoam, e rezai por aqueles que vos caluniam. 29Se alguém te der uma bofetada numa face, oferece também a outra. Se alguém te tomar o manto, deixa-o levar também a túnica. 30Dá a quem te pedir e, se alguém tirar o que é teu, não peças que o devolva. 31O que vós desejais que os outros vos façam, fazei-o também vós a eles. 32Se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Até os pecadores amam aqueles que os amam. 33E se fazeis o bem somente aos que vos fazem o bem, que recompensa tereis? Até os pecadores fazem assim. 34E se emprestais somente àqueles de quem esperais receber, que recompensa tereis? Até os pecadores emprestam aos pecadores, para receber de volta a mesma quantia.

 

35Ao contrário, amai os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai sem esperar coisa alguma em troca. Então, a vossa recompensa será grande, e sereis filhos do altíssimo, porque Deus é bondoso também para com os ingratos e os maus. 36Sede misericordiosos, como também o vosso Pai é misericordioso. 37Náo julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados. 38Dai e vos será dado. Uma boa medida, calcada, sacudida, transbordante será colocada no vosso colo; porque com a mesma medida com que medirdes os outros, vós também sereis medidos". Palavra da Salvação!

 

 

Leituras nos evangelhos sinóticos: Mt 5, 38-48

 

 

Comentando o Evangelho

O amor heroico

O ápice do testemunho cristão acontece no amor aos inimigos, que atinge as raias do heroísmo. Este é a pedra de tropeço de muitos discípulos que consideram absurda uma tal exigência. Por que Jesus não omitiu de sua pregação este elemento? Seria possível considerar o amor aos inimigos como um componente opcional de sua doutrina?

 

O Mestre buscou aproximar, o máximo possível, o modo de agir dos discípulos com o modo de ser de Deus. Portanto, eles devem amar seus inimigos, porque é assim que o Pai age em relação à humanidade que constantemente o ofende pelo pecado. Ele, no entanto, sempre está pronto a refazer os laços de amizade. A misericórdia do Pai deve pautar a ação dos discípulos de Jesus. Sem isto, o discípulo em nada se diferenciaria dos pagãos. Estes gostam apenas daqueles que lhe fazem o bem, e estão sempre prontos a revidar a ofensa recebida, até o ponto de destruir a vida de quem os ofendeu.

 

Os discípulos do Reino devem agir de maneira diferente. Não sendo passivos, nem agindo por medo, mas sim com plena consciência e liberdade. Eles sabem que, agindo assim, estarão dando testemunho do amor característico do Reino, e quebrando a espiral de violência que arruína o projeto de Deus para a humanidade.

 

O amor heroico tem, portanto, uma vertente missionária. Tem a força de converter para o Reino e para o amor pessoas de boa vontade, em busca dos caminhos de Deus. [O Evangelho Nosso de Cada Dial, Jaldemir Vitório, ©Paulinas]

 

Para sua reflexão: O amor ao próximo, em particular aos inimigos, ocupa boa parte do discurso programático de Jesus. Dirige-se a todos os que escutam. Embora esteja formulado em imperativos, não deve ser entendido como novo código legal para regular uma conduta em determinados casos, mas como expressão de um espírito que anima de dentro toda a vida cristã.  A motivação não deve ser interesseira; busca precisamente refrear o egoísmo interesseiro. A motivação é o exemplo de Deus Pai, que seu Filho vem revelar, para devolver sua imagem aos homens. No centro da regra de ouro, que outros textos e culturas formularam em termos negativos e Jesus exprime em forma positiva, muito mais exigente: “fazer”; porque o amor inculcado não se esgota em sentimentos. Aqui se vai à raiz da idéia: fazer o bem/fazer o mal nas relações recíprocas com os outros.  (Bíblia do Peregrino)

 

 

São Pedro Claver

 

 

 

Os escravos negros que chegavam em enormes navios negreiros ao porto de Cartagena, na Colômbia, eram recepcionados e aliviados de suas dores e sofrimentos por um missionário que, além de alimento, vinho e tabaco, oferecia palavras de fé para aquecer seus corações e dar-lhes esperança. Para quem vivia com corrente nos pés e sob o açoite dos feitores, a esperança vinha de Nosso Senhor.

 

Esse missionário era Pedro de Claver, nascido no povoado de Verdú, em Barcelona, na Espanha, em 26 de junho de 1580. Filho de um casal de simples camponeses muito cristãos, desde cedo revelou sua vocação. Estudou no Colégio dos Jesuítas e, em 1602, entrou para a Companhia de Jesus, para tornar-se um deles.

 

Quando terminou os estudos teológicos, Pedro de Claver viajou com uma missão para Cartagena, hoje cidade da Colômbia, na América do Sul. Iniciou seu apostolado antes mesmo de ser ordenado sacerdote, o que ocorreu logo em seguida, em 1616, naquela cidade. E assim, foi enviado para Carque, evangelizar os escravos que chegavam da África. Apesar de não entenderem sua língua, entendiam a linguagem do amor, da caridade e do sentimento cristão e paternal que emanavam daquele padre santo. Por esse motivo os escravos negros o veneravam e respeitavam como um justo e bondoso pai.

Em sua missão, lutava ao lado dos negros e sofria com eles as mesmas agruras. O que podia fazer por eles era mitigar seus sofrimentos e oferecer-lhes a salvação eterna. Com essa proposta, Pedro de Claver batizou cerca de quatrocentos mil negros durante os quarenta anos de missão apostólica. Foram atribuídos a ele, ainda, muitos milagres de cura.

 

Durante a peste, em 1650, ele foi o primeiro a oferecer-se para tratar os doentes. As conseqüências foram fatais: em sua peregrinação entre os contaminados, foi atacado pela epidemia, que o deixou paralítico. Depois de quatro anos de sofrimento, Pedro de Claver morreu aos setenta e três anos de idade, em 8 de setembro de 1654, no dia na festa da Natividade da Virgem Maria.

 

Foi canonizado pelo papa Leão XIII em 1888. São Pedro Claver foi proclamado padroeiro especial de todas as missões católicas entre os negros em 1896. Sua festa, em razão da solenidade mariana, foi marcada para 9 de setembro, dia seguinte ao da data em que se celebra a sua morte. [paulinas.org.br]

 

Muitas vezes o sacrifício de muitos pode ser o conforto de poucos. (Silvestre Cândido Cabral)