Quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Sexta Semana do Tempo Comum, Ano Ímpar, 2ª Semana do Saltério (Livro III), cor Verde
Sede o rochedo que me abriga, a casa bem defendida que me salva. Sois minha fortaleza e
minha rocha, para honra do vosso nome, vós me conduzis e alimentais. (Sl 30, 3-4)
Santos do Dia: Bento de Cagliari (monge, bispo), Constábile de Cava (abade), Donato, Secundiano, Rômulo e Companheiros (mártires de Porto Gruaro, perto de Veneza), Evermodo de Ratzeburg (monge, bispo), Faustino e Companheiros (prováveis mártires de Roma), Finan de Iona (bispo), Fintano de Clonenagh (abade), Habet-Deus de Luna (bispo, mártir), Lomano de Trim (bispo), Policrônio (bispo, mártir da Babilônia) , Silvino de Auchy (monge, bispo), Teódulo e Juliano de Cesaréia (mártires), Francisco Régis Clet (mártir da China, bem-aventurado), Frowin de Bellevaux (abade, bem-aventurado), Lucas Belludi (franciscano, bem-aventurado), William Richardson (mártir, bem-aventurado)
Oração: Ó Deus, que prometestes permanecer nos corações sinceros e retos, dai-nos, por vossa graça, viver de tal modo, que possais habitar em nós. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura: Gênesis (Gn 8, 6-13.20-22)
Noé construiu um altar e deu graças ao Senhor
6Passados quarenta dias, Noé abriu a janela, que tinha feito na arca, e soltou um corvo, 7que ficou revoando, até que secassem as águas sobre a terra. 8Soltou, também, uma pomba para ver se as águas tinham baixado sobre a face da terra. 9Mas a pomba, não achando onde pousar, voltou para junto dele na arca; porque as águas ainda cobriam a superfície de toda a terra. Noé estendeu a mão para fora, apanhou a pomba e recolheu-a na arca.
10Esperou, então, mais sete dias e soltou de novo a pomba. 11Pela tardinha, ela voltou, e eis que trazia no bico um ramo de oliveira com as folhas verdes. Assim, Noé compreendeu que as águas tinham cessado de cobrir a terra. 12Esperou ainda sete dias, e soltou a pomba, que não voltou mais. 13Foi no ano seiscentos e um da vida de Noé, no primeiro dia do primeiro mês, que as águas se retiraram da terra. Noé abriu o teto da arca, olhou e viu que toda a superfície da terra estava seca.
20Então Noé construiu um altar ao Senhor e, tomando animais e aves de todas as espécies puras, ofereceu holocaustos sobre o altar. 21O Senhor aspirou o agradável odor e disse consigo mesmo: "Nunca mais tornarei a amaldiçoar a terra por causa do homem, pois as inclinações do seu coração são más desde a juventude. Não tornarei, também, a ferir todos os seres vivos, como fiz. 22Enquanto a terra durar, plantio e colheita, frio e calor, verão e inverno, dia e noite, jamais hão de acabar". Palavra do Senhor!
Comentando a I Leitura[1]
Noé olhou e viu que toda a superfície da terra estava seca
A originalidade desta passagem está na promessa de Deus de não mais castigar de modo semelhante a humanidade e de restabelecer as leis normais da criação. O pecado do homem não impedirá a criação de evoluir para atingir o fim que Deus lhe havia designado. A proposta da aliança (9,9), por parte de Deus, permanece para sempre. O pessimismo radical fica banido. Baseado na fidelidade de Deus como em rocha inabalável, o homem pode e deve entregar-se à reconstrução de sua própria casa e também do mundo.
E um dia o próprio homem será restaurado, com a vinda do Filho de Deus: então será evidente que toda a criação se tornará solidária com esta recriação e voltada para a transfiguração do homem que a habita.
115(116B), 12-13. 14-15. 18-19 (R/. 17a)
Oferto ao Senhor um sacrifício de louvor
Que poderei retribuir ao Senhor Deus por tudo aquilo que ele fez em meu favor? Elevo o cálice da minha salvação, invocando o nome santo do Senhor.
Vou cumprir minhas promessas ao Senhor na presença de seu povo reunido. É sentida por demais pelo Senhor a morte de seus santos, seus amigos.
Vou cumprir minhas promessas ao Senhor na presença de seu povo reunido; nos átrios da casa do Senhor, em teu meio, ó cidade de Sião!
Evangelho: Marcos (Mc 8, 22-26)
O cego ficou curado
Naquele tempo, 22Jesus e seus discípulos chegaram a Betsaida. Algumas pessoas trouxeram-lhe um cego e pediram a Jesus que tocasse nele. 23Jesus pegou o cego pela mão, levou-o para fora do povoado, cuspiu nos olhos dele, colocou as mãos sobre ele, e perguntou: "Estás vendo alguma coisa?" 24O homem levantou os olhos e disse: "Estou vendo os homens. Eles parecem árvores que andam". 25Então Jesus colocou de novo as mãos sobre os olhos dele e ele passou a enxergar claramente. Ficou curado, e enxergava todas as coisas com nitidez. 26Jesus mandou o homem ir para casa e lhe disse: "Não entres no povoado!" Palavra da Salvação!
Comentário do Evangelho[2]
Visão recobrada
A cura do cego teve uma função simbólica na formação dos discípulos. Jesus estava para lhes revelar coisas muito importantes, que exigiriam grande lucidez para serem compreendidas e assimiladas. A cegueira espiritual poderia levá-los a não entender as palavras do Mestre, ou a deturpá-las. A experiência do cego correspondia à experiência que os discípulos também deveriam fazer.
Jesus acolheu a súplica dos que conduziam o cego, pedindo-lhe que o tocasse. Este foi levado para um lugar afastado. Ao cabo de um verdadeiro ritual, Jesus restituiu-lhe a visão, de forma que o homem começou a ver bem todas as coisas, mesmo de longe.
Aos discípulos faltava esta visão perfeita, pois eram ainda incapazes de captar a exata impostação do convite de Jesus para segui-lo. A compreensão que tinham do messianismo não se adequava àquela de Jesus. Esperavam que o Mestre se manifestasse como messias rei, cheio de glória e de poder. Nem de longe podiam imaginar o quanto o projeto de Jesus se distanciava deste modelo messiânico.
Os olhos dos discípulos deveriam ser abertos por Jesus assim como o foram os olhos do cego. Continuar a caminhar como cegos seria uma imprudência. Suas vidas corriam o risco de terminar numa frustrante decepção.
Santa Bernadete Soubirous[3]
Santa Bernadete nasceu em Lourdes, na França, em 1844. Chamava-se Maria Bernarda. Filha de gente simples, mas a educaram dentro dos preceitos da Igreja Católica. Aos treze anos foi viver na pequena povoação. Analfabeta, acostumada aos trabalhos rudes do campo, Bernadete conhecia apenas as principais orações dos cristãos: o pai-nosso, a ave-maria, o credo etc. As aparições tiveram início no dia 11 de fevereiro de 1858, em que Nossa Senhora se proclamava: "Eu sou a Imaculada Conceição".Após as aparições, Bernadete ingressou no Convento das Irmãs de Nevers, onde viveu 13 anos, muitas vezes incompreendida e tratada com dureza pelas superioras e co-irmãs. Acometida de tuberculose, aos poucos consumida por uma cárie óssea. Viveu sua vida em sua cela de freira orando pelas almas das pessoas que ainda não encontraram o caminho de Deus, sempre com humildade e resignação, rezando menos para que a dor que sentia diminuísse e que o Céu lhe dessa paciência e força para suportar calada as provações de Deus. Bernadete morreu no dia 16 de abril de 1879. Morreu pronunciando oração de súplica a Maria: "Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por mim, pobre pecadora" Em 1925, Pio XI proclamou-a bem-aventurada e, em 1937, foi canonizada.
A verdadeira generosidade para com o futuro consistem em dar tudo ao presente. (Albert Gamus)