Quarta-feira, 10 de novembro de 2010

São Leão Magno (Papa e Doutor), Memória, 4ª do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Branca

 

Hoje: Dia do Trigo

 

Santos: Adelino de Séez (monge, bispo), Aido MacBricc (bispo), André Avelino (presbítero de Nápoles), Demétrio, Aniano, Eustósio e Companheiros (mártires), Guerembaldo de Hirschau (monge), João de Ratzeburg (bispo, mártir), Justo de Cantuária (monge, bispo), Monitor de Orlèans (bispo), Probo de Ravena (bispo), Teoctista de Lesbos (virgem), Tibério, Modesto e Florência (mártires), Trifena e Trifosa (santas mulheres, mencionadas no Novo Testamento), Trifon, Respício e Ninfa (mártires venerados em Roma), Vitória (virgem, mártir), Ambrósio de Massa (franciscano, bem-aventurado), André de Baudiment (abade, bem-aventurado).

 

Antífona: O Senhor o escolheu párea a plenitude do sacerdócio e, abrindo seus tesouros, o cumulou de bens.

 

Oração: Ó Deus que jamais permitis que as potências do mal prevaleçam contra a vossa Igreja, fundada sobre a rocha inabalável do papa são Leão, permanecer firme na verdade e gozar paz para sempre. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Carta de São Paulo aos Filipenses (Tt 3, 1-7)
Ele salvou-nos por sua misericórdia

 

Caríssimo, 1admoesta a todos que vivam submissos aos príncipes e às autoridades, que lhes obedeçam e estejam prontos para qualquer boa obra. 2Não injuriem a ninguém, sejam pacíficos, afáveis e dêem provas de mansidão para com todos os homens. 3Porque nós outrora éramos insensatos, rebeldes, extraviados, escravos de toda sorte de paixões e prazeres, vivendo na maldade e na inveja, dignos de ódio e odiando uns aos outros. 4Mas um dia manifestou-se a bondade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor pelos homens: 5Ele salvou-nos não por causa dos atos de justiça que tivéssemos praticado, mas por sua misericórdia; quando renascemos e fomos renovados no batismo pelo Espírito Santo, 6que ele derramou abundantemente sobre nós por meio de nosso Salvador Jesus Cristo. 7Justificados, assim, pela sua graça, nos tornamos na esperança herdeiros da vida eterna. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

Outrora éramos extraviados, mas

por sua misericórdia ele nos salvou

 

Mansidão e doçura para com todos são duas virtudes tipicamente cristãs (cf Mt 11,29). O homem não é inclinado à mansidão; esta exige contínua luta contra si mesmo, domínio de si, negação do próprio egoísmo; comporta paciência, constância e coragem, renúncia e sacrifício. "Quanto mais se desenvolve a bondade na própria vida, tanto mais contagiosa ela se torna, a ponto de submergir o ambiente que nos circunda" (Gandhi). O papa João XXIII conquistou o mundo com a força desta virtude. A doçura educa para a compreensão, a demência, a humildade, a plena e contínua comunhão com Deus. A mansidão é sua mais alta e delicada expressão, porque, esquecendo-se de si mesmo, alguém vive e trabalha para os outros. [MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo Responsorial: 22 (23), 1-3a.3b-4.5.6 (R/.1) 
O Senhor é o Pastor que me conduz, não me falta coisa alguma

 

1O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa alguma. 2Pelos prados e campinas verdejantes ele me leva a descansar. Para as águas repousantes me encaminha, 3ae restaura as minhas forças.

 

3bEle me guia no caminho mais seguro, pela honra do seu nome. 4Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei. Estais comigo com bastão e com cajado, eles me dão a segurança!

5Preparais à minha frente uma mesa, bem à vista do inimigo; com óleo vós ungis minha cabeça, e o meu cálice transborda.

 

6Felicidade e todo bem hão de seguir-me, por toda a minha vida; e, na casa do Senhor, habitarei pelos tempos infinitos.

 

 

Evangelho: Lucas (Lc 17, 11-19)
Levanta-te e vai! Tua fé te salvou.

 

11Aconteceu que, caminhando para Jerusalém, Jesus passava entre a Samaria e a Galiléia. 12Quando estava para entrar num povoado, dez leprosos vieram a seu encontro. Pararam à distância, 13e gritaram: "Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!" 14Ao vê-los, Jesus disse: "Ide apresentar-vos aos sacerdotes". Enquanto caminhavam, aconteceu que ficaram curados. 15Um deles, ao perceber que estava curado, voltou glorificando a Deus em alta voz; 16atirou-se aos pés de Jesus, com o rosto por terra, e lhe agradeceu. E este era um samaritano. 17Então Jesus lhe perguntou: "Não foram dez os curados? E os outros nove, onde estão? 18Não houve quem voltasse para dar glória a Deus, a não ser este estrangeiro?" 19E disse-lhe: "Levanta-te e vai! Tua fé te salvou".  Palavra da Salvação!

 

 

Comentando o Evangelho

O louvor de Deus

 

O samaritano distinguiu-se de seus companheiros, todos curados por Jesus, por sua capacidade de reconhecer a ação misericordiosa de Deus em sua vida. Liberto da lepra, só ele se sentiu motivado a proclamar os louvores de Deus, numa atitude de gratidão e reconhecimento. Seu gesto valeu-lhe a salvação, publicamente afirmada por Jesus: A tua fé te salvou!


Os outros nove, todos judeus, detiveram-se no nível da cura material. O samaritano, pelo contrário, foi além. E recebeu muito mais que os outros. Sua iniciativa assemelhou-o aos pobres e excluídos, sempre prontos a agradecer pelo mínimo serviço que se lhes presta. A ingratidão é própria dos ricos e prepotentes. Pensando ter todo mundo à sua disposição e obrigado a prestar-lhe serviço, sentem-se desmotivados a mostrar-se agradecidos. Os servos têm a obrigação de servi-lo sem reclamar. Comportam-se, assim, até mesmo com Deus. Julgam desnecessário demonstrar-lhe gratidão.


A parábola evangélica contrapõe um grupo de judeus a um samaritano, identificado como pagão e estrangeiro. Os que se omitiram de louvar e agradecer a Deus, perdendo a chance de mostrar sua fé, foram os que, por origem e formação religiosa, estavam mais perto de Jesus. O estrangeiro e distante, excluído e menosprezado, foi mais sensível.


É esta a situação dos cristãos, em relação aos pagãos, recém-convertidos à fé? [O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano C,  ©Paulinas, 1996]

 

Para Sua Reflexão:

Embora não se trate de lepra em sentido clínico, trata-se de uma doença grave e contagiosa, de pele, que impede a participação no culto e na vida civil ordinária. O Levítico regula a conduta desses doentes, pensando mais em proteger os outros do contágio do que em prestar ajuda aos necessitados. Também regula a conduta em caso de dar a permissão para a reincorporação plena à sociedade. Um caso parecido, embora menor, se conta de Maria, irmã de Moisés, confinada sete dias fora do acampamento (Nm 12, 9-16); é clássico o caso do sírio Naamã, curado nas águas do Jordão e convertido no culto do Deus de Israel; muito curiosa é a atuação dos quatro leprosos durante o cerco de Samaria (2Rs 7). Os doentes incuráveis se movem em grupos. Quando chega Jesus, ficam a certa distância, para não contaminarem: “Afasta-te, estou impuro, afasta-te, não me toqueis!” (Lm 4, 15); e daí gritam pedindo ajuda. A ordem que Jesus dá implica o processo de cura, pois adianta o final, o testemunho oficial dos sacerdotes. Ao obedecer a Jesus, os leprosos já demonstram confiança, pois do contrário, evitariam o diagnóstico oficial. Pelo caminho de ida descobrem que estão curados, sem necessidade de abluções, banhos e vários ritos, e então um volta sem mais para agradecer, enquanto os outros, cumprindo o mandato de Jesus, preocupam-se com o aspecto jurídico, ou seja, o ser oficialmente declarados curados. [Bíblia dos Capuchinhos]

 

 

 

 

São Leão Magno

 

 

 

O Papa Leão Magno, nasceu na Toscana no ano 440, fim do século IV. Não temos muitas notícias biográficas dele. O Papa Leão não gostava de falar de si em seus escritos. Elevado ao trono pontifício em 440, Leão, nos vinte e um anos de pontificado realizou em torno de sua sede a unidade de toda Igreja, impedindo a usurpação de Jurisdição, eliminando abusos do poder, temperando as ambições do patriarcado constantinopolitano e do vicariato de Arles.

 

Tinha uma idéia altíssima de suas funções: sabia assumir a dignidade, o poder e a solidão de Pedro, chefe dos apóstolos. Mas as suas atitudes, constante e rigidamente sacerdotais, hieráticas, não fazem um pano de fundo ao calor humano e também ao entusiasmo, que transparecem dos 96 Sermões e das 173 Cartas  chegados até nós. De modo especial as homilias nos mostram o Papa, um dos maiores da história da Igreja, paternalmente dedicado ao bem espiritual dos seus filhos, aos quais fala com linguagem acessível, traduzindo seu pensamento em fórmulas sóbrias e eficazes para a prática da vida cristã. As suas cartas dado o estilo culto, atento as certas cadências eficazes, dão a medida de sua rica personalidade. Espírito muito compreensivo e de larga visão, não se apega a detalhes de uma questão doutrinal. Todavia participa ativamente na elaboração dogmática do grave problema teológico tratado no concílio de Calcedônia, convocado pelo imperador do Oriente para a condenação do monofisismo.

 

No ano 451, durante o concílio de Calcedônia, a sua carta sobre as duas naturezas de Cristo foi aplaudida pelos Bispos reunidos que disseram: Pedro falou pela boca de Leão.  Ele foi o primeiro Papa que recebeu dos pósteros o apelido de Magno (grande), não só pelas qualidades literárias e pela firmeza com que sustentou o decadente império do Ocidente, mas pela estabilidade dogmática que transparece das suas cartas, dos seus sermões e das orações litúrgicas da época.

 

São Leão Magno morreu a 10 de novembro do ano 461.

ttp://www.santafamilia.com/santododia/novembro/10.html

 

Sermão de São Leão Magno sobre o jejum

 

O que pode ser mais eficaz do que o jejum? Por sua observância nos aproximamos de Deus e, resistindo ao diabo, triunfamos da sedução dos vícios. O jejum sempre foi um alimento para a virtude. Da abstinência, enfim, procedem os pensamentos castos, a vontade reta, conselhos saudáveis; e pela mortificação voluntária do corpo, damos morte à concupiscência da carne, renovando o espírito pela prática das virtudes. Mas como a salvação de nossas almas não é conquistada apenas pelo jejum, completemo-lo pela misericórdia para com os pobres. Seja abundante em generosidade o que retiramos ao prazer; que a abstinência dos que jejuam reverta para o alimento dos pobres. Pensemos na defesa das viúvas, no socorro dos órfãos, na consolação dos que choram, na paz aos revoltosos. Que o peregrino seja recebido, que o oprimido seja ajudado, que o nu seja vestido, que o doente seja curado, a fim de que, todos os que oferecerem o sacrifício de nossa piedade, por estas boas obras, a Deus, autor de todos estes bens, mereçam receber Dele, o prêmio do Reino Celeste. [capela.org.br]

 

 

Sua vida é exatamente aquilo que você crê que vai ser. É no presente que se cria o futuro. (David Viscott)