Quarta-feira, 6 de outubro de 2010

27º do Tempo Comum (Ano “C”), 3ª Semana do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde

 

Hoje: Início da Semana da Criança

 

Santos: Benedito (1589, Sicília, Itália, conhecido como o Negro, franciscano da ordem primeira), Apolinário (520, Espanha), Santa Caritina (escrava cristã), Firmato, Flaviana, Plácito (Sicília, Itália), Atilano e Froilano (bispo, Espanha), Maurício (1191, Bretanha), Bem-Aventurado Raimundo de Cápua (1399), Bartolomeu Longo,Flora, João de Penna, Mauro.

 

Antífona: Senhor, tudo está em vosso poder e ninguém pode resistir à vossa vontade. Vós fizestes todas as coisas: o céu, a terra e tudo o que estes contêm; sois o Deus do universo! (Est 1, 9.10-11)

 

Oração: Ó Deus eterno e todo-poderoso, que nos concedeis, no vosso imenso amor de Pai, mais do que merecemos e pedimos, derramai sobre nós a vossa misericórdia, perdoando o que nos pesa na consciência e dando-nos mais do que ousamos pedir. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

Leitura: Carta de São Paulo aos Gálatas (Gl 2, 1-2.7-14)
A evangelização dos pagãos foi confiada a mim

 

Irmãos, 1catorze anos mais tarde, subi, de novo, a Jerusalém, com Barnabé, levando também Tito comigo. 2Fui lá, por causa de uma revelação. Expus-lhes o evangelho que tenho pregado entre os pagãos, o que fiz em particular aos líderes da Igreja, para não acontecer estivesse eu correndo em vão ou tivesse corrido em vão.

 

7Pelo contrário, viram que a evangelização dos pagãos foi confiada a mim, como a Pedro foi confiada a evangelização dos judeus. 8De fato, aquele que preparou Pedro para o apostolado entre os judeus preparou-me também a mim para o apostolado entre os pagãos.

 

9Reconhecendo a graça que me foi dada, Tiago, Cefas e João, considerados as colunas da Igreja, deram-nos a mão, a mime a Barnabé, como sinal de nossa comunhão recíproca.

 

Assim ficou confirmado que nós iríamos aos pagãos e eles iriam aos judeus. 10O que nos recomendaram foi somente que nos lembrássemos dos pobres. E isso procurei fazer sempre, com toda a solicitude. 11Mas, quando Cefas chegou a Antioquia opus-me a ele abertamente, pois ele merecia censura. 12Com efeito, antes que chegassem alguns da comunidade de Tiago, ele tomava refeição com os gentios. Mas, depois que eles chegaram, Cefas começou a esquivar-se e a afastar-se, por medo dos circuncidados. 13E os demais judeus acompanharam-no nessa dissimulação, a ponto de até Barnabé se deixar arrastar pela hipocrisia deles.

 

14Quando vi que não estavam procedendo direito, de acordo com a verdade do Evangelho, disse a Cefas, diante de todos: "Se tu, que és judeu, vives como pagão e não como judeu, como podes obrigar os pagãos a viverem como judeus?" Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a Leitura

Reconheceram a graça que me foi dada

 

Só na unidade da fé, dos corações e da vida existe verdadeira missão na Igreja. Os pobres são o lugar de encontro e o banco de prova de nossa. capacidade de unidade. Trata-se, com efeito, de unidade completa, de comunhão não apenas de princípios, mas de bens. "Cabe a todo o povo de Deus... socorrer; na medida de suas forças, as misérias deste tempo, não só com o supérfluo, mas também com o necessário, como era antigo costume da Igreja". Pois o que nos une são os bens que se dividem e a renúncia por amor. Dai vem um alento "católico", universal, o sentido de pertencer não a uma sociedade esclerosada, mas a um organismo sadio no qual todas as partes reagem a qualquer desequilíbrio. [Missal Cotidiano, ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo Responsorial: 116 (117), 1.2 (R/ Mc 16,15)  
Ide, por todo o mundo, e a todos pregai o evangelho

 

1Cantai louvores ao Senhor, todas as gentes, povos todos, festejai-o!

 

2Pois comprovado é seu amor para conosco, para sempre ele é fiel!

 

 

Evangelho: Lucas (Lc 11, 1-4)
Senhor, ensina-nos a rezar

1Um dia, Jesus estava rezando num certo lugar. Quando terminou, um de seus discípulos pediu-lhe: "Senhor, ensina-nos a rezar, como também João ensinou a seus discípulos". 2Jesus Respondeu: "Quando rezardes, dizei: 'Pai, santificado seja o teu nome. Venha o teu Reino. 3Dá-nos a cada dia o pão de que precisamos, 4e perdoa-nos os nossos pecados, pois nós também perdoamos a todos os nossos devedores; e não nos deixes cair em tentação". Palavra da Salvação!

Leituras paralelas do contexto: Mt 6, 9-15; 7, 7-11

 

 

Comentando o Evangelho

Quando rezarem, digam...

A oração era um elemento importante no dia-a-dia de Jesus. Os Evangelhos observam seu costume de rezar, por exemplo, nos momentos-chaves de seu ministério, quando deveria dar passos decisivos.


Vendo o seu Mestre rezar, os discípulos interessaram-se também pela prática da oração. O testemunho de Jesus impele-os a pedir-lhe orientações a respeito do modo mais conveniente de buscar a intimidade com Deus. Foi a prática de Jesus, e não uma bela teoria sobre a oração, que motivou os discípulos.


A oração ensinada pelo Mestre deveria ter como efeito inculcar, nos seus seguidores uma série de atitudes. Em relação ao Pai: o esforço para santificar-lhe o nome, ou seja, superar toda idolatria e pôr em prática as exigências do Reino, de modo que a história humana fosse regida pela vontade divina. Em relação ao próximo: criar o sentido da partilha fraterna dos bens, superando a tentação de reter tudo para si; viver o perdão e a reconciliação, sem dar lugar ao ódio e à violência; não se deixar levar pelas sugestões do espírito mau, cuja ação principal consiste em desviar o ser humano da vontade de Deus.


Por conseguinte, a oração cristã é um caminho de compromisso e comunhão, um projeto de vida. Ela consiste na busca de conformação da própria vida com o querer divino. [O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano B, ©Paulinas, 1996]

 

Para sua reflexão: A oração responde à palavra escutada. E agora as duas coisas se fundem porque os discípulos “escutam” como se deve “orar”. Orar é atividade integrante de toda a vida religiosa e pode ser mais importante que os sacrifícios: “Todos os povos chamarão minha casa de  CASA DE ORAÇAÕ” (Is 56,7). Para orar, o Antigo Testamento nos oferece textos abundantes e variados: o Saltério inteiro e muitas orações dispersas em textos narrativos, proféticos e sapienciais. Não basta? Jesus dá exemplo frequente de oração, algo tem a ensinar, como João e outros mestres. Jesus responde ao pedido, propondo a uma oração muito breve, inclusive mais breve do que a de Mateus, cinco pedidos ao invés de sete. (Mt 6, 9-15)  (Bíblia do Peregrino)

 

 

Pai-nosso, uma oração comunitária

 

Lc 11, 2-4 (forma breve, com 5 petições)

2Ele lhes disse: “Quando rezardes, dizei: Pai, santificado seja o teu nome, venha o teu Reino. 3Dá-nos cada dia o pão necessário; 4perdoa-nos os nossos pecados, pois também nós perdoamos a todos que nos ofenderam, e não nos deixes cair em tentação”.

 

Mt 6, 9-15 (com 7 petições)

9Portanto, é assim que haveis de rezar: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; 10venha o teu Reino, seja feita a tua vontade assim na terra, como no céu. 11O pão nosso de cada dia dá-nos hoje, 12perdoa-nos nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos ofenderam, 13e não nos deixes cair em tentação  mas livra-nos do mal. 14Porque, se perdoardes as ofensas dos outros, vosso Pai celeste também vos perdoará. 15Mas, se não perdoardes aos outros, vosso Pai também não vos perdoará as ofensas.

 

Cristo dá a Deus o nome de Pai (Mt 5,16.45.48; 7,21; 11,25; 24,36; Lc 10,22; Mc 13,32). Revela a Deus como seu próprio Pai (Mc 14,36; Mt 7,21; 11,27; 16,27; 26,39; Jo 2,16; Lc 2,49).

 

Para Paulo Deus é o “nosso Deus e Pai (1Ts 3,13; 2Ts 2,16; 1Cor 1,3; 2Cor 1,2; Gl 1,3; 4,6; Ef 1,2; Cl 1,12s; Rm 8,15). João penetra mais no sentido da paternidade divina ao dizer que o homem é “gerado por Deus”(Jo 2,16; 3,3).

 

Jo 5, 19-30: Jesus se revela juiz. 19Então Jesus tomou a palavra e lhes disse: “Na verdade eu vos digo: o Filho nada pode fazer por si mesmo. Ele só faz o que vê o Pai fazer. Tudo o que o Pai faz o Filho também faz. 20Porque o Pai ama o Filho  e lhe mostra tudo que ele mesmo faz. E lhe mostrará obras maiores do que esta, de sorte que ficareis admirados. 21Assim como o Pai ressuscita os mortos e lhes dá a vida, assim também o Filho dá a vida aos que quiser. 22O Pai não julga ninguém mas entregou ao Filho todo o poder de julgar, 23para que todos honrem o Filho como honram o Pai. Quem não honra o Filho também não honra o Pai que o enviou.

 

24Na verdade eu vos digo: quem escuta minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não é condenado, mas passou da morte para a vida. 25Na verdade eu vos digo: vem a hora, e já chegou, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão. 26Assim como o Pai tem a vida em si mesmo, assim também deu ao Filho ter a vida em si mesmo. 27E deu-lhe o poder de julgar, porque é o Filho do homem. 28Não vos admireis, porque vem a hora em que todos os que estão mortos ouvirão sua voz. 29Os que praticaram o bem sairão dos túmulos para a ressurreição da vida; os que praticaram o mal ressuscitarão para serem condenados. 30Eu nada posso fazer por mim mesmo. Julgo como ouço, e meu julgamento é justo pois não procuro minha vontade mas a vontade daquele que me enviou.

 

O que a Bíblia diz sobre o pai?

Pai terreno: A autoridade paterna é protegida pelo decálogo (Ex 20,12; Dt 5,16). Rebelar-se contra o pai, maldizê-lo ou bater-lhe eram crimes castigados com a morte (Ex 21,15-17; Dt 21,18-21). A literatura sapiencial insiste no respeito aos pais (Eclo 3,1-16; Tb 4,3-5; Pr 1,8; 4,1; 6,20). Os pais, por sua vez, têm obrigações para com os seus filhos: devem amá-los (1Sm 1,11-20; Mt 7,9; Lc 11,11; Tt 2,4); devem educá-los (Dt 6,20s; 32,46; Dn 13,3); vigiá-los (Eclo 26,10s; 42,9-11; 1Tm 5,8); castigá-los (1Sm 3,13; Pr 13,24; 22,15; 23,13s; Eclo 42,5), mas sem ira (Pr 19,18s; Eclo 20,2; Cl 3,21; Ef 6,4); devem dar-lhes o bom exemplo (Ez 16,44; 2Mc 6,28; 7,20-22; 2Jo 4). Jesus confirmou o sentido do quarto mandamento (Mc 7,10-13; 10,19; Mt 15,4-7). As exigências do amor de Deus podem levar a renunciar ao amor paterno (Mt 8,21s; 10,37; 19,29; Lc 9,59s; 14,26).

 

Deus-Pai: No AT raramente se aplica a Deus o nome de Pai (Dt 32,6s; 2Sm 7,14; Sl 89,27; Eclo 51,10). Jesus fala com frequência de “ vosso Pai”, “teu Pai”, “vosso Pai do céu”e chama a Deus pelo nome de “Pai”: quando anuncia o Reino de Deus (Mt 13,43; 20,23; 25,34; Lc 12,32); quando se refere à ação do Espírito (Mt 10,20), ao conhecimento de Cristo (Mt 16,17), à oração (Mt 18,19), à recompensa (Mt 6,1); quando insiste na Providência do Pai (Mt 6,26-32; 10,29; Lc 12,30). Cristo dá a Deus o nome de Pai (Mt 5,16.45.48; 7,21; 11,25; 24,36; Lc 10,22; Mc 13,32). Revela a Deus como seu próprio Pai (Mc 14,36; Mt 7,21; 11,27; 16,27; 26,39; Jo 2,16; Lc 2,49). Para Paulo Deus é o “nosso Deus e Pai”(1Ts 3,13; 2Ts 2,16; 1Cor 1,3; 2Cor 1,2; Gl 1,3; 4,6; Ef 1,2; Cl 1,12s; Rm 8,15). João penetra mais no sentido da paternidade divina ao dizer que o homem é “gerado por Deus” (Jo 2,16; 3,3). [Fonte: Bíblia Sagrada em       CD-ROM, Vozes, 1996]

 

 

A criança precisa de amor e compreensão para o desenvolvimento pleno e

harmonioso de sua personalidade. (Declaração dos Diretos da Criança)