Quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Santo André (Apóstolo), Ofício de Festa, 1ª do Saltério (Livro I), cor Litúrgica Vermelha

 

Hoje: Dia do Estatuto da Terra e Dia Mundial contra Pena de Morte

 

Santos: André (Apóstolo de Jesus, irmão de São Pedro), Arnaldo de Gemblours (abade), Cástulo e Euprépio (mártires), Constâncio de Roma (presbítero), Justina de Constantinopla (virgem, mártir), Maura de Constantinopla (virgem, mártir), Sapor de Beth-Nictor, Isaac de Beth-Seleucia e Companheiros (bispos, mártires), Trojano de Tréguier (bispo), Tugal de Tréguier (abade, bispo), André de Antioquia (agostiniano, bem-aventurado) , Guilherme de Paulo (abade, bem-aventurado), José Marchand (presbítero, mártir do Vietnan, bem-aventurado).

 

Antífona: Junto ao mar da Galiléia, viu o Senhor dois irmãos: Pedro e André, que pescavam. Ele os chamou: “Vinde comigo; eu vos farei, de hoje em diante, pescadores de homens” (Mt 4, 18-19)

 

Oração: Nós vos suplicamos, ó Deus onipotente, que o apóstolo Santo André, pregador do Evangelho e pastor da vossa Igreja, não cesse no céu de interceder por nós. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo

 

 

I Leitura: Romanos (Rm 10, 9-18)
 A fé vem da pregação e a pregação se faz pela palavra de Cristo

 

Irmãos, 9se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, no teu coração, creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo. 10E crendo no coração que se alcança a justiça e é confessando a fé com a boca que se consegue a salvação. 11Pois a Escritura diz: "Todo aquele que nele crer não ficará confundido". 12Portanto, não importa a diferença entre judeu e grego; todos têm o mesmo Senhor, que é generoso para com todos os que o invocam. 13De fato, todo aquele que invocar o Nome do Senhor será salvo. 14Mas como invocá-lo, sem antes crer nele? E como crer, sem antes ter ouvido falar dele? E como ouvir, sem alguém que pregue? 15E como pregar, sem ser enviado para isso?

 

Assim é que está escrito: "Quão belos são os pés dos que anunciam o bem". 16Mas nem todos obedeceram à Boa Nova. Pois Isaias diz: "Senhor, quem acreditou em nossa pregação?" 17Logo, a fé vem da pregação e a pregação se faz pela palavra de Cristo. 18Então, eu pergunto: Será que eles não ouviram? Certamente que ouviram, pois a voz deles se espalhou por toda a terra, e as suas palavras chegaram aos confins do mundo". Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

A salvação é para todos e é fácil

 

Ninguém precisa subir ao céu para trazê-lo, pois Cristo veio à terra em forma humana. Nem ninguém precisa trazê-lo de volta dentre os mortos (mãos-pés), porque ele já foi ressuscitado. A salvação de Deus está disponível em Jesus Cristo. A palavra está em tua boca (boca-ouvidos) e em teu coração (coração-olhos). Note-se como Paulo recorre às duas regiões componentes de atividade que contrastam com fazer (mãos-pés). A conclusão enfática é que ninguém que põe sua fé em Jesus será confundido ou logrado. Todos serão salvos da mesma maneira: judeus e também pagãos. O importante é reconhecer e declarar Jesus como Senhor, frase muito provavelmente tomada por empréstimo do culto da Igreja primitiva. [Comentário Bíblico, Vol. III,  ©Edições Loyola, 1999]

 

 

Salmo Responsorial: 18 (19A), 2-3.4-5 (R/.5a)
Seu som ressoa e se espalha em toda terra

 

2Os céus proclamam a glória do Senhor, e o firmamento a obra de suas mãos; 3o dia ao dia transmite esta mensagem, a noite à noite publica esta notícia.

 

4Não são discursos nem frases ou palavras, nem são vozes que possam ser ouvidas; 5seu som ressoa e se espalha em toda a terra, chega aos confins do universo a sua voz.

Evangelho: Mateus (Mt 4, 18-22)
Iniciando uma missão com quatro colaboradores

 

Naquele tempo, 18quando Jesus andava à beira do mar da Galiléia, viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André. Estavam lançando a rede ao mar, pois eram pescadores. 19Jesus disse a eles: "Segui-me, e eu farei de vós pescadores de homens". 20Eles, imediatamente deixaram as redes e o seguiram.

 

21Caminhando um pouco mais, Jesus viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João. Estavam na barca com seu pai Zebedeu consertando as redes. Jesus os chamou. 22Eles imediatamente deixaram a barca e o pai, e o seguiram. Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas: Mc 1, 16-20; Lc 5, 1-11; Jo 1, 35-42.

 

 

Comentando o Evangelho

“Eu farei de vós pescadores de homens”


Os primeiros discípulos encontram Jesus através da sua rotina diária de pesca, tendo como cenário o Mar da Galileia. A pesca era uma atividade econômica forte na economia de Israel naquela época. Pedro, André, Tiago e João são os primeiros discípulos e importantes colaboradores do Mestre. Eles deixaram para trás seus trabalhos e suas famílias para seguirem Jesus. A resposta imediata dos três sugere uma empolgação impressionante. O discipulado sugere a partilha da importante missão de Jesus. Ser discípulo de Jesus é ser pescadores de homens, imagem que se aplica à missão futura dos Apóstolos, a fim de reunir pessoas no Reino de Deus, uma expressão típica de Mateus. Em nosso tempo somos constantemente chamados a sermos discípulos de Jesus cuja missão permanente é de evangelizar pessoas em nosso meio. Como? Primeiro pelo seguimento da Palavra, na prática, e não no discurso, ou seja, evangelizar primeiro a si próprio. Depois, evangelizando o seu próximo através de uma vida pautada no amor e na justiça ao irmão. O desafio atual é muito mais picante, se comparado com aquele chamamento feito por Jesus na época da Galileia. A pratica mundana de cobiça ao dinheiro e aos bens matérias ofuscam a missão e a razão de ser do cristão de hoje. Fácil, certamente que não, mas quanto maior o desafio, maior será a vitória!  [Everaldo Souto Salvador, ofs]

 

 

Santo André

 

 

 

Santo André (do grego Andreas, “másculo”, “viril”), santo e mártir cristão, um dos doze Apóstolos de Jesus, nasceu em Betsaida, nas margens do Mar da Galiléia (ou Lago de Tiberíades). Era filho de Jonas de Betsaida (Mt 16,17), irmão menor de Pedro. Sendo judeu, certamente o seu nome não seria André, mas talvez um correlato em hebraico ou aramaico.

 

De acordo com o Evangelho segundo São João (1, 37-40), foi discípulo de São João Batista, e cedo se tornou um dos primeiros seguidores de Jesus (com Pedro, de quem era irmão, e Tiago)

 

Segundo Evangelho segundo São Marcos (1, 29), viveu em Cafarnaum, e foi um dos discípulos mais próximos do Mestre, mas os Atos dos Apóstolos apenas o referem uma vez (1, 13).

 

Eusébio de Cesareia cita Orígenes, dizendo que André pregou na Ásia Menor e na Cítia, na margem Norte do Mar Negro e ao longo do rio Volga - daí que se tenha tornado santo patrono da Romênia e da Rússia (o pavilhão naval russo inspira-se na sua cruz). A tradição fez também dele o primeiro bispo de Bizâncio, sendo por isso também o protetor do futuro Patriarca de Constantinopla.

 

André é o primeiro missionário" entre os Apóstolos: testifica-o João, que com ele estava no momento do chamado (hora décima). Logo após o encontro com Jesus, André dá testemunho junto ao irmão Simão: "Encontramos o Messias!" e leva-o a Jesus (Jo 1,41).

 

A lenda narra que foi crucificado em Patras, no Peloponeso (na então província romana da Acaia, correspondente à moderna Grécia), numa cruz dita Crux decussata (em forma de ×), a qual tomou o nome de Cruz de Santo André. De acordo com a tradição, as suas relíquias teriam sido trasladadas de Patras para Constantinopla, e daí, seguindo uma rebuscada lenda, para a cidade escocesa de Saint Andrews. Tornou-se então também o patrono nacional da Escócia, sendo a sua bandeira um decalque da Cruz de Santo André.

 

É festejado, tanto pela Igreja Católica como pelas Igrejas Orientais a 30 de Novembro. [Wikepédia]

 

 

Oração da Assembleia (Liturgia Diária)

Pela Igreja de Jesus, conduzida pelos apóstolos, digamos. Nós vos damos graças, nosso Deus.

Pelos missionários, apóstolos e mártires do passado e do presente, digamos.

Pelas pessoas chamadas por Deus à vida sacerdotal e religiosa, digamos.

Pelos governantes que se preocupam com o bem do povo sofredor, digamos.

Por este mês que estamos concluindo e pelo bem nele realizado, digamos.

(outras intenções)

 

Oração sobre as Oferendas:

Possam agradar-vos, ó Deus, estas oferendas que vos apresentamos na festa de santo André, a fim de que, sendo aceitas por vós, nos comuniquem a vossa vida. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Disse André a seus irmãos: Encontramos o Messias, que é chamado o Cristo. E o conduziu a Jesus (Jo 1, 41-42)

 

Oração Depois da Comunhão:

Fortifique-nos, ó Deus, a comunhão no vosso sacramento, para que, abraçando a cruz de Cristo, a exemplo do apóstolo santo André, possamos viver com ele na glória. Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

 

 

O homem na jaula

Dom Murilo S.R. Krieger, scj, Arcebispo de São Salvador da Bahia - BA

 

Certa noite um rei estava de pé, perto de uma das janelas de seu palácio. Cansado da recepção a que acabara de comparecer, olhava para fora, com indiferença. De repente, seu olhar pousou sobre um homem que atravessava a praça, lá embaixo. Não dava para ver seu rosto ou perceber sua idade. Tudo indicava que era um homem comum. O rei começou a pensar como seria a vida daquele desconhecido. Imaginou-o chegando a casa. Provavelmente beijaria sua esposa e, enquanto estivesse comendo, perguntaria se, ao longo do dia, tudo havia corrido bem com as crianças. Depois, se sentaria para ler o jornal, iria dormir e, na manhã seguinte, se levantaria para trabalhar. Uma inesperada pergunta nasceu no coração do rei: o que aconteceria se aquele homem fosse preso e colocado em uma jaula, como os animais de um zoológico?

 

No dia seguinte, o rei chamou um psicólogo, falou-lhe de sua idéia e convidou-o a acompanhar a experiência que iria fazer. Em seguida, mandou trazer uma jaula do zoológico e nela colocou o tal homem que vira na noite anterior. A princípio, o enjaulado manifestou estar confuso, repetindo para o psicólogo, que o observava do lado de fora: “Preciso pegar o trem! Devo ir para o trabalho! Não posso chegar atrasado!” À tarde, mais consciente do que estava acontecendo, começou a protestar, de forma veemente: “O rei não pode fazer isso comigo! É injusto, é contra a lei!” Falava com voz forte e seus olhos faiscavam de raiva.

 

Durante a semana, continuou com suas reclamações. Quando, diariamente, o rei passava pela jaula, o homem protestava contra o monarca. Mas este lhe respondia: “Você está bem alimentado, tem boa cama e não precisa trabalhar. Estamos cuidando muito bem de você. Por que essas reclamações?” Após algumas semanas, elas começaram a diminuir e, passados alguns dias, cessaram por completo.

 

Mais algum tempo e o prisioneiro começou a discutir com o psicólogo se seria conveniente dar a alguém alimento e abrigo, só para se fazer uma experiência. Demonstrava estar mais conformado. Defendia a ideia de que o ser humano tinha de aceitar tudo passivamente. Assim, quando, dias depois, um grupo de professores e alunos veio observá-lo, o enjaulado os tratou cordialmente, explicando-lhes que escolhera aquela maneira de viver. Mais: havia grandes vantagens em estar assim protegido. Afinal, não precisava se preocupar com inúmeras coisas secundárias e podia concentrar sua atenção sobre o que lhe interessava. “Que coisa estranha e curiosa”, pensou o psicólogo. “Por que ele deseja tanto que os outros aprovem sua maneira de viver?”

 

Nos dias seguintes, cada vez que o rei passava diante dele, o homem preso se inclinava, reverenciando-o, ao mesmo tempo em que lhe agradecia pelo alimento e abrigo. Quando julgava que ninguém o observava, mostrava-se impertinente e mal-humorado. Se alguém tentasse conversar com ele, já não mais procurava demonstrar as vantagens de estar preso e ser bem tratado, mas limitava-se a repetir: “É o destino!” Ou, então, dizia simplesmente: “É!”

 

É difícil dizer quando falou a última frase com algum sentido, mas o psicólogo percebeu que, um dia, o rosto do homem não tinha mais expressão alguma; o sorriso deixara de ser subserviente e tornara-se vazio, sem sentido. Não mais usava a palavra “Eu”. Aceitara a jaula. Não sentia raiva ou ódio; não mais raciocinava. Estava louco.

 

Naquela noite, em seu gabinete, o psicólogo procurou escrever o relatório final da experiência. Não conseguia encontrar os termos corretos, pois sentia uma grande inquietação interior. Não conseguia afastar a ideia de que alguma coisa se perdera e fora roubada do universo, naquela experiência. E o que restara era o vazio.

 

A fábula acima está baseada em um texto do psicólogo Rollo May. Ela diz mais do que muitas páginas sobre a liberdade, o uso que dela fazemos e as prisões que criamos em torno de nós e dos outros. Mas ela é, sobretudo, um hino à vida – esse extraordinário dom que recebemos do Criador.

 

 

O tempo urge. Não temos o direito de ser insensatos e imprudentes. (Dom Helder Câmara)