Quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
Tempo do Natal, Ano “B”, 2ª Semana do Saltério, cor Litúrgica Branca
No princípio e antes dos séculos o Verbo era Deus e dignou-se nascer para salvar o mundo. (Jo 1,1)
Hoje: Dia Nacional do Fotógrafo e dia da Fotografia
Santos do Dia: Alderico de Le Mans (bispo), Anastácio de Sens (bispo), Canuto Layard (rei, mártir), Clero (diácono, mártir da África), Crispim de Pavia (bispo), Emílio de Saujon (monge), Félix e Januário (mártires de Heracléia), Juliano de Cagliari (mártir), Luciano de Antioquia (presbítero, mártir), Nicetas de Rémésiana (bispo), Reinaldo de Colônia (monge, mártir), Teodoro do Egito (eremita), Tilo de Solignac (abade), Valentim de Rhaetua (bispo), Eduardo Waterson (mártir, bem-aventurado)
Oração: Ó Deus, pelo nascimento do vosso Filho, a aurora do vosso dia eterno despontou sobre todas as nações. Concedei ao vosso povo conhecer a fulgurante glória do seu redentor e por ele chegar à luz que não se extingue. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura:
I Carta de São João (1Jo 4, 19-5,4)
Amar a Deus e ao irmão
Caríssimos, 19quanto a nós, amamos a Deus porque ele nos amou primeiro. 20Se alguém disser: "Amo a Deus", mas entretanto odeia o seu irmão, é um mentiroso; pois quem não ama o seu irmão, a quem vê, não poderá amar a Deus, a quem não vê. 21E este é o mandamento que dele recebemos: aquele que ama a Deus, ame também o seu irmão. 5,1Todo o que crê que Jesus é o Cristo, nasceu de Deus, e quem ama aquele que gerou alguém, amará também aquele que dele nasceu. 2podemos saber que amamos os filhos de Deus, quando amamos a Deus e guardamos os seus mandamentos. 3Pois isto é amar a Deus: observar os seus mandamentos. E os seus mandamentos não são pesados, 4pois todo o que nasceu de Deus vence o mundo. E esta é a vitória que venceu o mundo: a nossa fé. Palavra do Senhor!
Comentando a I Leitura
Aquele que ama a Deus, ame também o seu irmão
Amar a Deus quer dizer colocar-se na perspectiva de Deus, que ama todo ser criado e não hesitou em sacrificar o Filho unigênito para a salvação de todos os homens. Viver para os outros, dar-se; sacrificar-se pelo bem deles é "viver como Deus", é fazer aquilo que Jesus, vivo em todo cristão, quer que façamos. Hoje é, portanto urgente para todos "a obrigação de nos tornarmos generosamente próximos de todo homem e de servi-lo eficazmente quando se apresenta a nós, quer seja o ancião abandonado por todos, quer o trabalhador estrangeiro, desprezado sem razão, quer o exilado, ou criança nascida de união ilegítima..." Não podemos crer ser verdadeiros "filhos de Deus" se não nos sentimos irmãos de cada homem. Esta fé não só anima nossa caridade em sua múltipla atividade, mas torna-se uma força gigantesca na luta contra toda afronta, intolerância, injustiça, violência, contra todo transbordamento de egoísmo, prepotência, ódio, que ainda hoje dominam no mundo. (Missal Cotidiano, ©Paulus, 1997)
Salmo: 71(72), 2.14 e 15bc.17 (R/.cf.11)
As nações de toda a terra hão de adorar-vos, ó Senhor!
1Dai ao rei vossos poderes, Senhor Deus, vossa justiça ao descendente da realeza! 2Com justiça ele governe o vosso povo, com equidade ele julgue os vossos pobres.
14Há de livrá-los da violência e opressão, pois vale muito o sangue deles a seus olhos! 15bHão de rezar também por ele sem cessar, 15cbendizê-lo e honrá-lo cada dia.
17Seja bendito o seu nome para sempre! E que dure como o sol sua memória! Todos os povos serão nele abençoados, todas as gentes cantarão o seu louvor!
Evangelho: Lucas (Lc 4, 14-22a)
Hoje se cumpriu esta palavra da escritura
Naquele tempo, 14Jesus voltou para a Galiléia, com a força do Espírito, e sua fama espalhou-se por toda a redondeza.15Ele ensinava nas suas sinagogas e todos o elogiavam. 16E veio à cidade de Nazaré, onde se tinha criado. Conforme seu costume, entrou na sinagoga no sábado, e levantou-se para fazer a leitura. 17Deram-lhe o livro do profeta Isaias. Abrindo o livro, Jesus achou a passagem em que está escrito: 18"O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para anunciar a boa nova aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos cativos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos 19e para proclamar um ano da graça do Senhor". 20Depois fechou o livro, entregou-o ao ajudante, e sentou-se.
Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. 21Então começou a dizer-lhes: "Hoje se cumpriu esta passagem da escritura que acabastes de ouvir". 22aTodos davam testemunho a seu respeito, admirados com as palavras cheias de encanto que saíam da sua boca. Palavra da Salvação!
Contexto: O ministério de Jesus na Galiléia. Leituras paralelas: Mt 4, 12-17.23; Mc 1, 14-15.39; Mt 13, 53-58; Mc 6, 1-6
Comentário o Evangelho
A serviço dos excluídos
Servindo-se de um direito que cabia a todo hebreu adulto, do sexo masculino, Jesus tomou a palavra na sinagoga de sua cidade natal. A leitura do texto profético serviu-lhe de ocasião para explicitar o sentido de sua missão de Messias. Contrariamente às expectativas populares, apresentou um projeto missionário totalmente voltado para os pobres e excluídos, dos quais seria servidor.
A
novidade de Jesus consistia em ser ele o Filho de Deus, presente na história
humana, pondo-se do lado de quem não tinha voz nem vez. Na verdade, a história
de Israel conheceu indivíduos que se lançaram de corpo e alma nesta empresa.
Dentre eles, os profetas do período anterior ao exílio babilônico. Esta mesma
sensibilidade encontra-se na literatura sapiencial e na literatura legal,
mormente, no Deuteronômio. Com Jesus, porém, a solidariedade com os pobres
atingiu a sua máxima expressão.
Desde
o início de sua atuação messiânica, ele compreendeu serem os pobres os
destinatários privilegiados de seu ministério. Ungido pelo Espírito do Senhor,
portanto, seu Messias, foi enviado para “anunciar a Boa Nova aos pobres”. As
diversas categorias elencadas pelo profeta Isaías – humilhados, cativos, cegos,
oprimidos – revelavam uma pequena amostra das incontáveis formas de pobreza e
exclusão. Assim, Jesus fez uma clara opção. Quem quisesse encontrá-lo, teria de
se colocar na periferia do mundo. Lá encontraria Deus! (O
EVANGELHO DO DIA, Ano “A”. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1997)
São Severino[1]
Severino viveu em pleno século V, quando o Ocidente era acometido por uma seqüência de invasões dos godos, visigodos, ostrogodos, vândalos, burgúndios, enfim, de toda uma horda de bárbaros pagãos que pretendiam dominar o mundo. É nesse contexto de conflitos políticos e sociais que sua obra deve ser vista, porque esse foi justamente o motivo que a tornou ainda mais valorizada. Durante essas sucessivas guerras, as vítimas da violência achavam abrigo somente junto aos representantes da Igreja onde encontramos Severino como um evangelizador cristão dos mais destacados e atuantes.
É muito fácil seguir os passos de Severino nesta trilha de destruição. Em 454,
estava nos confins da Nórica e da Pomonia onde, estabelecido às margens do rio
Danúbio, na Áustria, além de acolher a população ameaçada usava o local como
ponto estratégico para pregar entre os bárbaros pagãos. Já no ano seguinte
estava em Melk e no mesmo ano em Ostembur, onde se fixou numa choupana para se
entregar também à penitência.
Esse seu ministério apostólico itinerante frutificou em várias cidades, com a
fundação de inúmeros mosteiros. Como possuía o dom da profecia, avisou com
antecedência várias comunidades sobre sua futura destruição, acertando as datas
com exatidão. Temos, por exemplo, o caso dos habitantes de Asturis, aos quais
profetizou a morte pelas mãos de Átila, o rei dos hunos que habitavam a
Hungria. O povo além de não lhe dar ouvidos considerou o fato com ironia e
gozação, mas tombou logo depois de Severino ter deixado o local. Sim, a cidade
foi destruída e todos os habitantes assassinados.
Dali ele partiu para Comagaris e, sem o menor receio de perder a vida, chegou
até Comagene, já dominada pelos dos inimigos. Lá, acolheu e socorreu os
aflitos, ganhando o respeito inclusive dos próprios invasores, a começar pelos
chefes dos guerreiros. Sua história registra também incontáveis prodígios e
graças operadas na humildade e na pobreza constantes.
Severino predisse até a data exata da própria morte, avisando também sobre a
futura expulsão de sua Ordem da região do Danúbio. Morreu no dia 08 de janeiro
de 482 pronunciando a última frase do último salmo da Bíblia , (o 150):
"Todo ser que tem vida, a deve ao Senhor".
Segundo o seu biógrafo e discípulo Eugípio, Santo Severino teria nascido no ano
410, na capital do mundo de então, ou seja na cidade de Roma e pertencia a uma
família nobre e rica. Era um homem de fino trato, que falava o latim com
perfeição, profundamente humilde, pobre e caridoso. Também possuía os dons do
conselho, da profecia e da cura, os quais garantiu e manteve até o final de sua
vida graças às longas penitências e preces que fazia ao Santíssimo Espírito
Santo e ao cumprimento estrito dos votos feitos ao seguir a vocação sacerdotal.
Especialmente venerado na Áustria e Alemanha, hoje, a urna mortuária de Santo
Severino se encontra na igreja dos beneditinos em Nápoles, na Itália.
Dar com amor é enriquecer a dádiva que oferecemos. (Frei Anselmo Fracasso)