Quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Tempo do Natal, Ano “B”, 2ª Semana do Saltério, cor Litúrgica Branca
O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; para os que habitavam nas sombras da morte, uma luz resplandeceu. (Is 9,2)
Hoje: São Raimundo Penyafort (Memória Facultativa, cor litúrgica branca)
Santos: Alderico de Le Mans (bispo), Anastácio de Sens (bispo), Canuto Layard (rei, mártir), Clero (diácono, mártir da África), Crispim de Pavia (bispo), Emílio de Saujon (monge), Félix e Januário (mártires de Heracléia), Juliano de Cagliari (mártir), Luciano de Antioquia (presbítero, mártir), Nicetas de Rémésiana (bispo), Reinaldo de Colônia (monge, mártir), Teodoro do Egito (eremita), Tilo de Solignac (abade), Valentim de Rhaetua (bispo), Eduardo Waterson (mártir, bem-aventurado)
Oração: Ó Deus, luz de todas as nações, concedei aos povos da terra viver em perene paz e fazei resplandecer em nossos corações aquela luz admirável que vimos despontar nos povo da antiga aliança. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura:
I Carta de São João (1Jo 4, 11-18)
O Pai enviou o seu Filho como salvador do mundo
11Caríssimos, se Deus nos amou assim, nós também devemos amar-nos uns aos outros. 12Ninguém jamais viu a Deus. Se nos amamos uns aos outros, Deus permanece conosco e seu amor é plenamente realizado entre nós. 13A prova de que permanecemos com ele, e ele conosco, é que ele nos deu o seu Espírito. 14E nós vimos, e damos testemunho, que o Pai enviou o seu Filho como salvador do mundo. 15Todo aquele que proclama que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece com ele, e ele com Deus.
16E nós conhecemos o amor que Deus tem para conosco, e acreditamos nele. Deus é amor: quem permanece no amor, permanece com Deus, e Deus permanece com ele. 17Nisto se realiza plenamente o seu amor para conosco: em nós termos plena confiança no dia do julgamento, porque, tal como Jesus, nós somos neste mundo. 18No amor não há temor. Ao contrário, o perfeito amor lança fora o temor, pois o temor implica castigo, e aquele que teme não chegou à perfeição do amor. Palavra do Senhor!
Comentando a I Leitura
Se nos amamos uns aos outros, Deus permanece conosco
A vida cristã age em dupla dimensão: vertical e horizontal. A primeira nos faz tomar consciência do amor infinito do Pai que "mandou seu Filho como salvador do mundo" (versículo 14) e quer viver em nós (versículo 16). A perfeita união realiza-se particularmente na comunhão eucarística: nossa carne, nosso sangue misturam-se à carne e ao sangue de Deus; somos transformados e divinizados. "Não somos nós que transformamos Deus em nós - afirma Santo Agostinho - mas somos transformados nele".
A segunda dimensão do amor fraterno, o amor aos irmãos, é uma conseqüência e um sinal do amor de Deus (versículo 12). Também este aspecto da caridade fraterna tem sua plena realização na Eucaristia: "Participando realmente do corpo do Senhor ao romper do pão eucarístico, somos elevados à comunhão com ele e entre nós". Este amor torna-se no cristão força transformadora e operativa, capaz de afugentar todo temor (versículo 18). (Missal Cotidiano, ©Paulus, 1997)
Salmo: 71(72), 2.10-11.12-13 (R/.cf.11)
As nações de toda a terra hão de adorar-vos, ó Senhor!
1Dai ao rei vossos poderes, Senhor Deus, vossa justiça ao descendente da realeza! 2Com justiça ele governe o vosso povo, com eqüidade ele julgue os vossos pobres.
10Os reis de Társis e das ilhas hão de vir e oferecer-lhe seus presentes e seus dons; e também os reis de Seba e de Sabá hão de trazer-lhes oferendas e tributos. 11Os reis de toda a terra hão de adora-lo, e todas as nações hão de servi-lo.
12Libertará o indigente que suplica e o pobre ao qual ninguém quer ajudar. 13Terá pena do indigente e do infeliz, e a vida dos humildes salvará.
Evangelho: Marcos (Mc 6, 45-52)
Jesus caminha sobre as águas
Depois de saciar os cinco mil homens, 45Jesus obrigou os discípulos a entrarem na barca e irem na frente para Betsaida, na outra margem, enquanto ele despedia a multidão. 46Logo depois de se despedir deles, subiu ao monte para rezar. 47Ao anoitecer, a barca estava no meio do mar e Jesus sozinho em terra. 48Ele viu os discípulos cansados de remar, porque o vento era contrário. Então, pelas três da madrugada, Jesus foi até eles andando sobre as águas, e queria passar na frente deles.
49Quando os discípulos o viram andando sobre o mar, pensaram que era um fantasma e começaram a gritar. 50Com efeito, todos o tinham visto e ficaram assustados. Mas Jesus logo falou: "Coragem, sou eu! Não tenhais medo!" 51Então subiu com eles na barca. E o vento cessou. Mas os discípulos ficaram ainda mais espantados, 52porque não tinham compreendido nada a respeito dos pães. O coração deles estava endurecido. Palavra da Salvação!
Contexto: O ministério de Jesus na Galiléia. Leituras paralelas: Mt 14, 22-23; Jo 6, 16-21
Comentário o Evangelho
A coragem do discípulo
A coragem com que o discípulo enfrenta os reveses do mundo testemunham a sua fé. Pressões de todos os lados, tentações para esmorecer, dúvidas a respeito da validade de ser discípulo, são algumas das formas de confronto pelas quais passa o discípulo do Reino, levando-o a correr o risco de se sentir frustrado acerca de sua vocação e missão. Muitas vezes, as investidas do mundo parecem insuperáveis. E o discípulo é desafiado a crer para além das evidências, se quiser sobreviver e manter-se fiel a Jesus.
A experiência de enfrentar uma tempestade, no meio do lago da Galiléia, num pequeno barco, revela este desafio.
Era noite, e a barca encontrava-se no meio do lago. Os discípulos remavam penosamente, mas sem resultado, porque o vento era contrário. O risco de afogamento era evidente. Não parecia haver solução para o caso!
É então que aparece Jesus. Inicialmente, eles imaginaram tratar-se de um fantasma. E puseram-se a gritar de pavor. Mas, num segundo momento, encorajados pelo Mestre, são capazes de reconhecê-lo.
A fé dos discípulos revelou-se tão frágil, a ponto de levá-los a confundir
Jesus com um fantasma. Também foi insuficiente para fazê-los enfrentar os
embates da vida.
Só uma fé sólida, purificada de todo medo, possibilita ao discípulo sobreviver, nas tempestades do mundo. (O EVANGELHO DO DIA, Ano “A”. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1997)
São Raimundo de Penyafort[1]
Raimundo era um fidalgo espanhol descendente dos reis de Aragão. Nasceu em 1175, no castelo dos Peñafort, na Catalunha. Desde muito pequeno apresentava interesse pela vida religiosa e pelos estudos. Aos vinte anos foi professor de artes livres numa universidade em Barcelona, atraindo muitos estudantes com suas aulas. Depois foi para Bolonha onde continuou lecionando e estudando direito civil e eclesiástico. Ao final foi diplomado com louvor e nomeado titular da cadeira de Direito Canônico da mesma escola. Jamais esqueceu os pobres, deles, Raimundo cuidava pessoalmente, muito embora a fama de seus conhecimentos já percorresse toda a Itália e Europa.
Em
1220 voltou para a Espanha e foi ordenado sacerdote e vigário geral da diocese
de Barcelona. Depois foi convocado para servir em Roma a pedido do Papa
Gregório IX, do qual foi confessor cerca de oito anos. Nesta época observou que
os pobres, quando iam ao palácio papal, não eram tratados e atendidos com o
devido direito, por isto alertou ao pontífice para que se interessasse
pessoalmente por esta parte do rebanho. Por ordem do Papa, Raimundo editou a
obra conhecida como "Os Decretais de Gregório IX", muito importante
para o direito canônico até hoje.
Como
retribuição pela dedicação e bons trabalhos, este papa o nomeou arcebispo de
Taragona. Dentro de sua extrema humildade e se julgando indigno pediu
exoneração do cargo, chegando a ficar doente por causa desta situação e com a
licença dos superiores, voltou para a Espanha. Do amigo, Pedro Nolasco, recebeu
e aceitou o convite de redigir as Constituições da nascente Ordem das Mercês
para a Redenção dos Cativos.
Com a
chegada dos dominicanos em Barcelona, abandonou tudo para ingressar na Ordem.
Quando o superior geral morreu, em 1278, os religiosos elegeram Raimundo para
ser o sucessor. Durante dois anos percorreu todos os conventos da Ordem a pé.
Depois se afastou da direção, para se dedicar a vida solitária de orações e
penitência, mas aos pobres continuou a atender. Esta santificação lhe aprimorou
ainda mais os dons e grandes prodígios Deus executou por meio do seu servo,
cuja fama de santidade corria entre os fiéis.
Por
inspiração, aos setenta anos, Raimundo voltou ao ensino. Fundou dois seminários
onde o ensino era dado em hebraico e árabe, para atrair judeus e mouros ao
Cristianismo. Em pouco tempo dez mil árabes tinham recebido o batismo. Foi
confessor do rei Jaime de Aragão, ao qual repreendeu pela vida mundana
desregrada. Também o alertou sobre o perigo que o reino corria com os
albigenses, facção da seita dos cátaros, que estavam pregando uma doutrina
contrária e desta maneira conseguiu que fossem expulsos. Era um escritor
valoroso, a sua obra, "Suma de Casos", continua sendo usada pelos
confessores.
Avisados
de sua última enfermidade os reis de Aragão e Castela foram ao seu encontro
para receberem a derradeira benção. Raimundo de Peñafort morreu centenário no
dia 6 de janeiro de 1275. Foi canonizado e sua festa autorizada para o dia
seguinte da Epifania, em 7 de janeiro.
Dar com amor é enriquecer a dádiva que oferecemos. (Fr. Anselmo Fracasso)