Quarta-feira, 11 de maio de 2011

Terceira Semana da Páscoa, 2ª do Saltério (Livro II),  cor Litúrgica Branca

 

 

Santos: Gregório de Venucchio (o iluminador), Floriano (mártir), Pelágia, Peregrino (bispo), Silvano (bispo), Antônia (mártir, queimada viva), Floriano, Venério (bispo de Milão), Gotardo (monge); João Houghton, Roberto Lawrence, Agostinho Webster, Ricardo Reynolds (mártires na Inglaterra), Mônica, Pelágia de Tarso (virgem e mártir), Gotardo (ou Godeardo, bispo de Hildesheim), Catarina de Parc-Aux-Dames (virgem), Gregório de Verucchio (beato), Miguel Giedroyc, João Martin Moye (beato), Amatus Ronconi (Bem-Aventurado, confessor franciscano da 3ª Ordem).

 

Antífona: Que o vosso louvor transborde de minha boca; meus lábios exultarão, cantando de alegria, aleluia! (Sl 70, 8, 23)

 

Oração: Permanecei, ó Pai, com vossa família e, na vossa bondade, fazei que participem eternamente da ressurreição do vosso Filho aqueles a quem destes a graça da fé. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

I Leitura: Atos (At 8, 1b-8   

Era grande a alegria naquela cidade

 

1bNaquele dia começou uma grande perseguição contra a Igreja de Jerusalém. E todos, com exceção dos apóstolos, se dispersaram pelas regiões da Judéia e da Samaria. 2Algumas pessoas piedosas sepultaram Estêvão e observaram grande luto por causa dele. 3Saulo, porém, devastava a Igreja: entrava nas casas e arrastava para fora homens e mulheres, para atirá-los na prisão. 4Entretanto, aqueles que se tinham dispersado iam por toda a parte, pregando a palavra. 5Filipe desceu a uma cidade da Samaria e anunciou-lhes o Cristo.  

 

6As multidões seguiam com atenção as coisas que Filipe dizia. E todos unânimes o escutavam, pois viam os milagres que ele fazia. 7De muitos possessos saiam os espíritos maus, dando grandes gritos. Numerosos paralíticos e aleijados também foram curados. 8Era grande a alegria naquela cidade. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a Leitura

Iam por toda a parte, pregando a palavra

 

Com a morte de Estevão abre-se para a Igreja um período de sofrimento e perseguição. Este fato, humanamente triste, revela-se, providencial" em uma leitura de fé. Sem perseguição, não se sabe por quanto tempo permaneceria a Igreja em Jerusalém. Paradoxalmente, é o Espírito que a dirige por meio da perseguição, impele-a para os samaritanos, povo semi-hebreu, desprezado e rejeitado. Temos, assim, o universalismo querido por Jesus. É o mistério pascal que se vai realizando: a vida vem da morte, do sofrimento.

 

Com o anúncio da Palavra, o diácono Filipe leva aos samaritanos libertação e alegria. A alegria é dom do Espírito e fruto da fé que segue à pregação. 

 

Homens que somos de pouca fé, não sabemos ler nos fatos os sinais dolorosos do Espírito. Para a Igreja, os dias de sofrimento, crise e contestação são dias ricos de uma graça desconhecida, graça nova e gloriosa em seu caminho para o Pai. [Extraído do MISSAL COTIDIANO  ©Paulus, 1997]

 

Salmo: 65 (66), 1-3a. 4-5. 6-7a (R/. 1)
Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira

 

Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira, cantai salmos a seu nome glorioso, dai a Deus a mais sublime louvação! Dizei a Deus: “Como são grandes vossas obras!

 

Toda a terra vos adore com respeito e proclame o louvor de vosso nome!” Vinde ver todas as obras do Senhor: seus prodígios estupendos entre os homens!   

 

O mar ele mudou em terra firme, e passaram pelo rio a pé enxuto. Exultemos de alegria no Senhor! Ele domina para sempre com poder!

 

Evangelho: João (Jo 6, 35-40)

Esta é a vontade do meu pai

 

Naquele tempo, disse Jesus à multidão: 35"Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede. 36Eu, porém, vos disse que vós me vistes, mas não acreditais. 37Todos os que o Pai me confia virão a mim, e quando vierem, não os afastarei. 38Pois eu desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.  

 

39E esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não perca nenhum daqueles que ele me deu, mas os ressuscite no último dia. 40Pois esta é a vontade do meu Pai: que toda pessoa que vê o Filho e nele crê tenha a vida eterna. E eu o ressuscitarei no último dia".  Palavra da Salvação!

 

 

 

Comentário o Evangelho

Fé e vida eterna

 

A vida de Jesus foi toda norteada pela vontade do Pai. Esta se resume em querer a salvação de todo ser humano, para o qual está reservada a vida eterna, na medida em que acolher a palavra de Jesus e se deixar guiar por ela.

 

Por isso, o ministério do Mestre pode ser definido como serviço à salvação da humanidade. Isto explica por que buscava estar presente ali onde a morte se fazia sentir com mais intensidade, junto de quem se tornara escravo do pecado. Os pecadores foram alvo de sua constante solicitude.

 

O desígnio do Pai era que não se perdesse ninguém dos que tinham sido entregues ao Filho. Evidentemente, a palavra de Jesus tem um sentido inclusivo: toda a humanidade foi-lhe entregue para ser salva, sem exclusão de ninguém. Sendo assim, o Filho devia empenhar-se para que a salvação - a vida eterna - atingisse cada criatura humana.

 

O caminho da salvação exige fé sincera no Filho Jesus. Confessá-la significava aderir à dinâmica de vida assumida por ele, cujo centro era a vontade do Pai, e deixar a vida divina permear a existência humana, de forma a transformá-la pelo amor.

 

Assim, o discípulo de Jesus tinha a chance de, já no curso de sua existência terrena, experimentar a vida eterna que lhe estava reservada. [O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano A, ©Paulinas, 1997]

 

 

Oração da assembleia (Deus Conosco)

Para que a Igreja, seguindo o ensinamento de Cristo, desperte os povos e nações para a vida de comunhão e de solidariedade, rezemos ao Deus de amor. Dai-nos, Senhor, a vida e a paz!

Pelos estudiosos que procuram ajudar-nos com suas reflexões sobre o evangelho presente em nossa cultura e em nossa sociedade, rezemos ao Deus de amor.

Por todos os missionários, principalmente aqueles que trabalham em lugares mais difíceis, para que tenham sempre a inspiração do Espírito divino, rezemos ao Deus de amor.

Por todos nós que agora rezamos, para que sejamos muito sinceros na vida de fé e de caridade, rezemos ao Deus de amor.

(Intenções próprias da comunidade)

 

Oração sobre as Oferendas:

Concedei, ó Deus, que sempre nos alegremos por estes mistérios pascais, para que nos renovem constantemente e sejam fonte de eterna alegria. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Ressuscitou e manifestou-se a nós o Senhor que nos remiu com seu sangue, aleluia!

 

Oração Depois da Comunhão:

Ouvi, ó Deus, as nossas preces, para que o intercâmbio de dons entre o céu e a terra, trazendo-nos a redenção, seja um auxílio para a vida presente e nos conquiste a aletria externa. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Para sua reflexão: “Quem me come terá mais fome, quem me bebe terá mais sede” (Eclo 24,21). Na raiz o homem tem fome e sede de vida. Comer e beber visam à vida, são necessidades vitais. Vir a ele e crer nele são equivalentes. Viram o milagre, não penetraram como sinal, não acreditaram na pessoa de Jesus. É o olhar superficial que não penetra na realidade. A este se opõe a comunidade dos fiéis que Jesus recebe como dom do Pai. O Pai tem a iniciativa: envia seu Filho, recomenda-o aos que creem, designa-lhe uma missão salvadora. O ultimo dia é o dia do juízo final. A vontade do Pai é a salvação de todos os homens. A salvação não está completa sem a ressurreição. (Bíblia do Peregrino, Paulus)

 

Santos Abade de Cluny

 

 

Entre 926 e 1156, a célebre Abadia de Cluny, na França, foi governada quase ininterruptamente por santos abades: Santos Odon (926-942), Majolo (965-994), Odilon (998-1048), Hugo (1049-1109) e Pedro, o Venerável (+1156). Nesse período Cluny espalhou sua influência benéfica por toda a Europa, chegando a coordenar mais de 2000 mosteiros fervorosos, revigorando espiritualmente toda a Cristandade e produzindo também na ordem temporal excelentes efeitos.

 

Animação Bíblica da Pastoral

Dom José Antonio Peruzzo, Bispo de Palmas-Francisco Beltrão - PR

 

Quem lê atentamente o Documento de Aparecida surpreende-se com algumas constatações corajosas a que a Igreja se propõe. Será necessário um tempo longo, paciente, assinalado por muita perseverança, para integrar à nossa vivência eclesial aquelas percepções tão verazes e, ao mesmo tempo, muito impregnadas das características genuínas dos cristãos dos primeiros dias da Igreja. Ao escrever este parágrafo, penso na ênfase a temáticas tão relevantes e de grande recorrência como “encontro pessoal com Cristo”, “conversão pastoral”, “conhecimento da Palavra”, anseio dos discípulos de Jesus em “alimentar-se com o Pão da Palavra”... As citações poderiam se enumerar e alongar. Estas menções pretendem apenas lembrar que se está tocando em questões e possibilidades sem as quais a Igreja poderia desfigurar gravemente sua própria identidade de discípula e missionária.

 

Ao mesmo tempo, muito já se falou que a humanidade atravessa um severo processo de transformação cultural. O mesmo já recebeu muitos nomes. Aqui, para simplificar, será mencionado apenas aquele já bastante conhecido: a chamada mudança de época. E este fenômeno é impossível mensurar. Tampouco se pode freá-lo. Seus desdobramentos suscitam, a cada dia, novas surpresas e perplexidades. Em meio a toda esta ebulição, quase tudo faz pensar que nos encaminhamos para a passagem de uma realidade de cristandade para outra de diáspora. Há muitos elementos a nos sugerir que, em termos de evangelização, teremos muitas proximidades com os caminhos e situações do cristianismo primitivo. E tudo isso está a instar os discípulos missionários do nosso tempo a indagações sobre os melhores percursos a palmear quando se trata de “transmitir a fé”. Afinal, é ela, a transmissão da fé em Jesus Cristo, a razão fundante de toda a ação evangelizadora.

 

Os primeiros cristãos não falaram de animação bíblica da pastoral. Mas a sua evangelização era profundamente bíblica; inteiramente perpassada pelas experiências e revelações bíblicas. Para anunciar a pessoa de Jesus Cristo, o Salvador ressuscitado, todas as esperanças do Antigo Testamento eram evocadas.  Era assim nos dias apostólicos. Basta observar o pensamento paulino ou as pregações presentes nos Atos do Apóstolos. E quando o anúncio do Evangelho recebeu sua formulação escrita, então quase tudo era matizado pela palavras dos evangelistas e dos apóstolos. Basta pensar nos primeiros escritos catequéticos  (Didaqué); nas reflexões de Orígenes, lançando as primeiras raízes da Lectio Divina; e também a fecunda teologia dos Santos Padres. Era a Bíblia, ou melhor, a Palavra, a conferir motivação, a dar ânimo, a suscitar força perseverante e transfigurar o sentido de suas vidas. Porque afinados com a Palavra, seu modo de pensar, de projetar, de realizar e de celebrar, era inteiramente impregnado da força transformadora gerada pelo encontro com o Senhor mediante a Palavra. Eram evangelizadores “biblicamente animados”. Muito animados.

 

Pois bem, a animação bíblica de toda a Pastoral é um tema que retorna à ribalta nestes últimos tempos. Parece interessante observar o sentido da expressão a partir de sua etimologia. Por este caminho é possível vislumbrar o que se quer acentuar. O termo latino animus refere-se àquela força interior, àquele princípio espiritual que, a partir de dentro, move ou motiva alguém a determinadas escolhas e ações. É como que a alma que suscita dinamismos em favor de uma causa.  O contrário é des-ânimo, falta de vigor, de alegria, falta de encanto. O Documento de Aparecida (n. 248) ao propor a animação bíblica da pastoral associa-a com “fonte de evangelização”, com “alimento com o Pão da Palavra”, com “encontro com Jesus Cristo vivo”. Basta observar as imagens de fundo: se secar a fonte, secará o córrego. Se faltar alimento, debilita-se o corpo. Se faltar encontro, vai-se a amizade.

 

Ainda caminhando pelos trilhos da etimologia, muito ajuda a perceber o sentido originário do termo “pastoral”. Pastoral vem de pastor, que, por sua vez, está ligado a pastagem. E a tal  da pastagem é dotada de uma grande força simbólica, associada à vida, à serenidade, à paz. Um dos melhores retratos figurativos do AT é o Sl 23: “O Senhor é o meu pastor, nada me falta”. Em seguida afloram expressões figurativas como “descansar em verdes prados”, “conduzir a águas tranqüilas”, “restaurar forças”, “guiar pelo caminho certo”, “bastão e cajado” que dão segurança, “mesa farta”, “habitar na casa do Senhor”. É este o linguajar do AT para falar de um bom pastoreio. É marcado por experiências ricas de esperanças (“restaurar forças”), de vida generosa e abundante (“verdes prados”), de paz (“descanso”, “águas tranqüilas”). Resultam da gratuidade de Deus, que se volta atento para o seu escolhido. É esta a experiência do salmista.

 

Por outro lado, Jesus, o bom Pastor, servindo-se de figuras semelhantes, dá um passo decisivo. Não se trata apenas das graças com as quais Deus cumula os seus. Vai mais além: agora se refere a quem Ele é estando com as suas ovelhas. O evangelho de João é quem nos ajuda. No cap. 10 há várias expressões primorosas: “Eu sou o bom pastor”, cuja característica é dar a própria vida em favor das ovelhas (vs. 11.14); sua relação com elas é de conhecimento recíproco (v. 14); elas conhecem a voz do pastor (vs. 4.16).  Ora, se a palavra “pastoral” procede desta terminologia, isso quer dizer que a mesma “pastoral” não se volta apenas para a oferta de serviços religiosos. Ainda que estes sejam feitos com generosidade, qualquer programa pastoral terá um caráter de pastoreio somente na medida em que as ovelhas puderem ouvir a voz amorosa do seu pastor e a Ele possam dar sua resposta. E o Povo de Deus “tem radar”, isto é, percebe quando os homens e mulheres de Igreja falam do que “ouviram do Senhor” ou quando é apenas discurso religioso.

 

Pois bem, agora podem-se tentar algumas achegas à expressão “Animação bíblica da Pastoral”. Antes, porém, cabem algumas premissas: animação bíblica quer se referir a ânimo gerado a partir da Palavra. Palavra é “pessoa”. Não se trata, pois de “animar-se” a partir das idéias ou das estratégias de Jesus. Tampouco se trata apenas de estudá-Lo. O discípulo não ama a pessoa de Jesus simplesmente porque o estuda. Estudá-Lo é possível até sem ser discípulo. Um exemplo será de grande ajuda agora: quem conhece mais um adolescente? Sua mãe, que muito o ama, ou o psicólogo que o examinou com todos os métodos das ciências do comportamento? É evidente que a mãe conhece melhor. Ela procura o especialista porque ama o filho; não o inverso, não procura o especialista para poder amar o filho. Ela e ele necessitarão, provavelmente, da palavra especializada, mas é nas relações de partilha afetuosa e interpessoal que o adolescente e sua mãe se construirão. Isso não se dá com ciência, mas nas experiências de amor vivido.

 

Voltando à “animação bíblica da pastoral” talvez seja útil começar por dizer o que ela não é. Não é mais uma “pastoral” entre outras, com seu coordenador, sua equipe, seu calendário de encontros e participações. Embora sejam necessários e, mais do que isso, indispensáveis, os encontros de estudo e formação ainda não são o “ânimo vital”, e não necessariamente “pastoreiam”. Então, o que é Animação Bíblica? Trata-se de “ânimo” que brota da Palavra. Palavra não é um conjunto de idéias, não é pensamento, não é conceito sobre Jesus. Palavra, aquela que se tornou Escritura, é portadora da pessoa mesma de Jesus. Algo parecido com a jovem que, ao receber a carta do seu amado, beija-a. Ela não quer beijar o papel, ou algumas frases. Ela está voltada à pessoa amada. O mesmo se pode falar da relação com Jesus mediante a Palavra presente na Bíblia. Por ela, pela palavra bíblica, é possível a amizade com Ele. Pela palavra bíblica se cultiva a afeição, o encontro, o silêncio atento diante dEle, a obediência a Ele, sempre com gratuidade e com confiança.

 

Em sua bela exortação pós-sinodal, o Papa Bento XVI se refere explicitamente à Animação Bíblica da Pastoral (n. 73). E explica que não se trata de sobrepor um ou outro evento singular a respeito da Bíblia. Ninguém pode falar convincentemente de uma pessoa sem ter-se encontrado com ela. Seria apenas “falar por ouvir dizer”. Seria apenas informação. E ninguém evangeliza oferecendo informações sobre Jesus. Para transmitir a fé, para anunciar a pessoa de Jesus, é necessário tê-lo encontrado; é preciso tê-lo experimentado; é preciso se deixar alcançar por Ele. É vivenciar o fascínio deste encontro, que nunca será “neutro”. Sempre haverá alguma reação-resposta. Alguns personagens dos evangelhos podem nos ajudar: Nicodemos (Jo 3,1-21), a Samaritana (Jo 4,1-12), Zaqueu (Lc 19,1-10), também Paulo, nunca mais foram os mesmos. Tornaram-se “agentes de pastoral” profundamente assinalados pelo encontro com o Senhor.

 

Pois bem, por Animação Bíblica da Pastoral não quer enunciar novos formatos, novos esquemas e organismos, novas sistematizações organizacionais de paróquias ou dioceses. Mais do que tudo, e antes de qualquer outra iniciativa, por animação bíblica se pretende dizer que todos os agentes evangelizadores, seja eles bispos, padres, religiosos, catequistas, ministros extraordinários, coordenadores, administradores de quaisquer instituições eclesiásticas, que todos tenham o “ânimo”, a linfa interior originada do encontro com Ele mediante a Palavra. E quem o encontra alegra-se com Ele, fala com Ele, compreende com os critérios e valores dEle, interpreta com Ele, assume as escolhas dEle. O agente de pastoral biblicamente animado não passa a fazer mais coisas, ou ter mais outros compromissos de agenda. Não é um modo de fazer. É um modo de ser diante de Jesus Cristo e, por causa dEle, um novo modo de ser diante dos outros.

 

Não se trata de intimismo. O intimista está à procura de suas conveniências mediante gratificações subjetivas de tipo religioso ou místico. Trata-se sim de intimidade com Jesus. A intimidade cria e aprofunda relações, transforma corações, recria ou renova opções e também move a ações. A intimidade com Ele traz paz e alegria. E se difunde a partir de quem a experimenta. Bento XVI assim se expressou referindo-se a animação bíblica: Que “se tenha realmente a peito o encontro pessoal com Cristo que Se comunica a nós na sua Palavra. Dado que ‘a ignorância das Escrituras é a ignorância de Cristo’, então podemos esperar que a animação bíblica de toda a pastoral ordinária e extraordinária levará a um maior conhecimento da Pessoa de Cristo, Revelador do Pai e plenitude da Revelação divina” (Verbum Domini, 73).

 

O que fazer para que nossos evangelizadores sejam “biblicamente animados”? Trata-se fundamentalmente de espiritualidade bíblica. Esta pode ser cultivada de diferentes modos. Vale lembrar que a Palavra tem uma “potência sacramental” (cf. Verbum Domini 56; 195) ou seja, ela realiza o que pronuncia. A liturgia, celebrada como verdadeira linguagem do mistério da pessoa de Jesus e a Leitura Orante da Palavra apresentam-se como as melhores possibilidades para que os discípulos de hoje, do mesmo modo como os da primeira hora da Igreja, evangelizem biblicamente inspirados. [CNBB]

 

Deus é o único Senhor da vida. A vida e a morte do homem estão nas mãos de Deus. (Papa João Paulo II)