Quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Santa Âgueda (Virgem e Mártir), Memória, 4ª Semana do Saltério (Livro III), cor Vermelha

 

 

Esta é uma virgem sábia, do número das prudentes, que foi ao encontro de Cristo com sua lâmpada acesa.

 

Hoje: Dia do Datiloscopista

 

Santos do Dia: Abraão de Arbela (bispo, mártir), Adelaide de Bellich (abadessa, virgem), Águeda Hildegarda de Caríntia (viúva), Agrícola de Tongres (bispo), Albino de Brixen (bispo), Avito de Viena (bispo), Bertulfo de Artois (abade), Genuíno de Brixen (bispo), Indrato e Domingas de Glastonbury (mártires), Jacó (Patriarca bíblico do Antigo Testamento), Modesto de Salzburgo (monge, bispo), Vodoaldo (eremita), João Morosini (abade, bem-aventurado).

 

Oração do Dia: Ó Deus, que Santa Águeda, virgem e mártir, agradável ao vosso coração pelo mérito da castidade e pela força do martírio, implore vosso perdão em nosso favor. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

Leitura: Hebreus (Hb 12, 18-19.21-24)

A comunidade cristã pertence ao reino definitivo

 

Irmãos, 18vós não vos aproximastes de uma realidade palpável: “fogo ardente e escuridão, trevas e tempestade, 19som da trombeta e voz poderosa”, que os ouvintes suplicaram não continuasse. 21Eles ficaram tão espantados com esse espetáculo, que Moisés disse: “Estou apavorado e com medo”. 22Mas vós vos aproximastes do monte Sião e da cidade do Deus vivo, a Jerusalém celeste; da reunião festiva de milhões de anjos; 23da assembléia dos primogênitos, cujos nomes estão escritos nos céus; de Deus, o juiz de todos; dos espíritos dos justos, que chegaram à perfeição; 24de Jesus, mediador da nova aliança, e da aspersão do sangue mais eloqüente que o de Abel. Palavra do Senhor!

 

Comentando a I Leitura[1]

Vós vos aproximastes do monte

Sião e da cidade do Deus vivo

 

Do Sinai, monte da primeira aliança, e de Sião, monte onde se erguia o templo, somos conduzidos ao monte da nova Jerusalém no céu. De uma experiência “terrificante” de Deus, como foi a assembléia do deserto, a um encontro com ele numa reunião festiva de homens livres, primogênitos da nova criação. Nossa assembléia, mesmo a mais pobre e simples, é uma comunhão misteriosa com os anjos e santos de todos os tempos, e, sobretudo, com o Cristo, mediador da nova aliança. Ela é o lugar normal da nossa experiência do Deus vivo, porque nela está presente Cristo sacerdote que apresenta ao Pai os sinais gloriosos (o sangue) de sua obediência e de seu amor. “Na liturgia terrena, participamos e antegozamos da celeste, celebrada na santa cidade de Jerusalém, para a qual caminhamos como peregrinos e onde o Cristo está sentado à direita de Deus como, ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo, junto com todas as fileiras das milícias celestes, cantamos ao Senhor o hino de glória; recordando com veneração os santos, esperamos obter algum lugar entre eles, e aguardamos, como salvador, nosso Senhor Jesus Cristo, nossa vida, até que ele venha; então apareceremos com ele na glória”.

 

Salmo: 47 (48), 2-3a.3b-4.9.10-11 (R/.cf.10)
Recordamos, ó Senhor, vossa bondade em meio ao vosso templo

 

2Grande é o Senhor e muito digno de louvores na cidade onde ele mora; 3aseu monte santo, esta colina encantadora é a alegria do universo.


3bMonte Sião, no extremo norte situado, és a mansão do grande rei! 4Deus revelou-se em suas fortes cidadelas um refúgio poderoso.


9Como ouvimos dos antigos, contemplamos: Deus habita esta cidade, a cidade do Senhor onipotente, que ele a guarde eternamente!


10Recordamos, Senhor Deus, vossa bondade em meio ao vosso templo; 11com vosso nome vai também vosso louvor aos confins de toda a terra.

 

 

Evangelho do Dia: Marcos (Mc 6, 7-13)

A fidelidade ao Evangelho exige renúncia e pobreza

 

Naquele tempo, 7Jesus chamou os doze, e começou a enviá-los dois a dois, dando-lhes poder sobre os espíritos impuros. 8Recomendou-lhes que não levassem nada para o caminho, a não ser um cajado; nem pão, nem sacola, nem dinheiro na cintura. 9Mandou que andassem de sandálias e que não levassem duas túnicas. 10E Jesus disse ainda: “Quando entrardes numa casa, ficai ali até vossa partida. 11Se em algum lugar não vos receberem, nem quiserem vos escutar, quando sairdes, sacudi a poeira dos pés, como testemunho contra eles!” 12Então os doze partiram e pregaram que todos se convertessem. 13Expulsavam muitos demônios e curavam numerosos doentes, ungindo-os com óleo. Palavra da Salvação!

 

Comentário do Evangelho[2]

Estar sempre a caminho

 

Para Jesus, o exercício da missão apostólica deveria ser dinâmico. O objetivo consistia em anunciar a todos, sem exceção, a Boa Nova da salvação e fazer chegar até eles os benefícios do Reino.


As instruções de Jesus por ocasião do envio missionário tentavam garantir a agilização da missão. Nada de munir-se de apetrechos, visando assegurar a subsistência e um certo bem-estar. Era desnecessário prover-se de comida e dinheiro, ou carregar uma mochila. Duas mudas de roupa seriam supérfluas. Bastava o que traziam no corpo.


Só duas coisas eram permitidas: levar um bastão e calçar sandálias. Por quê? O bastão serviria para proteger-se dos animais ferozes que poderiam encontrar ao longo do caminho. As sandálias eram necessárias porque, se caminhassem descalços, logo estariam com os pés feridos e, por conseqüência, não poderiam seguir adiante e levar a cabo a missão.


A simplicidade apostólica levaria aos apóstolos a darem contínuo testemunho de confiança na providência divina, em cujas mãos se colocavam. Poderiam estar certos de que, em suas andanças, sempre experimentariam a bondade do Senhor do Reino, expressa na hospitalidade generosa de seus ouvintes.


Neste contexto, até mesmo a rejeição serviria de estímulo para não se acomodarem, obrigando os apóstolos a sempre seguirem em frente.

 

Santa Águeda[3]

 

As cidades de Palermo e Catânia, na Sicília, disputam a honra de ser o berço de Santa Águeda, mas concordam em que a santa recebeu a coroa do martírio em Catânia. Suas atas, que existem com muitas variações em latim e grego mas carecem de valor histórico, afirmam que ela pertenceu a uma rica e ilustre família e que, tendo se consagrado a Deus, desde os mais tenros anos, venceu muitos assaltos contra sua pureza. Em sua posição de cônsul, Quintiano pensava que ia poder realizar seus maus desígnios em relação a Águeda, aproveitando-se do edito do imperador contra os cristãos. Ordenou, pois, que ela fosse trazida à sua presença. Vendo-se nas mãos de seus perseguidores, Águeda orou: "Jesus Cristo, Senhor de tudo, tu vês meu coração e conheces meus desejos. Faze com que só por ti eu seja toda possuída. Sou tua ovelha: que eu mereça vencer o diabo". Quintiano mandou que ela fosse entregue a Afrodísia, uma perversa mulher que com suas seis filhas mantinha uma casa de ma' fama. Neste lugar pavoroso, Águeda sofreu contra sua honra assaltos e artimanhas mais terríveis do que a tortura e a morte, mas permaneceu firme. Passado um mês, Quintiano tentou amedrontá-la com ameaças, mas ela continuou sem medo e declarou que por ser serva de Jesus Cristo estava verdadeiramente em liberdade. Ofendido por suas respostas resolutas, o juiz ordenou que ela fosse açoitada e lançada na prisão. No dia seguinte, ela foi submetida a novo interrogatório e respondeu que Jesus Cristo era sua luz e salvação. Quintiano então ordenou que ela fosse estirada na catasta - tortura geralmente acompanhada de açoite, dilaceramento por meio de ganchos de ferro, e queimadura com chamas de tochas. Furioso por vê-la sofrer tudo isso com alegria, o governador ordenou cruelmente que os seios dela fossem esmagados e arrancados. Mais tarde reencarcerou-a, e determinou que nenhum alimento ou socorro médico lhe fosse concedido. Deus porém confortou-a: na visão que ela teve, S. Pedro encheu o calabouço de uma luz celestial, a confortou e curou. Quatro dias depois, Quintiano mandou que ela fosse arrastada nua por cima de carvões acesos misturados com cacos de vasos. Ao ser levada de volta para a prisão, ela orou: "Senhor, meu Criador, tu me tens protegido sempre desde meu nascimento; tu me tens livrado do amor ao mundo, e me tens dado paciência para sofrer. Recebe agora minha alma". Após dizer essas palavras, entregou sua vida.

 

Existe boa prova de culto antigo de Santa Águeda. Seu nome ocorre no Calendário de Cartago (c. 530), e no "Hieronymianum", e seus louvores são cantados por Venâncio Fortunato (Carmina, VIII, 4), mas não podemos afirmar com segurança coisa alguma sobre sua história. Ela aparece na procissão dos santos pintada em Sant'Apollinare Nuovo em Ravena. Lembrando que seus seios foram arrancados, na arte eles são muitas vezes mostrados em um prato. Na Idade Média, foram muitas vezes confundidos com pães, e daí é que parece ter surgido a prática de benzer no dia de Santa Águeda os pães levados num prato até o altar. Como na Sicília se acreditava que ela podia deter as erupções do monte Etna, ela é invocada contra qualquer catástrofe de fogo.

 

O Jurista que se fez poeta

  Dom Benedicto de Ulhôa Vieira

 

Acostumado em São Paulo a conviver na Faculdade com os mestres do Direito, na sala dos professores e nos intervalos das aulas, a idéia, que deles fazia, era de homens sisudos, retos sim, mas pouco comunicativos. Um deles, professor de Direito Romano, de pouca prosa, era muito culto, respeitado por sua cultura, mas não se dignava conversar com aluno. Foi o tradutor da “Summa Theologica” de Santo Tomás, do latim para o português. Um monumento de sabedoria, antes inacessível aos demais.

 

Com esta experiência do passado, inicialmente eu não podia ver no singular amigo Ives Gandra Martins, que no seu programa de TV analisa os cânones do Direito, professor que é, o inspirado poeta da Academia Paulista de Letras, embora já tivesse lido várias de sua obras. Invejável talento.

 

Agora recebo pelo correio seu mais novo livro: “Cinquenta Poemas Escolhidos”. Ele nos diz no prefácio: “são poemas de reflexão interior e lirismo exterior que me permitissem enfrentar a vida conturbada de advogado e professor”. E explica o por que: “A poesia é pois o descanso do guerreiro”.

 

Onde vai o Autor buscar sua inspiração lírica? Ele o confessa claramente: seus poemas “têm como permanente inspiração minha colega de Faculdade, Ruth, com quem namoro há 55 anos e estou casado há 50”. Já escrevera antes outra obra a ela dedicada. E isto nos faz entender melhor que o juramento à beira do altar é, por graça de Deus, irrevogável e inextinguível, mesmo que venham a surgir pretextos que poderiam esfriar o amor. Não teria sido isto o motivo de Camões ter proclamado: “Que é tanto mais o amor depois que amais, quanto são mais as causas de ser menos”?

 

Vale a pena saber que “o poeta é o mensageiro da esperança (...) que sonha flores e descobre estrelas”. E se sente navegador “dirigido pelos astros”, mas naufragado “em dois escolhos encontrados no golfo dos teus olhos”. A vida para o poeta é sempre cheia de sol, de azul, nunca tempo de lua, mas de aurora sempre.

 

Não se pode pois pensar que as alturas da ciência, qualquer que seja seu campo de pesquisa, sejam tristes e áridas, como as areias do deserto. A ciência, luminosa que seja, pode ser um jardim colorido de flores, como tem sido para o meu Amigo. Nem se deve pensar que o encantamento de um homem por sua escolhida deva ser despido de ternura. O Cântico dos Cânticos, que a Bíblia nos traz, é recheado de expressões de amor pela beleza da pessoa amada. O coração humano, quando ama de verdade, costuma expressar-se com o colorido das imagens. As ideias se tornam pálidas diante de acelerado pulsar do coração. Ives, o jurista que se fez poeta. (Fonte: CNBB)

 

A ação não manda, faz; a omissão, porém, deixa até de mandar para

não ter o que fazer. (Feranndo Edson Tavares)

 



[1] Extraído do COMENTÁRIO BÍBLICO, Vol. III, p-297, ©Edições Loyola, 1997

[2] O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano A,  ©Paulinas, 1997

[3] John Nascimento, Canadá