Quarta-feira, 16 de junho de 2010

11ª Semana do Tempo Comum, 3ª do Saltério (Livro III),  cor Litúrgica Verde

 

Santos: Nossa Senhora do Carmo (ou N.Srª do Monte Carmelo), Maria Madalena Postel, Vitalino, Hilarino, Atenogênio (bispo de Sebaste, na Armênia), Sisenando (Córdova), Bartolomeu dos Mártires

 

Antífona: Ouvi, Senhor, a voz do meu apelo, tende compaixão de mim e atendei-me; vós sois meu protetor, não me deixeis; não me abandoneis, ó Deus, meu salvador! (Sl 26, 7.9)

 

Oração: Ó Deus, força daqueles que esperam em vós, sede favorável ao nosso apelo e, como nada podemos em nossa fraqueza, dai-nos sempre o socorro da vossa graça, para que possamos querer e agir conforme vossa vontade, seguindo os vossos mandamentos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: I Reis (2Rs 2,1.6-14)
Eliseu foi o herdeiro da santidade de Elias

 

1Quando o Senhor quis arrebatar Elias ao céu, num redemoinho, Elias e Eliseu partiram de Guilgal. 6Tendo chegado a Jericó, Elias disse a Eliseu: “Permanece aqui, porque o Senhor me mandou até o Jordão”. E ele respondeu: “Pela vida do Senhor e pela tua, eu não te deixarei”. E partiram os dois juntos.


7Então, cinqüenta dos filhos dos profetas os seguiram, e ficaram parados, à parte, a certa distância, enquanto eles dois chegaram à beira do Jordão. 8Elias tomou então o seu manto, enrolou-o e bateu com ele nas águas, que se dividiram para os dois lados, de modo que ambos passaram a pé enxuto. 9Depois que passaram, Elias disse a Eliseu: “Pede o que queres que eu te faça antes de ser arrebatado da tua presença”.  Eliseu disse: “Que me seja dada uma dupla porção do teu espírito”.


10Elias respondeu: “Tu pedes uma coisa muito difícil. Se me vires quando me arrebatarem da tua presença, isso te será concedido; caso contrário, isso não te será dado”. 11E aconteceu que, enquanto andavam e conversavam, um carro de fogo e cavalos de fogo os separaram um do outro, e Elias subiu ao céu num redemoinho.


12Eliseu o via e gritava: “Meu pai, meu pai, carro de Israel e seu condutor!” Depois, não o viu mais. E, tomando as vestes dele, rasgou-as em duas. 13Em seguida, apanhou o manto que Elias tinha deixado cair e, voltando sobre seus passos, estacou à margem do Jordão.


14Tomou então o manto de Elias e bateu com ele nas águas dizendo: “Onde está agora o Deus de Elias?” E bateu nas águas, que se dividiram, para os dois lados, e Eliseu atravessou o rio.
Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a 1ª Leitura

Num carro de fogo, Elias subiu ao céu

 

Muitas vezes se fala, nas comemorações oficiais, em “recolher a herança espiritual” de uma personagem. Não é trabalho que se realiza com belos discursos, ou publicando em volumes os atos e ditos do herói.

 

Uma herança espiritual compromete. Trata-se de “ser” aquele a quem se sucede, não de “ter alguma coisa” dele. É instintivo o desejo de permanecer, de ser lembrado. Quantos monumentos, lápides ou túmulos não são testemunho disto! Só o Senhor permanece, lembram-nos constantemente os Salmos. O que está em Deus fica. Os santos ficam, ou antes, fica o que Deus operou neles. Nem todos somos herdeiros de santos, como Eliseu. A primeira maneira de recolher sua herança é permitir a Deus, como nossa disponibilidade, operar em nós como o fez neles.

 

“Quem vive e crê em mim, não morrerá nunca. Crês isto?” (Jo 11, 26). Da resposta – não em nível de idéias mas de vida – depende, de instante a instante, a permanência do que fazemos. [Missal Cotidiano – Missal da Assembleia Cristã, ©Paulus, 1987]

 

Salmo: 30 (31), 20.21.24 (R/. 25)

Fortalecei os corações, vós que ao Senhor vos confiais!

 

Como é grande, ó Senhor, vossa bondade, que reservastes para aqueles que vos temem! Para aqueles que em vós se refugiam, mostrando, assim, o vosso amor perante os homens. 



Na proteção de vossa face os defendeis bem longe das intrigas dos mortais. No interior de vossa tenda os escondeis, protegendo-os contra as línguas maldizentes.


Amai o Senhor Deus, seus santos todos, ele guarda com carinho seus fiéis, mas pune os orgulhosos com rigor.
 
 

Evangelho: Mateus (Mt 6, 1-6.16-18)
Amai os vossos inimigos

 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 1“Ficai atentos para não praticar a vossa justiça na frente dos homens, só para serdes vistos por eles. Caso contrário, não recebereis a recompensa do vosso Pai que está nos céus. 2Por isso, quando deres esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem elogiados pelos homens. Em verdade vos digo: eles já receberam a sua recompensa. 3Ao contrário, quando deres esmola, que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua mão direita, 4de modo que, a tua esmola fique oculta. E o teu Pai, que vê o que está oculto, te dará recompensa.


5Quando orardes, não sejais como os hipócritas, que gostam de rezar em pé, nas sinagogas e nas esquinas das praças, para serem vistos pelos homens. Em verdade, vos digo: eles já receberam a sua recompensa. 6Ao contrário, quando tu orares, entra no teu quarto, fecha a porta, e reza ao teu Pai que está oculto. E o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa.


16Quando jejuardes, não fiqueis com o rosto triste como os hipócritas. Eles desfiguram o rosto, para que os homens vejam que estão jejuando. Em verdade, vos digo: Eles já receberam a sua recompensa.


17Tu, porém, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto, 18para que os homens não vejam que estás jejuando, mas somente teu Pai, que está oculto. E o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa”. Palavra da Salvação!

 

 

Comentando o Evangelho

Obras de piedade

 

A religião judaica dava grande importância à esmola, à oração e ao jejum como práticas de piedade, embora não fossem expressamente prescritas pela Lei.


Os discípulos de Jesus, enquanto herdeiros da tradição judaica, tinham consciência do valor destas práticas como forma de expressar uma relação profunda com o próximo (esmola), com Deus (oração) e consigo mesmo (jejum). O cuidado de Jesus visava orientá-los sobre a maneira correta de praticá-las. A preocupação do Mestre ia além dessas três práticas tradicionais de piedade. Ele queria ensinar os seus discípulos como ser piedoso.


Existe uma maneira de ser piedoso com a preocupação de ser visto e louvado pelos outros. Era a preocupação própria dos hipócritas e exibidos. Mas existe também, outro modo de ser piedoso, que consiste em colocar-se em profunda comunhão com o Pai, que vê as coisas ocultas, e reconhece a sinceridade de coração de quem pretende ser-lhe agradável.


"Agir em segredo" não é o mesmo que fazer "ações secretas". Mesmo quando age em público, o coração do discípulo está centrado no Pai, e só a ele procura agradar. Eventuais recompensas humanas são irrelevantes para ele, comparadas com as que o Pai lhe reserva. [Evangelho Nosso de Cada Dia, Pe. Jaldemir Vitório, ©Paulinas, 1997]

 

Para sua reflexão: Tal como na maioria das religiões, as boas obras quer dizer justiça, ou seja, a observância das três práticas fundamentais: a esmola, a oração e o jejum, desde que feitas sem ostentação. Jesus critica os que fazem grande exibição de sua caridade, através da esmola, por meio da imagem da trombeta sendo tocada. Hoje em dia isso infelizmente ainda ocorre, por exemplo, quando grandes campanhas de arrecadação de alimentos são destinadas às crises localizadas, como se o povo carente só necessitasse do alimento nesses períodos pontuais, uma vez que a fome pode está sempre às portas dos mais necessitados praticamente o ano todo. Para muitos, o que vale é a repercussão da mídia! Sobre a oração o comportamento a ser evitado é fazer um espetáculo público de si mesmo na oração, afinal ela não é dirigida a outro pecador, mas a Deus em favor do primeiro e das necessidades pessoais e comunitárias, sem alarde, mas com muita fé. Já sobre o jejum havia dias especiais designados para essa prática no calendário judaico e os fariseus piedosos jejuavam dois dias por semana. O que se critica não é o jejum em si, é claro, mas da forma como é feito através de uma exibição hipócrita. Aqui segue-se o exemplo da oração: o jejum é destinado a Deus, de forma discreta e com plena fé. O que o Evangelho do dia sugere é que melhoremos a qualidade das nossas práticas de fé para que Deus possa nos atender. Paz e Bem!

 

Santa Julita e São Ciro

 

Julita vivia na cidade de Icônio, na Licaônia, atualmente Turquia. Ela era uma senhora riquíssima, da alta aristocracia e cristã, que se tornara viúva logo após ter dado à luz um menino. Ele foi batizado com o nome de Ciro, mas também atendia pelo diminutivo Ciríaco ou Quiríaco. Tinha três anos de idade quando o sanguinário imperador Diocleciano começou a perseguir, prender e matar cristãos.


Julita, levando o filhinho Ciro e algumas servidoras, fugiu para a Selêucia e, em seguida, para Tarso, mas ali acabou presa. O governador local, um cruel romano chamado Alexandre, tirou-lhe o filho dos braços e passou a usá-lo como um elemento a mais para sua tortura. Colocou-o sentado sobre seus joelhos, enquanto submetia Julita ao flagelo na frente do menino, com o intuito de que renegasse a fé em Cristo.


Como ela não obedeceu, os castigos aumentaram. Foi então que o pequenino Ciro saltou dos joelhos do governador, começou a chorar e a gritar junto com a mãe: "Também sou cristão! Também sou cristão!" Foi tamanha a ira do governador que ele, com um pontapé, empurrou Ciro violentamente, fazendo-o rolar pelos degraus do tribunal, esmigalhando-lhe, assim, o crânio.


Conta-se que Julita ficou imóvel, não reclamou, nem chorou, apenas rezou para que pudesse seguir seu pequenino Ciro no martírio e encontrá-lo, o mais rápido possível, ao lado de Deus. E foi o que aconteceu. Julita continuou sendo brutamente espancada e depois foi decapitada. Era o ano 304.


Os corpos foram recolhidos por uma de suas fiéis servidoras e sepultados num túmulo que foi mantido oculto até que as perseguições cessassem. Quando isso aconteceu, poucos anos depois, o bispo de Icônio, Teodoro, resolveu, com a ajuda de testemunhas da época e documentos legítimos, reconstruir fielmente a dramática história de Julita e Ciro. E foi assim, pleno de autenticidade, que este culto chegou aos nossos dias.


Ciro tornou-se o mais jovem mártir do cristianismo, precedido apenas dos santos mártires inocentes, exterminados pelo rei Herodes em Belém . Por isso é considerado o santo padroeiro das crianças que sofrem de maus-tratos. A festa de santa Julita e de são Ciro é celebrada pela Igreja no dia 16 de junho, em todo o mundo católico.
[paulinas.org.br]

 

Não dês a amigos os conselhos mais agradáveis, mas os mais úteis. (Sólon)