Quarta-feira, 30 de junho de 2010

Décima Terceira Semana do Tempo Comum, 1ª do Saltério (Livro III),  cor Litúrgica Verde

 

Santos: Os primeiros mártires da Igreja de Roma, Luciana, Basílides (soldado), Teobaldo, Bertrando (bispo de Le Mans), Marcial, Tibau, Bem-Aventurado Filipe Powell (Tyburn, Londres, pertencia à Ordem beneditina)

 

Antífona: Povos todos, aplaudi e aclamai a Deus com brados de alegria (Sl 46,2).

 

Oração: Ó Deus, pela vossa graça, nos fizestes filhos da luz. Concedei que não sejamos envolvidos pelas trevas do erro, mas brilhe em nossas vidas a luz da vossa verdade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Amós (Am 5, 14-15.21-24)  

A prática da justiça conforme os ensinamentos de Deus

 

14Buscai o bem, não o mal, para terdes mais vida, só assim o Senhor Deus dos exércitos vos assistirá, como tendes afirmado. 15Odiai o mal, amai o bem, restabelecei a justiça no julgamento, talvez o Senhor Deus dos exércitos se compadeça do resto da tribo de José. 21“Aborreço, rejeito vossas festas, diz o Senhor, não me agradam vossas assembleias de culto. 22Se me oferecerdes holocaustos, não aceitarei vossas oblações e não farei caso de vossos gordos animais de sacrifício. 23Livra-me da balbúrdia dos teus cantos, não quero ouvir a toada de tuas liras. 24Que a justiça seja abundante como água e a vida honesta, como torrente perene”. Palavra do Senhor!



Comentando a 1ª Leitura

Livra-me da balbúrdia dos teus cantos;

que a justiça seja abundante como água

 

O Concílio Vaticano II introduziu na Igreja um alegre fermento de renovação. A primeira a beneficiar-se dele foi a liturgia. A missa dominical tornou-se mais "festiva"; a assembleia reunida pela palavra de Deus compreendeu ser convidada a "fazer" algo e não simplesmente a "assistir" a um rito quase incompreensível. Esse "fazer algo" é substancialmente tomar consciência de ser parte do povo, de Deus, pôr-se realmente em comunhão com esse povo viver sua vida, quer na celebração, quer nas obras de justiça e caridade; convencer-se de que celebrar a Eucaristia é renovar a ação salvífica de Cristo a serviço do mundo. Isto requer esforço de todos os dias. Colaborando com todas as forças para que no mundo "jorrem como água o direito e a justiça, como fonte perene" (v. 24). [Missal Cotidiano, ©Paulus, 1997]

 

 

 

Salmo: 49 (50), 7.8-9.10-11.12-13.16bc-17 (R/.23b)
A todos que procedem retamente, eu

mostrarei a salvação que vem de Deus

 

“Escuta, ó meu povo, eu vou falar; ouve , Israel, eu testemunho contra ti: Eu, o Senhor, somente eu, sou o teu Deus!

 

Eu não venho censurar teus sacrifícios, pois sempre estão perante mim dos novilhos de tua casa nem dos carneiros que estão nos teus rebanhos.

 

Porque as feras da floresta me pertencem e os animais que estão nos montes aos milhares. Conheço os pássaros que voam pelos céus e os seres vivos que se movem pelos campos.

 

Não te diria, se com fome eu estivesse, porque é meu o universo e todo ser. Porventura comerei carne de touros? Beberei, acaso, o sangue de carneiros?

 

Como ousas repetir os meus preceitos e trazer minha Aliança em tua boca? Tu que odiaste minhas leis e meus conselhos e deste as costas às palavras dos meus lábios!

 

 

Evangelho: Mateus (Mt 8, 28-34)
Tu vieste aqui para nos atormentar antes do tempo?

 

Naquele, tempo, 28quando Jesus chegou à outra margem do lago, na região dos gadarenos, vieram ao seu encontro dois homens possuídos pelo demônio, saindo dos túmulos. Eram tão violentos, que ninguém podia passar por aquele caminho. 29Eles então gritaram: "Que tens a ver conosco, Filho de Deus? Tu vieste aqui para nos atormentar antes do tempo?". 

 

30Ora, a certa distância deles, estava pastando uma grande manada de porcos. 31Os demônios suplicavam-lhe: "Se nos expulsas, manda-nos para a manada de porcos". 

 

32Jesus disse: "Ide". Os demônios saíram, e foram para os porcos. E logo toda a manada atirou-se monte abaixo para dentro do mar, afogando-se nas águas. 33Os homens que guardavam os porcos fugiram e, indo até a cidade, contaram tudo, inclusive o caso dos possuídos pelo demônio. 34Então a cidade toda saiu ao encontro de Jesus. Quando o viram, pediram-lhe que se retirasse da região deles. Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas: Mc 5, 1-20; Lc 8, 26-39

 

 

Comentando o Evangelho

A vitória sobre o mal

 

O incidente com a vara de porcos, em território pagão, esconde uma temática teológica, retrabalhada pelo evangelista a partir de um motivo folclorístico, com traços de comicidade: o Filho de Deus venceu o mal, libertando a humanidade do poder demoníaco.


Os espíritos malignos, tendo-se apoderado dos dois gadarenos, tornaram-nos refratários a Jesus, levando-os a rejeitar sua presença. Insociáveis e violentos, esses homens viviam no mundo da morte, pois moravam nos sepulcros, seu lugar de habitação, tendo sido reduzidos a um estado de total desumanização.


A presença de Jesus reverteu este quadro. Era impossível que ele ficasse impassível diante de uma situação tão deplorável! Sua atitude imediata foi libertar os gadarenos, ordenando aos demônios que voltassem para o mundo da impureza, simbolizada pelos porcos presentes nas imediações. Foi deles a iniciativa de pedir para serem mandados para lá. Afinal, os homens tinham sido recuperados para a vida, libertados do mal.


Os habitantes de Gadara não foram capazes de reconhecer o poder de Jesus. Um misto de medo, confusão e ressentimento pela perda dos porcos apoderou-se deles. Por isso, pediram que ele se retirasse de seu território.


Em todo caso, doravante os dois homens miraculados seriam um símbolo vivo do poder libertador do Messias Jesus.
[Evangelho Nosso de Cada Dia, Pe. Jaldemir Vitório, ©Paulinas, 1997]

 

Para sua reflexão: O mundo dos espíritos maus se associa a um local pagão, fazendo vitimas. Com sua presença e ação, Jesus vai desmontando o poder demoníaco, separando o reino do impuro, simbolizado nos porcos, do abismo da perdição. Os demônios não resistem à autoridade de Jesus e o confessam, forçosamente como inimigos vencidos, que o Messias é Filho de Deus. O essencial dessa passagem consiste no triunfo de Jesus sobre o demônio, pois o episódio dos porcos é secundário. Livrar-se das ações do demônio é estar em dia com o Senhor, temendo a Deus e seguindo seus ensinamentos, todos os mandamentos, sobretudo amando a Deus e ao seu próximo; é viver uma vida reta, longe da impureza. É libertar-se das impurezas do mundo, nada fácil, mas perfeitamente possível sob o aspecto da fé.

 

Os primeiros mártires da Santa igreja Romana

 

 

Certo dia, um pavoroso incêndio reduziu Roma a cinzas. Em 19 de julho de 64, a poderosa capital virou escombros e o imperador Nero, considerado um déspota imoral e louco por alguns historiadores, viu-se acusado de ter sido o causador do sinistro. Para defender-se, acusou os cristãos, fazendo brotar um ódio contra os seguidores da fé que se espalharia pelos anos seguintes.

Nero aproveitou-se das calúnias que já cercavam a pequena e pouco conhecida comunidade hebraica que habitava Roma, formada por pacíficos cristãos. Na cabeça do povo já havia, também, contra eles, o fato de recusarem-se a participar do culto aos deuses pagãos. Aproveitando-se do desconhecimento geral sobre a religião, Nero culpou os cristãos e ordenou o massacre de todos eles.


Há registros de um sadismo feroz e inaceitável, que fez com que o povo romano, até então liberal com relação às outras religiões, passasse a repudiar violentamente os cristãos. Houve execuções de todo tipo e forma e algumas cenas sanguinárias estimulavam os mais terríveis sentimentos humanos, provocando implacável perseguição.


Alguns adultos foram embebidos em piche e transformados em tochas humanas usadas para iluminar os jardins da colina Oppio. Em outro episódio revoltante, crianças e mulheres foram vestidas com peles de animais e jogadas no circo às feras, para serem destroçadas e devoradas por elas.

Desse modo, a crueldade se estendeu de 64 até 67, chegando a um exagero tão grande que acabou incutindo no povo um sentimento de piedade. Não havia justificativa, nem mesmo alegando razões de Estado, para tal procedimento. O ódio acabou se transformando em solidariedade.

Os apóstolos são Pedro e são Paulo foram duas das mais famosas vítimas do imperador tocador de lira, por isso a celebração dos mártires de Nero foi marcada para um dia após a data que lembra o martírio de ambos.


Porém, como bem nos lembrou o papa Clemente, o dia de hoje é a festa de todos os mártires, que com o seu sangue sedimentaram a gloriosa Igreja Católica Apostólica Romana. [www.paulinas.org.br]

 

 

Não há amor sem sofrimento, sem o sofrimento da renúncia de si mesmos, da transformação e purificação do seu eu pela verdadeira liberdade. (Papa Bento XVI)