Quarta-feira, 17 de março de 2010

Quarta Semana da Quaresma - 4ª Semana do Saltério (Livro III) - cor Litúrgica Roxa

 

 

Santos do Dia: Patrício (arcebispo), José de Arimatéia, Martires do Templo de Serápis, Agrícola (bispo), Gertrudes de Nivelles (virgem), Paulo de Chipre, João Sarcandro (beato, mártir), Paulo de Constantinopla, Paula Malatesta (Serva de Deus, franciscana da 2ª ordem)

 

Antífona: A vós, Senhor, minha oração dirijo, no tempo em que me ouvis; respondei-me, ó Deus, com a largueza de vossa misericórdia e com a verdade de vossa salvação. (Sl 68, 14)

 

Oração do Dia: Ó Deus, que recompensais os méritos dos justos e perdoais aos pecadores que fazem penitência, sede misericordioso para conosco. Fazei que a confissão de nossas culpas alcance o vosso perdão. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: Isaías (Is 49, 8-15)

O Cântico do Servo

 

8Isto diz o Senhor: "Eu atendo teus pedidos com favores e te ajudo na obra de salvação; preservei-te para seres elo de aliança entre os povos, para restaurar a terra, para distribuir a herança dispersa; 9para dizer aos que estão presos: 'Saí!' e aos que estão nas trevas: 'Mostrai-vos'. E todos se alimentam pelas estradas e até nas colinas estéreis se abastecem; 10não sentem fome nem sede, não os castiga nem o calor nem o sol, porque o seu protetor toma conta deles e os conduz às fontes da água. 11Farei de todos os montes uma estrada e os meus caminhos serão nivelados.

 

12Eis que estão vindo de longe, uns chegam do norte e do lado do mar, e outros, da terra de Sinim. 13Louvai, ó céus, alegra-te, terra; montanhas, fazei ressoar o louvor, porque o Senhor consola o seu povo e se compadece dos pobres.

 

14Disse Sião: 'O Senhor abandonou-me, o Senhor esqueceu-se de mim!' 15Acaso pode a mulheres esquecer-se do filho pequeno, a ponto de não ter pena do fruto de seu ventre? Se ela se esquecer, eu, porém, não me esquecerei de ti". Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

Preservei-te para seres elo de aliança entre os povos

 

Há um tempo particular; no qual Deus decide intervir. Esta intervenção, apesar das aparências, não estará na ordem da providência "normal", pela qual Deus "dá o sustento a todos os que lho podem" e enche de bênçãos todo ser vivo. Israel distingue-se dos outros povos, não porque receba mais do que eles os bens da terra. A terra de Israel não deixa nunca de ser uma terra "prometida". Israel faz experiência exatamente de ser o guarda dessa promessa. Muitas vezes, as profecias alongam-se em descrever os bens que serão dados a Israel, mas estes bens são como o sal que o pastor promete à ovelha, para trazê-la consigo por montes e vales rumo ao pasto. Este jogo de sempre prometer sal e de tê-lo sempre em mãos pode parecer em certos momentos uma zombaria, mas ai das ovelhas se o jogo cessasse! Ai delas se o pastor se desinteressasse pelo rebanho! Isto não acontecerá. O Senhor não se esquece. O Senhor está perto (Salmo). Deus tira Israel de sua tranquilidade para depois caminhar à sua frente. Ao segui-lo. Israel vê o próprio caminho e torna-se livre. [MISSAL COTIDIANO. ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 144 (145), 8-9.13cd-14.17-18 (R/.8a)

Misericórdia e piedade é o Senhor

 

8Misericórdia e piedade é Senhor, ele é amor, é paciência, e compaixão. 9O Senhor é muito bom para com todos, sua ternura abraça toda criatura.

 

13cO Senhor é amor fiel em sua palavra, 13dé santidade em toda obra que ele faz. 14Ele sustenta todo aquele que vacila e levanta todo aquele que tombou.

17É justo o Senhor em seus caminhos, é santo em toda obra que ele faz. 18Ele está perto da pessoa que o invoca, de todo aquele que o invoca lealmente.

 

 

Evangelho: João (Jo 5, 17-30)

Discurso sobre a obra do Filho

 

Naquele tempo, 17Jesus respondeu aos judeus: "Meu Pai trabalha sempre, portanto também eu trabalho". 18Então, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque, além de violar o sábado, chamava Deus o seu Pai, fazendo-se, assim, igual a Deus.

 

19Tomando a palavra, Jesus disse aos judeus: "Em verdade, em verdade vos digo, o Filho não pode fazer nada por si mesmo; ele faz apenas o que vê o Pai fazer. O que o Pai faz, o Filho o faz também. 20O Pai ama o Filho e lhe mostra tudo o que ele mesmo faz. E lhe mostrará obras maiores ainda, de modo que ficareis admirados. 21Assim como o Pai ressuscita os mortos e lhes dá a vida, o Filho também dá a vida a quem ele quer. 22De fato, o Pai não julga ninguém, mas ele deu ao Filho o poder de julgar, 23para que todos honrem o Filho, assim como honram o Pai. Quem não honra o Filho, também não honra o Pai que o enviou.

 

24Em verdade, em verdade vos digo, quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou, possui a vida eterna. Não será condenado, pois já passou da morte para a vida. 25Em verdade, em verdade, eu vos digo: está chegando a hora, e já chegou, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus e os que a ouvirem, viverão. 26Porque, assim como o Pai possui a vida em si mesmo, do mesmo modo concedeu ao Filho possuir a vida em si mesmo. 27Além disso, deu-lhe o poder de julgar, pois ele é o Filho do Homem.

 

28Não fiqueis admirados com isso, porque vai chegar a hora, em que todos os que estão nos túmulos ouvirão a voz do Filho e sairão: 29aqueles que fizeram o bem, ressuscitarão para a vida; e aqueles que praticaram o mal, para a condenação. 30Eu não posso fazer nada por mim mesmo. Eu julgo conforme o que escuto, e meu julgamento é justo, porque não procuro fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou". Palavra da Salvação!

 

 

Comentário do Evangelho

Procuravam matá-lo

 

O ódio crescente contra Jesus e a decisão de matá-lo tinha uma razão bem clara: sua pretensão de fazer-se igual a Deus. Isto se deduzia da liberdade com que trabalhava em dia de sábado. Segundo a teologia da época, só Deus trabalha em dia de sábado para garantir a subsistência da criação e da vida sobre a face da Terra. Os sinais realizados por Jesus, em dia de sábado, tinham características semelhantes, pois estavam estreitamente relacionados com a recuperação da vida.


Nos seus ensinamentos, Jesus jamais chamou-se de “Deus”. De fato, sempre falou do Pai, a cuja vontade estava submetido, do qual viera e para o qual voltaria, que o enviou com a missão de restaurar a existência humana corrompida pelo pecado. Sua palavra era perpassada pela consciência de ser Filho. Nunca pretendeu usurpar o lugar do Pai; antes, soube colocar-se no seu devido lugar até o último momento, quando exclamou: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito!”.


Jesus, porém, tinha consciência de ser o caminho de encontro com o Pai. Quem acolhesse suas palavras, estaria acolhendo as palavras do Pai. Crer nele comportava crer no Pai. Honrá-lo corresponderia a honrar o Pai. Pelo contrário, rejeitá-lo significava rejeitar o Pai.


A teologia rígida dos adversários de Jesus não podia suportar tamanha ousadia. A decisão de matá-lo foi o expediente extremo para eliminar uma pessoa incômoda. [O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Jaldemir Vitório, ©Paulinas]

 

Para sua reflexão: Jesus identifica a sua própria atividade com a do soberano Juiz, daí a indignação dos judeus que não consideravam que Jesus e Deus eram iguais. É próprio do Filho, por ser homem, julgar ou pronunciar sentença contra os que não creram e agiram mal, por delegação do Pai. Jesus, como homem e segundo a visão de Daniel (Dn 78,14), recebe do Pai o poder de julgar em última instância, no juízo definitivo, ao qual deverão comparecer todos: uns para a vida, outros para a condenação. Quem entende um pouco o mistério da Santíssima Trindade não terá dificuldades de entender que o Filho e o Pai são a mesma coisa.

 

São Patrício

 

Aos 16 anos de idade foi preso por piratas irlandeses e vendido como escravo na Ilha. Após seis anos, conseguindo escapar, foi recebido pelo seu parente monge, no Mosteiro de Marmontier, centro de difusão da vida monástica na França. Mais tarde partiu para Lerins e acolhido por Germano de Auxerre, partiu com ele para uma missão apostólica na Inglaterra. Sentia vocação para evangelizar os irlandeses. Consagrado Bispo, partiu para a Ilha no ano 432, com a idade aproximada de cinquenta anos. Sem apoio político, conseguiu a conversão da Irlanda, a primeira terra não romanizada, não incorporada ao cristianismo. A partir de 423, tudo mudou, pela pregação de são Patrício, num prazo tão breve que na sua morte, trinta anos após, sua missão estava praticamente concluída. Ali fundou vários mosteiros, alicerce da evangelização, o qual a Inglaterra e depois os germanos do Norte aderiram construir em seus países: os filhos e filhas dos reis tinham se convertido em monges e virgens consagradas a Cristo e inumeráveis foram os que os seguiram. Essa Ilha se converteu em lugar da difusão missionária de toda Europa setentrional.

 

 

O que morre pela fé triunfa; se vivesse sem a fé, seria derrotado. (S. Maximo de Turin)

 

A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos. (Charles Chaplin)