Quarta-feira, 31 de março de 2010

Semana Santa - 2ª Semana do Saltério (Livro III) - cor Litúrgica Roxa

 

 

Santos: Amós e Oséias (profetas, Séc. VII AC), Balbina (Roma, virgem), Acácio (Antioquia da Pisídia, bispo), Benjamim (diácono, Pérsia, mártir), Guido de Pomposa (abade, Itália), Joana de Tolosa (virgem), Boaventura de Forli (beato), Cornélia, Luís da Casoria (servo de Deus, confessor franciscano da 1ª ordem).

 

Antífona: Ao nome de Jesus todo joelho se dobre no céu, na terra e na mansão dos mortos, pois o Senhor se fez obediente até a morte e morte de cruz. E por isso Jesus Cristo é Senhor na glória de Deus Pai. (Fl 2,10.8.11)

 

Oração do Dia: Ó Deus, que fizestes vosso Filho padecer o suplício da cruz para arrancar-nos à escravidão do pecado, concedei aos vossos servos e servas a graça da ressurreição. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: Isaias (Is 50, 4-9a)

A confiança em Deus deve ser luz para toda nossa vida

 

4O Senhor Deus deu-me língua adestrada, para que eu saiba dizer palavras de conforto à pessoa abatida; ele me desperta cada manhã e me excita o ouvido, para prestar atenção como um discípulo. 5O Senhor abriu-me os ouvidos; não lhe resisti nem voltei atrás. 6Ofereci as costas para me baterem e as faces para me arrancarem a barba: não desviei o rosto de bofetões e cusparadas. 7Mas o Senhor Deus é meu auxiliador, por isso não me deixei abater o ânimo, conservei o rosto impassível como pedra, porque sei que não sairei humilhado. 8A meu lado está quem me justifica; alguém me fará objeções? Vejamos. Quem é meu adversário? Aproxime-se. 9aSim, o Senhor Deus é meu auxiliador; quem é que me vai condenar? Palavra do Senhor.

 

 

Comentando a I Leitura

O Messias aguenta firme a flagelação e a humilhação

 

O Servo de Javé não é um portador de sabedoria humana, nem confia nos recursos da dialética. Assemelha-se aos pobres analfabetos, que não sabem usar a arma da palavra. Sua língua é a de discípulo (versículo 4): narra só as coisas que Deus lhe confiou. Sua força está toda aqui, daqui lhe vem a capacidade de suportar as bofetadas com um rosto de pedra. Que o servo Jesus fosse, não apenas um portador da palavra, mas em verdade a Palavra de Deus, não muda os termos da profecia, antes a leva ao extremo. Sua paixão foi a consequência de sua fidelidade à missão de profeta: falou, por isso foi crucificado. Não pode ser outra a missão da Igreja. Deve ela falar a palavra de salvação, que é palavra recebida do alto. Como para 5. Paulo, seu falar não se exprime "em discurso de humana sabedoria, mas em demonstração de espírito e virtude" (1 Cor 2,4). Por isto, permanece sempre "em religiosa escuta da palavra de Deus", para ser sua fiel dispensadora. [MISSAL COTIDIANO. ©Paulus, 1997]

 

 

 

Salmo: 68(69), 8-10.21bcd-22.31 e 33-34 (R/.14c e b)

Respondei-me pelo vosso imenso amor,

neste tempo favorável, Senhor Deus

 

8Por vossa causa é que sofri tantos insultos, e o meu rosto se cobriu de confusão; 9eu me tornei como um estranho a meus irmãos, como estrangeiro para os filhos de minha mãe. 10Pois meu zelo e meu amor por vossa casa me devoram como fogo abrasador; e os insultos de infiéis que vos ultrajam recaíram todos eles sobre mim!

 

21bO insulto me partiu o coração. 21cEu esperei que alguém de mim tivesse pena; 21dprocurei quem me aliviasse e não achei! 22Deram-me fel como se fosse um alimento, em minha sede ofereceram-me vinagre!

 

31Cantando eu louvarei o vosso nome e agradecido exultarei de alegria! 33Humildes, vede isto e alegrai-vos: vosso coração reviverá, se procurardes o Senhor continuamente! 34Pois nosso Deus atende à prece dos seus pobres, e não despreza o clamor de seus cativos.

 

 

Evangelho: Mateus (Mt 26, 14-25)

O sublime e infinito amor de Deus

 

Naquele tempo, 14um dos doze discípulos, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os sumos sacerdotes 15e disse: "O que me dareis se vos entregar Jesus?" Combinaram, então, trinta moedas de prata. 16E daí em diante, Judas procurava uma oportunidade para entregar Jesus.

 

17No primeiro dia da festa dos ázimos, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram: "Onde queres que façamos os preparativos para comer a páscoa?" 18Jesus respondeu: "Ide à cidade, procurai certo homem e dizei-lhe: 'O mestre manda dizer: o meu tempo está próximo, vou celebrar a páscoa em tua casa, junto com meus discípulos"'. 19Os discípulos fizeram como Jesus mandou e prepararam a páscoa.

 

20Ao cair da tarde, Jesus pôs-se à mesa com os doze discípulos. 21Enquanto comiam, Jesus disse: "Em verdade eu vos digo, um de vós vai me trair". 22Eles ficaram muito tristes e, um por um, começaram a lhe perguntar: "Senhor, será que sou eu?" 23Jesus respondeu: "Quem vai me trair é aquele que comigo põe a mão no prato. 24O Filho do Homem vai morrer, conforme diz a Escritura a respeito dele. Contudo, ai daquele que trair o Filho do Homem! Seria melhor que nunca tivesse nascido!" 25Então Judas, o traidor, perguntou: "Mestre, serei eu?" Jesus lhe respondeu: "Tu o dizes". Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas: Mc 14, 12-26; Lc 22, 7-20; Jo 13, 21-30; 1Cor 11, 23-25: Páscoa e Eucaristia

 

 

 

Comentário do Evangelho

Um de vós me trairá

 

A dureza do coração de Judas impediu-o de reconhecer quem, de fato, era o Messias Jesus. Sua decepção deveu-se ao fato de o Mestre não corresponder às suas expectativas messiânicas. Sem dúvida, Judas imaginava-o como um Messias glorioso, cheio de poder, líder de uma revolta contra os romanos, objeto da admiração popular. Evidentemente, os discípulos haveriam de tirar partido da situação, se as coisas fossem assim.


O projeto de Judas não encontrou guarida no coração de Jesus. O Mestre não buscava a própria glória, mas a fidelidade à vontade do Pai. Seu poder era usado para servir e libertar, e não para oprimir e dominar. Não estava tanto preocupado com os romanos, quanto com seus próprios compatriotas, que tinham transformado a religião em instrumento de opressão. Jesus tornara-se objeto da admiração popular, mas também vítima da perseguição sistemática por parte de seus adversários.


Nada do que Judas imaginava, acontecia com o Mestre. Daí a sua decepção. Sua decisão de traí-lo resultou de uma paixão precipitada. Não foi capaz de abrir mão de seu preconceito com relação a Jesus. Por isso, não vendo realizar-se o que imaginava, Judas optou por vender o seu Mestre.


A atitude do discípulo traidor repete-se cada vez que os seguidores de Jesus caem na tentação de medi-lo com os parâmetros que têm na cabeça. É o erro fatal de quem o desconhece.
[Evangelho nosso de cada dia, Pe. Jaldemir Vitório, ©Paulinas, 1997]

 

Para sua reflexão: Na ceia, Jesus prediz que um dos Doze o entregará. Ele sabia que o traidor era Judas. O tratamento de “Senhor” que os outros discípulos dão a Jesus contrasta com o “rabi” de Judas. A enormidade da traição é revelada pelo fato de alguém que partilhava a ceia com Jesus o entregar. A constatação de que o plano de Deus está sendo cumprido não absolve Judas da responsabilidade pela morte de Jesus. É o que acontece conosco, quando somos traídos de alguma forma por um grande amigo: o perdão é possível, assim a Palavra nos ensina a perdoar, embora difícil, na prática, mas o prejuízo que ele nos causou não tem volta. O caso de Judas é muito mais grave, pois ele deixou de ter com Jesus para ter com Satanás, então o destino é terrível.

 

 

Cristo é o rosto humano de Deus voltado para o homem, mas é também

o roto divino do homem voltado para Deus. (Schillebeecky)