Quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Sexta Semana do Tempo Comum, Ano Ímpar, 2ª Semana do Saltério, Livro III, cor Verde

 

Hoje: Dia do Repórter

 

Santos: Agano de Airola (abade), Elias, Jeremias, Isaías, Samuel e Daniel (mártires de Cesaréia Marítima), Faustino de Brescia (bispo), Gilberto de Sempringham (fundador), Honesto de Nîmes (mártir), João de Santo Domingo (mártir), Juliana de Nicomédia (virgem, mártir), Juliano do Egito e Companheiros (mártires), Onésimo (bispo, mártir, amigo do Apóstolo Paulo, citado por ele na Carta a Filêmon 1,18-19 e aos Colossenses 4,7-9), Porfírio e Selêucio (mártires de Cesaréia), Bernardo Scammacca (dominicano, bem-aventurado), Filipa Mareria (clarissa, bem-aventurada), José Allamano (presbítero, bem-aventurado), Nicolau Plagia (presbítero, bem-aventurado), Simão de Cássia (presbítero, bem-aventurado)

 

Antífona: Sede o rochedo que me abriga, a casa bem defendida que me salva. Sois minha fortaleza e minha rocha; para honra do vosso nome, vós me conduzis e alimentais. (Sl 30, 3-4)

 

Oração: Ó Deus, que prometestes permanecer nos corações sinceros e retos, dai-nos, por vossa graça, viver de tal modo, que possais habitar em nós. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

Leitura: Gênesis (Gn 8, 6-13.20-22)

Noé construiu um altar e deu graças ao Senhor

 

6Passados quarenta dias, Noé abriu a janela, que tinha feito na arca, e soltou um corvo, 7que ficou revoando, até que secassem as águas sobre a terra. 8Soltou, também, uma pomba para ver se as águas tinham baixado sobre a face da terra. 9Mas a pomba, não achando onde pousar, voltou para junto dele na arca; porque as águas ainda cobriam a superfície de toda a terra. Noé estendeu a mão para fora, apanhou a pomba e recolheu-a na arca.

 

10Esperou, então, mais sete dias e soltou de novo a pomba. 11Pela tardinha, ela voltou, e eis que trazia no bico um ramo de oliveira com as folhas verdes. Assim, Noé compreendeu que as águas tinham cessado de cobrir a terra. 12Esperou ainda sete dias, e soltou a pomba, que não voltou mais. 13Foi no ano seiscentos e um da vida de Noé, no primeiro dia do primeiro mês, que as águas se retiraram da terra. Noé abriu o teto da arca, olhou e viu que toda a superfície da terra estava seca.

 

20Então Noé construiu um altar ao Senhor e, tomando animais e aves de todas as espécies puras, ofereceu holocaustos sobre o altar. 21O Senhor aspirou o agradável odor e disse consigo mesmo: "Nunca mais tornarei a amaldiçoar a terra por causa do homem, pois as inclinações do seu coração são más desde a juventude. Não tornarei, também, a ferir todos os seres vivos, como fiz. 22Enquanto a terra durar, plantio e colheita, frio e calor, verão e inverno, dia e noite, jamais hão de acabar". Palavra do Senhor!

 

Comentando a I Leitura

 

Noé olhou e viu que toda a superfície da terra estava seca

 

A originalidade desta passagem está na promessa de Deus de não mais castigar de modo semelhante a humanidade e de restabelecer as leis normais da criação. O pecado do homem não impedirá a criação de evoluir para atingir o fim que Deus lhe havia designado. A proposta da aliança (9,9), por parte de Deus, permanece para sempre. O pessimismo radical fica banido. Baseado na fidelidade de Deus como em rocha inabalável, o homem pode e deve entregar-se à reconstrução de sua própria casa e também do mundo.

 

E um dia o próprio homem será restaurado, com a vinda do Filho de Deus: então será evidente que toda a criação se tornará solidária com esta recriação e voltada para a transfiguração do homem que a habita. [Extraído do COMENTÁRIO BÍBLICO, Vol. III, ©Edições Loyola, 1997]

 

115(116B), 12-13. 14-15. 18-19 (R/. 17a)

Oferto ao Senhor um sacrifício de louvor

 

Que poderei retribuir ao Senhor Deus por tudo aquilo que ele fez em meu favor? Elevo o cálice da minha salvação, invocando o nome santo do Senhor.

 

Vou cumprir minhas promessas ao Senhor na presença de seu povo reunido. É sentida por demais pelo Senhor a morte de seus santos, seus amigos.

 

Vou cumprir minhas promessas ao Senhor na presença de seu povo reunido; nos átrios da casa do Senhor, em teu meio, ó cidade de Sião!

 

 

Evangelho: Marcos (Mc 8, 22-26)

O cego ficou curado

 

Naquele tempo, 22Jesus e seus discípulos chegaram a Betsaida. Algumas pessoas trouxeram-lhe um cego e pediram a Jesus que tocasse nele. 23Jesus pegou o cego pela mão, levou-o para fora do povoado, cuspiu nos olhos dele, colocou as mãos sobre ele, e perguntou: "Estás vendo alguma coisa?" 24O homem levantou os olhos e disse: "Estou vendo os homens. Eles parecem árvores que andam". 25Então Jesus colocou de novo as mãos sobre os olhos dele e ele passou a enxergar claramente. Ficou curado, e enxergava todas as coisas com nitidez. 26Jesus mandou o homem ir para casa e lhe disse: "Não entres no povoado!" Palavra da Salvação!

 

Leitura paralela: Mt 9, 27-31; 20,29-34; Lc 18,38-43

 

Comentário do Evangelho

Visão recobrada

 

A cura do cego teve uma função simbólica na formação dos discípulos. Jesus estava para lhes revelar coisas muito importantes, que exigiriam grande lucidez para serem compreendidas e assimiladas. A cegueira espiritual poderia levá-los a não entender as palavras do Mestre, ou a deturpá-las. A experiência do cego correspondia à experiência que os discípulos também deveriam fazer.

 

Jesus acolheu a súplica dos que conduziam o cego, pedindo-lhe que o tocasse. Este foi levado para um lugar afastado. Ao cabo de um verdadeiro ritual, Jesus restituiu-lhe a visão, de forma que o homem começou a ver bem todas as coisas, mesmo de longe.

 

Aos discípulos faltava esta visão perfeita, pois eram ainda incapazes de captar a exata impostação do convite de Jesus para segui-lo. A compreensão que tinham do messianismo não se adequava àquela de Jesus. Esperavam que o Mestre se manifestasse como messias rei, cheio de glória e de poder. Nem de longe podiam imaginar o quanto o projeto de Jesus se distanciava deste modelo messiânico.

 

Os olhos dos discípulos deveriam ser abertos por Jesus assim como o foram os olhos do cego. Continuar a caminhar como cegos seria uma imprudência. Suas vidas corriam o risco de terminar numa frustrante decepção. [O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Pe. Jaldimir Vitório, ©Paulinas, 1997]

 

Liturgia Diária (Paulinas e Paulus)

-Para que o Papa, bispos e sacerdotes sejam abençoados em sua missão, rezemos. Senhor, escutai nossa prece

-Para que os membros das comunidades se tratem com carinho e respeito, rezemos.

-Para que os jovens sejam valorizados em suas iniciativas pastorais, rezemos.

-Para que tenhamos os olhos abertos para os problemas da sociedade, rezemos.

-Para que as pessoas com deficiência visual sejam atendidas em suas necessidades, rezemos.

(preces espontâneas)

 

Oração sobre as Oferendas:

Ó Deus, que este sacrifício nos purifique e renove e seja fonte de eterna recompensa para os que fazem a vossa vontade. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Deus amou tanto o mundo, que lhe deu o seu Filho único; quem nele crê não perece, mas possui a vida eterna. (Jo 3,16)

 

Oração Depois da Comunhão:

Ó Deus, que nos fizestes provar as alegrias do céu, dai-nos desejar sempre o alimento que nos traz a verdadeira vida. Por Cristo, nosso Senhor!  

 

 

Santo Onésio

 

Santo Onésimo, que viveu na Turquia. Era escravo cristão, convertido e batizado pelo Apóstolo Paulo. Ele mereceu do Apóstolo uma menção em sua Carta a Filemon. Santo Onésimo era escravo do rico Filêmon, e antes de conhecer Jesus fugiu da casa do senhor até encontrar-se em Roma com São Paulo que preso evangelizou o fugitivo. Filêmon, sua esposa e filho, em certa ocasião foram atingidos por Jesus através de São Paulo, por isso ao enviar de volta Onésimo, agora convertido e na busca da santidade, São Paulo inspirado pelo Espírito Santo escreveu: "De bom grado o teria conservado comigo, a fim de que ele me serva em teu lugar na prisão onde estou por causa do Evangelho; entretanto, nada quis fazer sem o teu consentimento, para que tal benefício não tenha ares de forçado, mas o provenha de tua livre... Portanto, se me consideras teu irmão na fé, recebe-o como a mim próprio" (Fm 18 e 19). A vida de Santo Onésimo nos aponta para o tratar com irmão os que sofrem da questão social quanto aos que são pequenos e oprimidos. Santo Onésimo foi não só liberado por Filêmon, mas permaneceu no trabalho com São Paulo, até ser sagrado bispo pelo mesmo, e sofrer o martírio por apedrejamento em 109. Onésimo ficou muito ligado a São Paulo, que o enviou à cidade de Colossos como evangelizador.

 

 

Preparação para o matrimônio

 

 

Dom Orani João Tempesta, Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

 

Uma das preocupações mais sérias nestes últimos tempos tem sido a importância da família. Cursos, preparações, preocupações, orientações sempre estão presentes em nossas paróquias. Os vários movimentos familiares procuram recuperar a vida conjugal e a unidade familiar. Muitas pessoas não veem a importância que existe no processo matrimonial, que, quando bem administrado, pode ser importante catequese. Nem sempre se vê esses atos jurídicos como oportunidade catequética e fundamental encontro com a própria vocação.

 

No dia 22 de janeiro, o Santo Padre, o Papa Bento XVI, pronunciou o seu consuetudinário discurso aos membros do Tribunal da Rota Romana (Colégio dos Prelados Auditores, Advogados e outros colaboradores) que, segundo a Constituição Apostólica “Pastor Bonus”, em seu número 126, tem como tarefa:

 

“Este Tribunal ordinariamente funciona como instância superior no grau de apelo junto da Sé Apostólica, para tutelar os direitos na Igreja; provê a unidade da jurisprudência e, mediante as próprias sentenças,  constitui uma ajuda aos Tribunais inferiores”.

 

No discurso deste ano, o Papa Bento XVI recorda, no âmbito do matrimônio, a necessidade de que se busque reforçar a formação para uma adequada preparação para o matrimônio.

 

O Código atual, que reflete a eclesiologia do Concílio Ecumênico Vaticano II, demonstra uma preocupação muito grande em relação ao matrimônio, logicamente não limitado ao ato da celebração (momento da prestação do consentimento), mas também se volta para a sua concreta preparação.

 

A crise que permeava tantos que haviam buscado o matrimônio cristão foi, durante o Concílio, objeto de preocupação e consequente estudo e aprofundamento, manifestando-se depois na vontade dos Padres conciliares a reflexão contida na Constituição pastoral Gaudim et spes (47-52). Temos também a importante Exortação apostólica pós-sinodal Familiaris consortio, promulgada pelo venerável João Paulo II. É preciso, em tal preparação, que os pastores se preocupem em esclarecer os noivos para que o matrimônio seja celebrado válida e licitamente.

 

Não pode haver contraposição entre o direito e a pastoral, eles caminham juntos e não podem ser vistos como instâncias distintas.

 

Para o Matrimônio, sacramento onde os cônjuges constituem uma comunidade de vida e para toda a vida, é preciso que se repense, para aprofundar, a preparação para o mesmo, que deve ser remota, próxima e imediata, como deixa perceber claramente no cân. 1063: “Os pastores de almas têm a obrigação de cuidar que a própria comunidade eclesial preste assistência aos fiéis, para que o estado matrimonial se mantenha no espírito cristão e progrida na perfeição”. Essa assistência deve prestar-se, sobretudo:

 

1.    pela pregação, pela catequese apropriada aos menores, aos jovens e adultos, mesmo com o uso dos meios de comunicação social, com que sejam os fiéis instruídos sobre o sentido do matrimônio e o papel dos cônjuges e pais cristãos;

2.    com a preparação pessoal para contrair matrimônio, pela qual os noivos se disponham para a santidade e deveres do seu novo estado;

3.    com a frutuosa celebração litúrgica do matrimônio, pela qual se manifeste claramente que os cônjuges simbolizam o mistério da unidade e do amor fecundado entre Cristo e a Igreja, e dele participam;

4.    com o auxílio prestado aos casados para que, guardando e defendendo fielmente a aliança conjugal, cheguem a levar na família uma vida cada vez mais santa e plena”.

 

Numa perspectiva jurídica, em concomitância com a índole sempre pastoral do Direito, é de relevância inegável o cuidado em evitar a celebração do matrimônio com riscos de declaração de nulidade (vícios de consentimento), mas também de invalidade (impedimentos). Recorda-nos em seu discurso o Papa: “Jurídico não quer dizer formalista, como se fosse uma mera prática burocrática, consistindo em preencher um formulário tendo como base perguntas rituais. Trata-se, isso sim, de uma ocasião pastoral única – a de valorizar com toda a seriedade e atenção que se exige – na qual, por meio de um diálogo cheio de respeito e cordialidade, o pastor procura ajudar a pessoa a situar-se seriamente perante a verdade sobre si mesma e sobre a sua própria vocação humana e cristã para o matrimônio”

 

A investigação prévia, feita de forma apropriada e responsável, tende a assegurar a ausência de impedimentos e a manifestação de um consentimento autêntico e livre. Muitíssimos males poderão ser evitados caso esse aspecto não seja descuidado pelos párocos, mas assumido com seriedade. Dessa maneira, sem sombra de dúvida, o aspecto jurídico põe-se a serviço da preocupação pastoral: tem como objeto, portanto, não apenas uma celebração lícita e válida, mas especialmente a estabilidade da própria vida conjugal, para isso se deve observar com diligência e fidelidade o que prescrevem os cânn. 1066-1070, como normas seguras e prévias à própria celebração.

 

No sentido específico do serviço prestado a toda a Igreja pelo Tribunal da Rota Romana neste aspecto: “provê à unidade da jurisprudência e, mediante as próprias sentenças,  constitui uma ajuda aos Tribunais inferiores”, recorda o Romano Pontífice que alguns capítulos de nulidade, mormente o 1095, 2º (grave falta de discrição de juízo) e 1101, § 2 (simulação parcial), de modo concreto naquele da exclusão do bonum coniugum. Afirma o Papa: “é necessário ter um sério compromisso para que as decisões jurídicas reflitam a verdade sobre o matrimônio, a mesma que deve iluminar o momento da admissão às núpcias”.

 

Embora o Bispo seja sempre o juiz nato em sua diocese, temos os nossos Vigários Judiciais que, por nosso mandato, desempenham, sobretudo no Tribunal Eclesiástico, esse ministério da justiça a esses colaboradores, que fiéis e em íntima sintonia com o Santo Padre e com o Bispo Diocesano, supõe fidelidade a jurisprudência da Rota Romana, exercício da justiça com equidade. É importante também estudar o relatório enviado a cada ano ao Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica e/ou também os dados finais fornecidos ao Centro de Estatística da Igreja. Nas sentenças de declaração de nulidade e nos processos de declaração de invalidade é preciso deixar evidente que “Não existe, portanto, um matrimônio da vida e outro de direito: só há um matrimônio, que é constitucionalmente vínculo jurídico real entre um homem e uma mulher, um vínculo sob o qual apoia-se a autêntica dinâmica conjugal da vida e do amor”.

 

Que sejam os párocos e vigários a preencher o Processo de Habilitação Matrimonial, exercendo o múnus próprio de preparar com dignidade nossos noivos para um autêntico matrimônio católico. É uma importante ocasião para uma educação sobre a vida matrimonial e a beleza da vocação que os noivos estão assumindo.

 

A família, centro da vida cristã, deve ser valorizada como centro de nossa ação pastoral. Que a Sagrada Família abençoe as nossas famílias! [CNBB]

 

Aconteceu no dia 16 de fevereiro:

1952: Criação da Arquidiocese de Natal

 

 

As transformações da alma são lentas; não se fazem senão com a dor multiplicada pelo tempo. (P. Didon)