Quarta-feira, 7 de setembro de 2011

23ª Semana do Tempo Comum, Ano Impar,  3ª do Saltério (Livro III), cor Litúrgica verde

 

 

Hoje: Dia da Pátria e da Independência do Brasil (189º ano); Dia do Grito dos Excluídos

 

Santos: Regina de Alésia, Hesíquio (mártir), Clodoaldo, João de Nicomédia, Bem-Aventurado Evécio (Nicomédia), Estêvão Pongracz, Madelberta, Marcos Crisin, Melquior Grodecz, Gentle de Matelica (mártir franciscano, 1ª ordem)

 

Antífona: Vós sois justo, Senhor, e justa é a vossa sentença; tratai o vosso servo segundo a vossa misericórdia. (Sl. 118, 137.124)

 

Oração: Ó Deus, que organizais todas as coisas com admirável providência, acolhei as súplicas que fazemos pela nossa pátria, para que sejam consolidadas a concórdia e a justiça pela sabedoria dos governantes e pela honestidade do povo, trazendo-nos paz e prosperidade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Colossenses (Cl 3, 1-11)

Vida nova em Cristo

 

Irmãos, 1se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus; 2aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres. 3Pois vós morrestes, e a vossa vida está escondida, com Cristo, em Deus. 4Quando Cristo, vossa vida; aparecer em seu triunfo, então vós aparecereis também com ele, revestidos de glória. 5Portanto, fazei morrer o que em vós pertence à terra: imoralidade, impureza, paixão, maus desejos e a cobiça, que é idolatria. 6Tais coisas provocam a ira de Deus contra os que lhe resistem.

 

7Antigamente vós estáveis enredados por estas coisas e vos deixastes dominar por elas. 8Agora, porém, abandonai tudo isso: ira, irritação, maldade, blasfêmia, palavras indecentes, que saem dos vossos lábios. 9Não mintais uns aos outros. Já vos despojastes do homem velho e da sua maneira de agir 10e vos revestistes do homem novo, que se renova segundo a imagem do seu criador, em ordem ao conhecimento. 11não se faz distinção entre grego e judeu, circunciso e incircunciso, inculto, selvagem, escravo e livre, mas Cristo é tudo em todos. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a Leitura

Morrestes com Cristo; mortificai também vossos membros

 

Ser “ressuscitado com Cristo” é coisa extraordinária, ao mesmo tempo graça e “morte”. Isto não significa que deva o cristão viver de experiências religiosas extraordinárias. Pelo contrário, a existência cristã é hoje mais do que nunca desprovida de “êxito” aparente. Não tem, sobretudo hoje, as grandes possibilidades de luz e conquista do cristianismo primitivo, mas na sinceridade da fé e na “cotidianidade” assume nova qualidade de transparência, pureza, coragem, abandono. Este estilo é a “salvação” do cristão. Exige que ele saiba passar da vaidade dos sentidos à verdade oculta e profunda do coração. Cumpre ir até o fundo da existência humana, renovar as estruturas interiores até deixar transparecer em si a imagem de Deus (v.10). Isto é ser o fermento escondido na massa e requer coração de pobre. Então, mas só então, é possível a celebração viva do Ressuscitado. [COMENTÁRIO BÍBLICO, ©Edições Loyola, 1999]

 

 

Salmo: 144 (145), 2-3.10-11.12-13ab (R/.9a)

O Senhor é muito bom para com todos

 

Todos os dias haverei de bendizer-vos, hei de louvar o vosso nome para sempre. Grande é o Senhor e muito digno de louvores, e ninguém pode medir sua grandeza.

 

Que vossas obras, ó Senhor, vos glorifiquem, e os vossos santos com louvores vos bendigam! Narrem a glória e o esplendor do vosso reino e saibam proclamar vosso poder!

 

Para espalhar vossos prodígios entre os homens e o fulgor de vosso reino esplendoroso. O vosso reino é um reino para sempre, vosso poder, de geração em geração.

 

Evangelho: Lucas (Lc 6, 20-26)
Bem aventuranças e imprecações

 

Naquele tempo, 20Jesus levantando os olhos para os seus discípulos, disse: “ Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o reino de Deus! 21Bem-aventurados vós que agora tendes fome, porque sereis saciados! Bem-aventurados vós, que agora chorais, porque havereis de rir! 22Bem-aventurados sereis, quando os homens vos adiarem, vos expulsarem, vos insultarem e amaldiçoarem o vosso nome, por causa do Filho do homem! 23Alegrai-vos, nesse dia, e exultai, pois será grande a vossa recompensa no céu; porque era assim que os antepassados deles tratavam os profetas. 24Mas, ai de vós, ricos, porque já tendes vossa consolação! 25Ai de vós, que agora tendes fartura, porque passareis fome! Ai de vós, que agora rides, porque tereis luto e lágrimas! 26Ai de vós quando todos vos elogiam! Era assim que os antepassados deles tratavam os falsos profetas". Palavra da Salvação!

 

 

Leituras paralelas: Is 65, 13-14; Mt 5,1.3; Mt 5, 11-12; Is 5, 8-25

 

 

Oração da assembleia (Liturgia Diária)

Abençoai e protegei, Senhor, a nossa pátria. Ouvi-nos e atendei-nos, Senhor.

Cumulai de bênção os que se empenham por um Brasil melhor.

Guiai os governantes e as autoridades nas decisões políticas.

Fortalecei os pobres, excluídos, famintos e injustiçados do nosso país.

Protegei todos os que se encontram fora de sua pátria.

(outras intenções)

 

Oração sobre as Oferendas:

Ó Deus, fonte da paz e da verdadeira piedade, concedei-nos por esta oferenda render-vos a devida homenagem, e fazei que nossa participação na Eucaristia reforce entre nós aos laços da amizade. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Eu sou a luz do mundo, diz o Senhor; aquele que me segue não anda nas trevas, mas terá a luz da vida! (Jo 8, 12)

 

Oração Depois da Comunhão:

Ó Deus, que nutris e fortificais vossos fiéis com o alimento da vossa palavra e do vosso pão, concedei-nos, por estes dons do vosso Filho, viver com ele para sempre. Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

 

Comentário o Evangelho

Uma palavra de esperança

As palavras de Jesus dirigem-se aos pobres que tem diante de si. Servindo-se da segunda pessoa do plural - vós -, seu discurso destina-se aos que são carentes de bens materiais, vindo até mesmo a passar fome; aos que choram, talvez porque tiveram seus direitos negados e sua dignidade aviltada; aos que são vítimas de calúnia, ódio e perseguição, devendo levar uma vida difícil de privação dos bens necessários para viver dignamente. Portanto, um grupo de pessoas carentes de palavras de esperança.


As bem-aventuranças visam infundir ânimo e coragem a quem se encontra nesta situação de penúria. Sobretudo os pobres devem ter a certeza de que Deus está do lado deles, e que o Reino lhes pertence. Deus mesmo haverá de saciá-los, consolá-los e ser para eles motivo de alegria.


A outra face da moeda é representada pelos ricos, pelos fartos, pelos folgazões e pelos que estão preocupados com a fama, a qualquer preço. Estes também encontram-se diante de Jesus, e são o alvo das invectivas que lhe são lançadas com tanta veemência. É provável que fossem eles a causa da situação de carência dos demais, sem se darem conta. Por isso, são declarados malditos. Falta-lhes sensibilidade, pois em seus corações não há lugar para a misericórdia. Isto justifica a severidade com que serão tratados, se não se converterem urgentemente, fazendo-se atentos aos apelos dos necessitados.
[O EVANGELHO DO DIA. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1998]

 

São Tomás de Vilanova

 

 

 

Desde criança manifestava a caridade cristã, partilhando seus pertences com os pobres. Ordenado sacerdote, foi superior dos agostinianos e bispo de Valência. Dedicou-se particularmente a acolher as crianças abandonadas, os inocentes e os recém-nascidos. Era conhecido também como "pai dos pobres". Manifestou dons de cura e procurava ensinar mais pelo exemplo direto do que pela pregação. Soube falar a linguagem dos humildes, apelar aos poderosos, tanto em sua catedral quanto na corte de Carlos V.

 

 

Êxodo: uma experiência de fé (Ex 15,22¾18,27

 

Dom Milton Kenan Junior, Bispo Auxiliar de S. Paulo – SP

 

Durante este mês de Setembro, muitas comunidades espalhadas pelo Brasil a fora, tomam em suas mãos alguns capítulos do Livro do Êxodo (15,22 - 18,27), para refletir e rezar sobre sua própria história e caminhada.

 

Na verdade, a experiência de Israel que saindo da dura servidão no Egito, percorre o deserto rumo a Terra Prometida, não é significativa apenas para os judeus, mas também para nós, cristãos.

 

Na leitura do livro do Êxodo, uma primeira consideração importante, é o fato de que unido ao desejo de alcançar a Terra Prometida, onde Israel poderá finalmente gozar de liberdade e independência; está o desejo de “servir a Deus”. A ordem que Deus transmite ao Faraó por meio de Moisés é: “Deixai partir o meu povo! Para que me sirva no deserto!” (Ex 7,16). Ao todo são quatro vezes que estas palavras se repetem (Ex 7,26; 9,1; 9,13; 10,3), demonstrando a importância do argumento.

 

O que se tem em vista não é somente a conquista da Terra Prometida, mas a possibilidade de servir a Deus como Ele quer ser servido. Israel parte, não para ser um povo como um outro qualquer, mas para servir a Deus. A meta que quer alcançar é a montanha de Deus, até então desconhecida, para nela poder servir o Senhor.

 

Alguém poderia dizer que este argumento fora utilizado por Moisés como estratégia para tirar o seu povo da dominação de Israel. Mas, acompanhando a longa caminhada do povo pelo deserto compreende-se que terra e culto estão intimamente ligados. A terra sonhada e esperada por Israel será a terra destinada ao serviço do Senhor, onde o povo que nela reside poderá viver como Deus deseja, na liberdade e na justiça.

 

No Sinai, porém, Deus dá ao seu povo não só as cláusulas da Aliança (os dez mandamentos), mas as normas que devem reger o culto a ser-Lhe oferecido (cf. Ex 20, 1-17; 24). Vida e culto estão intimamente ligados! Como diz Santo Irineu: “A glória de Deus é o homem vivo; a vida do homem significa olhar a Deus”.

 

Esta constatação nos faz ver que o culto que Deus deseja do seu povo não se limita a gestos rituais (embora não prescinda deles), mas envolve toda a vida. A vida vivida na fé, na liberdade e no amor é a liturgia querida de Deus para o seu povo, em razão da qual Ele lhe dá a Sua Terra.

 

Um segundo aspecto que merece a nossa atenção é a experiência do deserto.  No comentário que faz ao texto, na “Bíblia do Peregrino”, Luís Alonso Schökel chama atenção ao fato de que o deserto é o “lugar desamparado, que reduz o povo às necessidades elementares da subsistência e o põe à prova, para que conquiste a partir de dentro a liberdade que lhe foi dada. Tempo intermédio de dilação, para forjar a resistência e cultivar a esperança, para viver da promessa depois de ter experimentado o primeiro favor”, ao mesmo tempo: “Também essa etapa se torna padrão de futuras peregrinações por outros desertos, à conquista da liberdade e da esperança.” (p.135)

 

Na longa peregrinação pelo deserto, Israel é levado a reconhecer o Senhor como o protagonista da sua história. Nas muitas provas que sofre é sempre Deus quem age e dá solução aos seus dramas: transforma a água salobra em água potável (Ex 15, 22-27), envia o maná como alimento (Ex 16), faz brotar água da rocha (Ex 17,1-7), garante a vitória sobre os seus inimigos (Ex 17, 8-16), e faz Moisés reencontrar com a sua família (Ex 18, 1-22).

 

Como Jetro, podemos, então, exclamar: “Bendito seja o Senhor, que vos livrou do poder dos egípcios e do Faraó. Agora sei que o Senhor é o maior de todos os deuses, pois, quando vos tratavam com arrogância, o Senhor liberta o povo do domínio egípcio.” (Ex 18,11).

 

No encontro de Jetro com Moisés é importante ressaltar, o fato de que o que podia ter acabado num relato de viagem toma a forma de um ato litúrgico “quase como proto-eucaristia”, como observa Schökel no comentário ao texto, na Bíblia do Peregrino. Jetro é apresentado como “sacerdote de Madiã” (18,1). O Lugar é “o monte de Deus” (5), o oficiante, é o próprio Jetro; que faz a memória (anamnese) de fatos como ações divinas: “tudo quanto fez Deus/o Senhor” (1.8.9); que se traduz em exultação e benção = ação de graças (eucaristia), por “todos os benefícios...” bendito Yhwh (9-10); num sacrifício e banquete sagrado (comunhão), “na presença de Deus” (12).

 

Ao fazermos nós a leitura destes capítulos, o fazemos à luz do Mistério da Páscoa de Jesus Ressuscitado. Os evangelistas falam dos êxodos praticados por Jesus: quando sobe decididamente a Jerusalém a fim de sofrer a Paixão (cf. Lc 9,51) e, quando entra no mistério da sua Paixão passando deste mundo para o Pai, depois de ter amado os seus até o fim (cf. Jo 13,1).

 

Sem retirar o valor que tem o relato do Êxodo para as comunidades que percorrem, ainda hoje, os caminhos do deserto, esperando alcançar a Terra Prometida, onde a liberdade e a vida plena sejam garantidas para sempre; compreendemos que o êxodo que devemos percorrer é o mesmo que percorreu Jesus, a fim de passar com Ele, da morte para a vida!

 

Israel encontra-se com o Deus que o fortalece na esperança, que o educa na fé e na confiança, que espera dele um culto que seja não só rito, mas também vida, expressão da fidelidade à Aliança (cf. Ex 15, 26). Nós também encontrando-nos com Jesus, vemos que as exigências que Ele faz aos seus discípulos (Mt 5-7) não são menores daquelas que Deus dá a seu povo na caminhada do deserto, ao revelar-lhes o Reino, cuja exigência é um culto “em espírito e vida” (cf. Jo 4,23).

 

Na “liturgia” de Jetro não é difícil vislumbrar um anúncio e profecia da Eucaristia, memorial da Nova e Eterna Aliança.  Hoje, ao redor da mesa eucarística, fazemos também nós a experiência do encontro com o Senhor que liberta, que não dá somente água e pão para o seu povo, mas o Corpo e o Sangue do seu Filho, garantia da Páscoa definitiva, quando  Deus será tudo em todos!

 

Nos muitos desertos do nosso tempo, somos convidados pelas palavras do Êxodo a experimentar o Deus próximo que ouve o clamor do seu povo e vê os seus sofrimentos (Ex 3,7-9), e envia o seu Filho para ser um “novo Moisés” a conduzir-nos à Terra Prometida, da justiça e da paz!

 

“Existem tantas formas de deserto. Há o deserto da pobreza, o deserto da fome e da sede, o deserto do abandono, da solidão, do amor destruído. Há o deserto da obscuridão de Deus, do esvaziamento das almas que perderam a consciência da dignidade e do caminho do homem. Os desertos exteriores multiplicam-se no mundo, porque os desertos interiores tornaram-se tão amplos. Por isso, os tesouros da terra já não estão ao serviço da edificação do jardim de Deus, no qual todos podem viver, mas tornaram-se escravos dos poderes da exploração e da destruição. A Igreja no seu conjunto, e os Pastores nela, como Cristo, devem pôr-se a caminho, para conduzir os homens fora do deserto, para lugares da vida, da amizade com o Filho de Deus, para Aquele que dá a vida, a vida em plenitude” (BENTO XVI, Homilia, 24-04-2005).

 

Valem para nós as palavras de Isaías: “O deserto e o ermo se regozijarão, a estepe florescerá de alegria... Fortalecei as mãos fracas, robustecei os joelhos vacilantes. Dizei aos covardes: Sede fortes, não temais, olhai o vosso Deus, que traz a desforra, vem em pessoa, ele vos ressarcirá e vos salvará.” (Is 35,1a,3-4).

 

Caminhamos no deserto confiantes que um dia ele se transformará em jardim, certos de que toda amargura cederá lugar à verdadeira alegria. [Fonte: CNBB]

 

Um povo inteiro pode ser culpado de prolongar o sofrimento dos seus pobres, das crianças e dos enfermos. Se aceitarem leis injustas, todos pecam. (Pe. Zezinho)