Quarta-feira, 6 de julho de 2011

14ª Semana do Tempo Comum, Ano Impar, 2ª do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde

 

Santos: Domingas de Campania (virgem, mártir), Edana de Polesworth (virgem), Goar de Aquitânia (presbítero), Godeleva de Ghistelles (mártir), Isaías (profeta bíblico do Antigo Testamento), Noyala da Bretanha (virgem, mártir), Rômulo de Fiesole (bispo) e Companheiros (mártires), Sexburga de Ely (viúva, abadessa), Sisoes do Egito (eremita), Tranquilino de Roma (mártir).

 

Antífona: Senhor, porção de minha herança e minha taça, tendes em mãos o meu destino; coube-me por sorte a boa parte; sim, é bela a herança que me cabe! (Sl 15, 5-6)

 

Oração: O Deus, que pela humilhação do vosso Filho reerguestes o mundo decaído, enchei os vossos filhos e filhas de santa alegria, e dai aos que libertastes da escravidão do pecado o gozo das alegrias eternas. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo

 

 

I Leitura: Gêneses (Gn 41, 55-57; 42,5-7a.17-24a)
O arrependimento dos irmãos de José 

 

Naqueles dias, 55todo o Egito começou a sentir fome, e o povo clamou ao faraó, pedindo alimento. E ele respondeu-lhe: "Dirigi-vos a José e fazei o que ele vos disser". 56Quando a fome se estendeu a todo o país, José abriu os celeiros e vendeu trigo aos egípcios, porque a fome também os oprimia. 57De todas as nações vinham ao Egito comprar alimento, pois a fome era dura em toda a terra.

 

42,5Os filhos de Israel entraram na terra do Egito com outros que também iam comprar trigo, pois havia fome em Canaã. 6José era governador na terra do Egito e, conforme a sua vontade, se vendia trigo à população. Chegando os irmãos de José, prostraram-se diante dele com o rosto em terra. 7aAo ver seus irmãos, José os reconheceu. 17E mandou metê-los na prisão durante três dias. 18E, no terceiro dia, disse-lhes: "Fazei o que já vos disse e vivereis, pois eu temo a Deus. 19Se sois sinceros, fique um dos irmãos preso aqui no cárcere, e vós outros ide levar para vossas casas o trigo que comprastes. 20Mas trazei-me o vosso irmão mais novo, para que eu possa provar a verdade de vossas palavras e não morrerdes". Eles fizeram como José lhes tinha dito. 21E diziam uns aos outros: "Sofremos justamente estas coisas, porque pecamos contra o nosso irmão: vimos a sua angústia, quando nos pedia compaixão, e não o atendemos. É por isso que nos veio esta tribulação". 22Rúben disse-lhes: "Não vos adverti dizendo: 'Não pequeis contra o menino?' E vós não me escutastes. E agora nos pedem conta do seu sangue". 23Ora, eles não sabiam que José os entendia, pois lhes falava por meio de intérprete. 24aEntão, José afastou-se deles e chorou. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

Sofremos justamente estas coisas porque

pecamos contra o nosso irmão 

 

José, vendido por seus irmãos, torna-se seu salvador. É espontânea a comparação com Jesus: também este foi vendido pelos seus e pelos mesmos motivos: inveja, ciúme. Semelhante também é a atitude: José, ao ouvir as palavras cheias de remorso dos irmãos, “afastou-se deles para chorar”; Jesus, enquanto o crucificavam, orou: “Pai, perdoa!” Se a inveja e o ciúme tivessem voz, quantos cristãos seriam desmascarados! Intervenções disciplinares, afastamentos, remoções de cargos... Quantas coisas, feitas “para um bem maior” – diz-se, mostrariam a marca desse verme terrível! Muitos ainda hoje são vendidos pelos próprios irmãos. Por todo esse mal, por essas injustiças mais ou menos patentes, todo cristão dirige ao Pai e a mesma prece de Jesus: “Pai, perdoa!” Mas o cristão guardar-se-á mesmo de pequenas traições para com os homens, irmãos de Cristo. [Missal Cotidiano, © Paulus]

 

 

Salmo 32 (33), 2-3. 10-11. 18-19 (R/. 22)

Sobre nós venha, senhor, a vossa graça, da

mesma forma que em vós nós esperamos!

 

Dai graças ao Senhor ao som da harpa, na lira de dez cordas celebrai-­o! Cantai ao Senhor um canto novo, com arte sustentai a louvação!

 

O Senhor desfaz os planos das nações e os projetos que os povos se propõem. Mas os desígnios do Senhor são para sempre, e os pensamentos que ele traz no coração, de geração em geração, vão perdurar.

 

Mas o Senhor pousa o olhar sobre os que o temem, e que confiam esperando em seu amor, para da morte libertar as suas vidas e alimentá-los quando é tempo de penúria.

 

 

Evangelho: Mateus (Mt 10, 1-7)

Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel!

 

Naquele tempo, 1Jesus chamou os doze discípulos e deu-lhes poder para expulsarem os espíritos maus e para curarem todo tipo de doença e enfermidade.

 

2Estes são os nomes dos doze apóstolos: primeiro, Simão chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João; 3Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o cobrador de impostos; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; 4Simão, o Zelota, e Judas Iscariotes, que foi o traidor de Jesus. 5Jesus enviou estes doze, com as seguintes recomendações:

 

"Não deveis ir aonde moram os pagãos, nem entrar nas cidades dos samaritanos! 6Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel! 7Em vosso caminho, anunciai: 'O reino dos céus está próximo'". Palavra da Salvação!

 

 

Leituras paralelas: Mc 3, 14-15; 16-19; Lc 6, 13-16.

 

 

 

Comentário o Evangelho

Reações contraditórias

 

Os milagres de Jesus não visavam impor às pessoas o reconhecimento de sua messianidade. Aliás, Jesus não tinha como controlar as interpretações de suas palavras e de seus gestos. Muitos sentidos lhes foram dados. Tudo dependia do modo como eram acolhidos.

 

A ação de Jesus suscitou reações contraditórias. A cura de um possesso mudo levou a multidão a confessar jamais ter visto algo semelhante em Israel. Já seus adversários declarados, os fariseus, consideraram o mesmo gesto fruto de um poder demoníaco atuado por meio de Jesus. A benevolência das multidões contrastava com a malevolência farisaica.

 

Os milagres eram apenas uma porta de entrada para o mistério da pessoa de Jesus e apontavam para algo novo e extraordinário, acontecendo na história humana. Quem se abria para o Mestre e acolhia sua mensagem, percebia o dedo de Deus escondido em sua ação e reconhecia o Reino acontecendo através dele. Também reconhecia nele o Filho de Deus agindo com o poder que lhe fora conferido pelo Pai. Ou seja, entrava na dinâmica da fé.

 

Por outro lado, os milagres serviam para respaldar as palavras de Jesus. Ele era Messias por palavras e por obras. Seus milagres, além de revelar que possuía um poder próprio de Deus, demonstravam igualmente a autoridade com que falava. Tanto os milagres de Jesus quanto seus ensinamentos revestiam-se de autoridade divina. [O EVANGELHO DO DIA. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1998]

 

Beato Eugênio III

 

 

 

Após ocupar um cargo na cúria episcopal de Pisa, ingressou em 1135 no mosteiro cisterciense de Claraval. Tomou o nome de Bernardo, e São Bernardo foi seu superior naquele mosteiro. Quando o Papa Inocêncio II pediu que alguns cistercienses fossem a Roma, São Bernardo o enviou como chefe da expedição. Os cistercienses se estabeleceram na convento de São Anastácio (Tre Fontane). Após a morte do Papa Lucio II, em 1145, os cardeais escolheram para o suceder e como novo Pontífice mudou o nome para Eugênio e foi consagrado no mosteiro de Farfa. Em janeiro de 1147, aceitou feliz o convite que lhe fez Luis VII para pregar a cruzada na França. Na segunda cruzada não tiveram bons resultados. O Papa permaneceu na França até que o clamor popular pelo fracasso da cruzada lhe tornou impossível permanecer mais nesse lugar. Durante sua estadia naquele país, presidiu os sínodos de Paris, Tréveris e Reims, que se ocuparam principalmente em promover a vida cristã; também fez quanto pode para reorganizar as escolas de filosofia e teologia. Em maio de 1148 voltou a Itália e excomungou a Arnoldo de Brescia (quem em suas piores momentos era u dos líderes demagogos doutrinários de épocas posteriores). São Bernardo dedicou ao Sumo Pontífice seu tratado ascético "De Consideratione", onde afirmava que o Papa tinha como principal dever atender às coisas espirituais e que não devia deixar-se distrair demasiadamente com assuntos que correspondiam a outros. Eugenio III partiu de Roma e permaneceu dois anos e meio na Companhia, procurando obter o apoio do imperador Conrado III e de seu sucessor, Federico Barbarroja. Após sua morte, seu culto foi aprovado em 1872. São Antonio de Pádua o ressalta como a "um dos maiores Pontífices e um dos que mais sofreu".

 

Oração da assembleia

Para que a Igreja seja fiel à missão e ao anúncio da palavra de Deus, rezemos Senhor, atendei o nosso pedido.

Para que as crianças e os adolescentes sejam protegidos da violência e do abuso sexual, rezemos.

Para que os chamados à vida religiosa e sacerdotal sejam iluminados em sua escolha, rezemos.

Para que, a exemplo dos apóstolos, estejamos disponíveis para o serviço do reino, rezemos.

Para que os missionários encontrem força diante das dificuldades e incompreensões, rezemos.

(preces espontâneas)

 

 

Oração sobre as Oferendas:

Possamos, ó Deus, ser purificados pela oferenda que vos consagramos; que ela nos leve, cada vez mais, a viver a vida do vosso reino. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Provai e vede quão suave é o Senhor! Feliz o homem que tem nele o seu refúgio! (Sl 33,9)

 

Oração Depois da Comunhão:

Nos vos pedimos, ó Deus, que, enriquecidos por essa tão grande dádiva, possamos colher os frutos da salvação sem jamais cessar vosso louvor. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Para sua reflexão: Apóstolo significa “enviado”, representante. O número 12 corresponde ao número das tribos de Israel pondo em relevo a continuidade e a diversidade do novo com o antigo Povo de Deus. São quatro as listas dos nomes dos Apóstolos, com algumas divergências na ordem de sucessão e na identificação de um ou outro nome. Enviar está na raiz da palavra “apóstolo”. Jesus faz dos Doze os seus enviados oficiais, com poderes iguais aos seus. Tal como Ele foi enviado pelo Pai. A restrição relativa aos samaritanos faz-se eco da separação profunda que existia entre eles e os judeus; tinham templo próprio no monte Garizim e, desde a queda da Samaria em 721 a.C. eram vistos como semipagãos. Jesus pôs em causa tal separação que foi suprimida depois da sua ressurreição. Por fim, no v.10 os rabinos tinham o direito de viver das ofertas dos seus discípulos, uma espécie de salário. (Bíblia dos Capuchinhos). Você considera-se um apóstolo do Senhor? O que está fazendo de útil para o Reino? Evangelizando sua família, seus irmãos do trabalho, seus vizinhos! Sentiu a responsabilidade de ser “enviado” de Jesus!

 

Não pode haver graça onde não há discrição. (Cervantes)