Quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Terceira Semana do Advento - 3ª do Saltério, Livro I, Cor Litúrgica Roxa

 

Hoje: Dia do Jornaleiro

 

Santos: Geraldo Braga, Cristina da Geórgia (apóstola leiga), Estêvão de Suroz (bispo), Faustino, Lúcio, Cândido, Celiano e Companheiros (mártires), Folcuíno de Thérouanne (bispo), Irineu, Antônio, Teodoro, Saturnino, Vítor e Companheiros (mártires), Júlia d’Arezzo (monja camaldulense), Maria Crucifixa da Rosa (virgem), Maximino de Micy (abade), Sílvia de Brescia (virgem), Urbício de Huesca (eremita), Valeriano de Abbenza (bispo), Boaventura de Pistóia (presbítero, bem-aventurado), Marino de Cava dei Tirreni (abade, bem-aventurado).

 

Antífona: O Senhor vai chegar, não tardará: h´de iluminar o que as trevas ocultam e se manifestará a todos os povos. (Hab 2, 3; 1Cor 4, 5)

 

Oração: Concedei-nos, ó Deus onipotente, que as próximas festas do vosso Filho nos sejam remédio nesta vida e prêmio na vida eterna. Por nosso Senhor Jesus Cristo, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Isaías (Is 45, 6-8.18.21-25)
Só o Senhor nos conduz para o caminho da vida plena

 

6“Eu sou o Senhor, não há outro, 7eu formei a luz e criei as trevas, crio o bem-estar e as condições de mal-estar: sou o Senhor que faço todas estas coisas. 8Céus, deixai cair orvalho das alturas, e que as nuvens façam chover justiça; abra-se a terra e germine a salvação; brote igualmente a justiça: eu, o Senhor, a criei”. 18Isto diz o Senhor que criou os céus, o próprio Deus que fez a terra, a conformou e consolidou; não a criou para ficar vazia, formou-a para ser habitada: “Sou eu o Senhor, e não há outro. 21Acaso não sou eu o Senhor? E não há deus além de mim. Não há um Deus justo, e que salve, a não ser eu. 22Povos de todos os confins da terra, voltai-vos para mim e sereis salvos, eu sou Deus e não há outro. 23Juro por mim mesmo: de minha boca sai o que é justo, a palavra que não volta atrás; todo joelho há de dobrar-se para mim, por mim há de jurar toda língua, 24dizendo: somente no Senhor residem justiça e força”. Comparecerão perante ele, envergonhados, todos os que lhe resistem; 25no Senhor será justificada e glorificada toda a descendência de Israel. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura
Céus, deixai cair orvalho das alturas

 

A fé no único Deus é o fundamento da verdadeira “religião”, porque quem a aceita orienta em certo sentido suas relações com ele. Cristo nos revela que estas relações são como as que existem entre pai e filho, porquanto Deus é pai. Este Deus continua sua obra no mundo através dos homens; entra no seu plano que os homens tornem sempre mais belo e mais habitável o mundo que ele criou. É uma verificação que nos leva a mais habitável o mundo que ele criou. É uma verificação que nos leva a um sentido de humildade. O cristão não tem o monopólio da obra de Deus. O cristão deve saber ver no mundo o dedo de Deus em atividade, através daqueles que, conscientemente ou não, colaboram com ele. Deus serviu-se de Ciro, rei pagão, para restituir a seu povo a liberdade. A educação cristã leva “a relevar e respeitar tudo o que há de bom na humanidade, mormente no seio das grandes religiões”. [MISSAL COTIDIANO. ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 84 (85), 9ab-10.11-12.13-14 (R/.Is 45,8)

Que os céus lá do alto derramem o orvalho, que

chova das nuvens o justo esperado!


9aQuero ouvir o que o Senhor irá falar: é a paz que ele vai anunciar; 9ba paz para o seu povo e seus amigos, para os que voltam ao Senhor seu coração. 10Está perto a salvação dos que o temem, e a glória habitará em nossa terra.


11A verdade e o amor se encontrarão, a justiça e a paz se abraçarão; 12da terra brotará a fidelidade, e a justiça olhará dos altos céus.


13O Senhor nos dará tudo o que é bom, e a nossa terra nos dará suas colheitas; 14a justiça andará na sua frente e a salvação há de seguir os passos seus.

 

 

Evangelho: Lucas (Lc 7, 19-23)
Ide contar a João o que vistes e ouvistes

 

Naquele tempo, João convocou dois de seus discípulos, 19e mandou-os perguntar ao Senhor: “És tu aquele que há de vir, ou devemos esperar outro?” 20Eles foram ter com Jesus, e disseram: “João Batista nos mandou a ti para perguntar: ‘És tu aquele que há de vir, ou devemos esperar outro?’” 21Nessa mesma hora, Jesus curou de doenças, enfermidades e espíritos malignos a muitas pessoas, e fez muitos cegos recuperarem a vista.


22Então, Jesus lhes respondeu: “Ide contar a João o que vistes e ouvistes: os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, e a boa-nova é anunciada aos pobres. 23E feliz é aquele que não se escandaliza por causa de mim!”
Palavra da Salvação

Leitura paralela: Mt 11, 2-6

 

 

Comentário o Evangelho

Feliz de quem acolhe o Messias

 

Foi declarado feliz aquele para quem Jesus "não for ocasião de queda" e o acolher na condição de Messias, tornando-o mediação da experiência de Deus. Igualmente feliz quem não se escandalizar com o seu testemunho de Messias dos pobres e marginalizados, em consonância com a pregação dos profetas.


Por romper com os estritos padrões religiosos, o comportamento de Jesus desconcertava muitos judeus piedosos. O contato com os doentes e enfermos, considerados punidos por Deus por causa de seus pecados, era tido como veículo de impureza. Os leprosos eram especialmente malvistos. O conflito com pessoas possuídas por espírito malignos podia deixar transparecer que Jesus pactuasse com as forças do mal. A proximidade das pessoas de classes sociais inferiores e sua manifesta solidariedade com elas eram tomadas como indício seguro de que, como seus admiradores, o Mestre ignorava as coisas de Deus e desconhecia a Lei. Portanto, seu infrator.


Quem observava o modo de ser de Jesus, sem a devida cautela, tinha tudo para considerá-lo ímpio. Mas quem considerasse atentamente o resultado de sua ação tinha motivos para louvar a Deus pelas maravilhas que realizava. Pelas mãos de Jesus, eram operados prodígios dignos do Filho de Deus. Bem-aventurado seria quem o reconhecesse como Messias. Para tanto, era preciso estar profundamente sintonizado com Deus.
[O EVANGELHO DO DIA. Jaldemir Vitório. ©Paulinas]

 

 

 

Oração da Assembleia (Liturgia Diária)

Pelos que desanimaram na fé, rezemos. Renovai-nos, Senhor.

Pelos enfermos e suas famílias, rezemos.

Pelos que lutam por um mundo melhor, rezemos.

Pelas pessoas que acreditam na força da caridade, rezemos.

Pelos que vivenciam com coragem o evangelho, rezemos.

(outras intenções)

 

Oração sobre as Oferendas:

Possamos, ó Pai, oferecer-vos sem cessar estes dons da nossa devoção, para que, ao celebrarmos o sacramento que nos destes, se realize em nós a salvação. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Eis que vem o Senhor com seu poder e iluminará os olhos de seus servos. (Is 40, 10; 34,5)

 

Oração Depois da Comunhão:

Imploramos, ó Pai, nossa clemência para que estes sacramentos nos purifiquem dos pecados e nos preparem para as festas que se aproximam. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Santa Cristiana

 

A vida de Santa Cristiana é um grande testemunho de que nada é coincidência, mas tudo é providência. Os Georgianos consideram-na o instrumento providencial da sua conversão.

 

Era uma escrava que vivia na Grécia, nos princípios do século IV. Teria sido levada cativa para essa terra por guerreiros vitoriosos? Ou teria lá procurado voluntariamente asilo, fugindo à perseguição que se desencadeara na sua pátria? Ninguém sabia donde ela tinha vindo; só a conheciam pelo nome de Cristiana ou Nina (cristã). Era humilde e caritativa e fazia-se estimar.

 

Quando alguma criança caía doente nessas regiões, a mãe levava-a de porta em porta, a fim de consultar as vizinhas sobre os melhores remédios a aplicar. Um dia, foi ter com Nina uma pobre mulher, levando nos braços um menino moribundo. Ao vê-lo, Nina disse: "Eu não posso fazer nada, mas Deus Todo-Poderoso pode restituir-lhe a saúde, se for essa a sua vontade". Deitou o moribundo no seu próprio catre, cobriu-o com o seu cilício, orou a Deus em nome de Cristo e, a seguir, restituiu à mãe o filho curado.

 

A fama deste milagre chegou aos ouvidos da rainha da Geórgia, que estava a morrer de doença desconhecida. Pediu ele que lhe chamassem Nina, mas esta, cuja inocência já tinha corrido muitos perigos, respondeu: "O meu lugar não é em palácio". Foi então a rainha ter com a escrava e recuperou a saúde. Tanto ela como o rei Mirian quiseram recompensá-la com ricos presentes, mas Cristiana recusou-os, dizendo: "A única coisa que me faria feliz seria ver-vos abraçar a religião cristã". Mirian levou muito tempo a tomar essa decisão, mas um dia, correndo grave perigo numa caçada às feras, prometeu que, se escapasse, se faria cristão. Sabe-se efetivamente que, cerca do ano de 325, ele pediu a Constantino que lhe enviasse missionários. O Imperador enviou-lhe o Bispo Pedro e o Sacerdote Jacob, que batizaram "todos os habitantes da sua capital", lançando assim os fundamentos do Cristianismo nesse país. [cancaonova.com.br]

 

 

Aquele que deve vir

  Dom Geraldo Majella Agnelo

 

Advento é a espera do Senhor:  Jesus vem nos procurar. O evangelho de hoje  (Mateus 11,2-11) nos recorda que também nós devemos procurar o Senhor. No silêncio de nosso coração, na escuta de sua Palavra, nos acontecimentos de nossa vida. O encontro com o Senhor está na origem da alegria do cristão.

 

A leitura de Isaias 35, 1-10 lembra o tempo do exílio na Babilônia, quando o povo de Israel vivia no desânimo e sem confiança, chorando a pátria perdida. O profeta do exílio o convida à esperança e à alegria, anunciando uma nova iniciativa de Deus. Deus virá à procura do seu povo, e o reconduzirá a Sião. Os sinais dessa libertação serão típicos dos tempos messiânicos: cegos, surdos, aleijados, mudos, recuperarão a cura. São os gestos de libertação que cumprirá Jesus no meio das multidões da Palestina.

 

O apóstolo Tiago, sugere às comunidades cristãs a atitude justa dos discípulos que esperam o Senhor, propondo três verbos a serem conjugados com solicitude cristã: sede pacientes, até a vinda do Senhor Jesus; não vos lamenteis uns com os outros, porque não é digno dos discípulos lamentar-se. Tomai como modelo os profetas, que anunciaram e testemunharam.

 

Hoje, reencontramos no evangelho de Mateus os personagens do domingo passado: Jesus, e ao longe o Batista, o seu precursor. Ao longe, porque fechado na fortaleza-prisão de Macheronte. Os discípulos de João o procuraram na prisão, mas João não os tem mais ligados a si, encaminha-os a Jesus. Manda-os expressamente perguntar a Jesus: “És tu aquele que deve vir, ou devemos esperar um outro?” O Batista sabe bem quem é Jesus, porém não responde diretamente: quer que seus discípulos cheguem a compreendê-lo sozinhos. Também Jesus não responde diretamente, mas lhes fornece os dados necessários, para conseguir resolver os seus problemas por si.

 

Os dados: Jesus está cumprindo ações que os profetas atribuíram ao futuro Messias: os doentes são curados, os mortos ressuscitam, aos pobres é anunciada a salvação. Cabe aos discípulos de João fazer o raciocínio e tirar as conclusões. Fizeram-nos e voltaram a referir ao Batista. Ficaram persuadidos e passaram a Jesus.

 

Os discípulos do precursor são pessoas inquietas, que procuram Deus e a verdade; que querem compreender para viver com sentido. O evangelho parece sugerir que também nós devemos assumir esta atitude, característica do coração humano; a sede do saber, a necessidade de descobrir alguém que explique e oriente. O cristão, enquanto for inquieto, pode estar tranquilo, disse um romancista. Podemos estar tranquilos se vivermos o modo da inquietude e da procura. Cremos que o estamos vivendo enquanto procuramos a Cristo e vivermos como ele viveu. De algum modo somos herdeiros daqueles antigos discípulos do Batista, que procuravam a verdade e Deus.

 

Em todo o mundo há pessoas que procuram, querem compreender, encontrar um sentido, para agir de modo consciente e construtivo. Vive-se uma vez somente, e se não fizer alguma coisa de válido, são criaturas inúteis, sem metas, vive-se em vão.

 

De fato não todos estão à procura de Deus. Sobretudo na nova geração da sociedade diferenciada: a sociedade do bem estar, que oferece aos jovens mil possibilidades diferenciadas para experimentar, escolher e realizar-se. Mil interesses, mil ocupações e distrações.

 

A voz de Deus, por sua vez, tantas vezes é um murmúrio quase imperceptível. Para ouvi-la temos necessidade de silêncio em torno a nós e dentro de nós. Temos necessidade de silêncio em nossas casas, de apagar alguma vez o televisor. Alguém chegou a dizer que o melhor televisor é o que está estragado: exagero!, mas basta saber escolher. Temos necessidade de silêncio, de boa leitura, de oração, de recolhimento.

 

Resta ainda a fazer depois de ter encontrado o Senhor: abrir-lhe a porta, deixá-lo entrar em nossa casa, dar-lhe espaço em nossa vida. O Papa João Paulo II, na Praça de São Pedro no dia da sua eleição, exclamou: “Não tenhais medo! Abri, antes escancarai as vossas portas a Cristo!” As portas se abrem de dentro. Os discípulos de João Batista o encontraram. O Natal do Senhor está perto. [Fonte: CNBB]

 

Uma pessoa é rica na proporção do número das coisas de que é capaz de abrir mão. (Henry David Thoreau)