Quarta-feira, 11 de março de 2009
Segunda Semana da Quaresma, Ano Ímpar, 2ª Semana do Saltério, cor Litúrgica Roxa
Não me abandoneis jamais, Senhor, meu Deus, não fiqueis longe de mim! Depressa, vinde em meu auxílio, ó Senhor, minha salvação. (Sl 37,22-23)
Santos do Dia: Adolfo de Osnabrück (monge, bispo), Ardano de Tournus (abade), Bento de Aniane (abade, eremita), Calógero de Ravena (bispo), Castrense de Cápua (bispo), Gregório II (papa), Jonas de Demeskenyanos (eremita), Lázaro de Milão (bispo), Lúcio (bispo de Adrianópolis) e Companheiros (mártires), Pascoal I (papa), Saturnino, Dativo, Félix, Ampélio e Companheiros (mártires),Severino de Agaunum (abade), Teodora (imperatriz), Isabel Salviati (monja camaldulense, bem-aventurada), Heloísa de Coulombs (virgem, bem-aventurada).
Oração: Ó Deus, conservai constantemente vossa família na prática das boas obras e, assim como nos confortais agora com vossos auxílios, conduzi-nos aos bens eternos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.
I Leitura: Jeremias (Jr 18, 18-20)
Jeremias busca segurança em Deus
Naqueles dias, 18disseram eles: "Vinde para conspirarmos juntos contra Jeremias; um sacerdote não deixará morrer a lei; nem um sábio, o conselho; nem um profeta, a palavra. Vinde para o atacarmos com a língua, e não vamos prestar atenção a todas as suas palavras". 19Atende-me, Senhor, ouve o que dizem meus adversários. 20Acaso pode-se retribuir o bem com o mal? Pois eles cavaram uma cova para mim. Lembra-te de que fui à tua presença, para interceder por eles e tentar afastar deles a tua ira. Palavra do Senhor!
Comentando a I Leitura[1]
Vinde, ataquemo-lo
A história é cheia de exemplos de inocentes que sofrem e de justos perseguidos ou obrigados a calar por homens que se sentem perturbados em suas conseqüências. Nestes continua a história de Cristo, traído pelos seus, perseguido pelos poderosos, condenado à morte de cruz. A oração de Jesus, semelhante à de Jeremias pelo sentido que exprime e pela compaixão, tão semelhante à sorte que coube a Jeremias, não leva mais o grito da humanidade incapaz de compreender a dor, mas torna-se motivo de conforto para os homens provados pelo sofrimento e angústia da morte, porque Cristo nos salvou por sua morte. A cruz, depois de Jesus Cristo, torna-se símbolo de vida; não perde a dureza, mas já não é destituída de significado.
Salmo: 30 (31), 5-6.14.15-16 (R/.17b)
Salvai-me pela vossa compaixão, ó Senhor Deus
5Retirai-me desta rede traiçoeira, porque sois o meu refúgio protetor! 6Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito, porque vós me salvareis, ó Deus fiel!
14Ao redor, todas as coisas me apavoram; ouço muitos cochichando contra mim; todos juntos se reúnem, conspirando e pensando como vão tirar-me a vida.
15A vós, porém, ó meu Senhor, eu me confio, e afirmo que só vós sois o meu Deus! 16Eu entrego em vossas mãos o meu destino; libertai-me do inimigo e do opressor!
Evangelho: Mateus (Mt 20, 17-28)
Eles o condenarão à morte
Naquele tempo, 17enquanto Jesus subia para Jerusalém, ele tomou os doze discípulos à parte e, durante a caminhada, disse-lhes: 18"Eis que estamos subindo para Jerusalém, e o Filho do Homem será entregue aos sumos sacerdotes e aos mestres da lei. Eles o condenarão à morte, 19e o entregarão aos pagãos para zombarem dele, para flagelá-lo e crucificá-lo. Mas no terceiro dia ressuscitará".
20A mãe dos filhos de Zebedeu aproximou-se de Jesus com seus filhos e ajoelhou-se com a intenção de fazer um pedido. 21Jesus perguntou: "O que tu queres?" Ela respondeu: "Manda que estes meus dois filhos se sentem, no teu reino, um à tua direita e outro à tua esquerda". 22Jesus, então, respondeu-lhes: "Não sabeis o que estais pedindo. Por acaso podeis beber o cálice que eu vou beber?" Eles responderam: "Podemos". 23Então Jesus lhes disse: "De fato, vós bebereis do meu cálice, mas não depende de mim conceder o lugar à minha direita ou à minha esquerda. Meu Pai é quem dará esses lugares àqueles para os quais ele os preparou".
24Quando os outros discípulos ouviram isso, ficaram irritados contra os dois irmãos. 25Jesus, porém, chamou-os e disse: "Vós sabeis que os chefes das nações têm poder sobre elas e os grandes as oprimem. 26Entre vós não deverá ser assim. Quem quiser tornar-se grande, torne-se vosso servidor; 27quem quiser ser o primeiro, seja vosso servo. 28Pois, o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate em favor de muitos".Palavra da Salvação!
Leituras paralelas nos Evangelhos Sinóticos: Mc 10, 32-34; Lc 18, 31-34
(Terceiro anúncio da paixão) e Mc 10, 35-45 (Contra a ambição).
Comentário do Evangelho[2]
O exemplo do Filho do Homem
Apesar do testemunho de Jesus, os discípulos estavam atrelados aos esquemas mundanos, mostrando-se pouco sensíveis aos ensinamentos do Mestre. O intento dos filhos de Zebedeu foi uma prova disto. Fazendo ouvido de mercador, quando Jesus revelou seu destino de sofrimento e morte, estavam preocupados em garantir para si os melhores lugares no Reino a ser instaurado. Bem se vê que estavam longe de sintonizar com o Reino anunciado por Jesus, pois imaginavam um reino onde os chefes se tornam tiranos, e os grandes se tornam opressores, por estarem revestidos de autoridade. No Reino almejado por Jesus, a grandeza consiste em pôr-se ao serviço do semelhante, de maneira despretensiosa, e o primeiro lugar será ocupado por quem se dispusera assumir a condição de servo. A tirania cede lugar ao serviço, e a opressão transforma-se em amor eficaz em benefício do próximo. Bastava contemplar o modo de proceder do Mestre Jesus que se autodenomina “Filho do Homem”. Jamais buscara ser servido, como se a sua condição de enviado do Pai lhe desse este direito; tampouco teve a arrogância de se considerar superior a quem quer que seja. Manteve sempre sua postura de servo, consciente da missão recebida do Pai, a ponto de entregar a sua própria vida para que toda a humanidade obtivesse salvação. Dera o exemplo no qual os discípulos deveriam inspirar-se.
São Eulógio de Córdoba[3]
Grandes martírios ocorreram de 824 a 931, de 850 a 859 em perseguições dos muçulmanos extremistas da África do Norte contra os cristãos, sob os emires Abd-ar-ramam II e Muhammad I. E então surgiu o movimento religioso de São Eulógio de Córdoba: os cristãos se apresentavam voluntariamente para o martírio a fim e despertar o entusiasmo religioso em seus irmãos de fé. Cristão desde o berço foi educado no catolicismo por um abade chamado Esperandeio, em meio aos esplendores da corte árabe sediada em Córdoba. Ordenando-se sacerdote, consagrou-se à difusão do Evangelho, tanto pregando quanto escrevendo, o que despertou um espírito mais combativos nos cristãos. Proclamou abertamente as imposturas do Alcorão e da vida de Maomé, sendo seguido por muitos discípulos. Isso motivou a perseguição do muçulmanos E em, 858 são Eulógio foi sagrado arcebispo metropolitano de Toledo, mas não conseguiu tomar posse, porque foi preso, encarcerado e decapitado em 11 de março de 859. Eulógio é, certamente, o mais ilustre dos mártires de Córdoba. Foi sepultado na Igreja de São Zoilo, catedral de Córdoba e de imediato foi considerado santo e mártir pelo povo da Espanha.
Ele (Jesus) treinara seus discípulos para transformar pedras em diamantes. (Augusto Cury)