Quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Imaculada Conceição de Nossa Senhora, Solenidade, 2ª do Saltério, Livro I, Cor Branca

 

 

Hoje: Dia Nacional da Família, dia da Justiça e dia do Cronista Esportivo

 

Santos: Ana (mãe de Samuel, profetisa do Antigo Testamento), Badilon de Leuze (abade), Brígida da Turíngia (monja), Eucário de Trèves (bispo), Eutiquiano (papa), Guntilde da Turíngia (abadessa), Leonardo de Dunois (eremita), Macário de Alexandria (mártir), Patário de Constantinopla (eremita), Romárico de Remiremont (abade), Sabina, Elfrida e Edith (mártires), Sofrônio de Chipre (bispo), Valente de Avinhão (bispo), Clara de Foligno (bem-aventurada), Constantino de Orval (abade, bem-aventurado), Joana de Castro (abadessa, bem-aventurada).

 

Santos: Com grande alegria rejubilo-me no Senhor, e minha alma exultará no meu Deus, pois me revestiu de justiça e salvação, como a noiva ornada de suas joias. (Is 61, 10)

 

Oração: Ó Deus, que preparastes uma digna habitação para o vosso Filho, pela imaculada conceição da Virgem Maria, preservando-a de todo pecado em previsão dos méritos de Cristo, concedei-nos chegar até vós purificados também de toda culpa por sua materna intercessão. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Gênesis (Gn 3, 9-15.20)
Porei inimizade entre ti e a mulher...

 

Depois que Adão comeu do fruto da árvore, 9o Senhor Deus o chamou, dizendo: "Onde estás?" 10E ele respondeu: "Ouvi tua voz no jardim, e fiquei com medo porque estava nu; e me escondi". 11Disse-lhe o Senhor Deus: "E quem te disse que estavas nu? Então comeste da árvore, de cujo fruto te proibi comer?"

 

12Adão disse: "A mulher que tu me deste por companheira, foi ela que me deu do fruto da árvore e eu comi". 13Disse o Senhor Deus à mulher: “Por que fizeste isso?" E a mulher respondeu: "A serpente enganou-me e eu comi". 14Então o Senhor Deus disse à serpente: "Porque fizeste isso, serás maldita entre todos os animais domésticos e todos os animais selvagens! Rastejarás sobre o ventre e comerás pó todos os dias da tua vida! 15Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar". 20E Adão chamou à sua mulher "Eva", porque ela é a mãe de todos os viventes. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura
E o Senhor Deus o expulsou do jardim de Éden

 

O autor apresentando a visão crítica da realidade, afirma que a situação em que o projeto do homem e a humanidade inteira se encontram é uma situação de castigo. “O castigado é responsável pelo castigo: não poderá jamais libertar-se dele fingindo ignorar sua parte de responsabilidade nos males que sofre. Por outro lado, a situação de castigo nunca é normal e definitiva, as provisória e passageira.  A anormalidade permanecerá, enquanto o castigo não for cumprido e a culpa expiada. O bem do culpado, a ser obtido depois de ultimado o castigo, pode ser atingido unicamente através da aceitação ativa e responsável do próprio castigo. Na raiz do castigo está a culpa do castigado, que provoca uma ruptura de relações entre pessoas, relações que precisam ser restabelecidas... Dizendo que os males que sofremos são um castigo de Deus, a Bíblia estabelece a relação do homem com Deus como ponto fundamental para a harmonia de todo o resto. Não é possível restabelecer a ordem perturbada da vida sem levar em conta o lugar que Deus deve ocupar na vida dos homens.” (C. Mesters). E o primeiro passo foi o próprio Deus quem deu. [MISSAL COTIDIANO. ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo Responsorial: 97(98), 1.2-3ab.3cd-4 (+1a)

Cantai ao Senhor Deus um canto novo, porque ele fez prodígios!

 

1Cantai ao Senhor Deus um canto novo, porque ele fez prodígios! Sua mão e o seu braço forte e santo alcançaram-lhe a vitória.

2O Senhor fez conhecer a salvação, e às nações, sua justiça; 3arecordou o seu amor sempre fiel 3bpela casa de Israel.

 

3cOs confins do universo contemplaram 3da salvação do nosso Deus. 4Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira, alegrai-vos e exultai!

 

 

II Leitura: Efésios (Ef 1, 3-6.11-12)

Em Cristo, ele nos escolheu, antes da fundação do mundo

 

3Bendito seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Ele nos abençoou com toda a bênção do seu Espírito em virtude de nossa união com Cristo, no céu. 4Em Cristo, ele nos escolheu, antes da fundação do mundo, para que sejamos santos e irrepreensíveis sob o seu olhar, no amor. 5Ele nos predestinou para sermos seus filhos adotivos por intermédio de Jesus Cristo, conforme a decisão da sua vontade, 6para o louvor da sua glória e da graça com que ele nos cumulou no seu bem-amado. 11Nele também nós recebemos a nossa parte. Segundo o projeto daquele que conduz tudo conforme a decisão de sua vontade, nós fomos predestinados 12a sermos, para o louvor de sua glória, os que de antemão colocaram a sua esperança em Cristo.  Palavra do Senhor!

 

Evangelho: Lucas (Lc 1, 26-38)

Anúncio do nascimento de Jesus

 

Naquele tempo, 26no sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, 27a uma virgem, prometida em casamento a um homem chamado José. Ele era descendente de Davi e o nome da virgem era Maria. 28O anjo entrou onde ela estava e disse: "Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!" 29Maria ficou perturbada com estas palavras e começou a pensar qual seria o significado da saudação.

 

30O anjo, então, disse-lhe: "Não tenhas medo, Maria, porque encontras-te graça diante de Deus. 31Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus. 32Ele será grande, será chamado Filho do altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi. 33Ele reinará para sempre sobre os descendentes de Jacó, e o seu reino não terá fim". 34Maria perguntou ao anjo: "Como acontecerá isso, se eu não conheço homem algum?" 35O anjo respondeu: "O Espírito virá sobre ti, e o poder do altíssimo te cobrirá com sua sombra. Por isso, o menino que vai nascer será chamado santo, Filho de Deus. 36Também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na velhice. Este já é o sexto mês daquela que era considerada estéril, 37porque para Deus nada é impossível". 38Maria, então, disse: "Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!" E o anjo retirou-se. Palavra da Salvação

 

Leituras paralelas: Mt 1, 18-25

 

 

Comentando o Evangelho

Alegra-te, cheia de graça


A saudação do anjo Gabriel surpreendeu Maria. Quem era ela senão uma humilde habitante de Nazaré, cidade sem importância das montanhas da Galiléia? Mulher sem maiores pretensões do que a de ser fiel a Deus; uma virgem já prometida em casamento a José, mas sem viver conjugalmente com ele, conforme as tradições de seu povo? Afinal, que méritos tinha para ser uma "agraciada", "plena da graça" divina?


Maria estava longe de compreender o projeto de Deus a seu respeito. Sua humildade de mulher simples do interior não lhe permitia pensar grandes coisas a respeito de si mesma. Quiçá tenha sido este o motivo por que fora escolhida por Deus para ser mãe do Messias. Livre de toda forma de orgulho e auto suficiência, Maria podia abrir seu coração para receber a graça de Deus que haveria de torná-la templo do Espírito Santo. Ela tornou-se objeto da atenção divina, no seu anseio de salvar a humanidade. Deus queria contar com alguma pessoa disposta a se tornar "escrava do Senhor", e permitir que a vontade divina acontecesse em sua vida, sem objeções. Foi para Maria que se voltaram os olhares de Deus!


Tudo quanto o anjo comunicara a Maria era grande demais para o seu entendimento, e superava sua capacidade de pô-lo em prática. Abriu-se para ela uma perspectiva nova, ao lhe ser prometida a assistência do Espírito Santo. Este seria a força que lhe permitiria levar a bom termo a missão divina que lhe fora comunicada pelo anjo. [O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano B,  ©Paulinas]

 

Oração da Assembleia (Liturgia Diária)

·  Pela Igreja, para que não se deixe seduzir pelo mal, mas seja esposa de Cristo santa e imaculada, rezemos (cantemos): Ó Maria, rogai por nós; intercedei a Deus por nós.

·  Pelos ministros ordenados, para que Deus, que os chamou, lhes dê a graça de ser sempre bons pastores, rezemos (cantemos).

·  Pelos cristãos, para que reconheçam em Maria Imaculada o cumprimento da promessa de Deus, rezemos (cantemos).

·  Pelas mulheres grávidas, para que saibam agradecer e acolher com alegria o dom da vida, rezemos (cantemos).

·  Pelas autoridades, para que pensem sobretudo nos mais pobres e proponham políticas que os promovam, rezemos (cantemos).

·  (outras intenções)

 

Oração sobre as Oferendas:

Acolhei, ó Deus, o sacrifício da salvação que vos oferecemos na festa da virgem Maria, concebida sem o pecado original; e, ao proclamarmos que a vossa graça a preservou de toda culpa, livrai-nos, por sua intercessão, de todo pecado. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Todas as nações cantem as vossas glórias, ó Maria; por vós nos veio o sol da justiça, o Cristo, nosso Deus.

 

Oração Depois da Comunhão:

Senhor nosso Deus, que a comunhão da vossa eucaristia cure em nós as feridas do pecado original, do qual Maria foi preservada de modo admirável ao ser concebida sem pecado. Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

A Imaculada Conceição na História de Portugal

 

John Nascimento, Canadá

 

Segundo o ensino da teologia católica, a Imaculada Conceição é o privilégio pelo qual a Virgem Maria, Nossa Senhora, foi isenta do pecado Original. A conceição de Maria sem pecado original, foi a lógica preparação para a sua maternidade divina. Uma vez que o Filho que ela concebeu era o Filho do Deus Altíssimo, era inconcebível que Sua Mãe tivesse sido afetada pelo pecado.

 

Desde os tempos mais remotos, os Padres da Igreja, como Santo Irineu no século II e S. Cipriano do século III, escreveram que Maria não foi apenas Imaculada, mas sim absolutamente Imaculada; não apenas sem mancha, mas absolutamente sem mancha; que ela seria o lugar onde residiam todas as graças do Espírito Santo, porque ela foi predestinada para ser a morada do Filho do Altíssimo. Esta doutrina foi sempre defendida e ensinada pelos Dominicanos, pelos Jesuítas, por Scott e a sua escola e por Sorbonna. Para além de não constituir surpresa para os cristãos, foi sobretudo uma grande alegria quando o papa Pio IX (1846-1878), proclamou com a Bula Ineffabilis Deus o dogma da Imaculada Conceição, em 8 de Dezembro de 1854, perante uns 200 cardeais e bispos e 50.000 fiéis, por estas palavras:

 

- A Santíssima Virgem Maria foi, desde o primeiro momento da sua conceição, por uma única graça e privilégio do Deus Todo Poderoso, em virtude dos méritos de Jesus Cristo Redentor, preservada de toda a mancha do pecado original.

 

Isto significa, portanto, que desde o primeiro momento da sua existência, Maria foi preservada do fato comum a todo o seu humano da perda da vida sobrenatural. Ela possuiu a graça santificante desde o momento da sua conceição.  E possuiu também as virtudes da fé, da esperança e da caridade e os dons do Espírito Santo.

 

Absolutamente sem pecado

 

De harmonia com o Privilégio da sua Imaculada Conceição, Maria foi também preservada de qualquer outro pecado. Isto diz mais do que à primeira vista se pode entender.

 

-   Ela não só nunca ofendeu a Deus com qualquer pecado atual, como sobretudo, foi especialmente protegida de qualquer sombra de pecado.

 

Para além disso, desde que Maria foi concebida sem o pecado original, ela foi preservada de todas as consequências desse pecado, de que todos nós temos penosas experiências.

 

- Ela não teve concupiscência, nem maus desejos, que são a herança de todo o afastamento de Deus dos descendentes do primeiro homem, pelo pecado.

 

- Ela não estava sujeita à lei da morte.

 

Culto da Imaculada Conceição em Portugal

 

Segundo o testemunho de alguns escritores, a festa da Conceição de Nossa Senhora, teria sido celebrada pela primeira vez em Portugal, a 8 de Dezembro de 1147, logo após a tomada de Lisboa aos Mouros, por D. Afonso Henriques. No entanto, o documento mais antigo da instituição oficial desta festa no nosso país data de 1358. Disto faz fé a Constituição de D. Raimundo Everard, bispo de Coimbra, de 17 de Outubro de 1358. Todavia parece que na Sé de Lamego já se celebrava a festa de Nossa Senhora da Conceição em 1262, e antes de 1336 a Rainha Santa Isabel mandou construir uma capela a Nossa Senhora da Conceição no Convento da Trindade em Lisboa.

 

O Santo Condestável D. Nuno Álvares Pereira mandou construir em Vila Viçosa, em 1420 a Igreja de Nossa Senhora da Conceição. Também se afirma que o Santo Condestável, ao tempo da sua morte, em 1431, deixou acabadas seis capelas colaterais da Igreja do Carmo, em Lisboa, sendo uma delas dedicada a Nossa Senhora da Conceição.

 

O nosso rei D. Duarte, no Leal Conselheiro de 1438, mostra-se defensor da Imaculada Conceição.

Só mais tarde, em 27 de Fevereiro de 1476 é que o papa Sisto IV (1471-1484), reconheceu oficialmente a festa de Nossa Senhora sob o título de Imaculada Conceição e a introduziu no Calendário Romano pela Constituição Præexcelsa. Depois mandou construir, na Basílica de S. Pedro, uma capela dedicada à Imaculada Conceição, no dia 8 de Dezembro de 1479. Depois de 30 longos anos passados em oração e penitência no Convento de S. Domingos, Santa Beatriz da Silva, canonizada por Paulo VI em 3 de Outubro de 1976, saiu dali em 1484 com mais doze religiosas para dar começo à nova Ordem de Nossa Senhora da Conceição, que foi aprovada pelo papa Inocêncio VIII (1484-1492), um ano antes da morte da fundadora.

 

Em 1607, um dos mais ilustres lentes da Universidade de Coimbra, Fr. Egídio da Apresentação, dos eremitas de Santo Agostinho, publica um notável trabalho que intitula DE IMMACULATA BEATÆ VIRGINIS CONCEPTIONE, em que defende a Imaculabilidade de Maria.

 

A 9 de Dezembro de 1617, a mesma Universidade de Coimbra, reunida em Claustro Pleno, envia ao papa Pio V (1605-1621), um documento em favor do mesmo mistério da Imaculada Conceição. O clero, por seu lado, propugna também calorosamente a mesma doutrina. O Sínodo Diocesano da Guarda, celebrado a 30 de Setembro de 1634, jura defender a Conceição Imaculada de Maria.

 

O mesmo fazem o Sínodo de Braga em 1634 e o de Coimbra em 1639. D. João IV e os Três Estados, reunidos de 28 de Dezembro de 1645 e 16 de Março de 1646, elegeram Nossa Senhora da Conceição Defensora e Protetora do Reino e seus domínios pela Provisão Régia de 12 de Março de 1646, e prometeram e juraram confessar e defender, com sacrifício da própria vida se necessário fosse, que a Virgem Nossa Senhora tinha sido concebida sem pecado original.

 

Eis o texto:

 

-   "Estando, ora junto em Cortes com os Três Estados do Reino, lhes fiz propor a obrigação que tínhamos de renovar e continuar esta promessa, e venerar com muito particular afeto e solenidade a Festa de Sua Imaculada Conceição e nelas, com parecer de todos, assentamos de tomar por Padroeira de nossos Reinos e Senhorios a Santíssima Virgem Nossa Senhora da Conceição [...]. E lhe ofereço de novo, em meu nome, e do Príncipe Dom Teodósio, meu sobre todos muito amado e prezado Filho, e de todos meus Descendentes, Sucessores, Reinos, Senhorios e Vassalos, à Sua Santa Casa da Conceição sita em Vila Viçosa, por ser a primeira que houve em Espanha desta invocação, cinquenta cruzados de ouro em cada ano, em sinal de tributo e vassalagem".

 

Mandou colocar sobre as portas das cidades e das vilas, lápides comemorativas dessa vassalagem e mandou cunhar moedas de ouro chamadas Conceição com a legenda Tutelaris regni (Padroeira do reino).

 

 

Nossa Senhora da Imaculada Conceição

 

A proclamação do dogma da Imaculada Conceição foi feito solenemente em 1854, mas a história da devoção à Maria Imaculada é muito mais antiga. Precede de séculos, antes de quase dois milênios, à proclamação do dogma, que, como sempre, não introduziu novidade alguma, mas simplesmente reconheceu uma antiquíssima tradição.

 

Muitos padres e doutores da Igreja Oriental ao exaltar a grandeza de Maria, Mãe de Deus, tinham usado expressões que a colocavam acima do pecado original. Chamavam-na de intemerata, toda bela e formosa, a cheia de graças, o lírio da inocência, a mais pura que os anjos, mais esplendorosa do que o sol. Na Igreja ocidental, a doutrina da Imaculada Conceição encontrava certa resistência, não por aversão a Nossa Senhora, que sempre foi exaltada como a mais sublime de todas as criaturas, mas para salvaguardar a doutrina da redenção operada por Cristo em favor de todas as criaturas.

 

Foi Duns Scoto, grande teólogo do século XIII, que encontrou um silogismo que solucionava a dificuldade de admitir que também Nossa Senhora como filha de Adão e Eva devia estar sujeita ao pecado original, mas que foi dele preservada, em previsão dos méritos de Cristo, com antecipada aplicação da redenção universal de Jesus. Era sumamente conveniente que Deus  preservasse  Maria  do  pecado  original,   pois  era   Maria destinada a ser mãe do seu filho. Isso era possível para a onipotência de Deus; portanto, Deus, de fato, a preservou , antecipando-lhe os frutos da redenção de Cristo.

 

Perante esta sutil, mas irretorquível argumentação, os teólogos concordaram em aceitar esta doutrina. De fato, desde 1300 a doutrina da Imaculada Conceição de Maria no seio materno fez rápidos progressos na consciência dos fiéis, induzindo a Igreja a introduzir no calendário romano já no século XV a festa da Conceição Imaculada de Maria.

 

José de Anchieta foi o apóstolo desta doutrina no Brasil, que desde o início de sua colonização dedicou a este mistério inúmeras igrejas, inclusive 35 catedrais.

 

Em 1830 nossa Senhora apareceu a Catarina Labouré mandando cunhar uma medalha com a efígie da Imaculada e as palavras: "Maria concebida sem pecado, rogai por nós". Esta medalha, difundida aos milhões em todo o mundo, suscitou grande devoção a Maria Imaculada, induzindo muitíssimos bispos a solicitar ao papa a definição do dogma que já estava sendo vivido nos corações dos fiéis. Assim, no dia 8 de dezembro de 1854, o Papa Pio IX proclamou Maria isenta do pecado original, desde o primeiro instante de sua existência no seio de sua mãe, e isso por força de uma antecipada aplicação dos frutos da redenção de Cristo.

 

Quatro anos mais tarde, as aparições de Lourdes foram prodigiosa confirmação do dogma. De fato, Maria proclamou-se explicitamente com a prova de incontáveis milagres: "Eu sou a Imaculada Conceição".

 

Deus quis preparar ao seu Filho uma digna habitação. Cheia de graça. ainda no seio materno, Maria foi concebida sem a mancha do orgulho e do desamor que é o pecado. Em vista disso, a Imaculada foi a primeira a receber a plenitude da bênção de Deus que se manifestou na morte e na ressurreição de Cristo.

 

Maria, na sua fidelidade ao projeto de Deus, na sua vocação de mãe do Salvador, nos ensina o caminho da santidade; por isso a Igreja hoje nos manda rezar: "Ó Deus, que preparastes uma digna habitação para o vosso Filho, pela Imaculada Conceição da Virgem Maria, preservando-a de todo pecado em previsão dos méritos de Cristo, concedei-nos chegar até vós purificados também de toda culpa por sua materna intercessão".  [http://www.pvf.com.br/santomes/conceicao.html (0812/2007)]

 

 

A família é como um oásis no deserto da vida. É nela que saciamos nossa

sede de amizade, orientação e aconchego. (Iran Ibrahin Jacob)