Quarta-feira, 20 de outubro de 2010

29º do Tempo Comum (Ano “C”), 1ª Semana do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde

 

 

Hoje: Dia do Arquivista, dia do Poeta e dia Internacional do Controlador de Tráfego Aéreo, Dia Mundial de Combate à Osteoporose

 

Santos: Artêmio, Contardo Ferrini (1902, Milão, Itália, franciscano da ordem terceira), Íria, Aca (740, bispo, Inglaterra), Bem-Aventurada Adelina (1125, Normandia), André (o Calibita), Bertila Boscardin,

 

Antífona: Clamo por vós, meu Deus, porque me atendestes; inclinai vosso ouvido e escutai-me. Guardai-me como a pupila dos olhos, à sobra das vossas asas abrigai-me. (Sl 16, 6.8)

 

Oração: Deus eterno e todo-poderoso, dai-nos a graça de estar sempre ao vosso dispor e vos servir de todo o coração. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

I Leitura: Efésios (Ef 3, 2-12)
Os pagãos são admitidos à mesma herança

 

Irmãos, 2se ao menos soubésseis da graça que Deus me concedeu para realizar o seu plano a vosso respeito, 3como, por revelação, tive conhecimento do mistério, tal como o esbocei rapidamente. 4Ao ler-me, podeis conhecer a percepção que eu tenho do mistério de Cristo. 5Este mistério, Deus não o fez conhecer aos homens das gerações passadas mas acaba de o revelar agora, pelo Espírito, aos seus santos apóstolos e profetas: 6Os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo, por meio do Evangelho.

 

7Disto eu fui feito ministro pelo dom da graça que Deus me concedeu no exercício do seu poder. 8Eu, que sou o último de todos os santos, recebi esta graça de anunciar aos pagãos a insondável riqueza de Cristo 9e de mostrar a todos como Deus realiza o mistério desde sempre escondido nele, o criador do universo. 10Assim, doravante, as autoridades e poderes nos céus conhecem, graças à Igreja, a multiforme sabedoria de Deus, 11de acordo com o desígnio eterno que ele executou em Jesus Cristo, nosso Senhor. 12Em Cristo nós temos, pela fé nele, a liberdade de nos aproximar de Deus com toda a confiança. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

Deus acaba de revelar o mistério de Cristo

 

Fazer de Cristo o ponto de encontro universal da existência de todos os homens, de todos os tempos, é um desígnio que só dele podia vir: Fazer do anúncio desse desígnio o trabalho e a meta da própria vida é encargo que só ele pode dar. Não é fácil cultivar todos os fermentos de unidade em um mundo cheio de divisões de todo gênero, algumas mantidas exatamente em seu nome. Não é com certeza o conceito vulgar de "graça" aquele usado por Paulo ao denominar "graça" esse encargo. Trata-se de esforço grandioso em suas perspectivas finais, mas repleto de sofrimento a curto prazo. Pouco custa o apelo genérico a uma coexistência pacífica, mas pedir dia a dia o esforço cansativo de remover os obstáculos à unidade em Cristo é pedir muito. Deus o pede de formas diversas, mas todas responsáveis, a quem quer que aceite ser cristão. [Missal Cotidiano, Paulus, 1997]

 

 

Cântico: Is 12, 2-3.4bcd.5-6 (R/.cf 3) 
Com alegria bebereis o manancial da salvação

 

2Eis o Deus, meu Salvador, eu confio e nada temo; o Senhor é minha força, meu louvor e salvação. 3Com alegria bebereis do manancial da salvação.

 

4bE direis naquele dia: "Dai louvores ao Senhor, 4cinvocai seu santo nome, anunciai suas maravilhas, 4dentre os povos proclamai que seu nome é o mais sublime.

 

5Louvai cantando ao nosso Deus, que fez prodígios e portentos, publicai em toda a terra suas grandes maravilhas! 6Exultai cantando alegres, habitantes de Sião, porque é grande em vosso meio o Deus Santo de Israel!"

 

Evangelho: Lucas (Lc 12, 39-48)
A quem muito foi dado, muito será pedido

 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 39"Ficai certos: se o dono da casa soubesse a hora em que o ladrão iria chegar, não deixaria que arrombasse a sua casa. 40Vós também ficai preparados! Porque o Filho do Homem vai chegar na hora em que menos o esperardes".

 

41Então Pedro disse: "Senhor, tu contas esta parábola para nós ou para todos?" 42E o Senhor respondeu: "Quem é o administrador fiel e prudente que o senhor vai colocar à frente do pessoal de sua casa para dar comida a todos na hora certa? 43Feliz o empregado que o patrão, ao chegar, encontrar agindo assim! 44Em verdade eu vos digo: o senhor lhe confiará a administração de todos os seus bens. 45Porém, se aquele empregado pensar: 'Meu patrão está demorando', e começar a espancar os criados e as criadas, e a comer, a beber e a embriagar-se, 46o senhor daquele empregado chegará num dia inesperado e numa hora imprevista, ele o partirá ao meio e o fará participar do destino dos infiéis.

 

47Aquele empregado que, conhecendo a vontade do senhor, nada preparou, nem agiu conforme a sua vontade, será chicoteado muitas vezes. 48Porém, o empregado que não conhecia essa vontade e fez coisas que merecem castigo, será chicoteado poucas vezes. A quem muito foi dado, muito será pedido; a quem muito foi confiado, muito mais será exigido!" Palavra da Salvação!

 

Leitura paralela: Mt 24, 45-51

 

 

Comentando o Evangelho

Um alerta para os líderes

 

A parábola do dispenseiro prudente e fiel é uma chamada de atenção para os líderes das comunidades cristãs, na perspectiva da demora em consumar-se a segunda vinda do Senhor.


O dispenseiro confiável corresponde ao líder que exerce a tarefa de coordenar a comunidade, sem extrapolar os limites de suas atribuições. No trato com os irmãos e as irmãs, sabe ser benevolente e justo, fraterno e solidário, equânime e respeitoso. Ele não cede à tentação de sentir-se superior aos demais, nem de fazer acepção de pessoas. Antes, exerce a liderança, consciente de estar a serviço do Senhor, a quem deverá prestar contas.


O dispenseiro insensato assemelha-se ao líder que tiraniza a comunidade, despreza as pessoas, e é inescrupuloso no trato com elas. Comporta-se como se fosse o senhor de seus semelhantes. Um senhor impiedoso e cruel! Os efeitos danosos de sua atitude são imediatamente sentidos pela comunidade, a qual se dispersa, desanima, perde o gosto de testemunhar sua fé.


A reação do senhor diante das duas atitudes contrastantes alerta para o destino de cada tipo de líder: quem é fiel receberá a bênção divina, em forma de herança dos bens eternos. Sua fidelidade a um projeto histórico torná-lo-á merecedor de um prêmio celeste. Já o líder tirano será punido com severidade, recebendo a mesma sorte dos ímpios, ou seja, o castigo eterno.
[O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano C, ©Paulinas, 1996]

 

Para sua reflexão: Os ladrões escolhem a noite e utilizam o procedimento de abrir um buraco; a surpresa é seu principal recurso. Embora a vigilância seja coletiva, aplica-se a cada pessoa. O administrador da parábola é encarregado de outros criados; ocupa um posto intermédio, ocupa-se de pessoas, não de bens. A aplicação imediata aponta para os discípulos que recebem cargo mediador. As condutas opostas são: um serviço organizado para os outros servos ou um aproveitar-se licenciosamente da situação. A demora do patrão a vir corresponde à geração de Lucas, que já não espera uma parusia iminente. Contudo, o espírito de vigilância deve permanecer, porque a demora não desmente o fato. E como o fato é certo, a incerteza da hora incita à vigilância. Sem cessar é iminente o que pode acontecer a qualquer momento. A ignorância de ordens concretas do patrão é atenuante, mas não exime da responsabilidade genérica. O conhecimento é agravante; e os discípulos as conhecem. (Bíblia do Peregrino)

 

Santa Maria Bertilla Boscardin

Uma simples camponesa pôde demonstrar, com suas atitudes diárias, que mesmo sem êxtases, sem milagres, sem grandes feitos, o ser humano traz em si a santidade e a marca de Deus em sua vida. Se vivermos com pureza e fé, a graça divina vai manifestar-se em cada detalhe da nossa vida.


A prova disso foi a beatificação de irmã Maria Bertilla pelo papa Pio XII, em 1952, quando ele disse: "É uma humilde camponesa". Maria nasceu em 6 de outubro de 1888, na cidade de Vicenza, na Itália, e recebeu o nome de Ana Francisca no batismo. Os pais eram simples camponeses e sua infância transcorreu entre o estudo e os trabalhos do campo, rotina natural dos filhos e das filhas de agricultores dessa época.


Aos dezessete anos, mudou o modo de encarar a vida e ingressou no Convento das irmãs Mestras de Santa Dorotéia dos Sagrados Corações, quando adotou o nome de Maria Bertilla. Paralelamente, estudou e diplomou-se como enfermeira, de modo que pôde tratar os doentes com ciência e fé, assistindo-os com carinho de irmã e mãe.


Teve uma existência de união com Deus no silêncio, no trabalho, na oração e na obediência. Isso se refletia na caridade com que se relacionava com todos: doentes, médicos e superiores. Mas era submetida a constantes humilhações por parte de uma superiora.


Depois, foi enviada para trabalhar no hospital de Treviso, mais ao norte do país. Tinha apenas vinte e dois anos de idade quando, além de enfrentar a doença no próximo, teve que enfrentá-la em si mesma também. Logo foi operada de um tumor e, antes que pudesse recuperar-se totalmente, já estava aos pés dos seus doentes outra vez. As humilhações pessoais continuavam, agora associadas às dores físicas.


Na época, estourou a Primeira Guerra Mundial: a cidade de Treviso ocupava uma posição militar estratégica, estando mais sujeita a bombardeios. Era uma situação que exigia dedicação em dobro de todos no hospital. Irmã Maria Bertilla surpreendeu com sua incansável disposição e solidariedade de religiosa e enfermeira no tratamento dos feridos de guerra.


Porém seu mal se agravou e, aos trinta e quatro anos, sofreu a segunda cirurgia, mas não resistiu e morreu, no dia 20 de outubro de 1922, no hospital de Treviso.


O papa João XXIII canonizou-a em 1961. O culto em sua homenagem ocorre no dia de sua morte. Junto à sua sepultura, na Casa-mãe da Congregação em Vicenza, há sempre alguém rezando porque precisa da santa enfermeira para tratar de males diversos, e a ajuda, pela graça de Deus, sempre chega.
[www.paulinas.org.br]

 

Com o toque do amor, todos se tornam poetas. (Platão)