Quinta-feira, 4 de março de 2010

Segunda Semana da Quaresma - 2ª Semana do Saltério (Livro III) - cor Litúrgica Roxa

 

 

Santos: Adriano (bispo, mártir na Ilha de May), Arquelau, Casimiro, Cirilo e Fócio (mártires de Nicomédia), Basílio, Eugênio, Agatodoro, Elpídio, Etério, Efrém, Nestor e Arcádio, bispos em Chersoneso (mártires), Capitão (primeiro bispo de Lugo, mártir), Lúcio (papa, mártir), Romeu de Limoges (carmelita, bem-aventurado).

 

Antífona: Provai-me, ó Deus, e conhecei meus pensamentos: vede se ando pela vereda do mal e conduzi-me nos caminho da eternidade. (Sl 138, 23-24)

 

Oração do Dia: Ó Deus, que amais e restaurais a inocência, orientai para vós os corações dos vossos filhos e filhas, para que, renovados pelo vosso Espírito, sejamos firmes na fé e eficientes nas obras. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.

 

I Leitura: Jeremias (Jr 17, 5-10)

Maldito o homem que confia no homem

 

5Isto diz o Senhor: "Maldito o homem que confia no homem e faz consistir sua força na carne humana, enquanto o seu coração se afasta do Senhor”; 6como os cardos no deserto, ele não vê chegar a floração, prefere vegetar-se na secura do ermo, em região salobra e desabitada.

 

7Bendito o homem que confia no Senhor, cuja esperança é o Senhor; 8é como a árvore plantada junto às águas, que estende as raízes em busca da umidade, e por isso não teme a chegada do calor: sua folhagem mantém-se verde, não sofre míngua em tempo de seca e nunca deixa de dar frutos. 9Em tudo é enganador o coração, e isto é incurável; quem poderá conhecê-lo?

 

10Eu sou o Senhor, que perscruto o coração e provo os sentimentos, que dou a cada qual conforme o seu proceder e conforme o fruto de suas obras". Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

Bendito o homem que põe sua confiança no Senhor

 

Em quem se deve esperar? No homem, afirmam muitos de nossos contemporâneos, que sonham libertar o mundo das tutelas religiosas para confiá-lo totalmente às mãos do homem. Sua confiança no homem é comovedora, mas segundo a linguagem do profeta eles seriam malditos, iludidos. Acabam por ser homens sem esperança porque lhes falta a confiança na ressurreição. Além disso, constatando a maldade humana, concluem amargamente que o homem não merece confiança.

 

Só existe uma possibilidade de esperar no homem: esperar no homem Jesus Cristo. Nele Deus nos dá a possibilidade de tornar tudo novo e de crer no futuro. Nele a vida humana torna-se possível e vale a pena ser vivida. É possível, então, esperar também nos outros homens, porque sua graça pode transformá-los e torná-los corresponsáveis, mediante um engajamento fiel no mundo, pela construção de um futuro melhor. [MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 1, 1-2.3.4 e 6 (R/.Sl 39 [40], 5a)
É feliz quem a Deus se confia!

 

1Feliz é todo aquele que não anda conforme os conselhos dos perversos; que não entra no caminho dos malvados, nem junto aos zombadores vai sentar-se; 2mas encontra seu prazer na lei de Deus e a medita, dia e noite, sem cessar.

 

3Eis que ele é semelhante a uma árvore, que à beira da torrente está plantada; ela sempre dá seus frutos a seu tempo, e jamais as suas folhas vão murchar. Eis que tudo o que ele faz vai prosperar.

 

4Mas bem outra é a sorte dos perversos. Ao contrário, são iguais à palha seca espalhada e dispersa pelo vento. 5Pois, Deus vigia o caminho dos eleitos, mas a estrada dos malvados leva à morte.

 

Evangelho: Lucas (Lc 16, 19-31)

O homem rico e o pobre Lázaro

 

Naquele tempo, disse Jesus aos fariseus: 19"Havia um homem rico, que se vestia com roupas finas e elegantes e fazia festas esplêndidas todos os dias. 20Um pobre, chamado Lázaro, cheio de feridas, estava no chão, à porta do rico. 21Ele queria matar a fome com as sobras que caiam da mesa do rico. E, além disso, vinham os cachorros lamber suas feridas.

 

22Quando o pobre morreu, os anjos levaram-no para junto de Abraão. Morreu também o rico e foi enterrado. 23Na região dos mortos, no meio dos tormentos, o rico levantou os olhos e viu de longe a Abraão, com Lázaro ao seu lado. 24Então gritou: 'Pai Abraão, tem piedade de mim! Manda Lázaro molhar a ponta do dedo para me refrescar a língua, porque sofro muito nestas chamas'. 25Mas Abraão respondeu: 'Filho, lembra-te de que recebeste teus bens durante a vida e Lázaro, por sua vez, os males. Agora, porém, ele encontra aqui consolo e tu és atormentado. 26E, além disso, há grande abismo entre nós: por mais que alguém desejasse, não poderia passar daqui para junto de vós, e nem os daí poderiam atravessar até nós'.

 

27O rico insistiu: 'Pai, eu te suplico, manda Lázaro à casa de, meu pai, 28porque eu tenho cinco irmãos. Manda preveni-los, para que não venham também eles para este lugar de tormento'. 29Mas Abraão respondeu: 'Eles têm Moisés e os profetas, que os escutem!' 30 O rico insistiu: 'Não, Pai Abraão, mas se um dos mortos for até eles, certamente vão se converter'. 31Mas Abraão lhe disse: 'Se não escutam a Moisés, nem aos Profetas, eles não acreditarão, mesmo que alguém ressuscite dos mortos'". Palavra da Salvação!

 

 

Comentário do Evangelho

O rico e Lázaro

A parábola evangélica é um alerta premente contra o perigo da riqueza e as consequências desastrosas para quem não sabe se servir dela como meio para obter a salvação eterna. A riqueza pode levar à condenação.

 

O rico simboliza aquela pessoa cuja vida limita-se à busca de prazeres: da comida, da bebida, do vestir-se bem, do locupletar-se com bens materiais. Por isso, não demonstra a mínima preocupação com Deus, nem muito menos com seus semelhantes, de modo especial, os pobres e marginalizados. Interessa-lhes, apenas, quem lhes pode proporcionar prazer, e seus companheiros de orgias. Nada, porém, que possa significar amor e ruptura dos esquemas egoístas.

 

A riqueza estreitava os horizontes do rico da parábola, impedindo-o de ver para além de seu pequeno mundo. O sofrimento do pobre Lázaro, à sua porta, era-lhe desconhecido. Sua fome contrastava com a opulência dos banquetes que o rico oferecia. Seu corpo coberto de feridas, dando-lhe um aspecto asqueroso, chocava-se com a bela aparência dos convivas do rico, bem vestidos e adornados.


O desfecho da parábola parece lógico: a insensibilidade do rico farreador valeu-lhe a condenação eterna de sofrimentos, pois deixara escapar a única chance de construir sua felicidade eterna, fazendo-se solidário com o sofrimento do próximo. [O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Jaldemir Vitório, ©Paulinas]

 

Para sua reflexão: O rico da parábola não tem nome, o pobre chama-se Lázaro, ou seja, Eleazar, que significa Deus auxilia. Ezequiel nos lembra: “este foi o pecado de Sodoma: soberba, fartura de pão e bem estar aprazível... mas não deu uma mão ao infeliz e pobre” (Ez 16,49). A parábola nos mostra o confronto entre a riqueza injusta e a pobreza, ou seja, entre um rico pecador, pois deus é o seu dinheiro, e um pobre justo e que, depois da morte, haverá castigo e prêmio. De Lázaro se contam os sofrimentos, não as virtudes. Não consegue afugentar nem os cães que lhe lambem a umidade das chagas. Segundo Daniel, “muitos dos que dormem no pó despertarão: uns para a vida eterna, outros para a vergonha perpétua” (Dn 12,2). A riqueza não é uma coisa abominável, quando justa e tem a sua evolução permeada pela justiça e respeito ao próximo. Segundo Jesus, o que vale é a lei do amor ao irmão, uma prática que tem sido difícil de ser aplicada nos dias de hoje. Mas há tempo para que a justiça seja reconhecida e aplicada ao seu irmão do lado; não espere isso só dos outros, comece a mudar o mundo a partir de você! Sobre o versículo 31 encontre uma oportunidade para ler todo o Pentateuco (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio). Se desejar dar uma passada em Romanos, capítulos de 12 a 15, vai se surpreender!

 

São Casimiro

 

O Santo que comemoramos hoje foi proclamado padroeiro da juventude Lituânia. O nome de Casimiro, o qual possui como significado do nome: comandar, tornou-se profecia, pois com o auxílio do Espírito Santo e da Virgem Maria comandou todo o seu pensar, falar e agir para Cristo e os irmãos. Casimiro era filho do rei da Polônia, nasceu com o título de grão-duque da Lituânia, sua terra natal, isto no ano de 1458. De família real e católica, Casimiro poderia se envolver em perigos políticos, por isso renunciou o direito ao trono, acolhendo assim a voz do Papa sobre a situação. Aceitou o dom do celibato como seu estado de vida e, com a ajuda da mãe e rainha, começou a receber forte educação espiritual do cônego de Cracóvia. São Casimiro, com dezessete anos e, debilitado pelo excesso de penitência, começou a ajudar o pai no governo da Lituânia, usando sempre a força da oração, prudência e tudo permeado pelo seu amor profundo ao Santíssimo Sacramento e a Nossa Senhora. Admirado pelos súditos e amado pelo povo foi vítima de tuberculose que o vitimou no ano 1484, mas não tirou dele o Prêmio Eterno.

 

 

Orai e aprendei a orar! Abri vossos corações e vossas consciências Àquele

que vos conhece melhor que vós mesmos. (Papa João Paulo II)