Quinta-feira, 7 de abril de 2011

Quarta Semana da Quaresma - 4ª Semana do Saltério (Livro II) - cor Litúrgica Roxa

 

 

Hoje: Dia Mundial da Saúde e Dia Nacional do Jornalista

 

Santos: Hegesipo, Afraates, Jorge o Moço (bispo), Celso ou Ceallach (arcebispo), Aiberto, Hermano José (beato), Ursulina (virgem e beata), Guilherme de Scicli (beato), Alexandre Rawlins e Henrique Walpole (beatos e mártires), Eduardo Oldcorne e Ralph Ashley (beatos e mártires), Maria Assunta Pallotta (virgem, beata franciscana da 3ª ordem), João Batista de La Salle

 

Antífona: Exulte o coração dos que buscam a Deus. Sim, buscai o Senhor e sua força, procurai sem cessar a sua face. (Sl 104, 3-4)

 

Oração do Dia: Nós vos pedimos, ó Deus de bondade, que, corrigidos pela penitência e renovados pelas boas obras, possamos perseverar nos vossos mandamentos e chegar purificados às festas pascais. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.

 

I Leitura: Êxodo (Ex 32, 7-14)

Moisés e o povo

 

Naqueles dias, 7o Senhor falou a Moisés: "Vai, desce, pois corrompeu-se o teu povo, que tiraste da terra do Egito. 8Bem depressa desviaram-se do caminho que lhes prescrevi. Fizeram para si um bezerro de metal fundido, inclinaram-se em adoração diante dele e ofereceram-lhe sacrifícios, dizendo: 'Estes são os teus deuses, Israel, que te fizeram sair do Egito!"'

 

9E o Senhor disse ainda a Moisés: "Vejo que este é um povo de cabeça dura. 10Deixa que minha cólera se inflame contra eles e que eu os extermine. Mas de ti farei uma grande nação".

 

11Moisés, porém, suplicava ao Senhor seu Deus, dizendo: "Por que, ó Senhor, se inflama a tua cólera contra o teu povo, que fizeste sair do Egito com grande poder e mão forte? 12Não permitas, te peço, que os egípcios digam: 'Foi com má intenção que ele os tirou, para fazê-los perecer nas montanhas e exterminá-los da face da terra'. Aplaque-se a tua ira e perdoa a iniquidade do teu povo. 13Lembra-te de teus servos Abraão, lsaac e Israel, com os quais te comprometeste por juramento, dizendo: 'Tornarei os vossos descendentes tão numerosos como as estrelas do céu; e toda esta terra de que vos falei, eu a darei aos vossos descendentes como herança para sempre"'. 14E o Senhor desistiu do mal que havia ameaçado fazer ao seu povo.  Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

Aplaque-se a tua ira e perdoa a iniquidade do teu povo

 

O verdadeiro pecado do povo não é tanto a idolatria quanto a ruptura da aliança, que se fundava na promessa recíproca de fidelidade. Por isso Deus diz a Moisés: "o teu povo e não "o meu povo". A peroração de Moisés tem o seu ponto forte exatamente na fidelidade de Javé à palavra dada a Abraão, Isaac, Israel, pela qual o povo continua a ser o seu povo Moisés, que preferiu ser solidário com seu povo e sofrer a mesma sorte, é figura de Cristo, solidário conosco (S. Paulo, em forte expressão, diz que "se fez pecado") a ponto de sofrer nossa mesma sorte para nos resgatar das culpas. A Igreja continua a obra de mediação de Cristo pelos pecadores, sentindo-se solidário com eles: "Não olhes os nossos pecados, mas a fé de tua Igreja". Não é a santidade, mas a fé na promessa de Deus que garante a eficácia de sua mediação. Este senso de solidariedade deve animar toda a nossa oração de intercessão por nossos irmãos. [MISSAL COTIDIANO. ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 105(106), 19-20, 21-22.23 (R/4a)

Lembrai-vos de nós, ó Senhor, segundo

o amor para com vosso povo

 

19Construíram um bezerro no Horeb e adoraram uma estátua de metal; 20eles trocaram o seu Deus, que é sua glória, pela imagem de um boi que come feno.

 

21Esqueceram-se do Deus que os salvara, que fizera maravilhas no Egito; 22no país de Cam fez tantas obras admiráveis, no mar Vermelho, tantas coisas assombrosas.

 

23Até pensava em acabar com sua raça, não se tivesse Moisés, o seu eleito, interposto, intercedendo junto a ele, para impedir que sua ira os. destruísse.

 

 

Evangelho: João (Jo 5, 31-47)

O Testemunho de Jesus

 

Naquele tempo, disse Jesus aos judeus: 31"Se eu der testemunho de mim mesmo, meu testemunho não vale. 32Mas há um outro que dá testemunho de mim, e eu sei que o testemunho que ele dá de mim é verdadeiro. 33Vós mandastes mensageiros a João, e ele deu testemunho da verdade. 34Eu, porém, não dependo do testemunho de um ser humano. Mas falo assim para a vossa Salvação. 35João era uma lâmpada que estava acesa e a brilhar, e vós com prazer vos alegrastes por um tempo com a sua luz. 36Mas eu tenho um testemunho maior que o de João; as obras que o Pai me concedeu realizar. As obras que eu faço dão testemunho de mim, mostrando que o Pai me enviou. 37E também o Pai que me enviou dá testemunho a meu favor. Vós nunca ouvistes sua voz, nem vistes sua face, 38e sua palavra não encontrou morada em vós, pois não acreditais naquele que ele enviou. 39Vós examinais as escrituras, pensando que nelas possuís a vida eterna. No entanto, as escrituras dão testemunho de mim, 40mas não quereis vir a mim para ter a vida eterna! 41Eu não recebo a glória que vem dos homens. 42Mas eu sei que não tendes em vós o amor de Deus.

 

43Eu vim em nome do meu Pai, e vós não me recebeis. Mas, se um outro viesse em seu próprio nome, a este vós o receberíeis. 44Como podereis acreditar, vós que recebeis glória uns dos outros e não buscais a glória que vem do único Deus? 45Não penseis que eu vos acusarei diante do Pai. Há alguém que vos acusa: Moisés, no qual colocais a vossa esperança. 46Se acreditásseis em Moisés, também acreditaríeis em mim, pois foi a respeito de mim que ele escreveu. 47Mas se não acreditais nos seus escritos, como acreditareis então nas minhas palavras?" Palavra da Salvação!

 

 

Comentário do Evangelho

Vim em nome do meu Pai

 

No confronto com os seus adversários, Jesus explicitou sua relação com o Pai. O tempo mostraria que suas palavras foram insuficientes para convencê-los. A revelação de Jesus exigia mentes e corações abertos, capazes de acolher a novidade que lhes era comunicada. Entretanto, a dureza de coração de seus inimigos levava-os a um ódio sempre crescente contra ele. Por conseguinte, o esforço de Jesus tinha um efeito contrário ao que ele desejava. Ao invés de gerar acolhida, provocava rejeição.

 

O testemunho em favor de Jesus provinha do Pai. Logo, suas palavras e sua ação estavam bem respaldadas. Não dependiam desta ou daquela instituição, nem de pessoa alguma. As obras realizadas por Jesus também depunham em seu favor. Por seu próprio conteúdo, revelavam a identidade dele, pois visavam proporcionar vida abundante para toda a humanidade. Também as Escrituras, quando lidas de maneira conveniente, davam testemunho dele. Elas apontavam para Jesus, cujo ministério situava-se no contexto da revelação de Deus.


Jesus detectou a raiz da rejeição a seu respeito, num certo espírito mundano que corroia o coração dos adversários, os quais buscavam a glória de si mesmos, não a do Pai. Se estivessem mais em comunhão com Deus, e menos preocupados em defender seus esquemas, sem dúvida chegariam a perceber quem era Jesus. [O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Jaldemir Vitório, ©Paulinas]

 

Oração da assembleia (Liturgia Diária)

-Rezemos a fim de que o testemunho de Jesus motive nossa fidelidade: Ouvi-nos, Senhor!

-Rezemos a fim de que a exemplo de Moisés, surjam novos líderes em favor do povo.

-Rezemos pela saúde pública de nosso país, a fim de que priorize os mais necessitados.

-Rezemos pela recuperação dos doentes e pelos que se dedicam ao seu cuidado.

-Rezemos pelos que estudam para ser profissionais da saúde, a fim de que desde já se dediquem à profissão com amor.

-Preces espontâneas

 

Oração sobre as Oferendas:

Concedei, ó Deus todo-poderoso, que as oferendas deste sacrifício protejam nossa fraqueza, livrando-nos de todo mal. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Gravarei neles a minha lei, hei de escrevê-la em seus corações. Eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. (Jr. 31, 33)

 

Oração Depois da Comunhão:

Fazei, ó Deus, que este comunhão nos purifique e liberte de toda culpa. Se a consciência do pecado nos aflige, o socorro celeste nos alegre. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Para sua reflexão: É necessário um testemunho que garanta a missão de Jesus. Testemunho em própria causa não vale; é necessário o testemunho alheio de uma testemunha fidedigna. Jesus apresenta quatro testemunhos que deveriam levar os seus ouvintes a reconhecê-lo como Messias, enviado pelo Pai, como Filho de Deus: as palavras de João Baptista, homem enviado por Deus; as obras que ele mesmo realizou por mandado de Deus; a voz do Pai; e, finalmente, as Escrituras. Mas os judeus não se rendiam ante tantos testemunhos de Jesus. A razão de tanta resistência é que vivem fechados num circulo vicioso, num sistema de louvores mútuos e complacências partilhadas, como intérpretes oficiais e reconhecidos da lei. Não recebem Jesus, que se distancia e denuncia.

 

São Batista de La Salle

 

De família rica e nobre da cidade Reims, com a idade de quinze anos já tinha grande prestígio social e era considerado como um brilhante aluno em Sorbona (paris). Aos 27 anos de idade, no entanto, a tudo deixou, ordenando-se sacerdote, desprendendo-se de seus bens, da família, e dedicando-se exclusivamente na educação de meninos pobres. Junto aos colaboradores que foram surgindo, fundou uma nova família religiosa: o primeiro Instituto de base leiga, sem a presença de sacerdotes. A esta fundação denominou como "Irmãos das Escolas Cristãs". E apesar de ser íntegro em tudo o que fazia, passou por momentos terríveis de provação, com todos os tipos de perseguições e calúnias. Chegou a pensar que sua presença estorvava o desenvolvimento da obra e dela se afastou. Mas as súplicas dos irmãos persuadiram-no a retornar após alguns meses. Igualmente revolucionária foi sua ação no campo do ensino, com cursos profissionalizantes e professorado.

 

São João Batista de La Salle é considerado como precursor do ensino popular generalizado. Quando faleceu, a nova congregação que começara com doze pessoas (com hábito) era composta de duzentos, distribuídos em 22 casas.

 

A quaresma na atualidade

Dom Sergio da Rocha, Arcebispo de Teresina - PI

 

O modo como a maioria das pessoas vive a Quaresma, hoje, é bastante diverso daquele que se observava há um século. O contexto sociocultural de hoje é muito diferente daquele vivido há um século ou há algumas décadas. A vivência da Quaresma tem sofrido transformações decorrentes das próprias mudanças socioculturais ocorridas em nosso meio, que incluem alterações na percepção e vivência da religião, repercutindo na compreensão e nas práticas quaresmais. A própria Igreja promoveu alterações significativas na maneira como se celebra e se vive a Quaresma, especialmente, em relação às práticas penitenciais. A reforma litúrgica revalorizou o Tríduo Pascal, retomando o sentido de recolhimento do sábado, véspera da Páscoa, denominando-o “sábado santo” e não mais “sábado de aleluia”, como muita gente se habituou a chamá-lo, e propondo enfaticamente a celebração solene da Vigília Pascal, na noite do sábado para o domingo da Páscoa. Os dias e as formas de penitência quaresmais também sofreram mudanças. Atualmente, são apenas dois os dias obrigatórios de jejum quaresmal, a quarta feira de Cinzas e a sexta feira santa, permanecendo o caráter penitencial das sextas feiras da Quaresma, com a abstinência de carne. Isso não significa perda ou enfraquecimento do sentido quaresmal. Ao contrário, busca-se, sempre mais, a fidelidade às raízes bíblicas da espiritualidade quaresmal, destacando-se a prática da caridade e da misericórdia, o perdão e a reconciliação, o amor fraterno e solidário, que tornam ainda mais necessárias a oração e a penitência quaresmal, dando-lhes profundo sentido. A prática do amor fraterno, que inclui a convivência entre as diferentes pessoas e o perdão, exige muitas vezes renúncias, pressupõe sacrifícios, que constituem a penitência que mais agrada a Deus e cujos frutos perduram na vida após a Quaresma. No Brasil, desde 1964, a Igreja desenvolve, a cada no, a Campanha da Fraternidade centrada num tema específico, não para substituir a Quaresma, mas como uma forma de vivê-la mais intensamente, através de gestos concretos de amor fraterno, de solidariedade e partilha. Em meio às mudanças culturais e religiosas, permanece o sentido maior da Quaresma, enquanto tempo de preparação para a Páscoa da Ressurreição de Jesus por meio da oração, da penitência e da caridade.

 

Não é justo afirmar que ninguém mais vive o tempo da Quaresma. Há muita gente que vive de modo consciente e zeloso o tempo quaresmal, principalmente, em função da formação religiosa recebida em casa, na escola ou na comunidade. Além disso, no cenário cultural e religioso brasileiro perduram tradições da piedade popular ligadas à Quaresma, ricas de beleza e significado, que merecem ser devidamente valorizadas, preservadas e vivenciadas. Ignorar ou menosprezar tais expressões religiosas significa desconhecer e desvalorizar a própria identidade de nosso povo. Contudo, as tradições populares da Semana Santa não podem ser reduzidas à manifestação folclórica ou a espetáculo a ser assistido, por mais belo que possa ser. É certo que elas compõem, de modo essencial, a identidade cultural de nossa gente, devendo ser preservadas como tal, mas as manifestações da piedade popular ou as celebrações litúrgicas da Semana Santa se apresentam como ocasião especial para a experiência de Deus, para o crescimento e o fortalecimento da fé pela oração, para a reflexão sobre o sentido da vida, do sofrimento humano e da morte, através da contemplação da paixão e morte de Jesus Cristo na cruz e da celebração da sua vitória pascal. Importa refazer a experiência de seguir os passos de Jesus rumo ao Calvário para chegar com ele à vitória sobre a desesperança, o pecado e a morte, celebrada solenemente em comunidade na Páscoa. Embora haja práticas da piedade popular de índole mais pessoal, a maioria das manifestações e as próprias celebrações litúrgicas realizadas pela Igreja são de caráter comunitário, favorecendo a proximidade entre as pessoas e a vivência do amor fraterno, que estão no coração do Evangelho. Gente, muita gente, caminhando juntos, rezando, celebrando e festejando juntos. Que esta Quaresma e a Páscoa que se aproxima sejam oportunidades para se reavivar a experiência da fé e do encontro com Deus, para reconciliar e unir as pessoas, na liturgia e na vida.

 

(artigo publicado no jornal Meio Norte, de Teresina, 02/04/2011).

 

A saúde como a fortuna deixa de favorecer os que abusam delas. (Saint Evremont)

 

Aconteceu no dia 7 de abril de 1730:  O Cardeal Lorenzo Corsini é eleito Papa, assumindo o nome de Papa Clemente XII