Quinta-feira, 9 de abril de 2009

Ceia do Senhor, 2ª Semana do Saltério (Livro II),  cor  litúrgica Branca

 

A cruz de nosso Senhor Jesus Cristo deve ser a nossa glória: nele está nossa vida e ressurreição; foi ele que nos salvou e libertou. (Gl 6, 14)

 

 

Hoje: Dia Nacional do Aço

 

Santos: Maria de Cléofas (matrona), Valdetrudes (viúva), Hugo de Ruão (bispo), Galcério ou Gautério (abade), Ubaldo de Florença (beato), Tomás de Tolentino (mártir e beato), Antônio Pavoni (mártir e beato), Acácio, Demétrio, William Cufitella de Scicli (bem aventurado, confessor franciscano da 3ª ordem)

 

Oração: Ó Pai, estamos reunidos para a santa ceia, na qual o vosso Filho único, ao entregar-se à morte, deu à sua Igreja um novo e eterno sacrifício, como banquete do seu amor. Concedei-nos, por mistério tão excelso, chegar à plenitude da caridade e da vida. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

O episódio do Lava-pés caracteriza o projeto de Deus revelado em Jesus. Para ser cristã, a comunidade precisa assumir esse projeto, tornando-o realidade no amor-serviço aos outros. Essa é a autêntica conversão a Jesus Cristo (evangelho).

 

 

 

I Leitura: Êxodo (Ex 12, 1-8.11-14)

Páscoa, a passagem da escravidão do Egito à liberdade

 

Naqueles dias, 1o Senhor disse a Moisés e a Aarão no Egito: 2"Este mês será para vós o começo dos meses; será o primeiro mês do ano. 3Falai a toda a comunidade dos filhos de Israel, dizendo: 'No décimo dia deste mês, cada um tome um cordeiro por família, um cordeiro para cada casa. 4Se a família não for bastante numerosa para comer um cordeiro, convidará também o vizinho mais próximo, de acordo com o número de pessoas. Deveis calcular o número de comensais, conforme o tamanho do cordeiro. 5O cordeiro será sem defeito, macho, de um ano. Podereis escolher tanto um cordeiro, como um cabrito: 6e devereis guardá-lo preso até ao dia catorze deste mês. Então toda a comunidade de 7Israel reunida o imolará ao cair da tarde. Tomareis um pouco do seu sangue e untareis os marcos e a travessa da porta, nas casas em que o comerem. 8Comereis a carne nessa mesma noite, assada ao fogo, com pães ázimos e ervas amargas. 11Assim devereis comê-lo: com os rins cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão. E comereis às pressas, pois é a páscoa, isto é, a 'passagem' do Senhor!

 

12E naquela noite passarei pela terra do Egito e ferirei na terra do Egito todos os primogênitos, desde os homens até os animais; e infligirei castigos contra todos os deuses do Egito, eu, o Senhor. 13O sangue servirá de sinal nas casas onde estiverdes. Ao ver o sangue, passarei adiante, e não vos atingirá a praga exterminadora, quando eu ferir a terra do Egito. 14Este dia será para vós uma festa memorável em honra do Senhor, que haveis de celebrar por todas as gerações, como instituição perpétua". Palavra do Senhor.

 

 

Salmo: 115(116B), 12-13.15-16bc.17-18 (+cf.1Cor 10,16)

O cálice por nós abençoado é a nossa

comunhão com o sangue do Senhor

 

12Que poderei retribuir ao Senhor Deus por tudo aquilo que ele fez em meu favor? 13Elevo o cálice da minha salvação, invocando o nome santo do Senhor.

 

15É sentida por demais pelo Senhor a morte de seus santos, seus amigos. 16bcEis que sou o vosso servo, ó Senhor, mas me quebrastes os grilhões da escravidão!

 

17Por isso oferto um sacrifício de louvor, invocando o nome santo do Senhor. 18Vou cumprir minhas promessas ao Senhor na presença de seu povo reunido.

 

II Leitura: Coríntios (Cor 11, 23-26)

Jesus Cristo, nossa Páscoa definitiva

 

Irmãos, 23o que eu recebi do Senhor foi isso que eu vos transmiti: Na noite em que foi entregue, o Senhor Jesus tomou o pão 24e, depois de dar graças, partiu-o e disse: "Isto é o meu corpo que é dado por vós. Fazei isto em minha memória". 25Do mesmo modo, depois da ceia, tomou também o cálice e disse: "Este cálice é a nova aliança, em meu sangue. Todas as vezes que dele beberdes, fazei isto em minha memória". 26Todas as vezes, de fato, que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, estareis proclamando a morte do Senhor, até que ele venha. Palavra do Senhor!

 

 

Evangelho: João (Jo 13, 1-15)

O verdadeiro sentido no serviço aos irmãos

 

1Era antes da festa da páscoa. Jesus sabia que tinha chegado a sua hora de passar deste mundo para o Pai; tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim.

 

2Estavam tomando a ceia. O diabo já tinha posto no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, o propósito de entregar Jesus. 3Jesus, sabendo que o Pai tinha colocado tudo em suas mãos e que de Deus tinha saído e para Deus voltava, 4levantou-se da mesa, tirou o manto, pegou uma toalha e amarrou-a na cintura. 5Derramou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos, enxugando-os com a toalha com que estava cingido. 6chegou a vez de Simão Pedro. Pedro disse: "Senhor, tu me lavas os pés?" 7Respondeu Jesus: "Agora, não entendes o que estou fazendo; mais tarde compreenderás". 8Disse-lhe Pedro: "Tu nunca me lavarás os pés!" Mas Jesus respondeu: "Se eu não te lavar, não terás parte comigo". 9Simão Pedro disse: "Senhor, então lava não somente os meus pés, mas também as mãos e a cabeça". 10Jesus respondeu: "Quem já se banhou não precisa lavar senão os pés, porque já está todo limpo. Também vós estais limpos, mas não todos". 11Jesus sabia quem o ia entregar; por isso disse: "Nem todos estais limpos".

 

12Depois de ter lavado os pés dos discípulos, Jesus vestiu o manto e sentou-se de novo. E disse aos discípulos: "Compreendeis o que acabo de fazer? 13Vós me chamais mestre e Senhor, e dizeis bem, pois eu o sou. 14Portanto, se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. 15Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que eu fiz". Palavra da Salvação!

 

 

Leituras da Missa do Crisma: Is 61, 1-3a.6a.8b-9; Sl 88 (89), 21-22.25e27 (+cf. 2a); Ap 1, 5-8; Lc 4, 16-21

 

 

Cristo institui o sacramento do amor[1]

 

A instituição da eucaristia como rito memorial da nova aliança é certamente o aspecto mais evidente da celebração atual, que, aliás, justifica a sua solenidade como uma evocação "histórica" e figurativa do acontecimento realizado na última ceia. Mas é o próprio missal romano que convida a meditar sobre outros dois aspectos do mistério deste dia: a instituição do sacerdócio ministerial e o serviço fraterno da caridade. De fato, sacerdócio e caridade estão estreitamente ligados com o sacramento da eucaristia, compreendido em sua globalidade e de modo mais preciso.

 

Jesus lava os pés dos seus: é um gesto de amor

 

É significativo o fato de João não referir os gestos rituais sobre o pão e o vinho, como os outros evangelistas, ao referir as últimas horas de Jesus com seus discípulos e ao reunir nos "discursos da última ceia" os temas fundamentais do seu evangelho; no entanto, era esse um dado fixo e antiqüíssimo da tradição na comunidade, que vemos relatado em forma bem definida no primeiro documento que dele fala, a carta de Paulo aos coríntios (1ª leitura).

 

João salienta o gesto de Jesus lavando os pés dos seus e deixando, como seu testamento em palavra e exemplo, fazer-se o mesmo entre os irmãos. Não ordena repetir um rito, mas fazer como ele, isto é, refazer em todo tempo e em toda comunidade, gestos de serviço mutuo - não padronizados, mas nascidos da criatividade daquele que ama -' através dos quais torne-se presente o amor supremo do Cristo pelos seus ("amou-os até o fim"). Todo gesto de amor se torna, portanto, "sacramento", isto é, visibilização, encarnação, linguagem simbólica, da única realidade: o amor do Pai em Cristo, o amor, em Cristo, de todos os que crêem.

 

Jesus se dá em alimento; é o sacramento do amor

 

É a mesma realidade que o rito da ceia, em sua repetição até o fim dos tempos e em sua necessária simplicidade de forma (estilizada) exprime com outra linguagem; mas só quem é "iniciado" pode compreendê-la, e quem vive ou se esforça por viver todos os dias aquilo que exprime no momento da assembléia. Só participamos autenticamente da eucaristia, memorial do sacrifício de Jesus, quando ela é também memorial do nosso sacrifício.

 

Em outras palavras, trata-se de ter para com o corpo eclesial do Cristo aquele respeito que se tem por seu corpo eucarístico. A presença real do Senhor morto e ressuscitado no pão e no vinho, sobre os quais se diz a ação de graças (cf 2ª leitura), se estende, embora de outro modo, à pessoa dos irmãos, especialmente dos mais pobres (cf todo o contexto de 1 Cor cap. 11); quem faz discriminação, quem despreza os outros, quem mantém divisões na comunidade "não reconhece o corpo do Senhor". Sua ceia não é mais a Ceia do Senhor, mas um rito vazio que expressa sua condenação.

 

O sacerdócio nasce da eucaristia; é o dom para a unidade

 

Dentro da comunidade, as relações recíprocas são avaliadas em nível de serviço e não de poder, e encontram sua mais perfeita expressão no momento da ação eucarística. Quem "preside" à comunidade e é por ela responsável, preside também à eucaristia; reúne-a na oração comum, como a une nas diversas atividades da palavra e do auxilio mútuo. Para ser coerentes com seu ministério sacramental, o bispo com os sacerdotes (e os diáconos) são os mais próximos do Cristo servo na consagração total de suas forças e sua vida à atividade eclesial.

 

O Concilio Vaticano II exprime a relação dos vários aspectos do ministério sacerdotal com a celebração da eucaristia: "Os presbíteros... segundo a imagem de Cristo, sumo e eterno Sacerdote, são consagrados para pregar o evangelho, apascentar os fiéis e celebrar o culto divino, de maneira que são verdadeiros sacerdotes do Novo Testamento. Participando, no grau próprio de seu ministério, da função de Cristo Mediador único (cf 1Tm 2,5), a todos anunciam a palavra de Deus. Eles exercem seu sagrado múnus principalmente no culto eucarístico ou sintaxe, na qual, agindo na pessoa de Cristo e proclamando seu mistério, eles unem Os votos dos fiéis ao sacrifício de sua Cabeça e, até a volta do Senhor, apresentam e aplicam no sacrifício da missa o único sacrifício do Novo Testamento, isto é, o sacrifício de Cristo que, como hóstia imaculada, uma vez por todas se ofereceu ao Pai... Exercendo, dentro do âmbito que lhes compete, o múnus de Cristo Pastor e Cabeça, eles congregam a família de Deus numa fraternidade a tender para a unidade e a conduzem a Deus Pai, por Cristo, no Espírito Santo... De coração, feitos modelos para o rebanho, presidam e sirvam de tal modo sua comunidade local, que esta dignamente possa ser chamada com aquele nome pelo qual só e todo o Povo de Deus é distinguido, a saber: Igreja de Deus".

 

Tríduo Pascal

O Tríduo pascal não é preparação do Domingo da Ressurreição, mas é, segundo as palavras de Santo Agostinho, o sacratíssimo Tríduo do Crucificado, Sepultado e Ressuscitado. O Tríduo pascal da Paixão e Ressurreição do Senhor começa com a Missa vespertina da Ceia do Senhor, possui o seu centro a Vigília Pascal e encerra-se com as Vésperas do Domingo da Ressurreição. É o ápice do ano litúrgico porque celebra a Morte e a Ressurreição do Senhor, “quando Cristo realizou a obrada redenção humana e da perfeita glorificação de Deus pelo seu mistério pascal, quando morrendo destruiu a nossa morte e ressuscitando renovou a vida.”

 

 

Recomendações da CNBB para o Tríduo Pascal[2]

 

Comunhão no Tríduo Santo

1.       Aos fiéis em geral pode-se dar a santa Comunhão: a) na quinta-feira Santa somente dentro da Missa; não fora da Missa, nem de manhã nem de tarde. B)Na sexta-feira somente dentro da solene Ação Litúrgica vespertina. C) N Sábado Santo somente dentro da Missa da Vigília Pascal.

2.       Aos doentes que não podem participar da celebração litúrgica: a) na quinta-feira Santa e na sexta-feira Santa, pode-se administrar de manhã ou de tarde. B) No Sábado Santo não pode ser administrada.

3.       Aos gravemente doentes pode-se dar o Santo Viático a qualquer hora do dia ou da noite

 

Missa no Tríduo Sacro

1.       Na quinta-feira Santa, é celebrada só uma Missa principal (ou Conventual) vespertina nas igrejas ou oratórios em que se fazem as solenidades ou cerimônias litúrgicas da Semana Santa. Nas catedrais também uma Missa do Crisma é celebrada pela manhã. O Ordinário pode permitir, para o bem dos fiéis, uma Missa vespertina nas igrejas ou oratórios em que não se fazem as celebrações da Semana Santa.

2.       Quando a exigência pastoral o pedir, o Ordinário do lugar pode permitir que além da Missa principal da Ceia do Senhor, seja celebrada outra, à tarde, nas igrejas e nos oratórios. Em caso de verdadeira necessidade, também pode permitir que a celebração desta Missa seja feita de manhã, mas só para os fiéis que estejam impossibilitados de participar na Missa vespertina, evitando, porém, que tais celebrações sejam autorizadas em favor de particulares, ou prejudiquem a Missa vespertina, que é a principal.

3.       Os sacerdotes que concelebrarem a Missa do Crisma podem (com)celebrar novamente a Missa Vespertina.

4.       Exéquias – Os enterros devem-se fazer sem Missa e sem solenidades, por exemplo, o toque de sinos.

 

Tríduo Pascal

O Tríduo pascal não é preparação do Domingo da Ressurreição, mas é, segundo as palavras de Santo Agostinho, o sacratíssimo Tríduo do Crucificado, Sepultado e Ressuscitado. O Tríduo pascal da Paixão e Ressurreição do Senhor começa com a Missa vespertina da Ceia do Senhor, possui o seu centro a Vigília Pascal e encerra-se com as Vésperas do Domingo da Ressurreição. É o ápice do ano litúrgico porque celebra a Morte e a Ressurreição do Senhor, “quando Cristo realizou a obrada redenção humana e da perfeita glorificação de Deus pelo seu mistério pascal, quando morrendo destruiu a nossa morte e ressuscitando renovou a vida.”

 

Transladação do Santíssimo Sacramento:

Pode-se transporta o Santíssimo para um local determinado (um altar preparado num canto da própria igreja). Durante a procissão, pode-se entoar um canto apropriado. Durante a noite ou amanhã cedo, poderá haver momentos de adoração, acompanhando Jesus nas suas últimas horas.

 

O órgão ou harmônio toca-se hoje na Missa vespertina até  fim do canto do Glória. Depois não se toca o Glória da Missa d Vigília noturna da Ressurreição.

 



[1] Missal Dominical, ©Paulus, 1995

[2] Diretório da Liturgia - 2007, Ano C, CNBB