Quarta-feira, 31 de agosto de 2011

22ª Semana do Tempo Comum, Ano Impar,  2ª do Saltério (Livro III), cor Litúrgica verde

 

Hoje: Dia Nacional do Nutricionista

 

Santos: Adolfo, Agnofelda, Albertino, Arídtides, Marciano, Anolfo, Belmundo (abade); Cesídio (mr); Cutburga (abade); Diácomo, João, Lázaro (abade); Leonardo, Optato, Quemburga (abade); Teódoto, Rufina e Amnia, Domingos del Val (mártir).

 

Antífona: Tende compaixão de mim, Senhor, clamo por vós o dia inteiro; Senhor, sois bom e clemente, cheio de misericórdia para aqueles que vos invocam. (Sl 85, 3.5)

 

Oração: Deus do universo, fonte de todo bem, derramai em nossos corações o vosso amor e estreitai os laços que nos unem convosco para alimentar em nós o que é bom e guardar com solicitude o que nos destes. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Colossenses (Cl 1, 1-8)

Soubemos da vossa fé e da vossa caridade

 

1Paulo, apóstolo de Cristo Jesus por vontade de Deus e o irmão Timóteo, 2aos santos e fiéis irmãos em Cristo que estão em Colossas: graça e paz da parte de Deus nosso Pai. 3Damos graças a Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, sempre rezando por vós, 4pois ouvimos acerca da vossa fé em Cristo Jesus e do amor que mostrais para com todos os santos, 5animados pela esperança na posse do céu. Disso já ouvistes falar no evangelho, cuja palavra de verdade chegou até vós. 6E como no mundo inteiro, assim também entre vós ela está produzindo frutos e se desenvolve desde o dia em que ouvistes a graça divina e conhecestes verdadeiramente. 7Assim aprendestes de Epafras, nosso estimado companheiro, que é junto de vós um autêntico mensageiro de Cristo. 8Foi ele quem nos deu notícia sobre o amor que o Espírito suscitou em vós. Palavra do Senhor!

 

Comentando a Leitura

A palavra de verdade chegou até vós

 

Uma comunidade cristã vive a vida de todos os dias com disponibilidade interior de confiança e esperança para o amor de Cristo Encara a vida e o mundo com amor reconciliado.

 

Às vezes nos perguntamos como reconhecer hoje e como viver sinais de ressurreição, anunciadores de um mundo novo. Tais sinais não são a grande luz, o grande milagre ou o grande gesto, mas sim o reino que nasce cada dia, como a sementinha que cai e morre, e frutifica. Quem quer que observe com olhar transparente uma comunidade que vive de fé, esperança e caridade, descobre nela aquilo que transforma e anuncia a presença ativa de Cristo ressuscitado. [MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 51 (52), 10.11 (R/.10b)  

Confio na clemência do meu Deus, agora e sempre!

 

Eu, porém, como oliveira verdejante na casa do Senhor, confio na clemência do meu Deus agora e para sempre!

 

Louvarei a vossa graça eternamente, porque vós assim agistes; espero em vosso nome, porque é bom, perante os vossos santos!

 

Evangelho: Lucas (Lc 4, 38-44)
Cura da sogra de Pedro

Naquele tempo, 38Jesus saiu da sinagoga e entrou na casa de Simão. A sogra de Simão estava sofrendo com febre alta, e pediram a Jesus em favor dela. 39Inclinando-se sobre ela, Jesus ameaçou a febre, e a febre a deixou. Imediatamente, ela se levantou e começou a servi-los. 40Ao pôr-do-sol, todos os que tinham doentes atingidos por diversos males, os levaram a Jesus. Jesus colocava as mãos em cada um deles e os curava. 41De muitas pessoas também saíam demônios, gritando: "Tu és o Filho de Deus". Jesus os ameaçava, e não os deixava falar, porque sabiam que ele era o messias. 42Ao raiar do dia, Jesus saiu e foi para um lugar deserto. As multidões o procuravam e, indo até ele, tentavam impedi-lo que os deixasse. 43Mas Jesus disse: "Eu devo anunciar a boa nova do reino de Deus também a outras cidades, porque para isso é que eu fui enviado". 44E pregava nas sinagogas da Judéia. Palavra da Salvação!

 

 

Leituras paralelas: Mt 8, 14-17; Mc 1, 29-34.

 

 

Comentando o Evangelho

Impondo a mão sobre cada um

 

No trato com as pessoas doentes, Jesus se comportava como um médico delicado. Deparando-se com a sogra de Simão Pedro, vitimada por uma febre muito forte, inclinou-se sobre ela e deu ordem para que a febre desaparecesse. Mostrou igual bondade quando lhe trouxeram pessoas acometidas de várias doenças. Com muita mansidão e paciência, aproximava-se de cada uma, impunha-lhe a mão na cabeça e a curava.


A imposição das mãos revelava não só o cuidado de Jesus pelos enfermos, mas também sua solidariedade com eles. A comunhão com o Filho de Deus desmascarava a submissão as forças demoníacas que os mantinha escravos. Enquanto a presença solidária de Jesus era portadora de vida e saúde, a presença das forças malignas causava sofrimento e morte. Daí a necessidade de libertar as pessoas desta situação humilhante.


Na cultura da época, as doenças revelavam o poder do demônio sobre o ser humano. De qualquer forma, eram consideradas como conseqüência do pecado. A cura física e espiritual transformava-se, pois, numa evidente manifestação de que o Reino de Deus havia chegado pela presença e pelo ministério de Jesus, irrompendo na história humana. Assim, a atitude misericordiosa de Jesus em relação aos doentes expressava a solidariedade de Deus com toda a humanidade, com o desejo de salvá-la. [O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano B, ©Paulinas, 1996]

 

Oração da assembleia (Liturgia Diária)

Pela Igreja, para que seja fiel anunciadora do evangelho de Jesus, rezemos: Senhor, escutai a nossa prece.

Pelos cristãos, para que sejam consciência crítica no meio do povo, rezemos:

Por todos nós aqui reunidos, para que nos tornemos “pessoas espirituais”, rezemos:

Pelos que sofrem todo tipo de agressão moral e física, rezemos:

Pelas pessoas atormentadas por pensamentos, impulsos e sentimentos perturbadores, rezemos:

(outras intenções)

 

Oração sobre as Oferendas:

Ó Deus, o sacrifício que vamos oferecer nos traga sempre a graça da salvação, e vosso poder leve à plenitude o que realizamos nesta liturgia. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Bem-aventurados os que constroem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus. (Mt 5, 9-10)

 

Oração Depois da Comunhão:

Restaurados à vossa mesa pelo pão da vida, nós vos pedimos, ó Deus, que este alimento da caridade fortifique os nossos corações e nos leve a vos servir em nossos irmãos e irmãs. Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

Para sua reflexão: A autoridade da palavra de Jesus manifesta-se pelo seu ensinamento e pelos exorcismos que faz. Segundo a mentalidade da época, a doença é atribuída a um poder maligno personificado; a cura é exorcismo. O episódio mostra como o demônio reage perante a santidade de Jesus e perante a ameaça que ele pressente na sua intervenção salvífica. Jesus pronuncia duas ordens categóricas. “Cala”: que não diga seu nome e título; “sai”: de teus domínios ilegítimos. Realmente, Jesus vem “acabar com eles”. (cf. comentários Bíblia do Peregrino)

 

São Raimundo Nonato

 

 

Nonato, significa não nascido, porque foi retirado do ventre de sua mãe já morta. Nascido de família pobre, foi pastor de rebanhos quando menino. Quando jovem, foi a Barcelona e entrou na, ou mercedários, fundada por São Pedro Nolasco, passando a dedicar toda sua vida à libertação dos escravos: chegou até a entregar-se como um deles na Argélia (África) em 1226, com o objetivo de animar os prisioneiros a trabalhar pela libertação. Com essa atitude, São Raimundo a muitos incomodou, desencadeando diversas perseguições. Para impedir que continuasse denunciando as injustiças e pregando o Evangelho da Libertação, seus perseguidores furaram-lhe os lábios e trancaram com um cadeado. Depois de resgatado, foi proclamado cardeal e conselheiro particular pelo papa Gregório IX, e acabou por falecer com a saúde arruinada em 1240. Pela sua difícil vinda ao mundo, é invocado como o protetor das parteiras. Seu culto estendeu-se popularmente na Espanha e na América espanhola.

 

Promoção humana ou fila da sopa?

Dom Aloísio Roque Oppermann scj, Arcebispo de Uberaba – MG

 

Diante da grave situação social de muitos membros de nossas comunidades, sempre nos reaparece a incômoda pergunta: o que fazer para socorrer os menos favorecidos? A solução seria, por ventura, acostumar tais pessoas a receber tudo de mão beijada, ou haveria outro caminho viável? As soluções são várias.

 

Quero aqui registrar as duas formas mais comuns de ajudar o semelhante:

 

1. Caridade assistencial - É a forma de ajuda mais tradicional, e diga-se de passagem, a mais fácil. Ela é louvada pela Sagrada Escritura, e Jesus a chamou de “obras de misericórdia”. Nesse contexto se colocam a distribuição de comida, de remédios, de roupas, de brinquedos e cestas básicas, as famosas filas de sopa... Neste mesmo contexto se apresenta também o programa Bolsa Família, nem sempre livre de interpretações “assistencialistas”. Será que a caridade assistencial resolve os problemas? Os que hoje, em estado quase de humilhação, estão nas filas, nela não estarão ainda daqui a dois anos? A caridade assistencial se justifica quando é uma atividade ocasional, e não permanente. Por quê? Esse tipo de ajuda favorece o paternalismo, abrindo espaço para o culto da personalidade; cria dependência, por tirar a liberdade dos usuários; leva à falta de iniciativa, pois “papai” resolve tudo. Os Vicentinos estão numa dinâmica muito boa, porque a ajuda que prestam sempre procura ser temporária.

 

2. Caridade promocional – É uma forma de ajuda muito eficaz, porque desafia o espírito criativo dos favorecidos. Não é muito fácil de praticar. Não costuma formar um grupo de “agradecidos” diante das bondades do “bom pai”. Cada um se sente estimulado a despertar em si as suas potencialidades. Às vezes, pelo contínuo chamamento à coresponsabilidade, existem momentâneas irritações e até desânimos. É educação para o futuro, por confiar na inteligência e no trabalho de cada um. Gera autoconfiança e determinação, e por isso mesmo é a base de uma economia sólida, e de vida conquistada no esforço pessoal. Essa ajuda vem em forma de favorecimento dos estudos, melhoria de saúde e higiene, aprendizagem de artes e ofícios, cursos de aperfeiçoamento, conhecimentos profissionais... É bem verdade, esse tipo de caridade não dá manchetes, porque não tem nada de impactante. Mas é uma caridade sólida. Forma cidadãos livres e criativos, pouco dependentes do bom ou do mau humor dos outros. Aqui está o papel de uma verdadeira Família, das diversas Escolas, e também das Paróquias e Comunidades. “Fazei o bem sem desfalecer” (Gal 6, 10).

 

Não importa quanto tempo vivemos, e, sim, como vivemos. (Bailey)