Quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Exaltação da Santa Cruz, Ofício Festivo, 4ª do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Vermelha

 

 

Santos: Rósula, Materno, Noteburga, Crescêncio (jóvem mártir, Roma), Pedro de Tarentaise (1174, monge), Bem-Aventurado Gabriel Taurino Dufresne (1815, martirizado na China), Gabriel Taurin  Dufresse, Louise de Savoy (franciscana, ofs)  

 

Antífona: A cruz de nosso Senhor Jesus Cristo deve ser a nossa glória: nele está nossa vida e ressurreição; foi ele que nos salvou e libertou (Gl 6, 14).

 

Oração: Ó Deus, que para salvar a todos dispusestes que o vosso Filho morresse na cruz, a nós, que conhecemos na terra este mistério, dai-nos colher no céu os frutos da redenção. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

Leitura: Números (Nm 21, 4b-9)

Ato de fé do povo na presença de Deus em sua vida

 

Naqueles dias, 4bos filhos de Israel partiram do monte Hor, pelo caminho que leva ao mar Vermelho, para contornarem o país de Edom. Durante a viagem o povo começou a impacientar-se, 5e se pôs a falar contra Deus e contra Moisés, dizendo: "Por que nos fizestes sair do Egito para morrermos no deserto? Não há pão, falta água, e já estamos com nojo desse alimento miserável". 6Então o Senhor mandou contra o povo serpentes venenosas, que os mordiam; e morreu muita gente em Israel. 7O povo foi ter com Moisés e disse: "Pecamos, falando contra o Senhor e contra ti. Roga ao Senhor que afaste de nós as serpentes". Moisés intercedeu pelo povo, 8e o Senhor respondeu: "Faze uma serpente de bronze e coloca-a como sinal sobre uma haste; aquele que for mordido e olhar para ela, viverá". 9Moisés fez, pois, uma serpente de bronze e colocou-a como sinal sobre uma haste. Quando alguém era mordido por uma serpente, e olhava para a serpente de bronze, ficava curado. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a Leitura

Aquele que for mordido e olhar para a serpente de bronze viverá

 

Penso no olhar cheio de confiança de quem se voltava para a serpente para obter a cura: aquele olhar era uma vida voltada para a salvação. Penso no olhar de quantos no Calvário, contemplavam Jesus erguido entre o céu e a terra para salvação do mundo; no olhares que diariamente se voltam para o crucifixo. E penso no olhar que Jesus, no Calvário, pousou sobre todos e cada um dos presentes, com que abraçou toda a humanidade e continua hoje a olhar-nos, no desejo de cruzar com o nosso olhar para lhe transfundir riqueza infinita de seu amor. É um olhar rico de todos os matizes que pode assumir a vida no concreto de suas manifestações, e que não pousa em vão sobre aqueles que se voltam para ele na fé e no amor.

 

 

Salmo: 77 (78), 1-2.34-35.36-37.38 (R/.cf.7c)

Das obras do Senhor, ó meu povo, não te esqueças!

 

Escuta, ó meu povo, a minha Lei, ouve atento as palavras que eu te digo; abrirei a minha boca em parábolas, os mistérios do passado lembrarei.

 

Quando os feria, eles então o procuravam, convertiam-se correndo para ele; recordavam que o Senhor é sua rocha e que Deus, seu Redentor, é o Deus Altíssimo.

 

Mas apenas o honravam com seus lábios e mentiam ao Senhor com suas línguas; seus corações enganadores eram falsos e, infiéis, eles rompiam a aliança.

 

Mas o Senhor, sempre benigno e compassivo, não os matava e perdoava seu pecado; quantas vezes dominou a sua ira e não deu largas à vazão de seu furor.

 

 

Evangelho, João (Jo 3, 13-17)

O agir divino questiona nossa existência

 

Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: 13"Ninguém subiu ao céu, a não ser aquele que desceu do céu, o Filho do Homem. 14Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado, 15para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna. 16Pois Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna. 17De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele'. Palavra da Salvação!

 

 

Leituras paralelas: Pr 30,4; Rm 10,6; Ef 4, 8-9; Jo 1, 18; Nm 21, 4-9; Sb 16, 5-7.  

 

 

 

Comentando o Evangelho

Da cruz, brota a vida eterna

A crucifixão de Jesus deu à cruz um sentido novo: deixou de evocar a morte, para ser evocação da vida. Não mais seria instrumento de castigo, mas de salvação. Seria motivo de exaltação e não de ignomínia.

 

Esta mudança radical do sentido da cruz deveu-se ao modo como Jesus a viveu. A morte de cruz foi a prova suprema da fidelidade do Filho ao Pai. Nela ficou patente que Deus era o senhor único e exclusivo da vida de Jesus, e que nenhuma criatura fora suficientemente forte para desviá-lo do caminho traçado pelo Pai. Somente neste sentido é possível entender a necessidade da morte de cruz. Seria praticamente impossível ter Jesus encontrado outra forma mais convincente para provar sua fidelidade a Deus. Ele não temeu enfrentar, de cabeça erguida, a infamante morte de cruz, quando estava em jogo a razão de ser de sua existência e de sua vinda ao mundo.

 

Daqui provém o respeito cristão pela cruz e o simbolismo de que é revestida. Ela evoca a fidelidade de Jesus e é apelo à essa mesma fidelidade. É a síntese do amor de Jesus pela humanidade, ao entregar-se para resgatá-la do pecado, e é um convite para o amor. Ela revela o serviço radical e incondicional de Jesus ao Reino, e estimula o cristão a fazer o mesmo. Exaltar a cruz é, pois, optar por trilhar os caminhos de Jesus. [MISSAL COTIDIANO,  ©Paulus, 1997]

 

Oração da assembleia (Liturgia Diária)

Para que bispos, padres e diáconos deem testemunho de fidelidade, rezemos. Senhor, escutai a nossa prece.

Para que marido e mulher saibam se amar mutuamente e honrar uns ao outros, rezemos.

Para que os doentes encontrem acolhida na comunidade e sintam a proteção de Deus, rezemos.

Para que as mães que perdem os filhos experimentem a solidariedade e as consolações divinas, rezemos.

Para que as viúvas pobres sejam assistidas pelas leis civis e pelas ações solidárias das pessoas, rezemos.

(preces espontâneas)

 

Oração sobre as Oferendas:

Purifique-nos de todas as faltas, ó Deus, este santo sacrifício que, oferecido no altar da cruz, tirou o pecado do mundo. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Quando eu for exaltado da terra, diz o Senhor, atrairei a mim todas as coisas. (Jo 12,32)

 

Oração Depois da Comunhão:

Senhor Jesus Cristo, alimentados em vossa santa ceia, nós vos pedimos levei à glória da ressurreição os que salvastes pela árvore da cruz que nos trouxe a vida. Vós, que viveis e reinais para sempre.

 

 

Exaltação da Santa Cruz

 

 

Os orientais celebram hoje a Cruz com uma solenidade comparável à da Páscoa. O imperador Constantino havia mandado construir em Jerusalém uma basílica no Gólgota e outra no Sepulcro do Cristo Ressuscitado. A dedicação dessas basílicas se realizou a 13 de setembro de 335. No dia seguinte se lembrava ao povo o significado profundo das duas igrejas, mostrando o que restava do lenho da Cruz do Salvador. Deste uso teve origem a celebração do dia 14 de setembro, que encontramos também em Roma pelo século VII. Nesse aniversário se acrescentou mais tarde a lembrança da vitória de Heráclio sobre os persas (630), dos quais o imperador arrebatou as relíquias da Cruz, que foram solenemente levadas a Jerusalém. Desde então, a Igreja celebra nesse dia o triunfo da Cruz, que é instrumento e sinal da nossa salvação.

 

O uso litúrgico, que requer a Cruz próxima do altar quando se celebra a missa, representa uma evocação da figura bíblica da serpente de bronze que Moisés elevou no deserto; olhando-as os hebreus mordidos pelas serpentes, eram curados. Em sua narrativa da Paixão, devia João ter presente o simbolismo profundo deste grande "tipo": "Contemplarão Aquele que traspassaram" (Zc 12,10; Jo 19,37).

 

O símbolo da cruz sacralizou, por séculos, todos os cantos da terra e todas as manifestações sociais e privadas; vivia-se em outro contexto histórico. Hoje corre o risco de ser varrido ou, pior, instrumentalizado por uma moda de consumo. Seria conveniente que este símbolo nos fizesse voltar aos verdadeiros "crucifixos" de sempre: os pobres, os doentes, os velhos, os explorados, as crianças excepcionais, etc. São esses os mais dignos de ser colocados ao "vivo" em nossas missas. A salvação só virá a nós, filhos do "bem-estar", através deles, para os quais é sempre válida a palavra do evangelho: "Tive fome... tive sede..." (Mt 25). [MISSAL DOMINICAL ©Paulus, 1995]

 

Exaltação da Santa Cruz!

 

A festa litúrgica que se celebra em 14 de Setembro, chama-se a Exaltação da Santa Cruz, e  chamava-se no rito Romano o Triunfo da Santa Cruz. Esta celebração evoca dois fatos históricos:

 

1.       O imperador Constantino mandou construir em Jerusalém uma basílica no Gólgota e outra no Sepulcro do Cristo ressuscitado. A dedicação dessas basílicas realizou-se em 13 de Setembro de 335. No dia seguinte, 14, lembrou ao povo o significado profundo das duas basílicas, mostrando o que restava do lenho da cruz do Salvador. Daqui nasceu a celebração deste acontecimento no dia 14 de Setembro que ainda existia em Roma no século VII.

2.       Heráclio venceu os persas em 630, e o imperador arrebatou as relíquias da Cruz, que foram solenemente levadas para Jerusalém.  Desde então a Igreja celebra neste dia 14 de Setembro o dia do Triunfo da Santa Cruz, que é instrumento e sinal da nossa salvação.

 

O uso litúrgico que requer a Cruz próxima do altar quando se celebra a Missa, representa uma evocação da  figura  bíblica  da  serpente de bronze que Moisés elevou no deserto; contemplando-a, os hebreus, que atravessavam uma crise de fé, voltavam-se para Deus, reconheciam a onipotência divina e, mordidos pelas serpentes, eram curados.

 

Na 1ª  Leitura é lido o texto do livro dos Números que narra esse episódio. Na serpente de bronze temos uma figura da Cruz.  Contemplar a Cruz, é reconhecer o poder salvador de Jesus Cristo.

 

A 2ª Leitura lembra-nos que para reconciliar o homem com Deus, Jesus Cristo não hesitou em tomar a condição de "servo sofredor". Ele, que era Deus, vive até ao fim, até à morte, a nossa experiência humana, pelo que, Deus premiou a Sua fidelidade, glorificando-O e constituindo-O Senhor.

 

Pela leitura do Evangelho vemos como Jesus explica a Nicodemos o motivo pelo qual o Filho do homem é elevado, isto é, crucificado: o amor de Deus, que, no Seu Filho, quer a nossa salvação.

 

INVENÇÃO DA SANTA CRUZ

 

Associado com Constantino na promoção de objetos sagrados, num lugar de maior importância está sua mãe, Helena, zelosa promotora do Cristianismo.

 

Em 326, já com cerca de 70 anos, foi para Jerusalém. Enquanto esteve em Jerusalém, fundou igrejas em lugares que se presumiam de maior importância, por se relacionarem com a vida de Jesus. Foi ela que, com a ajuda de alguns cristãos, descobriu o lugar que se chamava o Gólgota e a cave onde Jesus tinha sido sepultado. Aí edificaram uma Basílica em 335, da qual há apenas algumas ruínas.  A que hoje existe, a Basílica do Santo Sepulcro, data do século XII. As obras de Helena fizeram de Jerusalém um centro de grandes peregrinações.

 

Segundo uma lenda, Helena teria descoberto dentro da mesma cave algo de mais importante que o lugar da sepultura, a cruz de Jesus.  É por isso que se chama a Invenção ou o encontro da santa cruz.  Isso teria sido, segundo a tradição, em 3 de Maio de 326.

 

Segundo uma versão desta história, foram encontradas três cruzes e, para determinar qual seria a verdadeira de Jesus, Helena colocou um corpo morto sobre a primeira e nada aconteceu; colocou-o sobre a segunda e nada aconteceu; colocou-a sobre a terceira e o corpo ganhou vida, pelo que Helena teria concluído que era essa a verdadeira cruz de Jesus. Helena guardou pedaços dessa cruz e alguns cravos. Com intenção de proteger a sua nova cidade - Constantinopla - Constantino, mandou colocar dentro de uma estátua sua, os pedaços da Cruz de Jesus,  e com os cravos mandou preparar as  amarras do seu capacete. Mais 350 relíquias da cruz de Jesus foram enviadas para muitas Igrejas do Império Romano. Como conseqüência destas tradições cristãs, desenvolveram-se outras que se prolongaram pelos séculos.

 

O sinal da cruz que fazem os cristãos sobre a sua testa é um ato de fé no poder da cruz.  A vitória de Constantino contra Maxêncio sobre a ponte de Milvian, foi atribuída à cruz que na véspera viu Constantino com estas palavras in hoc signo vinces (por este sinal vencerás).

 

Durante muito tempo se celebrou na Igreja a festa da Invenção da Santa Cruz em três de Maio e ao Brasil se chamou a Terra da Vera Cruz, por ter sido avistada em 22 de Abril de 1500 e provavelmente se teriam feito os primeiros desembarques em 3 de Maio, o que mostra que já nessa altura era bem conhecida a festa da Santa Cruz porque já se celebrava em Portugal, ou Invenção da Santa Cruz. Presentemente celebra-se a festa da Exaltação da Santa Cruz em 14 de Setembro.                         

 

TERRA DA VERA CRUZ

«Foi esta armada que, em 22 de Abril de 1500[...] teve vista de TERRA, a saber: "primeiramente de um grande monte, mui alto e redondo; e de outras serras mais baixas ao sul dele; e de terra chã com grandes arvoredos; ao qual monte alto o capitão pôs nome o monte Pascoal; e à terra, a terra de Vera Cruz». (Carta de Pêro Vaz de Caminha.)

 

SANTA HELENA

Provavelmente filha de um Hoteleiro e nascida entre 248 e 255 em Drepano, na Bitínia, encontrou-se um dia com um general Romano, Constâncio Cloro, pelo ano de 270 e, apesar da sua baixa posição social, casaram. Entre 274 e 288, nasceu o seu filho Constantino que, em 293 viria a ser nomeado César no tempo do Imperador Maximiano. Nessa altura, por razões políticas, Constâncio e Helena separaram-se e ele casou-se com sua enteada, Teodora. Quando Maximiano faleceu em York, na Inglaterra, no ano 306, Constantino, que estava com ele, foi declarado Imperador pelas tropas, mas não subiu ao trono senão depois da sua vitória na ponte de Milvian em 312. Depois disso conferiu o título de "Augusta" a sua mãe e ordenou que lhe prestassem homenagem como mãe do Soberano, e mandou cunhar moedas com a sua efígie.

 

 Em 313, juntamente com o seu amigo e Imperador Licínio, publicou o Édito de Milão, permitindo o Cristianismo no seu Império e ponde termo às perseguições  religiosas.

                                                                          

Por esta altura Helena converteu-se ao Cristianismo, tinha então 63 anos, segundo o historiador Eusébio, e, a partir daí, foi uma zelosa auxiliadora dos cristãos, mandou edificar algumas Igrejas, e ajudou os pobres e doentes. Depois de várias guerras entre ambos, Constantino venceu, por fim, Licínio, em 324, que foi executado, ficando Constantino a ser o único Imperador do Oriente e do Ocidente, e mudou a capital para a cidade de Constantinopla.

 

Helena foi para a Palestina e, enquanto aí estava, segundo Rufino Sulpício Severo e de harmonia com o sermão de Santo Ambrósio, todos do mesmo século, Helena encontrou a verdadeira cruz em que Cristo tinha sido crucificado. Mandou edificar a Basílica do Monte das Oliveiras e a de Belém, e correu toda a Palestina a ajudar os soldados, os pobres e os doentes. Morreu no Oriente, provavelmente na Nicomédia e foi sepultada em Constantinopla em 18 de Agosto.

 

DIA DA VERA CRUZ

 

A Igreja celebrou a festa da Vera Cruz em 3 de Maio até ao ano de 1960 e ainda hoje é costume em muitas aldeias portuguesas, colocar no exterior das casas, uma Cruz enfeitada de flores, no dia 3 de Maio que continua a ser paras nós o "Dia da Vera Cruz".

 

Só através da cruz se aprende a amar. (Madre A. Rosa Gattorno)