Quarta-feira, 12 de maio de 2010

Sexta Semana da Páscoa,  2ª do Saltério (Livro II),  cor Litúrgica Branca

 

Hoje: Dia da Enfermagem e dia do Enfermeiro

 

Santos: Joana; Nereu e Aquiles (mártires, memória facultativa), Pancrácio (mártir, memória facultativa), Epifânio (judeu da Palestina convertido, Bispo de Chipre, monge), Modoaldo (Bispo de Tréveris), Rictrudes (viúva), Germano (Patriarca de Constantinopla), Domingos da Calçada, Francisco Patrizzi, Gema de Solmona (Beata), Joana de Portugal (Beata), João Stone (beato, mártir), Inácio de Laconi (Confessor franciscano da 1ª Ordem).

 

Antífona: Senhor, eu vos louvarei ente os povos, anunciarei vosso nome aos meus irmãos, aleluia! (Sl 17, 50; 21, 23)

 

Oração: Ó Deus, ao celebrarmos solenemente a ressurreição do vosso Filho, concedei que nos alegremos com todos os santos, quando ele vier na sua glória. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.

 

 

 

I Leitura: Atos (At 17, 15.22-18,1 )

Eles tinham dificuldades de acreditar na ressurreição

 

Naqueles dias, 15os que conduziram Paulo, levaram-no até Atenas. De lá, voltando, transmitiram a Silas e Timóteo a ordem de que fossem ter com ele o mais cedo possível. E partiram. 

 

22De pé, no meio do Areópago, Paulo disse: "Homens atenienses, em tudo eu vejo que vós sois extremamente religiosos. 23Com efeito, passando e observando os vossos lugares de culto, encontrei também um altar com esta inscrição: 'Ao Deus desconhecido'. Pois bem, esse Deus que vós adorais sem conhecer, é exatamente aquele que eu vos anuncio. 24O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo Senhor do céu e da terra, ele não habita em santuários feitos por mãos humanas. 25Também não é servido por mãos humanas, como se precisasse de alguma coisa; pois é ele que dá a todos vida, respiração e tudo o mais. 26De um só homem ele fez toda a raça humana para habitar sobre toda a face da terra, tendo fixado os tempos previamente estabelecidos e os limites de sua habitação. 27Assim fez, para que buscassem a Deus e para ver se o descobririam, ainda que às apalpadelas. Ele não está longe de cada um de nós, 28pois nele vivemos, nos movemos e existimos, como disseram alguns dentre vossos poetas: 'Somos da raça do próprio Deus'. 29Sendo, portanto, da raça de Deus, não devemos pensar que a divindade seja semelhante a ouro, prata ou pedra, trabalhados pela arte e imaginação do homem. 30Mas Deus, sem levar em conta os tempos da ignorância, agora anuncia aos homens que todos e em todo lugar se arrependam, 31pois ele estabeleceu um dia em que irá julgar o mundo com justiça, por meio do homem que designou, diante de todos, oferecendo uma garantia, ao ressuscitá-lo dos mortos".

 

32Quando ouviram falar da ressurreição dos mortos, alguns caçoavam, e outros diziam: "Nós te ouviremos falar disso em outra ocasião". 33Assim Paulo saiu do meio deles. 34Alguns, porém, uniram-se a ele e abraçaram a fé. Entre eles estava também Dionísio, o areopagita, uma mulher chamada Dâmaris e outros com eles. 18,1 Paulo deixou Atenas e foi para Corinto. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a Leitura

Esse Deus que vós adorais sem conhecer é

exatamente aquele que eu vos anuncio

 

Pode ser instrutivo analisar o sermão de Paulo à luz das dificuldades que encontram os pregadores modernos em face do mundo de hoje. O ambiente é certamente diferente. Lá, um ambiente sacralizado, embebido de religiosidade natural; aqui, um ambiente secularizado, dominado por uma visão ateísta do mundo. Os pontos candentes, contudo, continuam os mesmos.

 

Cumpre reconhecer em Paulo um esforço real de adaptação à  mentalidade dos ouvintes. Demonstra simpatia, é interessado e está a par do pensamento religioso deles, cita seus autores, caminha em seu terreno... Quase poderíamos dizer que Paulo adota aqui um processo antropológico. Apesar do esforço, o êxito não parece brilhante. Em Corinto mudará de método: “... minha palavra e minha mensagem não se basearam em discursos persuasivos de sabedoria, porém na manifestação do Espírito e de seu poder, para que vossa fé não se fundasse na sabedoria humana, mas no poder de Deus” (1Cor 2, 4-5). [Extraído do MISSAL COTIDIANO  ©Paulus, 1997]

 

Salmo: 148, 1-2.11-12ab.12c-14a.14bcd

Da vossa glória estão cheios o céu e a terra

 

Louvai o Senhor Deus nos altos céus, louvai-o no excelso firmamento! Louvai-o, anjos seus, todos louvai-­o, louvai-o, legiões celestiais!  

 

Reis da terra, povos todos, bendizei-o, e vós, príncipes e todos os juízes; e vós, jovens, e vós, moças e rapazes, anciãos e criancinhas, bendizei-o!

 

Louvem o nome do Senhor, louvem-no todos, porque somente o seu nome é excelso! A majestade e esplendor de sua glória ultrapassam em grandeza o céu e a terra.

 

Ele exaltou seu povo eleito em poderio, ele é o motivo de louvor para os seus santos. É um hino para os filhos de Israel, este povo que ele ama e lhe pertence.

 

 

Evangelho: João (Jo 16, 12-15)

O Espírito da verdade vos conduzirá à plena verdade

 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 12"Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não sois capazes de as compreender agora. 13Quando, porém, vier o espírito da verdade, ele vos conduzirá à plena verdade. Pois ele não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido; e até as coisas futuras vos anunciará. 14Ele me glorificará, porque receberá do que é meu e vo-lo anunciará. 15Tudo o que o Pai possui é meu. Por isso, disse que o que ele receberá e vos anunciará, é meu". Palavra da Salvação!

 

 

 

Comentário o Evangelho

As coisas que hão de vir 

 

O Espírito da Verdade tem, junto aos discípulos de Jesus, várias funções. Entre elas, a função didática e a função profética.


No nível didático, o Espírito instruirá os discípulos a respeito da verdade plena. Não se trata de uma revelação paralela à de Jesus, nem complementar. Movidos pelo Espírito, os discípulos serão capazes de atingir um nível, até então desconhecido, de compreensão dos ensinamentos do Mestre. Obterão uma sabedoria não quantitativa, mas sim qualitativamente superior, pelo fato de, com a ajuda do Espírito, estarem capacitados a dar um testemunho convincente de sua adesão a Jesus. O Espírito revela-se aos discípulos no contexto da experiência de vida, por conseguinte, de conhecimento existencial, prático.


No nível profético, ele lhes anunciará as coisas que hão de vir. Exclui-se, aqui, todo tipo de previsão exata do futuro, de modo que os discípulos pudessem se precaver. O Espírito irá ajudá-los a conhecer melhor o que significa Jesus para cada momento da história humana. É uma ajuda na linha do discernimento, da interpretação dos fatos, da disposição humana para acolher o Mestre. Isto possibilitará ao discípulo caminhar com segurança, sem correr o risco de ser enganado. Afinal, vendo-se pressionado pelo mundo, estará sempre correndo o risco de dar um passo em falso. O Espírito revela-lhe por onde caminhar.
[O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano A, ©Paulinas, 1997]

 

Para sua reflexão: O Espírito não traz novas revelações, mas vai conduzindo, no interior da revelação de Jesus, para a compreensão sempre mais atualizada e crescente. O Espírito Santo virá dar continuidade à obra de Jesus. O futuro: com relação ao momento em que Jesus fala: “anunciar” equivale a tomar e apresentar de novo.  O Espírito que mantém unida a comunidade lhe dá força e sabedoria para encarar as injustiças do mundo.

 

 

Santa Joana

 

 

 

Santa Joana nasceu no dia 6 de fevereiro de 1452. Era filha de Dom Afonso V, rei de Portugal. Órfã de mãe aos 15 anos, tomou os encargos do governo da casa real. Filha primogênita do rei D. Afonso V, possuía grande beleza e personalidade marcante. Exerceu a regência do Reino quando seu pai foi à frente de uma esquadra conquistar Arzila e Tânger, na África. Desejosa de se consagrar a Deus na Ordem dominicana, precisou vencer a resistência do pai e de seu irmão D. João (futuro D. João II) que desejavam um casamento vantajoso para ela. Embora pretendida por muitos príncipes, entre eles o filho de Luis XI da França, para espanto de todos, em 1471 recolheu-se temporariamente no mosteiro de Odívelos. Conseguiu ingressar no convento dominicano de Aveiro, mas devido a sua frágil saúde viu-se impedida. Continuou passando no convento a maior parte do seu tempo, conservando o hábito religioso; mesmo quando estava fora do convento praticava eximiamente a regra da Ordem. Levava vida penitente, usando cilício sob as vestes reais e passando as noites em oração. Jejuava frequentemente e como divisa ou insígnia real usava uma coroa de espinhos. Os pobres, os enfermos, os presos, os religiosos viam nela a sua protetora e amparo. Conservava um livro onde ela anotava os nomes de todos os necessitados, o grau de pobreza de cada um e o dia em que deveria ser dada a esmola. Por ocasião da semana santa, lavava os pés de doze mulheres pobres e as presenteava com roupas, alimentos e dinheiro. Dali foi para o mosteiro de Aveiro, onde viveu despojada de tudo até a morte, no dia 12 de maio de 1490 e foi beatificada em 1693.

 

A vida é sempre um desprendimento de uma oferenda. (Ignacio Larrañaga)