Quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Primeira Semana do Advento, Ano “A”, 1ª do Saltério (Livro I), cor Roxa

 

Hoje: Dia Nacional de Relações Públicas, dia do Samba e dia do Casal

 

Santos: Adria, Aurélia, Eusébio, Hipólito, Marcelo, Máximo, Maria e Paulina (“Mártires Gregos”, martirizado em Roma), Aviciano de Rouen (bispo), Bibiana de Roma (virgem, mártir), Cromácio de Aquiléia (bispo), Elóquio de Lagny (abade), Evásio de Brescia (bispo), Lupo de Verona (bispo), Nono de Edessa (bispo), Ponciano e seus quatro companheiros (mártires de Roma), Roberto de Matallana (abade), Severo, Seguro, Januário e Vitorino (mártires da África), Silvano de Trôade (bispo), Valentim de Estrasburgo (bispo).

 

Antífona: Estais perto, Senhor, e todos os vossos caminhos são verdadeiros. Desde muito aprendi que vossa aliança foi estabelecida para sempre.

 

Oração: Despertai, ó Deus, o vosso poder e socorrei-nos com a vossa força, para que vossa misericórdia apresse a salvação que nossos pecados retardam. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

Leitura: Isaias (Is 26, 1-6)
Esperai no Senhor por todos os tempos

 

1Naquele dia, cantarão este canto em Judá: "Uma cidade fortificada é a nossa segurança; o Senhor cercou-a de muros e antemuro. 2Abri as suas portas, para que entre um povo justo, cumpridor da palavra, 3firme em seu propósito; e tu lhe conservarás a paz, porque confia em ti.

 

4Esperai no Senhor por todos os tempos, o Senhor é a rocha eterna. 5Ele derrubou os que habitam no alto, há de humilhar a cidade orgulhosa, deitando-a por terra, até fazê-la beijar o chão. 6Hão de pisá-la os pés, os pés dos pobres, as passadas dos humildes". Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

Que entre um povo justo, cumpridor da palavra

 

O homem moderno, acostumado a tantos "ídolos", a tanta comodidade, ao bem-estar, ao "consumo" reluta em crer que esta vida cômoda possa um dia ter fim. Labuta para ganhar, para viver bem. Mas tanta atividade tem fundamento sólido? Sobre que fundamento constrói a sua vida? "Antes refugiar-se no Senhor do que confiar no homem" (Salmo). O Senhor tem medidas diferentes das nossas: ele subverte todos os nossos valores humanos, os princípios terrenos e egoísticos. Abate os soberbos e enaltece os humildes. Quem for "pobre" e humilde, consciente da própria insegurança e instabilidade, achará sólido apoio no Senhor. Para um povo aleito às areias do deserto, a rocha resistente é uma imagem plástica sugestiva. Esta rocha é Cristo, pedra angular sobre a qual quer o Pai construir a "cidade forte", morada do povo "fiel". [Missal Cotidiano, Paulus]

 

 

Salmo: 117 (118), 1e9-9.19-21.25-27ª (+26a)

Bendito é aquele que vem vindo em nome do Senhor

 

Dai graças ao Senhor porque ele é bom! "Eterna é a sua misericórdia!" É melhor buscar refúgio no Senhor, do que pôr no ser humano a esperança; é melhor buscar refúgio no Senhor, do que contar com os poderosos do mundo!"

 

Abri-me vós, abri-me as portas da justiça; quero entrar para dar graças ao Senhor! "Sim, esta é a porta do Senhor, por ela só os justos entrarão!" Dou-vos graças, ó Senhor, porque me ouvistes e vos tornastes para mim o Salvador!

 

Ó Senhor, dai-nos a vossa salvação, ó Senhor, dai-nos também prosperidade! Bendito seja, em nome do Senhor, aquele que em seus átrios vai entrando! Desta casa do Senhor vos bendizemos. Que o Senhor e nosso Deus nos ilumine!

 

 

Evangelho: Mateus (Mt 7, 21.24-27)

Edificar sobre a rocha

 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 21"Nem todo aquele que me diz: 'Senhor, Senhor', entrará no Reino dos Céus, mas o que põe em prática a vontade de meu Pai que está nos céus. 24Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as põe em prática, é como um homem prudente, que construiu sua casa sobre a rocha. 25Caiu a chuva, vieram as enchentes, os ventos deram contra a casa, mas a casa não caiu, porque estava construída sobre a rocha.

 

26Por outro lado, quem ouve estas minhas palavras e não as põe em prática, é como um homem sem juízo, que construiu sua casa sobre a areia. 27Caiu a chuva, vieram as enchentes, os ventos sopraram e deram contra a casa, e a casa caiu, e sua ruína foi completa!" Palavra da Salvação!

 

 Leituras paralelas: Lc 6, 39-42; 6, 47-49; 13, 25-27; Ez 13, 10-14.

 

 

Comentando o Evangelho

Fazer a vontade do pai: o desafio do cristão

O Evangelho do Dia nos mostra a relação entre do discurso e a pratica do cristão, não apenas no tempo de Jesus, mas em qualquer época: não basta dizer “Senhor, Senhor!”, pois só se entra no seu Reino se fizer a vontade do Pai; a Palavra é sempre atual. Ler a Palavra constantemente, ir à Igreja (mas não participar de fato da missa) ser fiel no dízimo, etc., sem que esse rol de atitudes não modifique a vida do cristão resulta no vazio, no terreno frágil! Jesus é o terreno firme sobre o qual se pode construir uma vida frente aos desafios do cotidiano. Nossa fé tem por fundamento a Palavra de Deus. A fidelidade a ela exige que façamos mudanças importantes em nossa vida. Deus é a rocha e o fundamento sobre o qual devemos construir a nossa vida. Há uma boa distância entre o cristão devotado à vida moderna, embora envolto nas atividades do mundo contemporâneo, e o cristão que não perde o referencial da sua fé no Divino. Fazer a vontade do Pai é estar antenado com Palavra do Pai que está sempre na busca do cristão focado no Reino. [Everaldo Souto Salvador, ofs]

 

A palavra se faz oração (Missal Dominical)

·  Cristo, fortaleza dos cristãos, vinde fortalecer nossa vida. Vinde Senhor Jesus.

·  Cristo, luz verdadeira, vinde iluminar nossa caminhada.

·  Cristo, amado do Pai, vinde revelar as maravilhas do amor de Deus.

·  Cristo, enviado do Pai, vinde nos ensinar a cumprir a vontade de Deus.

·  Cristo, alegria dos pobres, vinde tornar-nos comprometidos com os necessitados.

·  (outras intenções)

 

Oração sobre as Oferendas:

Recebei, ó Deus, estas oferendas que escolhemos entre os dons que nos destes, e o alimento que hoje concedeis à nossa devoção torne-se prêmio da redenção eterna. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Vivamos neste mundo com justiça e piedade, esperando a feliz esperança e o advento da glória de nosso grande Deus. (Tt 2, 12-13)

 

Oração Depois da Comunhão:

Aproveite-nos, ó Deus, a participação nos vossos mistérios. Fazei que eles nos ajudem a amar desde agora o que é do céu e, caminhando entre as coisas que passam, abraçar as que não passam. Por Cristo, nosso Senhor.

 

São Cromácio

Hoje a Igreja nos apresenta São Cromácio, Bispo de Aquiléia (Itália). Esta cidade da Europa, por um tempo foi muito importante para o Império Romano, que a tinha como centro político e principalmente para o Cristianismo, pois São Jerônimo a chamou: "Comunidade de santos".

Neste contexto que, no século IV, Cromácio aparece como pertencente do Clero de Aquiléia e ajudante fiel do Bispo Valeriano. Cromácio nasceu em Aquiléia no ano 345. São Cromácio colaborou na organização da diocese e na luta contra o Arianismo, que semeava a mentira em que Jesus Cristo seria criatura escolhida, e não Deus.

A casa de São Cromácio era centro de atividade espiritual, de estudo, oração e encontro de amigos sacerdotes e leigos, dispostos a cresceram para Deus. Quando Valeriano morreu, todos - Clero e o povo - não tiveram dúvida em aclamar Cromácio para Bispo de Aquiléia. Isto em 388.

Como Bispo, foi santo e sábio pastor, culto, enérgico na defesa da doutrina e incansável na evangelização dos povos, o próprio São Cromácio se destacou como pregador e escritor, além de cooperar para que São Jerônimo e Rufino trabalhassem cada um na sua tradução das Sagradas Escrituras. São Cromácio faleceu em sua cidade - Aquiléia - no ano de 408, local que jamais esqueceu deste santo Bispo. [Canção Nova]

 

 

O Advento no Catecismo

1.    Ao celebrar cada ano a liturgia do Advento, a Igreja atualiza esta espera do Messias: comungando com a longa preparação da primeira vinda do Salvador, os fiéis renovam o ardente desejo de sua Segunda Vinda. Pela celebração da natividade e do martírio do Precursor, a Igreja se une a seu desejo: "É preciso que Ele cresça e que eu diminua" (Jo 3,30).

 

2.    O advento do Reino de Deus é a derrota do reino de Satanás: "Se é pelo Espírito de Deus que eu expulso os demônios, então o Reino de Deus já chegou a vós" (Mt 12,28). Os exorcismos de Jesus libertam homens do domínio dos demônios. Antecipam a grande vitória de Jesus sobre "o príncipe deste mundo". E pela Cruz de Cristo que o Reino de Deus ser definitivamente estabelecido: "Regnavit a ligno Deus - Deus reinou do alto do madeiro".

 

3.    Já presente em sua Igreja, o Reino de Cristo ainda não está consumado "com poder e grande glória" (Lc 21, 17) pelo advento do Rei na terra. Esse Reino é ainda atacado pelos poderes maus, embora estes já tenham sido vencidos em suas bases pela Páscoa de Cristo. Enquanto tudo não for submetido a ele, "enquanto não houver novos céus e nova terra, nos quais habita a justiça, a Igreja peregrina leva consigo em seus sacramentos e em suas instituições, que pertencem à idade presente, a figura deste mundo que passa, e ela mesma vive entre as criaturas que gemem e sofrem como que dores de parto até o presente e aguardam a manifestação dos filhos de Deus" Por este motivo os cristãos oram, sobretudo na Eucaristia, para apressar a volta de Cristo, dizendo-lhe: "Vem, Senhor" (Ap 22,20).

 

4.    A partir da Ascensão, o advento de Cristo na glória é iminente, embora não nos "caiba conhecer os tempos e os momentos que o Pai fixou com sua própria autoridade" (At 1,7). Este acontecimento escatológico pode ocorrer a qualquer momento, ainda que estejam "retidos" tanto ele como a provação final que há de precedê-lo.

 

5.    Antes do advento de Cristo, a Igreja deve passar por uma provação final que abalar a fé de muitos crentes. A perseguição que acompanha a peregrinação dela na terra" desvendará o "mistério de iniquidade" sob a forma de uma impostura religiosa que há de trazer aos homens uma solução aparente a seus problemas, à custa da apostasia da verdade. A impostura religiosa suprema é a do Anticristo, isto é, a de um pseudo messianismo em que o homem glorifica a si mesmo em lugar de Deus e de seu Messias que veio na carne.

 

6.    Cabe ao Filho realizar, na plenitude dos tempos, o plano de salvação de seu Pai. Este é o motivo de sua "missão". "O Senhor Jesus iniciou sua Igreja pregando a Boa Nova, isto é, o advento do Reino de Deus prometido nas Escrituras havia séculos." Para cumprir a vontade do Pai, Cristo inaugurou o Reino dos Céus na terra. A Igreja "é o Reino de Cristo já misteriosamente presente"'.

 

7.    "A Igreja... só terá sua consumação na glória celeste quando do retomo glorioso de Cristo. Até aquele dia, "a Igreja avança em sua peregrinação por meio das perseguições do mundo e das consolações de Deus". Aqui na terra, sabe que está em exílio, longe do Senhor e aspira ao advento pleno do Reino, "a hora em que ela será, 'na glória, reunida a seu Rei". A consumação da Igreja e, por meio dela, a do mundo, na glória, não acontecerá sem grandes provações. Só então "todos os justos, desde Adão, em seguida Abel, o justo, até o último eleito, serão congregados junto do Pai na Igreja universal"

 

8.    É por isso que a Igreja, particularmente no advento, na quaresma e sobretudo na noite de Páscoa, relê e revive todos esses grandes acontecimentos da história da salvação no "hoje" de sua liturgia. Mas isso exige também que a catequese ajude os fiéis a se abrirem a esta compreensão "espiritual" da economia da salvação, tal como a liturgia da Igreja a manifesta e no-la faz viver.

 

9.    O Juízo Final acontecerá por ocasião da volta gloriosa de Cristo. Só o Pai conhece a hora e o dia desse Juízo, só Ele decide de seu advento. Por meio de seu Filho, Jesus Cristo, Ele pronunciará então sua palavra definitiva sobre toda a história. Conheceremos então o sentido último de toda a obra da criação e de toda a economia da salvação, e compreenderemos os caminhos admiráveis pelos quais sua providência terá conduzido tudo para seu fim último. O Juízo Final revelará que a justiça de Deus triunfa de todas as injustiças cometidas por suas criaturas e que seu amor é mais forte que a morte.

 

10.     Seja este testemunho público, como no estado religioso, ou mais discreto, ou até secreto, o advento de Cristo permanece para todos os consagrados a origem e a orientação de sua vida: Como o povo de Deus não possui aqui na terra morada permanente, o estado religioso manifesta já aqui neste mundo a todos os crentes a presença dos bens celestes, dá testemunho da vida nova e eterna adquirida pela redenção de Cristo, prenuncia a, ressurreição futura e a glória do Reino celeste.

 

 

Advento do Salvador

Cardeal Geraldo Majella Agnelo

 

O Tempo do Advento chegou e somos convidados a iniciar a preparação da vinda do Salvador no seu Natal. Estamos sempre ligados à eternidade. Nascemos para viver sempre. Enquanto vivemos na terra, cada ano somos convidados a repassar toda a história da salvação através da Liturgia que se torna um sacramento de nossa fé.

 

Na verdade, a Palavra de Deus proclamada e explicada em nossas celebrações ilumina nosso caminho e a Eucaristia nos alimenta com o corpo e o sangue do Senhor sacrificado por nós na cruz.

 

Advento significa: ele virá. Revivemos a história da humanidade. A promessa do salvador foi feita ainda na manhã do pecado, como assinala o Livro do Genesis.

 

A história narrada na Bíblia abre-se com a sofrida pergunta de Deus Pai: “Adão, onde estás?” (Gênesis 3, 9) e se conclui com a trepidante prece da Igreja que, voltando-se a Cristo seu Esposo, invoca: “Vem!” (Apocalipse 22,7). Entre os dois extremos se desenrola o longo caminho da humanidade que toma progressivamente consciência do amor de Deus.

 

Demorou, no entanto, o inicio da realização do desígnio de Deus. Cerca de mil e quinhentos anos antes de Cristo, Deus chamou um homem, Abraão, que se tornou o pai do povo de Deus, não só do povo de Israel, mas também de todos os que acreditaram em Deus. Abraão viveu profundamente a fé na Palavra de Deus, e com ele, começou a esperança da humanidade de um tempo novo, baseado na busca da verdade, da justiça, da fraternidade.

 

A primeira etapa da pergunta “quem é Deus” abarca todo o Antigo Testamento, pondo em evidência a procura incansável do homem por parte de Deus. Ele chama cada pessoa: Abraão, Isaac, Jacó; adota um inteiro povo que se revela incapaz de lhe ser fiel. Deus envia profetas para que denunciem com palavras e a vida as incoerências do povo e o ajudem a reencontrar os esplêndidos horizontes que Deus reserva aos seus.

 

Na segunda etapa, o “onde estás?” de Deus encontra a sua expressão mais radical na vida de Jesus de Nazaré. Nele é Deus mesmo que se inclina sobre o homem alquebrado nas suas misérias. Como um servo, Jesus se despoja de tudo, sobe despojado sobre a cruz. Lá, no Gólgota, Deus totalmente desarmado reabraça a humanidade codividindo com ela a força da ressurreição.

 

A terceira etapa é, enfim, atravessada pela trepidação da humanidade renovada. Ela vive do amor de Deus e o comunica ao mundo. Paulo, Pedro, Tiago, João com seus escritos, não fizeram outra coisa que exprimir o eco de uma boa notícia que vence qualquer obstáculo para atingir todos os povos da terra. A história da salvação entrelaça, sobre esse fundo, páginas sofridas e luminosas, personagens exemplares e abjetas, o amor e o ódio, a paixão e ternura de um Deus que sem trégua procura o homem.

 

Inicialmente, o homem bíblico pensa Deus segundo categorias antropomórficas. Imagens de Deus artesão modelando Adão com o barro; de Deus guerreiro “que combate a favor de seu povo”; de Deus ciumento, pronto a reprimir toda infidelidade; de Deus terrível que dita leis desde um turbilhão de fogo. A paz mesma, o bem estar, a vitória sobre inimigos são interpretados como prêmio à fidelidade para com a aliança; as deportações e as destruições tornam-se fruto da infidelidade e da desordem moral.

 

Deus é o Pai que forma seus filhos. É o anúncio dos profetas a lançar novas luzes sobre a compreensão do rosto de Deus: ele é o amante apaixonado, o esposo ferido, a mãe que nutre, o pai que educa, o pastor que conduz, o vaso que plasma, o  vinhateiro paciente. Lidas e meditadas à luz da experiência histórica vivida pelo povo, essas imagens revelam Deus em caminho com o seu povo, com o vulto coberto de pó e as sandálias rotas.

 

No tempo do Advento recordamos que o Senhor já veio. Recordar significa colocar de novo no coração, recordamos o Senhor nascido em Belém para nós. Mas o Advento nos faz também esperar sua vinda futura. Jesus nos disse que virá no fim dos tempos. Reunirá os seus discípulos no seu reino, reino de viventes porque ele venceu a morte e entregará o seu Reino ao Pai, para sempre.

 

Nossa história se coloca entre as duas vindas do Senhor. Há lugar para o Senhor? Tempo de fé e de esperança. [CNBB]

 

Somos todos anjos com uma asa só; e só podemos

voar quando abraçados uns aos outros. (Luciano de Crescenzo)