Quarta-feira, 7 de maio de 2008
7ª Semana da Páscoa, 3ª do Saltério (Livro II), cor Litúrgica Branca
Povos todos, aplaudi e aclamai a Deus com brados de alegria, aleluia! (Sl 46,2)
Hoje: Dia do Oftalmologista e dia do Silêncio
Santos: Flávia Domitila (mártir), Augusto, Juvenal, Quadrato (Nicomédia), João de Beverley (arcebispo de York, Inglaterra), Gisela (bem aventurada), Estanislau (Bispo de Cracóvia, mártir), Liudardo (bispo); Serênico, Sereno, Crispin de Viterbo (Bem-Aventurado, confessor da 1ª Ordem).
Oração: Ó Deus misericordioso, concedei que a vossa Igreja, reunida no Espírito Santo, se consagre ao vosso serviço num só coração e numa só alma. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
I Leitura: Atos (At 20, 28-38)
Cuidem do rebanho que o Senhor lhes confiou
Naqueles dias, Paulo disse aos anciãos da Igreja de Éfeso: 28"Cuidai de vós mesmos e de todo o rebanho, sobre o qual o Espírito Santo vos colocou como guardas, para pastorear a Igreja de Deus, que ele adquiriu com o sangue do seu próprio Filho. 29Eu sei, depois que eu for embora, aparecerão entre vós lobos ferozes, que não pouparão o rebanho. 30Além disso, do vosso próprio meio aparecerão homens com doutrinas perversas que arrastarão discípulos atrás de si. 31Por isso, estai sempre atentos: lembrai-vos que durante três anos, dia e noite, com lágrimas, não parei de exortar a cada um em particular.
32Agora entrego-vos a Deus e à mensagem de sua graça, que tem poder para edificar e dar a herança a todos os que foram santificados. 33Não cobicei prata, ouro ou vestes de ninguém. 34Vós bem sabeis que estas minhas mãos providenciaram o que era necessário para mim e para os que estavam comigo. 35Em tudo vos mostrei que, trabalhando deste modo, se deve ajudar os fracos, recordando as palavras do Senhor Jesus, que disse: 'Há mais alegria em dar do que em receber"'. 36Tendo dito isto, Paulo ajoelhou-se e rezou com todos eles. 37Todos, depois, prorromperam em grande pranto, e lançando-se ao pescoço de Paulo, o beijavam, 38aflitos, sobretudo por lhes haver ele dito que não tornariam a ver-lhe o rosto. E o acompanharam até o navio. Palavra do Senhor!
Comentando a I Leitura[1]
Entrego-vos a Deus e à mensagem de
sua graça, que tem poder para edificar
Paulo põe em estreita relação a missão do apóstolo e a especial vocação por parte do Espírito, que dá a seu ministério um caráter sagrado e o coloca no âmago da própria ação salvífica, procedente do seio da Trindade. Desta essência teologal da missão apostólica derivam certas atitudes e certa responsabilidade. Antes de tudo a vigilância, não penas entendida como ação inquisitiva e censória perante inimigos internos e externos que ameaçam a vida da comunidade, mas, sobretudo, como disponibilidade dos pastores a se dar a sim mesmos, “noite e dia”, pelo bem do rebanho, a ponto de imitar o bom Pastor na doação da própria vida. Depois, a confiança no poder da Palavra de Deus e de sua graça. É tal este poder que Paulo não confia a Palavra aos pastores, como deveria fazer numa transmissão de poderes, porém confia os pastores ao poder da Palavra. Finalmente, o desinteresse. Paulo sempre recusou ser pesado a seus ouvintes, para ser livre e proclamar, com sua atitude, a total gratuidade do dom de Deus.
Silêncio, algumas vezes, é calar. Mas é sempre escutar. (Magdalena Delbrel)
Salmo:
67 (68), 29-30.33-34.35-36 (R/.33a)
Reinos
da terra cantai ao senhor
Suscitai, ó Senhor Deus, suscitai vosso poder, confirmai este poder que por nós manifestastes, a partir de vosso templo, que está em Jerusalém, para vós venham os reis e vos ofertem seus presentes!
Remos da terra, celebrai o nosso Deus, cantai-lhe salmos! Ele viaja no seu carro sobre os céus dos céus eternos. Eis que eleva e faz ouvir a sua voz, voz poderosa.
Dai glória a Deus e exaltai o seu poder por sobre as nuvens. Sobre Israel, eis sua glória e sua grande majestade! Em seu templo ele é admirável e a seu povo dá poder. Bendito seja o Senhor Deus, agora e sempre. Amém, amém!
Evangelho: João (Jo 17, 11b-19)
Para que eles sejam um assim como nós somos um
Naquele tempo, Jesus ergueu os olhos para o céu e rezou, dizendo: 11b"Pai santo, guarda-os em teu nome, o nome que me deste, para que eles sejam um assim como nós somos um. 12Quando eu estava com eles, guardava-os em teu nome, o nome que me deste. Eu guardei-os e nenhum deles se perdeu, a não ser o filho da perdição, para se cumprir a escritura.
13Agora, eu vou para junto de ti, e digo estas coisas, estando ainda no mundo, para que eles tenham em si a minha alegria plenamente realizada. 14Eu lhes dei a tua palavra, mas o mundo os rejeitou, porque não são do mundo, como eu não sou do mundo. 15Não te peço que os tires do mundo, mas que os guardes do maligno. 16Eles não são do mundo, como eu não sou do mundo. 17Consagra-os na verdade; a tua palavra é verdade. 18Como tu me enviaste ao mundo, assim também eu os enviei ao mundo. 19Eu me consagro por eles, a fim de que eles também sejam consagrados na verdade". Palavra da Salvação!
Comentário o Evangelho[2]
Uma dolorosa exceção
Jesus não poupa seus discípulos das tribulações que o mundo lhes prepara. Melhor dizendo: o Mestre não lhes reserva um lugar especial, geograficamente separado, onde estejam imunes de tentações. A prova de sua fé acontece no confronto com o Maligno. É então que podem dar mostras da solidez ou da fragilidade de sua adesão ao Senhor.
No colóquio com o Pai, Jesus alude ao fato da deserção de um discípulo, seduzido pelo Maligno: "Nenhum deles se perdeu, a não ser o filho da perdição". Nesta dolorosa exceção, sente-se como que fracassado em sua missão.
Todo o seu ministério foi marcado por uma dedicação exemplar àqueles que o Pai lhe confiara. Guardava-os, com desvelo, para não se desviarem do caminho. Falava-lhes do Pai, revelando-lhes a sua face amorosa. Consagrou-os na verdade e os enviou para serem continuadores de sua missão.
Entretanto, além de não tê-los segregado, também não os privou da liberdade. Assim, ficou aberto o espaço para a infidelidade e a deserção. Alguém deu mais atenção ao mundo do que à palavra do Mestre. Foi o que fez Judas, o "filho da perdição". Foi-lhe franqueada a salvação. Ele, porém, a rejeitou.
A perseverança dos discípulos é obra do Espírito, força divina que os move a resistir diante das sugestões do Maligno. Quem é cauteloso sabe como precaver-se!
Santo Agostinho Roscelli[3]
Nasceu na pequena cidade de Bergone di Casarza Ligure, Itália, no dia 27 de julho de 1818. Durante sua infância, foi pastor de ovelhas. A sua família, de poucos recursos, constituiu para ele um exemplo de fé e de virtudes cristãs.
Aos
dezessete anos, decidiu ser padre, entusiasmado por Antonio Maria Gianelli,
arcebispo de Chiavari, que se dedicava exclusivamente à pregação aos
camponeses, e hoje está inscrito no livro dos santos. Em 1835, Agostinho foi
para Gênova, onde estudou enfrentando sérias dificuldades financeiras, mas
sempre ajudado pela sua força de vontade, oração intensa e o auxílio de pessoas
de boa vontade.
É
ordenado sacerdote em 1846, e enviado para a cidade de São Martino d´Alboro
como padre auxiliar. Inicia o seu humilde apostolado a serviço de Deus,
dedicando-se com zelo, caridade e exemplo ao crescimento espiritual e ao
ministério da confissão.
Agostinho
é homem de diálogo no confessionário da igreja genovesa da Consolação, sendo
muito procurado, ouvido e solicitado pela população. Sua fama de bom
conselheiro corre entre os fiéis, o que faz chegar gente de todas as condições
sociais em busca de sua ajuda. Ele passa a conhecer a verdadeira realidade do
submundo.
Desde
o início, identifica-se nele um exemplo de sacerdote santo, que encarna a
figura do "pastor", do educador na fé, do ministro da Palavra e do
orientador espiritual, sempre pronto a doar-se na obediência, humildade,
silêncio, sacrifício e seguimento dócil e abnegado de Jesus Cristo. Nele, a
ação divina, a obra humana e a contemplação fundem-se numa admirável unidade de
vida de apostolado e oração.
Em
1872, alarga o campo do seu apostolado, interessando-se não só pelas misérias e
pobrezas morais da cidade, e pelos jovens, mas também pelos prisioneiros dos
cárceres, a quem leva, com afeto, o conforto e a misericórdia do Senhor. Dois
anos mais tarde, passa a dedicar-se também aos recém-nascidos, em favor das
mães solteiras, vítimas de relações enganosas, dando-lhes assistência moral e
material, inserindo-as no mundo do trabalho honesto.
Com
a ajuda de algumas catequistas, padre Agostinho passa à ação. Nasce um grupo de
voluntárias, e acolhem os primeiros jovens em dificuldades, para libertá-los do
analfabetismo, dando-lhes orientação moral, religiosa e, também, uma profissão.
E a obra cresce, exatamente porque responde bem à forte demanda social e
religiosa do povo.
Em
1876, dessa obra funda a congregação das Irmãs da Imaculada, indicando-lhes o
caminho da santidade em Maria, modelo da vida consagrada. Após o início difícil
e incerto, a congregação se consolida e se difunde em toda a Itália e em quase
todos os continentes.
A
vida terrena do "sacerdote pobre", como lhe costumam chamar, chega ao
fim no dia 7 de maio de 1902. O papa João Paulo II proclama santo Agostinho
Roscelli em 2001.