Quarta-feira, 9 de junho de 2010

Beato José de Anchieta , Presbítero e Missionário, 2ª do Saltério,  cor Branca

 

Hoje: Dia Nacional de Anchieta, Apóstolo do Brasil, dia do Tenista e dia do Porteiro.

 

Santos: Bem-Aventurada José de Anchieta (Tenerife, Ilhas Canárias, pertenceu à Companhia de Jesus e foi chamado de "Apóstolo do Brasil), Ricardo (Séc. XII, bispo de Andria), Ana Maria Taig (1837, matrona), Diana d'Andalo (1236, virgem), Primo e Feliciano (297, mártires romanos), Columba (597, abade de Iona), Vicente de Agen (300, mártir), Pelágia de Antioquia (311, virgem e mártir), Cecília e Amata (1290, virgens), Silvestre de Valdiseve (1348, beato), Henrique (1666, beato, "o sapateiro")

 

Antífona: Estes são homens santos que se tornaram amigos de Deus, gloriosos arautos de sua mensagem.

 

Oração: Derramai, Senhor, sobre nós a vossa graça, a fim de que, a exemplo do bem-aventurado José de Anchieta, apóstolo do Brasil, sirvamos fielmente ao evangelho, tornando-nos tudo para todos, e nos esforcemos em ganhar para vós nossos irmãos no amor de Cristo. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: I Livro dos Reis (1Rs 18, 20-39)
Para que este povo reconheça que tu, Senhor, és Deus

 

Naqueles dias, 20Acab convocou todos os filhos de Israel e reuniu os profetas de Baal no monte Carmelo. 21Então Elias, aproximando-se de todo o povo, disse: "Até quando andareis mancando com os dois pés? Se o Senhor é o verdadeiro Deus, segui-o; mas, se é Baal, segui a ele". O povo não respondeu uma palavra. 22Então Elias disse ao povo: "Eu sou o único profeta do Senhor que resta, ao passo que os profetas de Baal são quatrocentos e cinqüenta. 23Dêem-nos dois novilhos; que eles escolham um novilho e, depois de cortá-lo em pedaços, coloquem-no sobre a lenha, mas sem pôr fogo por baixo. Eu prepararei depois o outro novilho e o colocarei sobre a lenha e tampouco lhe porei fogo.

 

24Em seguida, invocareis o nome de vosso deus e eu invocarei o nome do Senhor. O Deus que ouvir, enviando fogo, este é o Deus verdadeiro". Todo o povo respondeu, dizendo: Ótima proposição". 25Elias disse então aos profetas de Baal: "Escolhei vós um novilho e começai, pois sois maioria. E invocai o nome de vosso deus, mas não lhe ponhais fogo". 26Eles tomaram o novilho que lhes foi dado e prepararam-no. E invocavam o nome de Baal desde a manhã até o meio-dia, dizendo: "Baal, ouve-nos!" Mas não se ouvia voz alguma e ninguém que respondesse. E dançavam ao redor do altar que tinham levantado. 27Ao meio-dia, Elias zombou deles, dizendo: "'Gritai mais alto, pois sendo um deus, tem suas ocupações. Porventura ausentou-se ou está de viagem; ou talvez esteja dormindo e é preciso que o acordem". 28Então eles gritavam ainda mais forte, e retalhavam-se, segundo o seu costume, com espadas e lanças, até o sangue escorrer.

 

29Passado o meio-dia, entraram em transe até a hora do sacrifício vespertino. Mas não se ouviu voz nenhuma, nem resposta nem sinal de atenção. 30Então Elias disse a todo o povo: "Aproximai-vos de mim". Todo o povo veio para perto dele. E ele refez o altar do Senhor que tinha sido demolido. 31Tomou doze pedras, segundo o número das doze tribos dos filhos de Jacó, a quem Deus tinha dito: "Teu nome será Israel", 32e edificou com as pedras um altar ao nome do Senhor. Fez em redor do altar um rego, capaz de conter duas medidas de sementes. 33Empilhou a lenha, esquartejou o novilho e colocou-o sobre a lenha, 34e disse: "Enchei quatro talhas de água e derramai-a sobre o holocausto e sobre a lenha". Depois, disse: "Outra vez". E eles assim fizeram uma segunda vez. E acrescentou: "Ainda uma terceira vez". E assim foi feito.

 

35A água correu em volta do altar e o rego ficou completamente cheio. 36Chegada a hora do sacrifício, o profeta Elias aproximou-se e disse: "Senhor, Deus de Abraão, de lsaac e de Israel, mostra hoje que tu és Deus em Israel, e que eu sou teu servo e que é por ordem tua que fiz estas coisas. 37Ouve-me, Senhor, ouve-me, para que este povo reconheça que tu, Senhor, és Deus, e que és tu que convertes os seus corações!" 38Então caiu o fogo do Senhor, que devorou o holocausto, a lenha, as pedras e a poeira, e secou a água que estava no rego. 39Vendo isto, o povo todo prostrou-se com o rosto em terra, exclamando: "É o Senhor que é Deus, é o Senhor que é Deus!" Palavra do Senhor!

 

Comentando a I Leitura

Para que este povo reconheça que tu, Senhor, és

Deus, e que és tu que convertes os seus corações!

 

Episódio típico da antiga aliança: é chamado em causa um juízo de Deus" e tudo lhe é deixado. Importante para nós, dentro e além da moldura histórica do fato, a atitude fundamental de Elias. Cumpre colocar o povo em face de suas responsabilidades: deve decidir-se, escolher, tomar posição coerente, por Baal ou por Javé. É inadmissível querer seguir os dois, que são inconciliáveis. Elias quer os motivos e as garantias da escolha: da-las-á o verdadeiro Deus. Tal é a fé em Elias tão decisivo é o momento, que Deus intervém diretamente. A pretensão de Elias era clara, inequívoca: a resposta de Deus não pode deixar dúvidas. E o povo professa sua fé em Javé. Ainda hoje temos necessidade de fazer coerentemente nossa opção ou de reformá-la. Mudaram tempos e modos. mas não mudou a urgência de ser consequente, responsável. E o nosso compromisso cristão é comunitário, de povo. [Missal Cotidiano ©Paulus, 1998]

 

Salmo: 15(16), 1-2a.4.5 e 8.11 (R/. 1)
Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio!

 

Guardai-me, Ó Deus, porque em vós me refúgio! Digo ao Senhor: "Somente vós sois meu Senhor".

 

Multiplicam, no entanto, suas dores os que correm para os deuses estrangeiros; seus sacrifícios sanguinários não partilho, nem seus nomes passarão pelos meus lábios.

 

Ó Senhor, sois minha herança e minha taça, meu destino está seguro em vossas mãos! Tenho sempre o Senhor ante meus olhos, pois se o tenho a meu lado não vacilo.

 

Vós me ensinais vosso caminho para a vida; junto a vós, felicidade sem limites, delícia eterna e alegria ao vosso lado!

 

Evangelho: Mateus (Mt 5, 17-19)
 Não vim para abolir a lei

 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 17"Não penseis que vim abolir a Lei e os profetas. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento. 18Em verdade, eu vos digo: antes que o céu e a terra deixem de existir, nem uma só letra ou vírgula serão tiradas da lei, sem que tudo se cumpra. 19Portanto, quem desobedecer a um só destes mandamentos, por menor que seja, e ensinar os outros a fazerem o mesmo, será considerado o menor no Reino dos céus. Porém, quem os praticar e ensinar será considerado grande no Reino dos céus". Palavra da Salvação!

 

 

Comentando o Evangelho

A lei plenificada

 

As suspeitas dos adversários a respeito de Jesus não tinham fundamento. Se, à primeira vista, ele parecia estar passando por cima da Lei, negando-lhe qualquer valor, na realidade, só tinha a intenção de cumpri-la de maneira plena. A afirmação seria mal-interpretada, se levasse a pensar que Jesus estivesse disposto a porfiar com os escribas e fariseus, conhecidos por seu servilismo às prescrições da Lei.


Longe de pretender ser um superfariseu, a intenção de Jesus era bem outra. Para ele, o pleno cumprimento da Lei, a que se dispunha, consistiria em sintonizar com o pensamento e a vontade do Pai, autor e princípio da Lei, antes mesmo de ela ter sido formulada. Esta, ao ser elaborada, visava ajudar a humanidade, marcada pelo pecado, a encontrar o caminho de volta para Deus. Destinava-se a um povo pecador, necessitado de ser guiado no seu processo de conversão!


A intenção de Jesus era a de retroceder ao momento anterior ao pecado, quando o projeto de Deus tinha como objetivo colocar a humanidade em comunhão com ele. Tratava-se de plenificar maximamente, no ser humano, seu lado positivo.


Esta é a vontade radical de Deus, que não deve ser violada, nem na sua exigência mais insignificante. O discípulo do Reino saberá praticá-la e transmiti-la com a vida.
[Evangelho nosso de cada dia, Pe. Jaldemir Vitório, ©Paulinas, 1997]

 

Para sua reflexão: Jesus expõe sua posição perante a lei, a Torá. Primeiro, em termos genéricos, incluindo toda a Escritura na já conhecida fórmulas “lei e profetas”; depois, em sua série de seis contraposições agudamente perfiladas, encabeçadas pelas famosas antíteses de Mateus: “Ouvistes o que foi dito (...). Mas eu vos digo”. Jesus fala com uma autoridade que está acima da legislação antiga. Jesus reconduz os mandamentos à sua raiz e ao seu objetivo último: o serviço à vida, à justiça, ao amor, à verdade. Não opõe à lei antiga uma nova lei, e sim que a transforma e a leva para uma realidade sem precedentes, rompendo todos os moldes e critérios que deram origem a qualquer legislação humana. (Novo Testamento, Edição de Estudos, Ave-Maria)

 

Beato José de Anchieta

 

 

 

 

Aos 14 anos ingressou no Colégio de Artes, anexo à Universidade em Coimbra, destacando-se como um dos melhores alunos e grande poeta. Compunha versos latinos com extrema facilidade e era chamado o "Canário de Coimbra". Em 1° de maio de 1551 ingressou à Companhia de Jesus e iniciou seus estudos de Filosofia. Devido a uma enfermidade em 1553 partiu de Tejo (Lisboa) para o Brasil, onde iniciou seu primeiro trabalho de catequese com os índios tupis. Tornou-se o braço direito do Padre Manuel da Nóbrega, que já estava no Brasil desde 1549. A vida do Padre Anchieta é um tecido de episódios milagrosos. Tal era o domínio que tinha sobre a natureza e sobre os animais que foi chamado "o Novo Adão". Converteu e batizou muitos milhares de indígenas e assentou as bases da civilização cristã na América portuguesa. Ajudou o Padre Nóbrega na fundação e consolidação da cidade de São Paulo. Teve papel eminente na expulsão dos calvinistas franceses da Baía da Guanabara e na fundação da cidade do Rio de Janeiro. É autor de um famoso poema latino dedicado à Imaculada Virgem, além de muitas obras poéticas e teatrais. Entre 1577 e 1587 foi designado como superior dos jesuítas no Brasil, incentivando ainda mais o trabalho nas escolas e a catequese com as crianças. Faleceu em 9 de junho de 1597, com a idade de 63 anos. Em 10 de agosto de 1736 o Papa Clemente XII declarou ao Pe. Anchieta como "Venerável". É autor de um famoso poema latino dedicado à Imaculada Virgem, além de muitas obras poéticas e teatrais. Foi beatificado em 1980. É chamado como "Apóstolo do Brasil".

 

Amor e tosse não dá para esconder. (Provérbio romano)