Quarta-feira, 10 de agosto de 2011

S. Lourenço (diácono e Mártir),  Ofício Festivo, Ano Impar, 3ª do Saltério (Livro III), cor Vermelha

 

Santos: Lourenço (258, diácono martirizado em Roma), Astéria de Bérgamo (virgem, mártir), Aurélio (mártir, venerado em Cutigliano), Bassa, Paula e Agatônica (virgens, mártires), Deusdedit de Roma (leigo), Gerôncio da Danônia (rei, mártir), Irineu (mártir, venerado em Cutigliano), Tiento e Companheiros (monges, mártires).

 

Antífona: São Lourenço entregou-se a si mesmo ao serviço da Igreja. Foi digno de sofrer o martírio e de subir com alegria para junto do Senhor Jesus.

 

Oração: Ó Deus, o vosso diácono Lourenço, inflamado de amor por vós, brilhou pela fidelidade no vosso serviço e pela glória do martírio; concedei-nos amar o que ele amou e praticar o que ensinou. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: Coríntios (2Cor 9, 6-10)
Deus ama quem dá com alegria

 

Irmãos, 6"Quem semeia pouco colherá também pouco e quem semeia com largueza colherá também com largueza". 7Dê cada um conforme tiver decidido em seu coração, sem pesar nem constrangimento; pois Deus "ama quem dá com alegria".

 

8Deus é poderoso para vos cumular de toda sorte de graças, para que, em tudo, tenhais sempre o necessário e ainda tenhais de sobra para toda obra boa, 9como está escrito: "Distribuiu generosamente, deu aos pobres; a sua justiça permanece para sempre".

 

10Aquele que dá a semente ao semeador e lhe dará o pão como alimento, ele mesmo multiplicará as vossas sementes e aumentará os frutos da vossa justiça. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

As bênçãos da liberalidade

 

Paulo dá um base teológica e bíblica a seu apelo financeiro. A generosidade é sua própria recompensa. Quem dá com liberalidade beneficia-se da mesma dádiva. Paulo exprime os ensinamentos de Jesus sobre o luso dos talentos e sobre a medida com a qual o fiel é convidado a participar. Deus é infinito em dons, por isso não há necessidade de cobiçar nem entesourar os que nos são confiados. O papel do fiel é exprimir a riqueza de Deus em interesse pelos pobres, enquanto age como servo de Deus. Essa forma de justiça exige fé nos recursos ilimitados de Deus. Toda essa participação é motivada pelo desejo de proclamar o nome de Deus e dar as devidas graças a Deus. [COMENTÁRIO BÍBLICO, ©Edições Loyola, 1999]

 

 

Salmo: 111 (112), 1-2. 5-6. 7-8. 9 (+ 5a)
Feliz o homem caridoso e prestativo

 

Feliz o homem que respeita o Senhor e que ama com carinho sua lei! Sua descendência será forte sobre a terra, abençoada a geração dos homens retos!

 

Feliz o homem caridoso e prestativo, que resolve seus negócios com justiça. Porque jamais vacilará o homem reto, sua lembrança permanece eternamente!

 

Ele não teme receber notícias más: confiando em Deus, seu coração está seguro. Seu coração está tranqüilo e nada teme, e confusos há de ver seus inimigos.

 

Ele reparte com os pobres os seus bens, permanece para sempre o bem que fez, e crescerão a sua glória e seu poder.

Evangelho: João (Jo 12, 24-26)
Se alguém me serve, meu Pai o honrará

 

Naquele tempo disse Jesus a seus discípulos: 24"Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele continua só um grão de trigo; mas se morre, então produz muito fruto. 25Quem se apega à sua vida, perde-a; mas quem faz pouca conta de sua vida neste mundo conserva-la-á para a vida eterna. 26Se alguém me quer servir, siga-me, e onde eu estou estará também o meu servo. Se alguém me serve, meu Pai o honrará". Palavra da Salvação!

 

 

Comentário o Evangelho

Cai na terra, germina e dá frutos


Os evangelhos sinóticos narram a parábola da semente que cai na terra, germina e dá frutos. A semente, aí, significa a Palavra de Deus ou o Reino de Deus. João usa a mesma imagem, como grão de trigo, porém seu significado é o próprio Jesus. Destaca o aspecto da "morte" do grão para a transformação que dará origem à planta que germina e aos frutos que virão. É uma alusão a Jesus que entrega sua vida, com fidelidade total, até a morte, gerando os frutos das comunidades de discípulos que continuarão sua missão.

 

Esse "morrer" é a expressão do desapego completo da via como realização conforme os critérios deste mundo. É com tal desapego que se dá frutos para a vida eterna.


O encontro com a vida não acontece de forma individual e egoística, mas sim na comunhão solidária com os irmãos, particularmente os mais excluídos e carentes. Salva-se a vida neste mundo quando se compreende que a minha própria vida, minha alegria e felicidade são encontradas à medida que me empenho no resgate, na valorização e no desabrochar da vida dos irmãos, sem exclusões. O seguimento de Jesus se faz com o dom total de si mesmo, a favor da vida. Assim se estará onde Jesus estiver, junto ao Pai, na união do eterno amor. [O EVANGELHO DO DIA. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1998]

 

 

São Lourenço de Huesca

 

Lourenço de Huesca ou São Lourenço (Huesca ou Valência, Espanha, 225 — Roma, 10 de Agosto de 258) foi um mártir católico e um dos sete primeiros diáconos (guardiães do tesouro da Igreja) da Igreja Cristã, sediada em Roma.

 

O cargo de diácono era de grande responsabilidade, pois consistia no cuidado dos bens da Igreja e a distribuição de esmolas aos pobres. No ano 257 Valeriano decretou a perseguição dos cristãos e, ao ano seguinte, foi detido e decapitado o Papa Sisto II.

 

Segundo as tradições, quando o Papa São Sixto se dirigia ao local da execução, São Lourenço ia junto a ele e chorava. "aonde vai sem seu diácono, meu pai?", perguntava-lhe. O Pontífice respondeu: "Não pense que te abandono, meu filho, pois dentro de três dias me seguirá".

 

Após a execução do Papa, o imperador ameaçou a Igreja para entregar as suas riquezas no prazo de 3 dias. Passados três dias, São Lourenço levou as pessoas que foram auxiliadas pela Igreja e os fiéis cristãos diante do imperador. Depois, exclamou a seguinte frase que lhe valeu a morte: "Estes são o patrimônio (riquezas) da Igreja". O imperador, furioso e indignado, mandou prendê-lo, e ser queimado vivo sobre um braseiro ardente, por cima de uma grelha. A tradição católica diz que o santo conservou seu bom humor mesmo enquanto era executado, dizendo aos que o queimavam: "podem me virar agora, pois este lado já está bem assado". Tornou-se um mártir e ele é considerado um servo fiel da Igreja.

 

Santo Agostinho diz que o grande desejo que tinha São Lourenço de unir-se a Cristo fez com que esquecesse as exigências da tortura. Também afirma que Deus obrou muitos milagres em Roma por intercessão de São Lourenço. Este santo foi, desde o século IV, um dos mártires mais venerados e seu nome aparece no cânone da missa. Foi sepultado no cemitério de Ciriaca, em Agro Verão, sobre a Via Tiburtina. Constantino ergueu a primeira capela no local que ocupa atualmente a igreja de São Lourenço extramuros, a qual é a quinta basílica patriarcal de Roma.

 

Em todo o Mundo cristão, existem muitas igrejas dedicadas a este santo. Geralmente, as estátuas dele apresentam uma grelha (o instrumento que lhe causou a morte) e uma Bíblia nas suas mãos. [Wikepedia]

 

 

Oração da assembleia (Liturgia Diária)

Para que a Igreja, iluminada pelo Espírito, proclame as bem-aventuranças dos mártires, rezemos. Ouvi, Senhor, a nossa prece.

Para que Jesus, grão lançado à terra, dê muitos frutos nos mártires do nosso tempo, rezemos.

Para que a vitória do mártir Lourenço encoraje os que são tentados pelo desânimo, rezemos.

Para que os diáconos da Igreja encontrem em seu padroeiro o motivo e a alegria de sua missão, rezemos.

Para que o sangue de Cristo fortaleça os que lutam por justiça e paz, rezemos.

(preces espontâneas)

 

Oração sobre as Oferendas:

Acolhei, ó Pai, com bondade, as oferendas que vos apresentamos com alegria na festa do diácono Lourenço e fazei que elas possam servir para a salvação do vosso povo. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Aquele que me serve, diz o Senhor, deve seguir-me. E onde eu estiver estará o meu servidor. (Jo 12, 26)

 

Oração Depois da Comunhão:

Ó Deus, saciados por vossos dons, concedei-nos, ao vos prestar o devido culto na festa de são Lourenço, a graça de crescer na salvação. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Para sua reflexão: O grão de trigo deve cair em terra para produzir fruto. Jesus entrará na terra e sua morte produzirá fruto em abundância. Começamos a ver o mundo todo indo atrás dele – a multidão judaica e também os primeiros frutos da safra pagã. É esse mesmo ensinamento, mas em palavras diferentes, que Jesus proclama o v. 32: “Quanto a mim quando eu for elevado da terra, atrairei a mim todos os homens”. O início dessa elevação será a crucificação de Jesus. Nesse episódio, Jesus insiste que a vida será oferecida ao mundo por meio de sua morte. Se ele for enterrado como a semente, se ele for elevado na cruz, então haverá muito fruto; então ele atrairá todos a si. A multidão e os gregos são apenas a colheita inicial. (Comentário Bíblico, Vol 3, Loyola)

 

 

Os Novos Moisés

 

Dom Murilo S. R. Krieger, scj, Arcebispo de São Salvador da Bahia e Primaz do Brasil - BA

 

A Bíblia é, ao mesmo tempo, o livro que nos revela os passos de Deus à procura do ser humano e o livro que apresenta as respostas do ser humano às propostas divinas. Cada pessoa ou comunidade tem muito a aprender com aqueles que exerceram missões na história da salvação. Somos convidados a olhar para suas virtudes, para imitá-los; a tomar conhecimento de suas fraquezas, para não repetirmos seus erros. De poucos personagens bíblicos temos a aprender tanto como de Moisés – ele que libertou os hebreus da escravidão egípcia, que lhes deu a Lei, promulgada no monte Sinai, e que os conduziu até a Terra Prometida.

 

Moisés não queria acreditar no que ouvia. Mas como não acreditar se era o próprio Senhor quem lhe falava? “Vai, desce! Porque se corrompeu o teu povo que tiraste do Egito. Desviaram-se do caminho que prescrevi; fizeram para si um bezerro de metal fundido, prostraram-se diante dele e ofereceram-lhe sacrifícios...” (Ex 32,7-8). Mais difícil ainda era acreditar que seu próprio colega, Aarão, chamado também a ser líder, tinha aceitado a proposta da multidão, para fazer um deus que marchasse à sua frente. Mais: ele é que coordenara o recolhimento de brincos de ouro, fundira o bezerro e construíra o altar diante do qual eram oferecidos sacrifícios. Se para Moisés já não era fácil ver sua gente comendo, bebendo e fazendo festas em honra de um “deus” esculpido por mãos humanas, como, então, compreender a atitude de Aarão?

 

Mesmo assim, Moisés não aceitou o que o Senhor lhe propôs: “Deixa, pois, que se acenda minha cólera contra eles e os reduzirei a nada; mas de ti farei uma grande nação” (Ex 32,10). Moisés concordava que era uma raça “de cabeça dura”; no entanto, sentia-se responsável por ela e pediu ao Senhor misericórdia e perdão. O terrível gesto de idolatria teve sérias consequências para aquele povo chamado a ser “um reino de sacerdotes e uma nação consagrada” (Ex 19,6); não ocorreu, contudo, a rejeição que Moisés tanto temia.

 

Nosso tempo tem urgente necessidade de novos Moisés. Assim como o povo escolhido se cansou, em um dado momento, dos sacrifícios da caminhada, e procurou agarrar-se a coisas mais concretas, hoje não poucos cortam de suas vidas qualquer preocupação com a vida eterna e vivem em função do imediato, do palpável, do prazer aqui e agora. Pior do que o ateísmo intelectual é o ateísmo prático: não se discute a respeito da existência de Deus ou de temas como os “novíssimos” morte, juízo, inferno e paraíso; vive-se como se nada disso fosse realidade e acaba-se construindo um estilo de vida segundo a nova situação, dando um novo vigor à tese do filósofo francês Blondel: “Quem não vive como pensa, acaba pensando como vive”.

 

Necessitamos de novos Moisés. Não é preciso que reajam como o primeiro que, quando se aproximou do acampamento e viu o bezerro e as danças, “sua cólera se inflamou, arrojou de suas mãos as tábuas e quebrou-as ao pé da montanha. Em seguida, tomando o bezerro que tinham feito, queimou-o e esmagou-o até o reduzir a pó, que lançou na água e fez beber aos israelitas” (Ex 32,19-20). Os Moisés de hoje tenham a capacidade de interceder pelo povo com orações e súplicas; saibam oferecer a própria vida em favor dos irmãos; sejam tão seguros do que querem que não se importem se forem incompreendidos e ridicularizados; acreditem que é possível vencer o mal com o bem e, sobretudo, sejam animados de consoladora certeza: a semente, ao ser jogada na terra, desaparece, mas depois germina, transforma-se em planta que  produz frutos; a vida nasce da morte e a Cruz, com tudo o que significou de fracasso e humilhação, foi o passo necessário para que acontecesse a ressurreição.

 

Surjam logo os novos Moisés! E que eles não se esqueçam de levantar sua tenda de reunião, onde possam se entreter com Deus face a face, “como um homem fala com seu amigo” (Ex 33,11). A presença desses novos Moisés na terra dos homens será a garantia de que Deus não se cansou de seu povo, apesar dos bezerros de ouro que continuam a ser fabricados e adorados. [Dom Genival Saraiva, CNBB]

 

O homem verdadeiramente nobre é aquele que sabe ver verdadeiramente justo. (François Fénelon)