Quarta-feira, 16 de março de 2011

Primeira Semana da Quaresma - 1ª Semana do Saltério (Livro III) - cor Litúrgica Roxa

 

 

Santos: Vicente Ferrer, Derfel Gadarn, Etelburga de Lyminge (matrona), Geraldo de Sauve-Majeure (abade), Alberto de Montecorvino (bispo), Juliana de Monte Cornillon (virgem e beata), Crescência de Kaufbeuren (virgem e beata franciscana da 3ª ordem), Catarina Tomás, Zeno, João de Penna (bem aventurado, confessor franciscano da 1ª ordem)

 

Antífona: Lembrai-vos de vossa misericórdia e de vosso amor, pois são eternos. Nossos inimigos são triunfem sobre nós; libertai-nos, ó Deus, de toda angústia! (Sl 24,6.3.22)

 

Oração: Considerai, ó Deus, com bondade o fervor do vosso povo. E, enquanto mortificamos o corpo, sejamos espiritualmente fortalecidos pelos frutos das boas obras. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

I Leitura: Jonas (Jn 3, 1-10)

Conversão de Nínive e perdão divino

 

1A palavra do Senhor foi dirigida a Jonas, pela segunda vez: 2"Levanta-te e põe-te a caminho da grande cidade de Nínive e anuncia-lhe a mensagem que eu te vou confiar".

 

3Jonas pôs-se a caminho de Nínive, conforme a ordem do Senhor. Ora, Nínive era uma cidade muito grande; eram necessários três dias para ser atravessada. 4Jonas entrou na cidade, percorrendo o caminho de um dia; pregava ao povo, dizendo: "Ainda quarenta dias, e Nínive será destruída". 5Os ninivitas acreditaram em Deus; aceitaram fazer jejum, e vestiram sacos, desde o superior ao inferior. 6A pregação chegara aos ouvidos do rei de Nínive; ele levantou-se do trono e pôs de lado o manto real, vestiu-se de saco e sentou-se em cima de cinza.

 

7Em seguida, fez proclamar, em Nínive, como decreto do rei e dos príncipes: "Homens e animais bovinos e ovinos não provarão nada! Não comerão e não beberão água. 8Homens e animais se cobrirão de sacos, e os homens rezarão a Deus com força; cada um deve afastar-se do mau caminho e de suas práticas perversas. 9Deus talvez volte atrás, para perdoar-nos e aplacar sua ira, e assim não venhamos a perecer".

 

10Vendo Deus as suas obras de conversão e que os ninivitas se afastavam do mau caminho, compadeceu-se e suspendeu o mal, que tinha ameaçado fazer-lhes, e não o fez. Palavra do Senhor!

 

Comentando a I Leitura

Os ninivitas se afastavam do mau caminho

 

Se nos pusermos do lado de Jonas, deveremos recordar que Nínive, isto é, o mundo, os outros, os não cristãos, estão dentro dos confins do amor de Deus; que Deus não quer condená-los, mas salvá-los; que Deus "vela paternalmente sobre todos, quis que todos os homens constituíssem uma só família e se tratassem mutuamente como irmãos" (GS 24). O livro de Jonas exorta o povo de Deus a não se dobrar sobre si mesmo, não se fecha'; pensando ser a comunidade dos salvos, talvez perseguida pelos demais. Os cristãos foram escolhidos por Deus, não para um privilégio, e sim para um serviço. Fomos escolhidos por ele para testemunhar uma salvação oferecida a todos. No contexto da Quaresma, esta leitura é convite a colocarmo-nos do lado dos ninivitas. O Senhor está no meio de nós e nos concede quarenta dias para fazermos penitência. Os habitantes de Nínive acolheram a palavra de Deus e converteram-se. Só poderemos proclamar o convite à conversão se pudermos dar testemunho de que ela tem significado para nós. [Extraído do MISSAL COTIDIANO,  ©Paulus, 1997]

 

Salmo: 50(51), 3-4.12-13.18-19 (R/.19b)
Ó Senhor, não desprezeis um coração arrependido!

 

1Tende piedade, ó meu Deus, misericórdia! Na imensidão de vosso amor, purificai-me! 4Lavai-me todo inteiro do pecado, e apagai completamente a minha culpa!

 

12Criai em mim um coração que seja puro, dai-me de novo um espírito decidido. 13Ó Senhor, não me afasteis de vossa face, nem retireis de mim o vosso Santo Espírito!

 

18Pois não são de vosso agrado os sacrifícios, e, se oferto um holocausto, o rejeitais. 19Meu sacrifício é minha alma penitente, não desprezeis um coração arrependido!

 

 

Evangelho: Lucas (Lc 11, 29-32)

O sinal de Jonas

 

Naquele tempo, 29quando as multidões se reuniram em grande quantidade, Jesus começou a dizer: "Esta geração é uma geração má. Ela busca um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal de Jonas. 30Com efeito, assim como Jonas foi um sinal para os ninivitas, assim também será o Filho do homem para esta geração. 31No dia do julgamento, a rainha do sul se levantará juntamente com os homens desta geração e os condenará. Porque ela veio de uma terra distante para ouvir a sabedoria de Salomão. E aqui está quem é maior do que Salomão. 32No dia do julgamento, os ninivitas se levantarão juntamente com esta geração e a condenarão. Porque eles se converteram quando ouviram a pregação de Jonas. E aqui está quem é maior do que Jonas". Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas: Mt 12,38-42; Mc 8,11-12

 

 

Comentando o Evangelho

O Sinal de Jonas

 

A geração do tempo de Jesus era malvada e incrédula. Ora, pede sinais, mas não considera aqueles que são apresentados. Jonas não havia feito milagres em Nínive; a presença e pregação de um profeta israelita na metrópole pagã foi sinal suficiente para o arrependimento e o perdão. Por outro lado o sinal está aí: a pessoa, os ensinamentos e os milagres de Jesus. Os pagãos acusarão os judeus incrédulos que rejeitaram Jesus, mais que profeta e mais que mestre dos sábios. Assim acontece ainda hoje: a incredulidade existe, inclusive entre irmãos da mesma fé cristã, embora estejam teoricamente em nosso convívio. Ter fé não é uma questão de teoria, mas de pura prática. (Everaldo Souto Salvador, ofs)

 

Aqui se amplia e se ilustra melhor a resposta de Jesus aos que lhe pediam sinais milagrosos; esses sinais não suscitam a fé, alimentam a curiosidade. Os sinais ou milagres de Jesus implicam uma atitude de fé porque é só a partir dela que o crente pode descobrir e entender uma ação divina; por isso Jesus chama perversa “esta geração”, seus adversários, que jamais poderão descobrir a ação divina em Jesus, em suas palavras e sinais porque, estando cheios de si mesmos, não deixaram o mínimo espaço para Deus. (Novo Testamento, Edição de Estudos)

 

 

Oração da assembleia: (Liturgia Diária)

-Pela conversão daqueles que se encontram distantes de Deus, rezemos. Ouvi-nos, Senhor!

-Pela perseverança daqueles que buscam viver retamente, rezemos.

-Pelas pastorais que trabalham pelo crescimento da comunidade, rezemos.

-Pelas iniciativas de combate à violência e à injustiça social, rezemos.

-Pelos anunciadores do evangelho nas cidades e nas missões, rezemos.

(preces espontâneas)

 

Oração sobre as Oferendas:

Nós vos ofertamos, ó Deus, estes dons que nos destes para oferecer-vos. E, assim como os tornais para nós um sacramento, sejam também remédio para a vida eterna. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Senhor, alegrem-se todos os que em vós confiam e exultem eternamente aqueles que protegeis. (Sl 5,12)

 

Oração Depois da Comunhão:

Senhor nosso Deus, que não cessais de nos alimentar com os vossos sacramentos, concedei que esta refeição nos alcance a vida eterna. Por Cristo, nosso Senhor.

 

São Babriel Lalemant

 

Nasceu no seio de uma distinta família e ocultava uma alma generosa e ardente, sob um aspecto frágil. Entrou na Companhia de Jesus em 1630 e pediu para ser enviado às missões da Nova Franca, antigo nome do Canadá. Pediu permissão de seus superiores para empregar toda sua vida a serviço dos indígenas, mas foi ordenado padre e enviado para ensinar no colégio de Moulins e depois no de Bugres. Em 1646 pode realizar seu maior desejo e em 20 de setembro chegou a Quebec. Seu tio, o qual era padre e superior de toda a missão, conhecendo a natureza frágil e sensível do sobrinho, reteve-o na cidade por dois anos até conceder-lhe um companheiro, o Pe. João Brébeuf, enviando-os a aldeia de Santo Inácio, Hurânia. Assim que chegou aplicou-se a aprender a difícil língua e fez tamanho progresso que não duvidaram que Deus quisesse realmente servir-se dele naquele lugar; Após um ano (1649) os iroqueses martirizam por horas a fio o pe. Brébeuf e depois, ainda mais cruelmente, o pe. Gabriel Lalemant, as 6 h da tarde, prolongando-se por toda a noite até a manhã seguinte nas mias cruéis torturas. Em meio as terríveis dores, Gabriel levantava seus olhos para os céus pedindo força e perseverança. Quando os carrascos viram-no a rogar aos céus, arrancaram-lhe os olhos e colocaram carvões ardentes nas órbitas vazias. Por volta das 9 h da manhã, um selvagem cansado de vê-lo sofrer, esmagou-lhe a cabeça com um golpe de machado, abriu-lhe o peito, tirou-lhe o coração e bebeu o seu sangue: uma forma bárbara de "apropriar-se" da coragem da vítima. Pe. Gabriel foi um dos oito jesuítas a ser morto pelos iroqueses.

 

 

A grande tentação

Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo

 

Falar em “tentação” e ”pecado”, parece discurso fora de época; na linguagem corrente, esses conceitos acabam sendo referidos a coisas algo inconsequentes e infantis, despertando mais sorrisinhos do que preocupação e reflexão séria: tentação de comer um doce, de comprar isso ou aquilo, de ir ao estádio... Cometer um pecadinho, um pecadão!  Nada que se leve muito sério.

 

Acontece que só faz sentido falar de tentação e de pecado quando se tem uma visão religiosa do mundo e da vida, ou seja, quando se leva Deus a sério. O papa Bento XVI recordou isso, falando ao povo na Praça de São Pedro no domingo passado: "Quando se elimina Deus do horizonte do mundo, não se pode falar de pecado. Como o desaparecimento do sol faz desaparecerem as sombras - a sombra só aparece quando há sol -, assim, o eclipse de Deus leva necessariamente ao eclipse do pecado".

 

A Quaresma nos convida a refletir sobre tentação e pecado a partir da nossa fé e das nossas relações com Deus, com o próximo e com o mundo. No primeiro domingo da Quaresma lemos a passagem bíblica que fala da tentação e do pecado de Adão e Eva no paraíso (cf Gn 2,7-9; 3,1-7). Nada de maçã; o tentador promete coisa bem diferente e muito séria! Primeiro, leva a desconfiar de Deus e a pensar que Ele trapaceia com o homem (“Deus não quer que vocês sejam como ele...”); a seguir, mexe com a soberba do homem: “sereis iguais a Deus!” Nossos primeiros pais caíram na tentação, foram enganados e perceberam logo que, ao invés de deuses, eram frágeis criaturas. Sua consciência os acusava e procuraram esconder-se de Deus.

 

O Evangelho desse mesmo domingo nos traz as tentações de Jesus no deserto (cf. Mt 4,1-11). São três, que resumem a grande tentação do homem: deixar Deus fora de sua vida e de sua história e colocar-se no lugar de Deus. Foi também a tentação de Adão e Eva no paraíso. Só que Jesus resistiu ao tentador, não se deixou levar pelos seus enganos e venceu toda tentação com decidida fidelidade a Deus.

 

As propostas que o tentador faz a Jesus são muito sérias: a 1ª. é a tentação do pão, que significa colocar todo o sentido da vida na satisfação das necessidades corporais e materiais, sem buscar a Deus. Jesus alerta: “não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus”. A 2ª. tentação consiste no orgulho diante de Deus,  exigindo dele provas, para satisfazer os caprichos humanos; ou ainda, em colocar Deus “contra a parede”, pretendendo cobrar contas dele. Jesus recorda: “não tentarás o Senhor teu Deus!”. A 3ª. tentação é ainda mais grave e consiste em trocar Deus pelo diabo: “tudo isso te darei se, prostrado diante de mim, me adorares”. Ainda hoje existe a tentação de fazer pacto com o diabo e de se sujeitar aos mandos do espírito do mal para conseguir riqueza, poder, glória e vaidades. Jesus repele o tentador: “retira-te de mim, satanás. Só a Deus deve ser prestado culto”.

 

Não é por acaso que as tentações de Jesus são situadas no deserto: Jesus está jejuando, rezando e vivendo em profunda comunhão com Deus, deixando-se conduzir pelo Espírito Santo. Só se vence a tentação com a força de Deus e com a vontade e os desejos bem educados pela Palavra de Deus. Quem vive longe de Deus não consegue resistir ao tentador.

 

As tentações de Jesus, como todas as nossas, podem ser resumidas numa: optar por Deus, ou deixar Deus de lado, colocando-nos em seu lugar. De fato, a tentação sempre quer levar a desobedecer a Deus, a não aderir à sua vontade e a seus mandamentos; leva a não reconhecer o seu desígnio e a não corresponder ao seu amor. Em lugar disso, o tentador quer induzir o homem a resolver as coisas por sua conta, a se colocar no lugar de Deus: “sereis como deuses!”. Cair na tentação é cometer o pecado, que sempre representa um ato de autossuficiência e de soberba da parte do homem. O pecado se expressa em muitas ações contrárias a Deus e aos seus mandamentos.

 

O fruto do pecado é a confusão introduzida no mundo, na vida pessoal, comunitária e coletiva e nas relações com a natureza. São Paulo ensina que o pecado fez aparecer no mundo a morte; por isso, também a natureza “geme, como em dores de parto, esperando a manifestação da glória dos filhos de Deus” (cf Rm8,22). A Campanha da Fraternidade deste ano recorda as dores da natureza e do nosso planeta Terra, por causa do pecado do homem. O anúncio bom da Quaresma é que o pecado e a morte podem ser superados, na medida em que não nos deixamos enganar pelo tentador, superando o pecado e unindo-nos mais profundamente a Cristo. [CNBB]

 

 

A humildade nada mais é do que a caminhada para a verdade. (Sta. Teresinha do Menino Jesus)

 

Aconteceu no dia 15 de março (596 a.C.): Os babilônios capturam Jerusalém e substituem Jeconias por Sedecias como rei