Quinta-feira, 1º de julho de 2010

Décima Terceira Semana do Tempo Comum, 1ª do Saltério (Livro III),  cor Litúrgica Verde

 

Santos: Aarão (levita, personagem bíblico do Antigo Testamento, irmão de Moisés), Aarão (mártir), Casto (bispo), Domiciano (abade), Epárquio (abade), Galo de Clermont (bispo), Júlio (mártir), Leonor (mártir), Martinho (bispo), Regina (mártir), Secundino (bispo, mártir), Servano (bispo), Simeão, "o Louco" (monge), Teodorico (presbítero).

 

Antífona: Povos todos, aplaudi e aclamai a Deus com brados de alegria (Sl 46,2).

 

Oração: Ó Deus, pela vossa graça, nos fizestes filhos da luz. Concedei que não sejamos envolvidos pelas trevas do erro, mas brilhe em nossas vidas a luz da vossa verdade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Profecia de Amós (Am 7, 10-17) 

Vai profetizar para Israel, meu povo

 

Naqueles dias, 10Amasias, sacerdote de Betel, mandou dizer a Jeroboão, rei de Israel: "Amós conspira contra ti, dentro da própria casa de Israel; o país não consegue evitar que se espalhem todas as suas palavras. 11Ele anda dizendo: 'Jeroboão morrerá pela espada, e Israel será deportado de sua própria pátria, como escravo"'.

 

12Disse depois Amasias a Amós: "Vidente, sai e procura refúgio em Judá, onde possas ganhar teu pão e exercer a profecia; 13mas em Betel não deverás insistir em profetizar, porque aí fica o santuário do rei e a corte do reino". 14Respondeu Amós a Amasias, dizendo: "Não sou profeta nem sou filho de profeta; sou pastor de gado e cultivo sicômoros. 15O Senhor chamou-me, quando eu tangia o rebanho, e o Senhor me disse: 'Vai profetizar para Israel, meu povo'.

 

16E agora ouve a Palavra do Senhor. Tu dizes: 'Não profetizes contra Israel e não insinues palavras contra a casa de lsaac'. 17Pois bem, isto diz o Senhor: 'Tua mulher se prostituirá na cidade, teus filhos e filhas morrerão pela espada, tuas terras serão tomadas e loteadas; tu mesmo morrerás em terra poluída, e Israel será levado em cativeiro para longe de seu país"'. Palavra do Senhor!



Comentando a 1ª Leitura

Vai profetizar para Israel, meu povo

 

Tentativa de emudecer a voz do profeta, porque é voz incômoda. Porém Amós se mostra extremamente livre. Ele serve a Deus, não aos poderosos. A vocação é livre resposta a "livre chamado". Requer capacidade de desprendimento daquilo que pode deter a correspondência, vontade de evitar toda concessão ao mal, fidelidade a toda a prova e íntima coerência com a própria opção fundamental. Ao longo da história, a Igreja teve que combater incessantemente para se livrar de compromissos, desligar-se dos apoios humanos, para ser como Jesus a quer. E nós? Para o cristão não ter coragem de professar ou manifestar a própria fé, não é necessário ser ameaçado no salário; basta o respeito humano diante de quem não pensa como ele e talvez ria de suas ideias, de suas práticas. É falta de coragem. [Missal Cotidiano, ©Paulus, 1997]

 

 

 

Salmo: 18 (19), 8.9.10.11 (R/.10b) 
Os julgamentos do Senhor são corretos e justos igualmente

 

A lei do Senhor Deus é perfeita, conforto para alma! O testemunho do Senhor é fiel, sabedoria dos humildes.

 

Os preceitos do Senhor são precisos, alegria ao coração. O mandamento do Senhor é brilhante, para os olhos é uma luz.

 

E puro o temor do Senhor, imutável para sempre. Os julgamentos do Senhor são corretos e justos igualmente.

 

Mais desejáveis do que o ouro são eles, do que o ouro refinado. Suas palavras são mais doces que o mel, que o mel que sai dos favos.

 

 

Evangelho: Mateus (Mt 9, 1-8)
 Coragem, filho, os teus pecados estão perdoados

 

Naquele tempo, 1entrando em um barco, Jesus atravessou para a outra margem do lago e foi para a sua cidade. 2Apresentaram-lhe, então, um paralítico deitado numa cama. Vendo a fé que eles tinham, Jesus disse ao paralítico: "Coragem, filho, os teus pecados estão perdoados!"

 

3Então alguns mestres da Lei pensaram: "Esse homem está blasfemando!" 4Mas Jesus, conhecendo os pensamentos deles, disse: "Por que tendes esses maus pensamentos em vossos corações? 5O que é mais fácil, dizer: 'Os teus pecados estão perdoados', ou dizer: 'Levanta-te e anda?”

 

6Pois bem, para que saibais que o Filho do Homem tem na terra poder para perdoar pecados, - disse, então, ao paralítico - "Levanta-te, pega a tua cama e vai para a tua casa". 7O paralítico então se levantou, e foi para a sua casa. 8Vendo isso, a multidão ficou com medo e glorificou a Deus, por ter dado tal poder aos homens. Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas: Mc 2, 1-12; ; Lc 5, 17-26; Jo 5, 1-9

 

 

Comentando o Evangelho

Poder divino dado à humanidade

 

Os mestres da Lei foram incapazes de compreender as ações de Jesus. Fidelíssimos à tradição, sabiam distinguir claramente entre ação divina e ação humana, ou seja, aquilo que só a Deus compete fazer, e aquilo que é permitido ao ser humano operar.


Contudo, aplicado a Jesus, este esquema era insuficiente. Sem titubear, ele realizava o que não compete ao ser humano: perdoar os pecados e curar. Ao perdoar os pecados, colocava-se no lugar do próprio Deus, a quem se ofende com as ações pecaminosas. Ao curar, restituía a vida, dom divino para a humanidade, sobre o qual somente Deus tinha poder.


No julgamento apressado dos mestres da Lei, a ação de Jesus tinha a conotação de blasfêmia. Era um insulto a Deus e uma usurpação de seu poder. Nada mais digno de censura!


As multidões, talvez menos viciadas pelo rigorismo da tradição teológica, estavam mais abertas para compreender o que se passava com Jesus. E glorificavam a Deus por ter dado à humanidade um tal poder. Isto significava reconhecer a divindade da ação de Jesus, embora sendo ele um ser humano. E mais, reconheciam que Deus não se atinha aos esquemas nos quais os mestres da Lei queriam enquadrá-lo. Ele estava agindo, no seio da humanidade, por meio de Jesus. Por isso, era possível identificar nas ações do Mestre o amor de Deus atuando na história humana. Era isso exatamente o que os mestres da Lei recusavam-se a aceitar. [Evangelho Nosso de Cada Dia, Pe. Jaldemir Vitório, ©Paulinas, 1997]

 

Para sua reflexão: Os judeus relacionavam a doença com o pecado. O paralítico era doente incurável, estava morto em vida. Os discípulos acreditavam que a doença, ou os revezes da vida, são causadas por alguma culpa, própria ou de outra pessoa. A cura em si é apresentada como prova visível do poder do Filho do Homem de realizar maravilhas até mesmo na esfera do invisível e do espiritual (o perdão dos pecados). Perdoando, Jesus não blasfema, pois veio libertar do pecado. Como “homem”, recebeu poder de perdoar e curar: o povo se admira de que tal poder tenha sido concedido “aos homens”. O poder de perdoar pecados, na Igreja, está de fato ligado à autoridade de Jesus.   

 

São Aarão

 

 

Moisés, que era gago e tinha dificuldade de se expressar em público. Então Deus colocou Aarão para ser o porta-voz de seu irmão (carnal) Moisés, três anos mais novo que ele. Aarão o primeiro Sumo Sacerdote dos hebreus. O livro do Eclesiástico, depois de falar de Moisés, refere-se a Aarão: "(Deus) exaltou seu irmão Aarão, semelhante a ele, da tribo de Levi. Fez com ele uma aliança eterna. Deu-lhe o sacerdócio do seu povo. E cumulou-o de felicidade e de glória" (45,7-8). O livro do Eclesiástico enaltece a figura de Aarão, colocando-o nos primeiros lugares da galeria dos homens ilustres. Deus fez ele uma aliança eterna.

 

 

O dízimo bem entendido exclui o egoísta e integra o amor de gratuidade que

 deve ser buscado com desejo constante. (Pe. Walter José de Brito Pinto)