Quinta-feira, 4 de novembro de 2010

São Carlos Borromeu, Bispo e Amigo dos Pobres, Memória, 3ª do Saltério (Livro III), cor Verde

 

Hoje: Dia do Inventor

 

Santos: Carlos Borromeu (arcebispo), Vital e Agrícola (mártires), Piério, João Zedazneli e seus companheiros, Claro (mártir), Joanício, Emerico (beato), Francisco d'Amboise (viúva).

 

Antífona: O Senhor firmou com ele uma aliança de paz, fazendo-o chefe do seu povo e sacerdote para sempre. (Eclo 45,30)

 

Oração: Conservai, ó Deus, no vosso povo o espírito que animava são Carlos Borromeu, para que a vossa Igreja, continuamente renovada e sempre fiel ao evangelho, possa mostrar ao mundo a verdadeira face do Cristo. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: Filipenses (Fl 3, 3-8a)
Os verdadeiros circuncidados somos nós

 

Irmãos, 3os verdadeiros circuncidados somos nós, que prestamos culto pelo Espírito de Deus, pomos a nossa glória em Cristo Jesus e não pomos confiança na carne. 4AIiás, também eu poderia pôr minha confiança na carne. Pois, se algum outro pensa que pode confiar na carne, eu mais ainda. 5Fui circuncidado no oitavo dia, sou da raça de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu filho de hebreus. Em relação à Lei, fariseu, 6pelo zelo, perseguidor da Igreja de Deus; quanto à justiça que vem da Lei, sempre irrepreensível. 7Mas essas coisas, que eram vantagens para mim, considerei-as como perda, por causa de Cristo. 8aNa verdade, considero tudo como perda diante da vantagem suprema que consiste em conhecer a Cristo Jesus, meu Senhor. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura
Essas coisas, que eram vantagens para mim,

considerai-as como perda, por causa de Cristo

 

Cedemos às vezes à tentação de montar diante de Deus o mesmo aparato cênico que usamos para impressionar os homens. Para obter consideração, fazer carreira ou evitar condenação, exibimos títulos e privilégios. Cultivamos uma série de proteções que podem funcionar no momento oportuno. A "recomendação" ameaça tornar-se verdadeira instituição, oficiosamente codificada. Mas não se pode transferir o mesmo esquema para as relações com Deus. Aqui o "conhecimento" de Cristo é a única coisa que conta. E não é privilégio, mas relacionamento de fé, atitude de confiança. [MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo Responsorial: 104 (105), 2-3.4-5.6-7 (R/.1)    
Exulte o coração dos que buscam o Senhor!

 

2Cantai, entoai salmos para ele, publicai todas as suas maravilhas! 3Gloriai-vos em seu nome que é santo, exulte o coração que busca a Deus!

 

4Procurai o Senhor Deus e seu poder, buscai constantemente a sua face! 5Lembrai as maravilhas que ele fez, seus prodígios e as palavras de seus lábios!

 

6Descendentes de Abraão, seu servidor, e filhos de Jacó, seu escolhido, 7ele mesmo, o Senhor, é o nosso Deus, vigoram suas leis em toda a terra.

 

 

Evangelho: Lucas (Lc 15, 1-10)
Haverá alegria no céu por um só pecador que se converte

 

Naquele tempo, 1os publicanos e pecadores aproximaram-se de Jesus para o escutar. 2Os fariseus, porém, e os mestres da Lei criticavam Jesus. "Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles". 3Então Jesus contou-lhes esta parábola:

 

4"Se um de vós tem cem ovelhas e perde uma, não deixa as noventa e nove no deserto, e vai atrás daquela que se perdeu, até encontrá-la? 5Quando a encontra, coloca-a nos ombros com alegria, 6e, chegando a casa, reúne os amigos e vizinhos, e diz: 'Alegrai-vos comigo! Encontrei a minha ovelha que estava perdida!' 7Eu vos digo: Assim haverá no céu mais alegria por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão.

 

8E se uma mulher tem dez moedas de prata e perde uma, não acende uma lâmpada, varre a casa e a procura cuidadosamente, até encontrá-la? 9Quando a encontra, reúne as amigas e vizinhas, e diz: 'Alegrai-vos comigo! Encontrei a moeda que tinha perdido!' 10Por isso, eu vos digo, haverá alegria entre os anjos de Deus por um só pecador que se converte". Palavra da Salvação!

 

Comentando o Evangelho

Ao encontro dos pecadores

 

A pedagogia de Jesus, no trato com a humanidade, foi aprendida diretamente do Pai. Este quer ter junto de si todos os seus filhos. Quanto mais distantes estiverem, tanto mais Deus desejará atraí-los com o seu amor. No coração do Pai não há lugar para o ressentimento, o desejo de castigar, o fechamento para o perdão. Tudo nele é amor, compreensão, esquecimento das ofensas recebidas, disposição para acolher e recomeçar.


Foi assim que Jesus tratou todas as pessoas. De modo particular, os pecadores e as vítimas da marginalização social foram objeto de sua acolhida carinhosa. Recusando a se tornar juiz deles, buscava fazer-se próximo, de modo a mostrar-lhes o quanto eram amados pelo Pai. Acolhendo-os e pondo-se à mesa com eles, quebrava um tabu social de segregação a que estavam relegados, revelando-lhes a dignidade de seres humanos. Indo ao encontro deles, manifestava-lhes o propósito divino de não rejeitá-los e seu anseio de fazê-los voltar à casa paterna. Alegrando-se com a sua conversão e disposição a fazer penitência, revelava a confiança do Pai na capacidade do ser humano renunciar ao seu mau caminho para reinserir-se nos caminhos de Deus.


Os adversários olhavam com suspeita para o modo como Jesus tratava os pecadores. Só nutriam o desejo de que fossem punidos por Deus e votados à condenação eterna. Nada mais incompatível com os ideais de Jesus! [O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano C,  ©Paulinas, 1996]

 

São Carlos Borromeu

 

 

 

São Carlos Borromeu nasceu em Arona, Lombardia, no dia 2 de outubro de 1538. Em 1559 formou-se em Direito Civil e Direito Canônico. Pio IV (1559-1565) era seu tio, o que favoreceu sua elevação a cardeal e arcebispo de Milão, quando tinha apenas 22 anos e sem sacerdote era. Além disso, era também secretário particular do papa, tudo isso devido mais ao nepotismo que a suas qualidades e competência. Foi, entretanto, justamente por meio desse jovem que as reformas tridentinas serão impostas à Igreja. Seminários foram criados, a pastoral foi renovada, organizações apostólicas tiveram grande incremento. O povo começou a ser doutrinado e instruído nas verdades da fé. O apostolado da imprensa e dos leigos começou a se desenvolver. São Carlos Borromeu foi um pastor exemplar. Sempre esteve ao lado do povo, especialmente nos momentos mais difíceis. Durante os anos 1576-1577, quando a peste avassalava a cidade, saía em procissão pelas ruas da cidade com uma corda no pescoço e uma cruz às costas, implorando a misericórdia de Deus. Morreu em 4 de novembro de 1584, com apenas 46 anos de idade. No seu túmulo está inscrito: Carlos, cardeal com o título de São Praxedes, arcebispo de Milão, que implora o socorro das orações do clero, do povo e dos devotos em geral, escolheu esta tumba, quando em vida. [Cf. ALVES, José Benedito. Os Santos de cada dia, São Paulo, Paulinas, 1998]

 

Para Sua Reflexão:

O capítulo apresenta-se como uma unidade literária à volta de três parábolas, tendo como centro a alegria de ter reencontrado aquilo que se tinha perdido. As duas primeiras sugerem a procura do pecador pelo Pai; a terceira fala do acolhimento prestado pelo Pai ao pecador. Entre as três há uma progressão, e a uni-las está o vetor da misericórdia divina. Com “a parábola dos dois filhos”, Jesus fala da alegria de Deus pelo reencontro do filho perdido a convida os fariseus – o filho mais velho – a ter parte nesta alegria. A imagem do pastor e do seu rebanho é frequente na Bíblia para definir as relações de Deus como o seu povo. O reencontro da ovelha perdida é uma figura da salvação. No lugar paralelo desta parábola, Mt 18, 10-14 aplica-a aos chefes da Igreja com responsabilidade sobre “os pequeninos” da comunidade, enquanto Lucas põe em evidência procura do pecador de Deus. Alegrai-vos, é o convite a partilhar a alegria, que prepara, assim, a resposta final de Jesus aos fariseus. Dracma, moeda grega, equivale ao denário romano, salário de um dia de trabalho. Para a mulher, que só tinha dez, era uma perda importante. . [Bíblia dos Capuchinhos]

 

Nada mais triste do que não poder amar ninguém, não ter corações aos

quais doar o melhor de nós mesmos. (Frei Almir Ribeiro Guimarães)