Quarta-feira, 23 de junho de 2010

Décima Segunda Semana do Tempo Comum, 3ª do Saltério (Livro III),  cor Litúrgica Verde

 

 

Hoje: Dia Internacional das Aldeias SOS

 

Santos: Agripina de Roma (virgem, mártir), Edeltrudes (viúva, monja), Félix de Sutri (mártir), Hidulfo de Lobbes (monge), João de Roma (mártir), José Cafasso (presbítero), Liberato de Cambrai (bispo), Pedro de Juilly (monge), Tiago de Toul (bispo), Tomás Garnet (jesuíta, mártir), Zeno e Zenas (mártires).

 

Antífona: O Senhor é a força de seu povo, fortaleza e salvação do seu ungido. Salvai, Senhor, vosso povo, abençoai vossa herança e governai para sempre os vossos servos. (Sl 27,8-9)

 

Oração: Senhor, nosso Deus, dai-nos por toda a vida a graça de vos amar e temer, pois nunca cessais de conduzir os que firmais no vosso amor. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

Leitura: 2º Livro dos Reis (2Rs 22, 8-13;23,1-3)
O rei concluiu a aliança diante do Senhor

 

Naqueles dias, 8o sumo sacerdote Helcias disse ao secretário Safá: "Achei o livro da lei na casa do Senhor!" Helcias deu o livro a Safã, que também o leu. 9Então o secretário Safã foi à presença do rei e fez-lhe um relatório nestes termos: "Os teus servos juntaram o dinheiro que se achou no templo e entregaram-no aos empreiteiros encarregados do templo do Senhor". 10Em seguida, o secretário Safá comunicou ao rei: "O sacerdote Helcias entregou-me um livro". E Safá leu-o diante do rei. 

 

11Ao ouvir as palavras do livro da lei o rei rasgou as suas vestes. 12E ordenou ao sacerdote Helcias, a Aicam, filho de Safã, a Acobor;, filho de Miquéias, ao secretário Safá e a Asaías, ministro do rei: 13"Ide e consultai o Senhor a meu respeito, a respeito do povo e de todo Judá, sobre as palavras deste livro que foi encontrado. Grande deve ser a ira do Senhor que se inflamou contra nós, porque nossos pais não obedeceram às palavras deste livro, nem puseram em prática tudo o que nos fora prescrito". 23,1Então o rei mandou que se apresentassem diante dele todos os anciãos de Judá e de Jerusalém. 2E subiu ao templo do Senhor com todos os homens de Judá e todos os habitantes de Jerusalém, os sacerdotes, os profetas e todo o povo, do maior ao menor. Leu diante deles todo o conteúdo do livro da aliança que tinha sido achado na casa do Senhor. 3De pé, sobre o seu estrado, o rei concluiu a aliança diante do Senhor, obrigando-se a seguir o Senhor e a observar seus mandamentos, preceitos e decretos, de todo o seu coração e de toda a sua alma, cumprindo as palavras da aliança escritas naquele livro. E todo o povo aderiu à Aliança. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a 1ª Leitura

O rei leu diante do povo o conteúdo do livro da aliança

 

Após o Vaticano II nós também redescobrimos a palavra de Deus. E verdade: não somos uma “religião do livro”, porem da Pessoa; mas o livro nos pode pôr em comunicação com a Pessoa, se for assimilado nas devidas condições. Porque não é um livro, mas o Livro. Não um volume de biblioteca, mas uma Palavra de vida. E só a vida o pode assimilar.

 

A palavra de Deus relegada a nível de cultura ou de simples audição estaria esvaziada em sua natureza íntima. "Ponde em prática a palavra! Não vos contenteis só de ouvir; para não vos enganardes a vós mesmos. Se alguém se limita a ouvir a palavra sem a pôr em prática, assemelha-se a alguém que se mira ao espelho, depois sai e se esquece de sua fisionomia” (Tg 1,22-23). Quando se começa a praticar" a palavra, esta evidentemente nos põe em crise. Cumpre lançar fora os ídolos e dar lugar a ela. Seu lugar é me nosso íntimo. Aí, ilumina os ângulos mais ocultos, mas aclara com luz muito mais serena e autêntica nossas relações com os demais. [Cf Comentário Bíblico (Vozes) e Bíblia do Peregrino (Paulus)]

 

Salmo: 118(119), 33.34.35.36.37.40   (R/.33a)
Ensinai-me a viver vossos preceitos, ó Senhor!

 

Ensinai-me a viver vossos preceitos; quero guardá-los fielmente até o fim!

Dai-me o saber, e cumprirei a vossa lei, e de todo o coração a guardarei.

Guiai meus passos no caminho que traçastes, pois só nele encontrarei felicidade.

Inclinai meu coração às vossas leis, e nunca ao dinheiro e à avareza.

Desviai o meu olhar das coisas vás, dai-me a vida pelos vossos mandamentos!

Como anseio pelos vossos mandamentos! Dai-me a vida, ó Senhor, porque sois justo!

 

 

Evangelho: Mateus (Mt 7, 15-20)
Guardai-vos dos falsos profetas

 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 15"Cuidado com os falsos profetas: Eles vêm até vós vestidos com peles de ovelha, mas por dentro são lobos ferozes. 16Vós os conhecereis pelos seus frutos. Por acaso se colhem uvas de espinheiros ou figos de urtigas? 17Assim, toda árvore boa produz frutos bons, e toda árvore má produz frutos maus. 18Uma árvore boa não pode dar frutos maus, nem uma árvore má pode produzir frutos bons. 19Toda árvore que não dá bons frutos é cortada e jogada no fogo. 20Portanto, pelos seus frutos vós os conhecereis". Palavra da Salvação!

 

Leitura paralela: Lc 6, 43-44

 

 

 

Comentando o Evangelho

Falar e agir

O discípulo do Reino sabe compaginar, perfeitamente, palavra e ação. Sua vida decorre de sua pregação, a ponto de seu testemunho de vida ser o melhor atestado da veracidade de suas palavras. Caso contrário, atuaria na comunidade como um falso profeta. A falsidade, neste caso, poderia acontecer de duas formas. A primeira consistiria em desconectar vida e pregação. A outra se dá, quando alguém cultiva uma virtude aparente, sem consistência. E o que se chama hipocrisia. Por fora, dá mostras de ser virtuoso, quando, de fato, é um grande perverso.

 

A comunidade cristã não está isenta de ver-se às voltas com pessoas deste tipo. Jesus alertou os discípulos e lhes indicou um critério para verificar a autenticidade das palavras do pregador cristão: observar se ele as pratica. De nada valem suas palavras bonitas, bem expressadas e convincentes, se não são vividas por quem as anuncia. Será preciso acautelar-se de tais pregadores, pois dizem, mas não fazem. Se, pelo contrário, a vida do pregador cristão corresponde à sua pregação, aí sim, será prudente dar-lhe ouvidos, pois "toda árvore boa só dá bons frutos".

 

Com este critério, os discípulos estavam aptos para precaver-se dos lobos infiltrados na comunidade. [Evangelho Nosso de Cada Dia, Pe. Jaldemir Vitório, ©Paulinas, 1997]

 

Para sua reflexão: Os falsos profetas foram o pesadelo dos autênticos profetas do Antigo Testamento, assim como os falsos doutores, o foram das primeiras comunidades cristãs; eram doutores de mentira que seduziam o povo com falsas aparências de piedade, enquanto, no intimo, buscavam fins interesseiros, algo como faz os maus políticos da atualidade! O critério de discernimento é claro: os frutos, como os que dão a árvore boa. A imagem dos frutos designa o comportamento da pessoa humana. Os frutos podem ser suas ações ou os efeitos da sua pregação. Os falsos profetas estão disseminados hoje em dia em toda a humanidade, infelizmente: no seu trabalho, na igreja, na comunidade e até em nossas casas, nas nossas famílias. Não seja consequência dos frutos deles; que eles sejam frutos da sua evangelização, do seu testemunho de vida, de retidão e de obediência ao ensinamento de Deus.

 

São José Cafasso

 

 

 

Cafasso era de família abastada do povo e Bosco provinha de uma família humilde e absolutamente pobre. Foi em sua humildade, o maior amigo e benfeitor de São João Bosco e, de muitos seminaristas pobres e um dos melhores formadores de sacerdotes do século XIX. Nasceu 4 anos antes de Dom Bosco e na mesma cidade em que Dom Bosco nasceu. Desde criança sobressaiu-se por sua grande inclinação à piedade e a compartilhar ajudas aos pobres. No ano de 1827, sendo são José Cafasso seminarista encontrou-se pela primeira vez com João Bosco.

 

Após ordenar-se como sacerdote, com a idade de 21 anos, o santo viajou a Turim, para aperfeiçoar seus estudos no instituto "O Convictorio". Suas habilidades estudantis foram premiadas ao ser nomeado como professor da instituição acadêmica, e em seguida, como reitor durante doze anos. São José Cafasso formou mais de cem sacerdotes em Turim, e entre suas alunos teve vários santos. Era professor de Teologia Moral em Turim. Foi mestre e diretor espiritual de São João Bosco. Deu excelente formação moral ao Clero piemontês, de acordo com a boa escola de São Francisco de Sales e Santo Afonso de Ligório. Turim, que era a capital do reino de Sabóia, as presídios estavam cheios de terríveis criminosos, abandonados por todos. Contudo, São José Cafasso decidiu evangelizar esse local, e com a infinita paciência e amabilidade foi ganhando os presos um a um, fazendo-os confessar-se e começar uma vida santa. Além disso, o santo acompanhou até a forca a mais de 68 condenados à morte, e ainda que haviam sido terríveis criminosos, nem um faleceu sem confessar-se e arrepender-se.

 

A primeira qualidade que todos notavam neste santo era "o dom de conselho", qualidade que o Espírito Santo lhe havia dado para saber aconselhar o que mais lhe convinha a cada um.

 

Outra grande qualidade que o fez muito popular foi sua calma e serenidade. Encurvado (desde jovem) e pequeno de estatura, porém na face sempre uma sorriso amável. Sua voz sonora, e encantadora, e sua conversa irradiava uma alegria contagiosa. Faleceu um sábado.

 

Deixou em testamento os poucos bens que possuía a seus amigos São João Bosco e São José Benedito Cottolengo. Sua oração fúnebre a fez seu discípulo preferido: São João Bosco. Antes de morrer escreveu esta estrofe: "Não será morte e sim um doce sono para ti, alma minha, se ao morrer te assiste Jesus, e te recebe a Virgem Maria". Foi canonizado pelo Papa Pio XII em 1947.

 

 

Daí pão a quem tiver fome, porém, melhor seria que não houvesse fome. (Santo Agostinho)