Quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

II Semana do Tempo Comum, Ano Par, 2ª Semana do Saltério (Livro III), cor Verde

 

 

Que toda a terra se prostre diante de vós, ó Deus, e cante louvores ao vosso nome, Deus altíssimo! (Sl 65,4)

 

 

Santos: Ananias de Damasco (citado em At 9,10-19, mártir), Apolo de Heliópolis (abade), Artemas de Pozzuoli (mártir), Donato, Sabino e Ágape (mártires de Antioquia), Joel de Pulsano (abade), Juventino e Maximino (mártires de Antioquia), Públio de Zeugma (abade).

 

Oração: Deus eterno e todo-poderoso, que governais o céu e a terra, escutai com bondade as preces do vosso povo e daí ao nosso tempo a vossa paz. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: I Samuel (1 Sm 17, 32-33.37.40-51)

Davi se apresenta para aceitar o desafio

 

Naqueles dias, 32Davi foi conduzido a Saul e lhe disse: "Ninguém desanime por causa desse filisteu! Eu, teu servo, lutarei contra ele". 33Mas Saul ponderou: "Não poderás enfrentar esse filisteu, pois tu és só ainda um jovem, e ele é um homem de guerra desde a sua mocidade".

 

37Davi respondeu: "O Senhor me livrou das garras do leão e das garras do urso. Ele me salvará também das mãos deste filisteu". Então Saul disse a Davi: "Vai, e que o Senhor esteja contigo".

 

40Em seguida, tomou o seu cajado, escolheu no regato cinco pedras bem lisas e colocou-as no seu alforje de pastor, que lhe servia de bolsa para guardar pedras. Depois, com a sua funda na mão, avançou contra o filisteu. 41Este, que se vinha aproximando mais e mais, precedido do seu escudeiro, 42quando pôde ver bem Davi, desprezou-o, porque era muito jovem, ruivo e de bela aparência. 43E lhe disse: "Sou por acaso um cão, para vires a mim com um cajado?" E o filisteu amaldiçoou Davi em nome de seus deuses. 44E acrescentou: "Vem, e eu darei a tua carne às aves do céu e aos animais da terra!"

 

45Davi respondeu: "Tu vens a mim com espada, lança e escudo; eu, porém, vou a ti em nome do Senhor todo-poderoso, o Deus dos exércitos de Israel que tu insultaste! 46Hoje mesmo, o Senhor te entregará em minhas mãos, e te abaterei e te cortarei a cabeça, e darei o teu cadáver e os cadáveres do exército dos filisteus às aves do céu e aos animais da terra, para que toda a terra saiba que há um Deus em Israel. 47E toda esta multidão de homens conhecerá que não é pela espada nem pela lança que o Senhor concede a vitória; porque o Senhor é o árbitro da guerra, e ele vos entregará em nossas mãos".

 

48Logo que o filisteu avançou e marchou em direção a Davi, este saiu das linhas de formação e correu ao encontro do filisteu. 49Davi meteu, então, a mão no alforje, apanhou uma pedra e arremessou-a com a funda, atingindo o filisteu na fronte com tanta força, que a pedra se encravou na sua testa e o gigante tombou com o rosto em terra. 50E assim Davi venceu o filisteu, ferindo-o de morte com uma funda e uma pedra. E, como não tinha espada na mão, 51correu para o filisteu, chegou jun­to dele, arrancou-lhe a espada da bainha e acabou de matá-lo, cortando-lhe a cabeça. Vendo morto o seu guerreiro mais valente, os filisteus fugiram. Palavra do Senhor! 

 

 

Comentando a I Leitura[1]

Davi venceu o filisteu, com uma funda e uma pedra

 

A vicia crista e é freqüentemente comparada com uma luta que devemos sustentar contra  o poder do mal, dentro e fora de nós. O cristão é chamado a combater pondo toda sua confiança no Senhor, "minha Rocha que adestra minhas mãos para a luta" (Salmo). É necessário conhecer com clareza o objetivo e coordenar com firmeza o trabalho em nossa vida espiritual. "Esse governo de nós mesmos custa esforço, hoje mais do que nunca. Dentro e fora de nós, a cada momento, encontramos dificuldades. E muitas vezes as dificuldades tem aspecto ambíguo, são atraentes e tentadoras. Não foi sem motivo que o Senhor inseriu na sublime oração do 'pai-nosso' a humilde súplica. 'Não nos deixeis cair em tentação', o que equivale a pedir que ele não permita que sejamos interiormente enganados pelas aparências de bem, ou que sejamos sufocados pelos obstáculos à verdadeira liberdade da reta consciência, ou ainda que, levados pelas lisonjas, acabemos cedendo à aquiescência e à experiência do mal" (Paulo VI).

 

 

 

Salmo: 143(144), 1.2.9-10 (+ 1a)

Bendito seja o Senhor, meu rochedo!

 

Bendito seja o Senhor, meu rochedo, que adestrou minhas mãos para a luta, e os meus dedos treinou para a guerra!

 

Ele é meu amor, meu refúgio, libertador, fortaleza e abrigo; é meu escudo: é nele que espero, ele submete as nações a meus pés.

 

Um canto novo, meu Deus, vou cantar-vos, nas dez cordas da harpa louvar-vos, a vós que dais a vitória aos reis e salvais vosso servo Davi.

 

 

 

Evangelho: Marcos  (Mc 3, 1-6)

É permitido no sábado fazer o bem ou fazer o mal? 

Naquele tempo, 1Jesus entrou de novo na sinagoga. Havia ali um homem com a mão seca. 2Alguns o observavam para ver se haveria de curar em dia de sábado, para poderem acusá-lo. 3Jesus disse ao homem da mão seca: "Levanta-te e fica aqui no meio!" 4E perguntou-lhes: "É permitido no sábado fazer o bem ou fazer o mal? Salvar uma vida ou deixá-la morrer?" Mas eles nada disseram. 5Jesus, então, olhou ao seu redor; cheio de ira e tristeza, porque eram duros de coração; e disse ao homem: "Estende a mão". Ele a estendeu e a mão ficou curada. 6Ao saírem, os fariseus com os partidários de Herodes, imediatamente tramaram, contra Jesus, a maneira como haveriam de matá-lo. Palavra da Salvação!

 

 

 

 

Comentário o Evangelho

Punição para o bem

 

É difícil de entender por que os fariseus e os herodianos combinaram uma maneira de matar Jesus, depois de tê-lo visto curar um homem cuja mão era seca. Se o indivíduo tivesse sido vitima de uma maldade, daria para compreender. Entretanto, havia recebido um beneficio e, mesmo assim, seu benfeitor foi visto com maus olhos. Por quê?

 

Tudo aconteceu por causa de um tipo de religião mal-equacionada. Religião em que certos princípios acabam se tornando tão absolutos que, diante deles, o direito à vida fica em segundo plano. Que isto acontecia com a religião de Israel não dá para entender! Ao longo da história deste povo, Deus sempre se manifestara como o Deus da vida e da libertação, jamais se mostrava indiferente ao que dizia respeito a estes dois componentes da existência humana. Seus mandamentos visavam garantir vida e liberdade para o povo. E se irava contra quem os desrespeitava.

 

Em sintonia com o Pai, o Filho foi também defensor intransigente da vida. Sempre que estava ameaçada, aí estava ele para recuperá-la. Mesmo sendo dia de sábado, não se recusava a agir, quando se tratava de fazer o bem.

 

Os fariseus não abriam mão de sua visão desumana da religião. E quando se defrontaram com Jesus curando em dia de sábado, não hesitaram em puni-lo com a morte, num flagrante contraste com o modo divino de agir.(O EVANGELHO DO DIA, Ano “A”. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1997)

 

Para sua reflexão pessoal[3]

Para os fariseus e os partidários de Herodes a cura do paralítico (Mc 1, 1-12), que começa pelo perdão dos seus pecados, já soava como uma blasfêmia. Agora, com a cura do homem da mão atrofiada, em pleno dia de sábado, foi demais, mesmo que o questionamento do Mestre os tivesse deixado em cheque. Segundo os fariseus, era necessário fazer algo para deter Jesus. Mas ninguém detém o poder da misericórdia de Messias pois ele veio para os necessitados.

 

E nós? Por que fazer pequenas caridades em dias que chamam a atenção da opinião pública: “Natal Sem Fome”, “Fome Zero”, “Natal das Crianças”, “Alimentos e agasalhos para os desabrigados”, ... Parece que a nossa misericórdia só demanda dividendos para o nosso ego, diante dos outros, como se a fome e as demais carências dos necessitados só estivessem latentes nesses dias de ibope. A caridade e a misericórdia do cristão não deve ter dia, lugar ou hora; a nossa ação é pra já, pois o amanhã poderá ser tarde.  

 

 

Santa Margarida da Hungria[4]

Filha do rei da Hungria Bela IV nasceu 1241 quando seu pai estava com sua esposa refugiado em uma ilha do mar asiático, temendo as invasões dos mongóis. O pai ofereceu-a a deus como voto de salvação da Hungria. Khan, o líder dos mongóis morreu e com isso a Hungria entrou em novos momentos de paz. Aos 16 anos de idade Margarida fez votos como freira dominicana no convento construído pelo seu próprio pai em cumprimento do voto. Margarida foi pedida em casamento pelo rei da Boêmia e pelo príncipe de Salermo, mas preferiu manter sua consagração total a Deus. Faleceu em 18 de Janeiro de 1270, aos 29 anos de idade, sendo canonizada em 1943.

 



[1] MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997