Quarta-feira, 24 de março de 2010
Quinta Semana da Quaresma - 1ª Semana do Saltério (Livro III) - cor Litúrgica Roxa
Santos: Bento (abade), Serapião de Têmuis (bispo, Bem-aventurado), Endeu (abade), Fanquéia (virgem), Santúcia (matrona, beata), Vários Cristãos Egípcios (massacrados pelos arianos e pelos pagãos no dia da comemoração da Páscoa do Senhor), Marcos de Montegallo (Bem-aventurado franciscano, confessor, 1ª ordem), Lupicínio e Berilo.
Antífona: Vós me livrais, Senhor, de meus inimigos; vós me fazeis suplantar o agressor e do homem violento me salvais. (Sl 17 48-49)
Oração do Dia: Ó Deus de misericórdia, iluminais nossos corações purificados pela penitência. E ouvi com paternal bondade aqueles a quem dais afeto filial. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.
I Leitura: Daniel (Dn 3, 14-20.24.49a.91-92.95)
Enviou seu anjo e libertou seus servos
Naqueles dias, 14o rei Nabucodonosor tomou a palavra e disse: "É verdade, Sidrac, Misac e Abdênago, que não prestais culto a meus deuses e não adorais a estátua de ouro que mandei erguer? 15E agora, quando ouvirdes tocar trombeta, flauta, citara, harpa, saltério e gaitas, e toda espécie de instrumentos, estais prontos a prostrar-vos e adorar a estátua que mandei fazer? Mas, se não fizerdes adoração, no mesmo instante sereis atirados na fornalha de fogo ardente; e qual é o deus que poderá libertar-vos de minhas mãos?"
16Sidrac, Misac e Abdênago responderam ao rei Nabucodonosor: "Não há necessidade de respondermos sobre isto: 17se o nosso Deus, a quem rendemos culto, pode livrar-nos da fornalha de fogo ardente, ele também poderá libertar-nos de tuas mãos, ó rei. 18Mas, se ele não quiser libertar-nos, fica sabendo, ó rei, que não prestaremos culto a teus deuses e tampouco adoraremos a estátua de ouro que mandaste fazer". 19A estas palavras, Nabucodonosor encheu-se de cólera contra Sidrac, Misac e Abdênago, a ponto de se alterar a expressão do rosto; deu ordem para acender a fornalha com sete vezes mais fogo que de costume; 20e encarregou os soldados mais fortes do exército para amarrarem Sidrac, Misac e Abdênago e os lançarem na fornalha de fogo ardente. 24Os três jovens andavam de cá para lá no meio das chamas, entoando hinos a Deus e bendizendo ao Senhor. 49aMas o anjo do Senhor tinha descido simultaneamente na fornalha para junto de Azarias e seus companheiros.
91O rei Nabucodonosor, tomado de pasmo, levantou-se apressadamente, e perguntou a seus ministros: "Porventura, não lançamos três homens bem amarrados no meio fogo?" Responderam ao rei: "E verdade, ó rei". 92Disse este: "Mas eu estou vendo quatro homens andando livremente no meio do fogo, sem sofrerem nenhum mal, e o aspecto do quarto homem é semelhante ao de um filho de Deus".
95Exclamou Nabucodonosor: "Bendito seja o Deus de Sidrac, Misac e Abdênago que enviou seu anjo e libertou seus servos, que puseram nele confiança e transgrediram o decreto do rei, preferindo entregar suas vidas a servir e adorar qualquer outro Deus que não fosse o seu Deus.” Palavra do Senhor.
Comentando a I Leitura[1]
Enviou seu anjo e libertou seus servos
A proteção de Deus não é sempre visivelmente maravilhosa e magnífica como na história dos três jovens. Mas é necessário dar tempo ao desígnio de Deus, a fim de poder vê-lo em seu conjunto, quer com relação a nós pessoalmente, quer na vida da Igreja. Então, aquilo que parecia casual, repetitivo, falho, provisório, assume seu posto e seu valor. Então, também de nossos corações pode prorromper, sincero e festivo, o cântico de louvor a Deus. Ele já estava presente, já agia e nos libertava, quando parecia inexistente, insignificante. Às vezes Deus "manda seu anjo", ou seja, faz perceber exteriormente sua intervenção, mas sempre e em toda parte os acontecimentos, em seu impulso fundamental, procedem dele e a ele conduzem por caminhos misteriosos. Esta foi a fé dos três jovens e de todos os mártires. Esta deve ser a nossa fé. [MISSAL COTIDIANO. ©Paulus, 1997]
Cântico: Dn 3, 52.53.54.55.56 (R/.52b)
A vós louvor, honra e glória eternamente!
52Sede bendito, Senhor Deus de nossos pais. A vós louvor, honra e glória eternamente! Sede bendito, nome santo e glorioso. A vós louvor, honra e glória eternamente!
53No templo santo onde refulge a vossa glória. A vós louvor, honra e glória eternamente! 54E em vosso trono de poder vitorioso. A vós louvor, honra e glória eternamente!
55Sede bendito, que sondais as profundezas. A vós louvor, honra e glória eternamente! E superior aos querubins vos assentais. Avós louvor, honra e glória eternamente!
56Sede bendito no celeste firmamento. A vós louvor, honra e glória eternamente!
57Obras todas do Senhor, glorificai-o A ele louvor, honra e glória eternamente!
Evangelho: João (Jo 8, 31-42)
A verdade liberta
Naquele tempo, 31Jesus disse aos judeus que nele tinham acreditado: "Se permanecerdes na minha palavra, sereis verdadeiramente meus discípulos, 32e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará". 33Responderam eles: "Somos descendentes de Abraão, e nunca fomos escravos de ninguém. Como podes dizer: 'Vós vos tomareis livres'?" 34Jesus respondeu: "Em verdade, em verdade vos digo, todo aquele que comete pecado é escravo do pecado. 35O escravo não permanece para sempre numa família, mas o filho permanece nela para sempre. 36Se, pois, o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres. 37Bem sei que sois descendentes de Abraão; no entanto, procurais matar-me, porque a minha palavra não é acolhida por vós. 38Eu falo o que vi junto do Pai; e vós fazeis o que ouvistes do vosso pai".
39Eles responderam então: "Nosso pai é Abraão". Disse-lhes Jesus: "Se sois filhos de Abraão, praticai as obras de Abraão! 40Mas agora, vós procurais matar-me, a mim, que vos falei a verdade que ouvi de Deus. Isto, Abraão não o fez. 41Vós fazeis as obras do vosso pai". Disseram-lhe, então: "Nós não nascemos do adultério, temos um só pai: Deus".
42Respondeu-lhes Jesus: "Se Deus fosse vosso Pai, certamente me amaríeis, porque de Deus é que eu saí, e vim. Não vim por mim mesmo, mas foi ele que me enviou". Palavra da Salvação!
Comentário do Evangelho
A verdade que liberta
No confronto com os judeus, Jesus apresentou-se como a única verdade que pode trazer libertação. Com isto, punha em xeque a prática religiosa judaica na qual fora educado e que era a base da fé de seus discípulos e de seus interlocutores. Em que sentido o ensinamento de Jesus era diferente, a ponto de proporcionar uma libertação impossível de ser alcançada por outras vias?
A
força libertadora da verdade ensinada pelo Mestre está ligada à sua origem: ele
ensinava o que havia visto junto do Pai. Suas palavras tinham uma força única
de colocar os discípulos em contato com o desígnio do Pai e estabelecer uma
profunda comunhão de amor com ele. A libertação resultava da presença amorosa
do Pai no coração do discípulo. Presença capaz de banir toda forma de egoísmo
escravizador e estabelecer relações fraternas com o próximo. Presença
suficientemente forte para arrancar o discípulo das trevas do pecado e
introduzi-lo no reino da luz. Presença humanizadora e plenificadora.
Jesus
considerava a doutrina dos judeus demasiadamente contaminada por elementos
espúrios, nem sempre compatíveis com o querer divino. De fato, de tanto se
intrometer na Lei de Deus, os judeus acabaram por desvirtuar-lhe o sentido.
As
palavras de Jesus serviam de alerta para quem desejava tornar-se discípulo.
Urgia deixar-se libertar pela verdade proclamada por ele. [Evangelho
nosso de cada dia, Pe. Jaldemir Vitório, ©Paulinas, 1997]
Para sua reflexão: O escravo não pertence à casa e pode ser expulso; já o filho pertence à casa e nela permanece. Mas o escravo pode receber a liberdade, emancipar-se e ainda herdar. Embora seja filho de Abraão, livre por nascimento, pelo pecado o homem cai na escravidão. Naquela época, por causa do pecado Deus “submete” Israel a potências estrangeiras. Jesus é o Filho. Com sua revelação, que é a verdade, Jesus vem libertar dessa escravidão; somente dele pode dá-la; o homem, por suas forças, não pode conquistá-las. Para hoje, para este momento, o desafio é identificar quais os pecados da atualidade que nos fazem prisioneiros, ou seja, escravos, num ciclo que parece não ter fim. O pecado parece ser parte integrante do cristão contemporâneo, como se ele fosse um fato “normal” em nossa vida. A quaresma nos apresenta uma oportunidade de ouro para buscarmos a nossa libertação. Deus enviou Jesus para o nosso meio para nos libertar; não deixe essa chance sair das suas mãos. O momento é agora!
Se quiseres cultivar o teu interior alimenta-te de silêncio
tanto dentro quanto fora de ti (Imitação de Cristo)
"As correntes da escravidão só prendem as mãos. É a mente que faz livre o escravo." (Franz Grillparzer)