Quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Vigésima Semana do Tempo Comum, 4ª do Saltério (Livro III),  cor Litúrgica Verde

 

Santos: Agapito de Palestrina (mártir), Ângelo D´Agostini, Alípio de Tagaste (bispo), Dagano de Iniskin (bispo), Helena (330, mãe de Constantino, convertida ao cristianismo), Ivan de Ayrshire (eremita), Firmino de Metz (bispo), Florêncio e Lauro (mártires em Constantinopla), Hermes, Serapião e Polieno (mártires), João e Crispo (mártires), Leão e Juliana (mártires), Máximo e Próculo (mártires), Polieno.

 

Antífona: Ó Deus, nosso protetor, volvei para nós o vosso olhar e contemplai a face do vosso ungido, porque um dia em vosso templo vale mais que outros mil. (Sl 83, 10-11)

 

Oração: Ó Deus, preparastes para quem vos ama bens que nossos olhos não podem ver; acendei em nossos corações a chama da caridade para que, amando-vos em tudo e acima de tudo, corramos ao encontro das vossas promessas que superam todo desejo. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

Ezequiel (Ez 34, 1-11)
Ezequiel profere duras críticas aos reis de Israel

 

1A palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos: 2"Filho do homem, profetiza contra os pastores de Israel! Profetiza, dizendo-lhes: Assim fala o Senhor Deus aos pastores: Ai dos pastores de Israel, que se apascentam a si mesmos! Não são os pastores que devem apascentar as ovelhas? 3Vós vos alimentais com o seu leite, vestis a sua lá e matais os animais gordos, mas não apascentais as ovelhas. 4Não fortalecestes a ovelha fraca, não curastes a ovelha doente, nem enfaixastes a ovelha ferida. Não trouxestes de volta a ovelha extraviada, não procurastes a ovelha perdida; ao contrário, dominastes sobre elas com dureza e brutalidade. 5As ovelhas dispersaram-se por falta de pastor tornando-se presa de todos os animais selvagens. 6Minhas ovelhas vaguearam sem rumo por todos os montes e colinas elevadas. Dispersaram-se minhas ovelhas por toda a extensão do país, e ninguém perguntou por elas, nem as procurou. 7Por isso, ó pastores, escutai a palavra do Senhor: 8Eu juro por minha vida - oráculo do Senhor Deus - já que minhas ovelhas foram entregues à pilhagem e se tornaram presa de todos os animais selvagens, por falta de pastor; e porque os meus pastores não procuraram as minhas ovelhas, mas apascentaram-se a si mesmos e não as ovelhas, 9por isso, ó pastores, escutai a palavra do Senhor! 10Assim diz o Senhor Deus: Aqui estou para enfrentar os pastores e reclamar deles as minhas ovelhas. Vou tirar-lhes o ofício de pastor, e eles não mais poderão apascentar-se a si mesmos. Vou libertar da boca deles as minhas ovelhas, para não mais lhes servirem de alimento. 11Assim diz o Senhor Deus: Vede! Eu mesmo vou procurar minhas ovelhas e tomar conta delas". Palavra da Salvação!

 

 

Comentando a 1ª Leitura

Vou libertar da boca deles as minhas ovelhas

 

Não fujamos da contestação. Os profetas falavam de reis, de chefes, de sacerdotes. Qualquer de nós que tiver função de guia deve examinar-se. É fácil demais (mesmo quando é dever) contestar os outros que falham; o difícil é contestar-se a si mesmo; descobrem-se escusas, atenuantes... Isto nos deve ajudar a vê-las também nos outros, para endossar o mal, mas por equidade, para não sermos incompreensivos, injustos. Por certo, devemos ter a coragem de contestar e criticar quem se aproveita da posição – civil, social, religiosa – para explorar, fazer favoritismo, faltando a deveres precisos, como olhar o bem comum, ser força para os fracos, sustento para os enfermos e infelizes, reconduzir os dispersos, buscar os que se afastaram... Se certa juventude causa lástima hoje, que culpa não caberá aos que deviam ser guias sábios e bons? Olhemos para Jesus o bom pastor: ele é e deve ser nosso guia e modelo!  [Liturgia Cotidiana, Paulus, 1997]

 

Salmo: 22(23), 1-3a.3b-4.5.6 (R/.1) 
O Senhor é o pastor que me conduz, não me falta coisa alguma

 

O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa alguma. Pelos prados e campinas verdejantes ele me leva a descansar. Para as águas repousantes me encaminha, e restaura as minhas forças.

 

Ele me guia no caminho mais seguro, pela honra do seu nome. Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei. Estais comigo com bastão e com cajado, eles me dão a segurança!

 

Preparais à minha frente uma mesa, bem à vista do inimigo; com óleo vós ungis minha cabeça, e o meu cálice transborda.

 

Felicidade e todo bem hão de seguir-me, por toda a minha vida; e, na casa do Senhor; habitarei pelos tempos infinitos.

 

 

Evangelho: Mateus (Mt 20, 1-16a)
Os trabalhadores da vinha

 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos esta parábola: 1"O Reino dos Céus é como a história do patrão que saiu de madrugada para contratar trabalhadores para a sua vinha. 2Combinou com os trabalhadores uma moeda de prata por dia, e os mandou para a vinha. 3As nove horas da manhã, o patrão saiu de novo, viu outros que estavam na praça, desocupados, 4e lhes disse: 'Ide também vós para a minha vinha! E eu vos pagarei o que for justo'. 5E eles foram. O patrão saiu de novo ao meio-dia e às três horas da tarde, e fez a mesma coisa. 6Saindo outra vez pelas cinco horas da tarde, encontrou outros que estavam na praça, e lhes disse: 'Por que estais aí o dia inteiro desocupados?' 7Eles responderam: 'Porque ninguém nos contratou'. O patrão lhes disse: 'Ide vós também para a minha vinha'. 8Quando chegou a tarde, o patrão disse ao administrador: 'Chama os trabalhadores e paga-lhes uma diária a todos, começando pelos últimos até os primeiros!' 9Vieram os que tinham sido contratados às cinco da tarde e cada um recebeu uma moeda de prata. 10Em seguida vieram os que foram contratados primeiro, e pensavam que iam receber mais. Porém, cada um deles também recebeu uma moeda de prata.

 

11Ao receberem o pagamento, começaram a resmungar contra o patrão: 12'Estes últimos trabalharam uma hora só, e tu os igualaste a nós, que suportamos o cansaço e o calor o dia inteiro'. 13Então o patrão disse a um deles: 'Amigo, eu não fui injusto contigo. Não combinamos uma moeda de prata? 14Toma o que é teu e volta para casa! Eu quero dar a este que foi contratado por último o mesmo que dei a ti. 15Por acaso não tenho o direito de fazer o que quero com aquilo que me pertence? Ou estás com inveja, porque estou sendo bom?' 16aAssim, os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos". Palavra da Salvação!

 

 

 

 

Comentando o Evangelho

Ide para a minha vinha!

A vinha, no contexto bíblico, simboliza o povo de Israel. Já os profetas serviram-se desta metáfora para falar ao povo. A vinha aponta para a predileção da qual Israel era objeto por parte de Deus. Como o vinhateiro prepara a terra, planta mudas escolhidas, cuida delas com muito carinho e as protege, na esperança de que produzam frutos de qualidade, também Deus, no trato com o seu povo, desdobra-se em atenção para que corresponda ao que espera dele.


Jesus rompeu a concepção de sua época, ensinando que a benevolência divina não era exclusiva de Israel. A vinha de Deus, na verdade, era a humanidade inteira, toda ela destinatária da Boa Nova da salvação e convidada a viver em comunhão com o Pai.


Cessam todos os privilégios tanto de Israel quanto de qualquer outro povo que queira assenhorear-se com exclusividade da vinha, ou seja, do Reino de Deus. Deixa de ter sentido, em termos de garantir a precedência no Reino: a quantidade ou a qualidade do serviço prestado, a antiguidade, as funções e cargos exercidos em favor da comunidade. E até mesmo as diferenças de caráter étnico, cultural, social ou de gênero.


Por se tratar de uma adesão livre e gratuita ao chamado do Senhor do Reino, ninguém tem o direito de exigir recompensa, muito menos de julgar-se merecedor de maior recompensa. Basta-lhe a consciência de saber-se humilde servidor!
[Evangelho Nosso de Cada Dia, Pe. Jaldemir Vitório, ©Paulinas, 1997]

 

Para sua reflexão: Como o dono da vinha, e por livre iniciativa de sua graça, Deus dá a seus filhos e filhas uma recompensa que não mantém proporção com a duração do trabalho. Tal é a resposta de Jesus às pessoas legalistas que viam com maus olhos seu trato amistoso com os arrecadadores de impostos e pecadores. Portanto, na comunidade de Mateus, alguns cristãos de origem judaica não podiam entender que os pagãos, vindos mais tarde, tivessem na Igreja o mesmo reconhecimento que eles. A parábola mostra que se trata de um dom, um presente não merecido, e é igual para todos. Assim é Deus em sua bondade para conosco! (Novo Testamento, Ave-Maria)

 

 

 

São Jacinto

 

 

Celebrado por alguns em dia 15 de agosto, Jacinto é considerado o Apóstolo da Polônia, país onde nasceu. Foi o grande anunciador do Evangelho a povos que ainda o desconheciam, e levou a influência dominicana a diversas regiões, como a Rússia, os Bálcãs, a Prússia e a Lituânia. Ingressou na Ordem Dominicana por volta de 1218, em Roma. Depois, de volta a sua cidade natal, fundou diversos conventos na Polônia, como o convento de Breslau, Sandomir e Dantziga: mais trinta conventos só na Polônia. Em 1228, criou a Ordem Dominicana Polonesa.

 

Para o cristão, o mundo não existe para ser possuído, mas para se descoberto,

acolhido, transformado, compartilhado. (D. Paulo Evaristo Arns)