Quinta-feira, 2 de abril de 2009
Quinta Semana do Tempo da Quaresma, I Semana do Saltério (Livro III), cor Roxa
Cristo é o mediador de uma nova aliança, para que, por meio de sua
morte, recebam os eleitos a herança eterna que lhes foi prometida. (Hb 9, 15)
Santos: Melitão (bispo), Valarico ou Valerico (abade), Macário o Taumaturgo, Hugo de Grenoble (bispo), Hugo de Bonneveaux (abade), Gilberto de Caithness (bispo), Catarina de Palma (virgem), Ludovico Pavoni (beato)
Oração: Assisti, ó Deus, aqueles que vos suplicam e guardai com solicitude os que esperam em vossa misericórdia, para que, libertos dos nossos pecados, levemos uma vida santa e sejamos herdeiros das vossas promessas. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.
I Leitura: Gênesis (Gn 17, 3-9)
Aliança do Senhor com Abraão
Naqueles dias, 3Abrão prostrou-se com o rosto por terra. 4E Deus disse: "Eis a minha aliança contigo: tu serás pai de uma multidão de nações. 5Já não te chamarás Abrão, mas o teu nome será Abraão, porque farei de ti o pai de uma multidão de nações. 6Farei crescer tua descendência infinitamente. Farei nascer de ti nações, e reis sairão de ti.
7Estabelecerei minha aliança entre mim e ti e teus descendentes para sempre; uma aliança eterna, para que eu seja teu Deus e o Deus de teus descendentes. 8A ti e aos teus descendentes darei a terra em que vives como estrangeiro, todo o pais de Canaã como propriedade para sempre. E eu serei o Deus dos teus descendentes". 9Deus disse a Abraão: "Guarda a minha aliança, tu e a tua descendência para sempre". Palavra do Senhor.
Comentando a I Leitura[1]
Farei de ti o pai de uma multidão de nações
Achamo-nos diante do pacto com que se iniciou a história da salvação. Os protagonistas são Deus e Abraão. Este é um nômade prostrado com a face em terra, dobrado em atitude de adoração e submissão ao peso da bênção que deverá transmitir a "nações" e reis (versículo 6). Doravante terá um novo nome, Abraão, pai de muitos povos; e Deus, por sua vez, será o Deus de Abraão. Por força deste pacto Deus e Abraão (e sua descendência) fazem causa comum: a obra da salvação será levada sob a direção, o auxilio e a proteção de Deus. Deste acontecimento decisivo para a humanidade não se indica o lugar nem o tempo; o verdadeiro teatro da história da salvação não está ligado a lugar e a tempo. É Abraão, é o homem. Aí se decide a salvação, no encontro da Palavra de Deus com a fé do homem. Convém lembrar outro encontro da Palavra de Deus com a fé, verificado em Maria Santíssima, cujo fruto é Cristo salvador; verdadeiro tronco das nações, de que Abraão era figura. Ele iniciará a nova e eterna aliança, sancionada em seu sangue. Jesus, no evangelho de hoje, legítima esta aproximação: "Abraão exultou na esperança de ver o meu dia; viu-o e rejubilou-se" (Jo 8,56). O pacto de aliança continua a vigorar; realiza-se no batismo e no encontro de fé com a Palavra de Deus que, em Cristo e por Cristo, é dirigida a cada um de nós.
Salmo: 104 (105), 4-5.6-7.8-9 (R/.8a)
O Senhor se lembra sempre da aliança!
4Procurai o Senhor teu Deus e seu poder, buscai constantemente a sua face! 5Lembrai as maravilhas que ele fez, seus prodígios e as palavras de seus lábios!
6Descendentes de Abraão, seu servidor, e filhos de Jacó, seu escolhido, 7ele mesmo, o Senhor, é nosso Deus, vigoram suas leis em toda a terra.
8Ele sempre se recorda da Aliança, promulgada a incontáveis gerações; 9da Aliança que ele fez com Abraão, e do seu santo juramento a Isaac.
Evangelho: João (Jo 8, 51-59)
Antes de Abraão
Naquele tempo, disse Jesus aos judeus: 51"Em verdade, em verdade vos digo: se alguém guardar a minha palavra, jamais verá a morte".
52Disseram então os judeus: "Agora sabemos que tens um demônio. Abraão morreu e os profetas também, e tu dizes: 'Se alguém guardar a minha palavra jamais verá a morte'. 53Acaso és maior do que nosso pai Abraão, que morreu, como também os profetas? Quem pretendes ser?" 54Jesus respondeu: "Se me glorifico a mim mesmo, minha glória não vale nada. Quem me glorifica é o meu Pai, aquele que vós dizeis ser o vosso Deus. 55No entanto, não o conheceis. Mas eu o conheço e, se dissesse que não o conheço, seria um mentiroso, como vós! Mas eu o conheço e guardo a sua palavra. 56Vosso pai Abraão exultou, por ver o meu dia; ele o viu, e alegrou-se".
57Os judeus disseram-lhe então: "Nem sequer cinqüenta anos tens, e viste Abraão!" 58Jesus respondeu: "Em verdade, em verdade vos digo, antes que Abraão existisse, eu sou". 59Então eles pegaram em pedras para apedrejar Jesus, mas ele escondeu-se e saiu do Templo. Palavra da Salvação!
Comentário do Evangelho[2]
O Senhor da vida
A origem e o destino de Jesus foram motivo de controvérsia com os judeus. Por um lado, o Mestre proclamava: “Se alguém guarda a minha palavra, jamais verá a morte”. Por outro, afirmava: “Antes que Abraão existisse, Eu sou”.
Seus
adversários raciocinavam de maneira aparentemente lógica. Os personagens mais
veneráveis do povo, como Abraão e os profetas, morreram. Acreditava-se na volta
do profeta Elias, que fora arrebatado ao céu numa carruagem de fogo. Não se
tinha, porém, notícia de alguém que não iria experimentar a morte. Com Jesus,
não haveria de ser diferente. Quanto à sua origem, era suficiente considerar
sua idade bastante jovem – “Ainda não tens cinqüenta anos ...” – para se dar
conta da falsidade de sua afirmação.
Este
modo de pensar estava em total descompasso com a real intenção de Jesus.
Referindo-se à morte, pensava em algo muito mais radical que a pura morte
física. Suas palavras abririam caminho para a vida eterna, na comunhão plena
com o Pai, para além das vicissitudes desta vida terrena. Ao referir-se à sua
origem, não estava pensando no seu nascimento carnal, historicamente
determinável, e sim na sua vida prévia, no seio do Pai. Neste sentido, pode-se
dizer anterior ao patriarca Abraão, por possuir uma existência eterna.
Os
inimigos de Jesus eram demasiado terrenos para compreender esta linguagem.
Confissão Comunitária
Estamos no Tempo da Quaresma, tempo de conversão. É tempo para a reflexão individual e comunitária do cristão católico. Dentro deste contexto, a confissão, preferencialmente individual é bastante apropriada. A confissão comunitária só deve ser usada em casos raros quando a perigo de morte e o sacerdote não tem tempo de confessar a todos individualmente, ou em casos em que o sacerdote vai há um lugar poucas vezes, e não tem tempo de confessar a todos.
São Francisco de Paula[3]
São Francisco de Paula nasceu na Calábria (Itália) em 1416, ou seja, fins do século XV e inícios do século XVI. e foi o mais jovem fundador de Ordem religiosa. Aos 13 anos de idade vestiu o hábito franciscano e a fama de santidade e milagres atraiu muitos jovens desejosos de seguir seu exemplo. Aos 19 anos já era fundador de uma família religiosa, que existe até hoje e que é composta de grandes apóstolos, na cidade de São Paulo: os Mínimos, mosteiro de Cosenza de são Francisco de Assis. Fez uma peregrinação à Úmbria, aos lugares santificados por São Francisco e combatia o luxo e a corrupção dentro da Igreja, procurando novamente aquilo que São Francisco havia estabelecido, ou seja: a pobreza, a humildade e, sobretudo, a oração, o que o levava a morar durante certo tempo na solidão e na pobreza total. O próprio rei da França, Luís XI pediu ao Papa que lhe enviasse o santo jovem em Paris para curá-lo de uma grave doença. São Francisco de Paula fez com que o rei aceitasse serenamente a morte, reconciliando-o com Deus. Passou a ser diretor espiritual do sucessor, Carlos VIII. Aos três votos de pobreza, castidade e obediência, juntou o quarto: o do jejum quaresmal, da Quarta-feira de cinzas até o Sábado que antecede a Ressurreição, alimentando-se apenas de pão, peixe, verdura e água. Quem vai a Itália e atravessa o estreito de Messina verá que uma de suas balsas traz o nome de são Francisco de Paula. É que a cinco séculos passados, ele, muito magro pelos jejuns pediu aos barqueiros que o transportassem para o outro lado da margem. Como todos se recusassem cada um alegando um motivo diferente, o nosso santo estendeu o seu velho manto sobre a água e velejou para o outro lado até o porto de Messina! São Francisco de Paula partiu para o Céu em uma Sexta-feira santa, a 2 de abril de 1.507, com 91 anos de idade. Doze anos após sua morte, foi canonizado em 1519.
Uma casa cheia de livros é um jardim cheio de flores. (Andrew Lang)