Quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Segunda Semana do Tempo Comum, Ano Ímpar, 2ª Semana do Saltério, Livro III, cor Verde

 

Santos: Mário (Séc.III, DC, mártir), Júlio, Germânico (156), Bassiano (413 DC, bispo, Itália), Canuto (1086, rei da Dinamarca, mártir), Wulstano (1095 DC, bispo, Inglaterra), Gumersindo (presbítero), Audifaz (mártir), Gerôncio (mártir), Germana (mártir), Pia (mártir)  

Antífona: Que toda a terra se prostre diante de vós, ó Deus, e cante louvores ao vosso nome, Deus altíssimo! (Sl 65,4)

 

Oração do Dia: Deus eterno e todo-poderoso, que governais o céu e a terra, escutai  com bondade as preces do vosso povo e daí ao nosso tempo a vossa paz. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Hebreus (Hb 7, 1-3.15-17)
Tú és sacerdote para sempre

 

Irmãos, 1Melquisedec, rei de Salém, sacerdote do Deus Altís­simo, saiu ao encontro de Abraão, quando esse regressava do combate contra os reis, e o abençoou. 2Foi a ele que Abraão entregou o dízimo de tudo. E o seu nome significa, em primeiro lugar, “Rei de Justiça”; e, depois: “Rei de Sa­lém”, o que quer dizer, “Rei da Paz”. 3Sem pai, sem mãe, sem genealogia, sem início de dias, nem fim de vida! É assim que ele se assemelha ao Filho de Deus e permanece sacerdote para sempre. 15Isto se torna ainda mais evidente, quando surge um outro sacerdote, semelhante a Melqui­sedec, 16não em virtude de uma prescrição de ordem carnal, mas segundo a força de uma vida imperecível. 17Pois diz o testemunho: “Tu és sacerdote para sempre na ordem de Melquisedec”. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

Tu és sacerdote para sempre na ordem de Melquisedec

 

Cristo, sumo e eterno sacerdote, possui um sacerdócio que, como o de Melquisedec, não se transmite; sacerdócio que ele exercerá em sua Igreja até o fim dos tempos. Os sacerdotes atuais, a começar pelos bispos, não são seus sucessores, porém aqueles que atualizam e tornam visível e eficaz hoje o único sacerdócio de Cristo.

 

Além disso, ao mesmo tempo que permanece intransmissível, o sacerdócio de Cristo é “participado” por todo o povo de Deus, por toda a Igreja, porque toda a Igreja é o corpo de Cristo. Assim cumpre-se a promessa  que Deus fez a Moisés para todo o povo no monte Sinai: “Se ouvirdes atentamente a minha voz e guardardes a minha aliança, sereis minha propriedade especial entre todos os povos... constituireis para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa” (Ex 19, 5-6).

 

O batismo é o sinal de pertença a este povo privilegiado. O cristão deve, portanto, esforçar-se para aprofundar o sentido da vida batismal, mediante o estudo e atenção à palavra de Deus, acompanhados =de participação cada vez mais plena da vida sacramental da Igreja. [MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 109 (110), 1.2.3.4 (R/.4bc)

Tu és sacerdote eternamente segundo a ordem do rei Melquisedec!

 

1Palavra do Senhor ao meu Senhor: “Assenta-te ao lado meu direito até que eu ponha os inimigos teus como escabelo por debaixo de teus pés!”

 

2O Senhor estenderá desde Sião vosso cetro de poder, pois Ele diz: “Domina com vigor teus inimigos.

 

3Tu és príncipe desde o dia em que nasceste; na glória e esplendor da santidade, como o orvalho, antes da aurora, eu te gerei!”

 

4Jurou o Senhor e manterá sua palavra: “Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem do rei Melquisedec!”

 

Evangelho do Dia: Marcos (Mc 3, 1-6)

É permitido no sábado fazer o bem ou fazer o mal?

 

Naquele tempo, 1Jesus entrou de novo na sinagoga. Havia ali um homem com a mão seca. 2Alguns o observavam para ver se haveria de curar em dia de sábado, para poderem acusá-lo. 3Jesus disse ao homem da mão seca: "Levanta-te e fica aqui no meio!" 4E perguntou-lhes: "É permitido no sábado fazer o bem ou fazer o mal? Salvar uma vida ou deixá-la morrer?" Mas eles nada disseram. 5Jesus, então, olhou ao seu redor; cheio de ira e tristeza, porque eram duros de coração; e disse ao homem: "Estende a mão". Ele a estendeu e a mão ficou curada. 6Ao saírem, os fariseus com os partidários de Herodes, imediatamente tramaram, contra Jesus, a maneira como haveriam de matá-lo. Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas recomendadas: Mt 12,9-14; Lc 6,6-11

 

Comentário do Evangelho

A mão recuperada

 

A deficiência física do homem encontrado por Jesus, na sinagoga, era mais grave do que, à primeira vista, se podia imaginar. Na antropologia bíblica, a mão está carregada de simbolismo. A partir deste universo simbólico é que se deve interpretar a situação do homem da mão ressequida.


A mão está ligada à idéia de força e de poder. Estar na mão do outro significava estar sob o seu poder. Para falar do poder da língua, um provérbio bíblico refere-se à “mão da língua”. A expressão “salvar-se com as próprias mãos” tinha o sentido de salvar-se com as próprias forças. Diz-se que os habitantes de determinada cidade não puderam fugir, por ocasião de um incêndio, porque “as mãos não estavam com eles”, isto é, não tinham forças nem possibilidade de escapar. A mão direita era sinal de força, de sabedoria e de felicidade. Já a mão esquerda era sinal de fraqueza, de ignorância e de desgraça.


Entende-se, assim, por que a iniciativa de cura foi de Jesus e não do homem doente. Este havia se tornado uma pessoa sem iniciativa e incapaz de lutar por seus direitos. Nestas condições, era vítima da desumanização.


Curando-o, Jesus tomou a iniciativa de humanizá-lo, de fazê-lo voltar a ser gente, com força e poder para lutar pelos seus direitos. É como se tivesse sido recriado! Com a mão recuperada, estava novamente apto para fazer o bem. (O EVANGELHO DO DIA, Ano “A”. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1997)

 

Liturgia Diária (Paulinas e Paulus)

Fortalecei, Senhor, as autoridades eclesiais, a fim de que guiem com amor a vossa Igreja. Senhor, sede solícito para com o vosso povo.

Dai perseverança aos pequenos que enfrentam todo tipo de dificuldades.

Iluminai os ministros leigos e os agentes de pastoral em sua missão nas comunidades.

Conscientizai e abençoai nossa comunidade, para que nunca esqueça seus pobres.

Acolhei em vosso reino os falecidos que contribuíram para o crescimento da comunidade.

(preces espontâneas)

 

Oração sobre as Oferendas:

Concedei-nos, ó Deus, a graça de participar constantemente da eucaristia, pois, todas as vezes que celebramos este sacrifício, torna-se presente a nossa redenção. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Sabemos que Deus nos ama e cremos no seu amor. (1Jo 4,16)

 

Oração Depois da Comunhão:

Nutridos Penetrai-nos, ó Deus, com o vosso Espírito de caridade, para que vivam unidos no vosso amor os que alimentais com o mesmo pão. Por Cristo, nosso Senhor!  

 

São Mário

 

Mario, Martha, Abacus e Audifax eram uma família persa nobre e rica – marido, esposa e dois filhos- que foram convertidos para a fé cristã e distribuíram seus bens para os pobres.

 

Eles decidiram visitar Roma para venerar os túmulos dos mártires mesmo sabendo que o Imperador Claudius estava perseguindo os cristãos. Claudius ordenou suas legiões para recolher e reunir os cristãos no anfiteatro onde eles eram mortos e seus corpos queimados. Esta família persa recolhia as cinzas e as enterrava. Por isto o Governador Marcus prendeu e torturou toda a família antes de mandar matá-los. Isto ocorreu em 270DC. Durante o martírio, Mario cantava hinos de louvor a Jesus. O procônsul encarregado do martírio mandou esticá-lo na roda, até seus braços serem arrancados do corpo, o que de nada adiantou. Furioso, ordenou que o decapitassem e a seus dois filhos. Assim os três foram mortos decapitados e Martha foi afogada alguns quilômetros de Roma em um local hoje chamado Santa Nynpha. Cristãos reverenciam este local e os corpos desta família com respeito: Eles foram enterrados na Via Cornelia. Treze séculos mais tarde, em 1590, seus corpos foram descobertos e agora suas relíquias estão nas igrejas de Cremona, de Seligenstaedt na Alemanha, e em Roma.  Na arte litúrgica da Igreja este grupo é geralmente mostrado como uma família Persa visitando prisioneiros; ou 2) enterrando mártires cristãos em Roma; ou 3) sendo executados com um machado.

 

 

Sobre reprodução assistida

 

Dom Aldo Pagotto, Arcebispo Metropolitano da Paraíba

 

O Conselho Federal de Medicina modificou as regras de reprodução humana assistida (resolução nº 1.957/2010) liberando a “encomenda de bebês” para solteiros, casados ou casais homoafetivos, utilizando material biológico criopreservado (conservado sob condições de baixa temperatura).

 

Doravante, o procedimento reprodutivo humano permitirá uma “produção independente”. Está proibido “alugar barriga” mediante pagamento. Eis o reajuste de conduta reformando a resolução do CFM (nº. 1.352/1992).

 

Houve um avanço inacreditável nas tecnologias aplicadas às ciências e à biologia. Contudo, é indispensável considerar as dimensões éticas dos experimentos dessas esferas, complexas e delicadas. Considere-se de um lado: as modificações da resolução atenderiam aos apelos comportamentais de novos grupos sociais. De outro lado há dúvidas a respeito de uma eventual possibilidade de um filho encomendado por solteiros(as), viúvos(as) e casais homoafetivos.

 

Quais seriam os parâmetros dos pais homoafetivos dessas crianças, encomendadas pelo método “geração independente”? Qual seria o seu modelo familiar referencial? Se a Medicina evita preconceitos e respeita a todos igualmente, por outro lado a questão ética não pode ser descartada e merece melhor equacionamento. Há médicos que levantam dúvidas no sentido ético, recusando-se a se submeterem apenas a uma norma técnica.

 

No caso de produção independente não é legítimo fazer da vida humana objeto de experimento científico, ainda que cercado de aparatos tecnológicos que permitam “gerar” a vida em balões de ensaios (in vitro). Isso equivale a substituir eventualmente a geração da vida segundo a ordem da natureza; poderia corresponder a um grande avanço científico - não, porém, do ponto de vista da ética. Há critérios éticos a serem considerados e valorizados devidamente pelas ciências e tecnologias modernas.

 

A vida dos seres humanos tem seu início no instante de sua concepção. Esse princípio merece absoluto respeito. O que pensar sobre a utilização de embriões apenas considerados como material genético e não valorizados como vida humana? A ética permeia a constituição da vida do ser humano e da família - célula matriz da qual se forma o organismo social e, enfim, a fraternidade universal. Tratando-se da constituição do próprio ser humano, não é possível negar o aspecto ético ou prescindir dele, pois a ética se vincula à vida e não apenas aos avanços técnico-científicos.

 

A geração da prole é um direito natural e uma lei divina, ambos atribuídos ao casal, pressupostas certas condições de compromisso estável entre si. Um filho jamais poderia ser “encomendado” por diletantismo de uma produção individualista, sem a garantia de poder ser educado no esteio familiar onde receberá afeto e segurança.

 

O CFM não legisla. Quem legisla é o poder público, estabelecendo critérios e regulamentando normas relativas à reprodução humana assistida. É o que esperamos! Não demorará muito para que casais homoafetivos passem a exigir do governo financiamento das “encomendas” dos seus bebês. Podem crer que serão apoiados pelas comunidades congêneres...

 

Aconteceu no dia 19 de janeiro:

1982: Morte da cantora Elis Regina

 

 

Nada na vida faz sentido sem o equilíbrio interior. Temperança ou equilíbrio é a capacidade de tomar decisões sábias e inteligentes em favor de si e dos outros. (Pe. Zezinho)