Quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Décima Oitava Semana do Tempo Comum, 2ª do Saltério (Livro III),  cor Litúrgica Verde

 

Hoje: Memória Facultativa à Dedicação da Basílica de Santa Maria Maior; Dia Nacional da Saúde.

 

Santos: Cassiano, Emídio, Osvaldo, Cantídio e Cantidiano (Egito, irmãos mártires, apedrejados por causa de sua fé), Sobel, Nona (Capadócia, 374), Mêmio (séc. III), Oswaldo (Inglaterra, 642), Abel e Afra, Nossa Senhora das Neves (Padroeira da Arquidiocese da Paraíba)

 

Antífona: Meu Deus, vinde libertar-me, apressai-vos, Senhor, em socorrer-me. Vós sois o meu socorro e o meu libertador; Senhor, na tardeis mais. (Sl 69, 2.6)

 

Oração: Manifestai, ó Deus, vossa inesgotável bondade para com os filhos e filhas que vos imploram e se gloriam de vos ter como criador e guia, restaurando para eles a vossa criação e conservando-a renovada. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Jeremias (Jr 31, 31-34)

Todos me reconhecerão, do menor ao maior deles

 

31"Eis que virão dias, diz o Senhor, em que concluirei com a casa de Israel e a casa de Judá uma nova aliança; 32não como a aliança que fiz com seus pais, quando os tomei pela mão para retirá-los da terra do Egito, e que eles violaram, mas eu fiz valer a força sobre eles, diz o Senhor.

 

33Esta será a aliança que concluirei com a casa de Israel, depois desses dias, diz o Senhor: imprimirei minha lei em suas entranhas, e hei de inscrevê-la em seu coração; serei seu Deus e eles serão meu povo. 34Não será mais necessário ensinar seu próximo ou seu irmão, dizendo: 'Conhece o Senhor!'; todos me reconhecerão, do menor ao maior deles, diz o Senhor, pois perdoarei sua maldade, e não mais lembrarei o seu pecado". Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a 1ª Leitura

Concluirei uma nova aliança

 

Da indefectível fidelidade de Deus à sua aliança, Jeremias é levado a uma luminosa visão do futuro. Deus purificou intensamente o seu povo despojou-o de tudo com vistas a uma interiorização. Quando tudo falha, o homem é convidado a entrar em si mesmo e aí encontra Deus, que o ama e espera. Sobre as ruínas da antiga aliança despedaçada surge, por iniciativa de Deus, uma “nova aliança”. Nova, não porque substitua a primeira, já tantas vezes renovada, mas porque diferente dela. Não escrita em tábuas de pedra, externa, porém impressa no coração, íntima: relacionamento pessoal de cada um com Deus. “Conhecimento” verdadeiro, “experiência” de Deus, “religião do espírito”. Assim Jesus a realizará (cf Jo 4, 24): “a nova aliança em seu sangue” (1Cor 11, 25; Lc 22, 20). “mandamento novo” que une num único amor os homens e Deus (Jo 13, 34; 17, 11-23). Quando viveremos esta nova aliança em seu verdadeiro espírito?  [Comentário Bíblico, Vol 3, Edições Loyola]]

 

 

 

Salmo: 50 (51), 12-13.14-15.18-19 (R/.12a) 
ó senhor, criai em mim um coração que seja puro!

 

Criai em mim, um coração que seja puro, dai-me, de novo um espírito decidido. O Senhor, não me afasteis de vossa face, nem retireis de mim o vosso Santo Espírito!

 

Dai-me de novo a alegria de ser salvo e confirmai-me com espírito generoso! Ensinarei vosso caminho aos pecadores, e para vós se voltarão os transviados.

 

Pois não são de vosso agrado os sacrifícios, e, se oferto um holocausto, o rejeitais. Meu sacrifício é minha alma penitente, não desprezeis um coração arrependido!

 

Evangelho: Mateus (Mt 16, 13-23)
Sobre esta pedra construirei a minha Igreja

 

Naquele tempo, 13Jesus foi à região de Cesaréia de Filipe e ali perguntou a seus discípulos: "Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?" 14Eles responderam: "Alguns dizem que é João Batista; outros que é Elias; Outros ainda, que é Jeremias ou algum dos profetas".

 

15Então Jesus lhes perguntou: "E vós, quem dizeis que eu sou?" 16Simão Pedro respondeu: "Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo". 17Respondendo, Jesus lhe disse: "Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu.

 

18Por isso eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la. 19Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus". 20Jesus, então, ordenou aos discípulos que não dissessem a ninguém que ele era o Messias. 21Jesus começou a mostrar aos seus discípulos que devia ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos mestres da Lei, e que devia ser morto e ressuscitar no terceiro dia.

 

22Então Pedro tomou Jesus à parte e começou a repreendê-lo, dizendo: "Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isto nunca te aconteça!" 23Jesus, porém, voltou-se para Pedro, e disse: "Vai para longe, Satanás! Tu és para mim uma pedra de tropeço, porque não pensas as coisas de Deus mas sim as coisas dos homens!" Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas: Mc 8, 27-30; Lc 9, 18-20; Jo 6, 67-71

 

 

 

Comentando o Evangelho

Para vocês, quem sou eu?

O testemunho das palavras e dos gestos de Jesus faziam com que as pessoas fossem formando uma imagem dele. Há muitos séculos, o povo de Israel nutria, a esperança da chegada do Messias de Deus. E o identificava de muitas maneiras. Várias imagens eram projetadas em Jesus, que acabava sendo confundido com elas. Quem havia conhecido o testemunho fulgurante de João Batista, pensava que Jesus fosse a reencarnação do Batista. Outros projetavam nele a figura de Elias cuja volta era esperada no fim dos tempos, em conformidade com a profecia de Malaquias. De acordo com outra tradição, ele seria uma espécie de reencarnação do profeta Jeremias que desaparecera no Egito, sem deixar traços, dando margem para especulações.

 

As opiniões do povo interessavam a Jesus. Era preciso ajudá-lo a corrigir as imagens deturpadas sobre ele, para não virem a se decepcionar.

 

Entretanto, o interesse do Mestre era principalmente saber que imagem os discípulos faziam dele e de sua missão. Daí a pergunta: "Para vocês, quem sou eu?" Quando recebessem a missão de apóstolos, teriam a obrigação de transmitir uma imagem verdadeira de Jesus. Seria desastroso se pregassem uma falsa imagem e levassem o povo a nutrir esperanças enganosas a respeito dele. Por conseguinte, em primeiro lugar, precisavam ter um conhecimento correto de Jesus, antes de torná-lo conhecido. [Evangelho Nosso de Cada Dia, Pe. Jaldemir Vitório, ©Paulinas, 1997]

 

 

Para sua reflexão: Cesaréia de Filipe, povoado construída perto da nascente do Jordão por Herodes Filipe, em honra de Augusto, no ano 2 a.C. Hoje chama-se Bânias.  A confissão de Pedro tem raízes no AT, mas, com a fé cristã, adquire a plenitude do seu sentido: os discípulos e a Igreja afirmam a divindade de Jesus. Sendo uma revelação divina, Pedro ainda não tinha compreensão profunda do seu conteúdo. A Igreja designa a comunidade nova que Jesus vai edificar, na qual Pedro ocupa um lugar eminente. A promessa de Jesus inclui a vitória sobre o poder das portas do inferno, garantindo à comunidade dos discípulos a vitória sobre as forças do mal e a certeza de viver para sempre com Ele. Jesus promete a Pedro o poder de ligar e desligar, ou seja, de proibir ou permitir o acesso à comunhão com a comunidade cristã. Essa autoridade vem reforçada com a imagem das chaves do Reino do Céu, e o seu exercício pressupõe uma certa estrutura. Jesus rejeita a sugestão de Pedro, do mesmo modo que resistiu à tentação no deserto. Pedro estava a ser pedra de estorvo. De resto Jesus convida o discípulo a segui-lo. [Bíblia dos Capuchinhos]

 

Nossa Senhora das Neves

 

 



A dedicação a 5 de Agosto de Santa Maria Maior é assinalada no Martirológio Jeronimiano com um privilégio raro. A Basílica Siciniana foi cristianizada no tempo do Papa Liberto (352-366), no meio do século IV, daí, o nome de Basílica Liberiana. Foi restaurada e consagrada em honra da Virgem pelo Papa Xisto III (432-440), pelo que se ficou a chamara Basílica de Santa Maria Maior.

 

No alto do arco triunfal deste venerável templo estão inscritas estas palavras: XISTUS EPISCOPUS PLEBI DEI (Xisto, bispo, ao povo de Deus). Talvez relacionado com a brancura das neves, é costume em muitas Igrejas de Nossa Senhora das Neves, neste dia, deitar pétalas brancas do teto sobre as lajes do templo.

 

A partir do século VII, se chamou também a este templo Santa Maria do Presépio, em virtude de umas relíquias (agora numa capelinha debaixo do altar mor), que recordam a gruta de Belém. É nobre esta Igreja, ainda radiosa com a grande alegria que expressou, logo a seguir ao Concílio de Éfeso (431), ao proclamar a Theotokos (Mãe de Deus); Igreja toda resplandecente de mosaicos, de ouros variados mas não estridentes.

 

A devoção a Nossa Senhora das Neves está muito espalhada em Portugal onde há 40 paróquias que a têm como orago ou Padroeira. No Brasil Nossa senhora das Neves é Padroeira da cidade de João Pessoa. A ermida da ilha da Maré, no Recôncavo Baiano, fundada em 1584, é uma preciosidade da arquitetura colonial brasileira. A imagem da Padroeira, de madeira estofada, é em estilo maneirista. Nossa Senhora das Neves é também cultuada em Olinda, PE, e Igaraçu, RJ e no Espírito Santo

 

Basílica de Santa Maria Maior:

http://www.mariamaedaigreja.net/AmaisantigaigrejadedicadaaSantissimaVirgem.pdf

 

Nunca ore suplicando cargas mais leves, e sim, ombros mais fortes! (Philips Brooks)