Quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

III Semana do Tempo Comum - Ano “C” (Ímpar) - 3ª Semana do Saltério (Livro III) - Cor Verde

 

Santos do Dia: Ananias de Damasco (citado em At 9,10-19, mártir), Apolo de Heliópolis (abade), Artemas de Pozzuoli (mártir), Donato, Sabino e Ágape (mártires de Antioquia), Joel de Pulsano (abade), Juventino e Maximino (mártires de Antioquia), Públio de Zeugma (abade).

 

Antífona: Cantai ao Senhor um canto novo, cantai ao Senhor, ó terra inteira; esplendor, majestade e beleza brilham no seu templo santo (Sl 95,1.6)

 

Oração: Deus eterno e todo-poderoso, dirigi a nossa vida segundo o vosso amor, para que possamos, em nome do vosso Filho, frutificar em boas obras. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: II Samuel (2Sm 7, 4-17)
Deus prepara uma casa para Davi

 

Naqueles dias, 4a palavra do Senhor foi dirigida a Natã nestes ter­mos: 5"Vai dizer ao meu servo Davi: 'Assim fala o Senhor: Porventura és tu que me construirás uma casa pa­ra eu habitar? 6Pois eu nunca morei numa casa, desde que tirei do Egito os filhos de Israel, até o dia de hoje, mas tenho vagueado em tendas e abrigos. 7Por todos os lugares onde andei com os filhos de Israel, disse, porventura, a algum dos chefes de Israel, que encarreguei de apascentar o meu povo: Por que não me edificastes urna casa de cedro?'

 

8Dirás pois, agora, ao meu servo Davi: 'Assim fala o Senhor todo-poderoso: Fui eu que te tirei do pastoreio, do meio das ovelhas, para que fosses o chefe do meu povo, Israel. 9Estive contigo em toda parte por onde andaste, e exterminei diante de ti todos os teus inimigos, fazendo o teu nome tão célebre co­mo o dos homens mais famosos da terra. 10Vou preparar um lugar para o meu povo, Israel: eu o implantarei, de modo que possa morar lá sem' jamais ser inquietado. Os homens violentos não tornarão a oprimi-lo como outrora, 11no tempo em que eu estabelecia juizes sobre o meu povo, Israel. Concedo-te uma vida tranqüila, livrando-te de todos os teus inimigos. E o Senhor te anuncia que te fará uma casa.

 

12Quando chegar o fim dos teus dias e repousares com teus pais, então, suscitarei, depois de ti, um filho teu, e confirmarei a sua realeza. 13Será ele que construirá uma casa para o meu nome, e eu firmarei para sempre o seu trono real. 14Eu serei para ele um pai e ele será para mim um filho. Se ele proceder mal, eu o castigarei com vara de homens e com golpes dos filhos dos homens. 15Mas não retirarei dele a minha graça, co­mo a retirei de Saul, a quem expulsei da minha presença. 16Tua casa e teu reino serão estáveis para sempre diante de mim, e teu trono será firme para sempre'". 17Natã comunicou a Davi todas essas palavras e toda essa revelação. Palavra do Senhor!

 

 

 

Comentando a I Leitura

Suscitarei, depois de ti, um filho teu, e confirmarei a sua realeza

 

O templo é o lugar da presença benevolente de Deus e a sua morada no meio dos homens. E ao mesmo tempo o lugar em que a comunidade é acolhida por Deus. Ambas as coisas só se realizam em Jesus Cristo feito homem. Aqui, a presença de Deus é real e corporal. Aqui a humanidade é real e corporal, pois ele a aceitou em seu corpo. Por isso, o corpo de Cristo é o lugar da aceitação, da reconciliação e da paz entre Deus e o homem. Deus encontra no corpo de Cristo o homem e o homem é aceito no corpo de Cristo. O corpo de Cristo é o templo espiritual, edificado de pedras vivas (1 Pd 2,5ss). Só Cristo é fundamento e pedra angular deste templo (Ef 2,20; 1 Cor 3,11), e é igualmente o templo (Ef 2,21) em que habita o Espírito Santo, que enche os corações dos fiéis e os santifica (1 Cor 3,16; 6,19). O templo de Deus é a comunidade santa em Jesus Cristo. O corpo de Cristo é o templo vivo de Deus e a nova humanidade" (D. Bonhoeifer). [Extraído do MISSAL COTIDIANO,  ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 88(89), 4-5.27-28.29-30 (R/.29a)

Guardarei eternamente para ele a minha graça

 

"Eu firmei uma aliança com meu servo, meu eleito, e eu fiz um jura­mento a Davi, meu servidor: Para sempre, no teu trono, firmarei tua linhagem, de geração em geração garantirei o teu reinado!"

 

Ele, então, me invocará: Ó Senhor vós sois meu Pai, sois meu Deus, sois meu rochedo onde encontro a salvação! E por isso farei dele o meu filho primogênito, sobre os reis de toda a terra farei dele o rei altíssimo.

 

Guardarei eternamente para ele a minha graça e com ele firmarei minha aliança indissolúvel. Pelos séculos sem fim conservarei sua descendência, e o seu trono, tanto tempo quanto os céus, há de durar.

 

 

Evangelho do Dia: Marcos (Mc 4, 1-20)

A parábola do semeador

 

Naquele tempo, 1Jesus começou a ensinar de novo às margens do mar da Galiléia. Uma multidão muito grande se reuniu em volta dele, de modo que Jesus entrou numa barca e sentou-se, enquanto a multidão permanecia junto às margens, na praia.

 

2Jesus ensinava-lhes muitas coisas em parábolas. E, em seu ensina­mento, dizia-lhes: 3"Escutai! O semeador saiu a semear. 4Enquanto se­meava, uma parte da semente caiu à beira do caminho; vieram os pássaros e a comeram. 5Outra parte caiu em terreno pedregoso, onde não havia muita terra; brotou logo, porque a terra não era profunda, 6mas, quando saiu o sol, ela foi queimada; e, como não tinha raiz, secou. 7Outra parte caiu no meio dos espinhos; os espinhos cresceram, a sufocaram, e ela não deu fruto. 8Outra parte caiu em terra boa e deu fruto, que foi crescendo e aumentando, chegando a render trinta,, sessenta e até cem por um". 9E Jesus dizia: "Quem tem ouvidos para ouvir, ouça".

 

10Quando ficou sozinho, os que estavam com ele, junto com os Doze, perguntaram sobre as parábolas 11Jesus lhes disse: "A vós, foi dado o mistério do reino de Deus; para os que estão fora, tudo acontece em parábolas, 12para que olhem mas, não enxerguem, escutem mas não compreendam, para que não se, convertam e não sejam perdoados".

 

13E lhes disse: "Vós não compreendeis esta parábola? Então, como compreendereis todas as outras parábolas? 14O semeador semeia a palavra. 15Os que estão à beira do caminho são aqueles nos quais a pa­lavra foi semeada; logo que a escutam, chega satanás e tira a palavra que neles foi semeada. 16Do mesmo modo, os que receberam a semente em terreno pedregoso, são aqueles que ouvem a palavra e logo a recebem com alegria, 17mas não têm raiz em si mesmos, são inconstantes; quando chega uma tribulação ou perseguição, por causa da palavra, logo desistem.

 

18Outros recebem a semente entre os espinhos: são aqueles que ouvem a palavra; 19mas quando surgem as preocupações do mundo, a ilusão da riqueza e todos os outros desejos, sufocam a palavra, e ela não produz fruto. 20Por fim, aqueles que recebem a semente em terreno bom, são os que ouvem a palavra, a recebem e dão fruto; um dá trinta, outro sessenta e outro cem por um". Palavra da Salvação!

 

 

O ministério de Jesus na Galileia. Leitura paralelas: Mt 13, 1-9; Lc 8, 4-8 (Parábola do Semeador) e Mt 13, 10-15; Lc 8, 9-10 (Por que Jesus fala em parábolas).

 

 

 

 

 

Comentário o Evangelho

Acolhendo a palavra

 

Os discípulos foram orientados a respeito de como a pregação seria acolhida. Com isto, Jesus os precavia contra possíveis desilusões, ou mesmo, otimismo ingênuo. Ensinava-lhes, também, a ter suficiente sensibilidade para perceber onde, exatamente, o Reino estava produzindo frutos, e alegrar-se por isso.

 

Muitos haveriam de escutar a mensagem do Reino, de forma tão superficial, como se a pregação estivesse caindo no vazio. A Palavra perder-se-ia antes de penetrar em seus corações.

 

Outros dariam ouvido à pregação, mostrando até interesse pela Palavra acolhida. Os discípulos teriam motivos para confiar neles. Entretanto, por não terem consistência, logo na primeira perseguição ou tribulação, abririam mão da escolha feita.

 

Outro grupo de pessoas tornaria improdutiva a Palavra porque, logo depois de ouvi-la e acolhê-la, não seriam capa­zes de resistir à fascinação das riquezas e outras veleidades incompatíveis com o projeto de Deus. Outros, enfim, receberiam a Palavra em corações dispostos a fazê-la frutificar. Esta seria a parte proveitosa da missão.

 

O discípulo, porém, não teria o direito de escolher as pessoas às quais dirigir a Palavra do Reino. Todas haveriam de ser destinatárias dessa Palavra, mesmo que ela, eventualmente,ficasse infrutífera. [O EVANGELHO DO DIA, Ano “A”. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1997]

 

Para sua reflexão: “Parábola é uma metáfora ou símile tirada da natureza ou da vida em geral, prendendo a atenção do ouvinte por ser expressiva ou singular e dedicando na mente dúvida suficiente sobre sua explicação exata para provocar ativa reflexão” (C.H.Dodd). As parábolas de Jesus, um recurso didático usado por Ele, indicam os caminhos de Deus e isso requer permanente reflexão e conversão de nós cristãos.  Elas tinham e têm o propósito de conduzir todas as pessoas para o Reino de Deus. O incrível é que algumas pessoas, mesmo ouvindo a Palavra do Mestre, ficam de fora do caminho da salvação, usando o seu “livre” discernimento só para coisas do plano material (dinheiro, cobiça, poder...). Alguns de nós deixamos Satanás nos afastar da fé, por exemplo. Eh! O Mestre continua constantemente a nos ensinar; de fato não temos sido bons alunos ou bons discípulos, daí os nossos sofrimentos e decepções. Mas ainda há tempo de fazermos a nossa prova de recuperação e readquirirmos os nossos créditos junto ao Senhor: conversão é a palavra chave. Ela deve ser diária e perseverante, com atitudes concretas. Qual é o seu balanço de vida então?

 

Santa Ângela de Merici

Santa Ângela de Meríci nasceu em 1470 na Itália. Certa vez, ao observar como viviam as jovens mais pobres da sua comunidade e arredores, percebeu também que não participavam do catecismo ou iam à escola. As únicas pessoas que tinham acesso à escola, ou eram nobres ou freiras. Reuniu amigas que pertenciam a Ordem Terceira de São Francisco e formou um mutirão para construir uma escola. Tal iniciativa foi tão bem sucedida que outras cidades vizinhas passaram a fazer o mesmo, enviando-lhe convites para orientações. E de forma simples, informal surgiu um grupo de professoras que tinha como único objetivo servir a Deus no próximo. Cerca de dez anos após, em 1535, Ângela convocou novamente sua companheiras decidida a formar um grupo onde todos os integrantes dedicassem suas vidas à educação e ao compromisso cristã, na Bréscia. Elas se chamariam Ursulinas, numa homenagem à Santa Úrsula, padroeira da ordem com o objetivo de formação cristãs das futuras mães de família. As consagradas de sua ordem eram virgens e permaneciam em parte com a família, não faziam votos especiais mas obrigavam-se a seguir as regras da fundadora. Visitavam a enfermos e faziam outros tipos de caridade. Este foi o primeiro grupo de mulheres religiosas a trabalhar fora de um convento e a se dedicar ao ensino! Sua sucessora introduziu uma modificação restritiva, adotando um hábito especial e Paulo VI finalmente concedeu os votos solenes. Ela morreu na Bréscia, Itália em 27 de Janeiro de 1540, aos 70 anos de idade. Santa Ângela foi a fundadora das Irmãs Ursulinas.

 

Que haverá com a lua que sempre que a gente a olha é com o

súbito espanto da primeira vez? (Mário Quintana)

 

Aquele que sempre cede acaba não tendo seus próprios princípios. (Esopo)