Quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Quarta Semana do Tempo Comum, Ano Ímpar, 4ª Semana do Saltério (Livro III), cor Verde
Salvai-nos, Senhor nosso Deus, reuni vossos filhos dispersos pelo mundo par que
celebremos o vosso santo nome e nos gloriemos em vosso louvor (Sl 105,47)
Santos do Dia: Brás, Aquilino de Milão (mártir), Báculo de Sorrento (bispo), Cesário de Angoulême (diácono), Constâncio (primeiro bispo de Perúgia) e Companheiros (mártires), Flora de Kildare (virgem), Papias e Mauro (soldados, mártires de Roma), Sabiniano de Troyes (mártir), Sharbel e Bebaia (casal de irmãos, mártires de Edessa), Sulpício Severo (bispo de Bourges), Trifina da Bretanha (viúva), Valério de Trèves (bispo).
Oração: Concedei-nos, Senhor nosso Deus, adorar-vos de todo o coração e amar todas as pessoas com verdadeira caridade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura: Carta aos Hebreus (Hb 12, 4-7.11-15)
O senhor corrige a quem ele ama
Irmãos, 4vós ainda não resististes até o sangue na vossa luta contra o pecado, 5e já esquecestes as palavras de encorajamento que vos foram dirigidas como a filhos: "Meu filho, não desprezes a educação do Senhor, não desanimes quando ele te repreende; 6pois o Senhor corrige a quem ele ama e castiga a quem aceita como filho". 7É para a vossa educação que sofreis, e é como filhos que Deus vos trata. Pois qual é o filho a quem o pai não corrige?
11No momento mesmo, nenhuma correção parece alegrar, mas causa dor. Depois, porém, produz um fruto de paz e de justiça para aqueles que nela foram exercitados. 12Portanto, "firmai as mãos cansadas e os joelhos enfraquecidos; 13acertai os passos dos vossos pés", para que não se extravie o que é manco, mas antes seja curado. 14procurai a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor; 15cuidai para que ninguém abandone a graça de Deus. Que nenhuma raiz venenosa cresça no meio de vós, tumultuando e contaminando a comunidade. Palavra do Senhor!
Comentando a I Leitura[1]
O Senhor corrige a quem ele ama
Após uma visão mais "teológica" do mistério do sofrimento, eis agora uma visão mais "pedagógica". As dificuldades são encaradas como prova de amor de um pai que nos conhece intimamente ("sabe de que somos feitos": Salmo), e nos corrige para o nosso bem, na medida que podemos suportá-las.
Toda a história de Israel ilumina-se com esta perspectiva: Israel é como um filho que precisa ser educado até a maturidade. O cativeiro no Egito, a travessia do deserto, as lutas pela conquista da Palestina, os fracassos militares, o imenso drama da deportação, os sacrifícios da reconstrução, as perseguições helenistas: outras tantas etapas dessa purificação religiosa e moral, mediante a qual vai amadurecendo o "resto de Israel", como também os "pobres de Javé", Jesus Cristo e os seus. Aceitando o sofrimento, Cristo tornou-o suportável, porque lhe deu sentido. "Embora fosse Filho, aprendeu, contudo, a obediência pelo sofrimento; e, levado a perfeição, tornou-se para todos os que lhe obedecem princípio de salvação eterna" (Hb 5,8-9).
Salmo: 102(103), 1-2.13-14.17-18a (R/.cf.17)
O amor do Senhor por quem o respeita, é
de sempre e para sempre
Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e todo o meu ser, seu santo nome! Bendize, ó minha alma, ao Senhor, não te esqueças de nenhum de seus favores!
Como um pai se compadece de seus filhos, o Senhor tem compaixão dos que o temem. Porque sabe de que barro somos feitos, e se lembra que apenas somos pó.
Mas o amor do Senhor Deus por quem o teme é de sempre e perdura para sempre; e também sua justiça se estende por gerações até os filhos de seus filhos, aos que guardam fielmente sua aliança.
Evangelho do Dia: Marcos (Mc 6, 1-6)
Um profeta só não é estimado em sua pátria
Naquele tempo, 1Jesus foi a Nazaré, sua terra, e seus discípulos o acompanharam. 2Quando chegou o sábado, começou a ensinar na sinagoga. Muitos que o escutavam ficavam admirados e diziam: "De onde recebeu ele tudo isto? Como conseguiu tanta sabedoria? E esses grandes milagres que são realizados por suas mãos? 3Este homem não é o carpinteiro, filho de Maria e irmão de Tiago, de Joset, de Judas e de Simão? Suas irmãs não moram aqui conosco?" E ficaram escandalizados por causa dele. 4Jesus lhes dizia: "Um profeta só não é estimado em sua pátria, entre seus parentes e familiares". 5E ali não pôde fazer milagre algum. Apenas curou alguns doentes, impondo-lhes as mãos. 6E admirou-se com a falta de fé deles. Jesus percorria os povoados das redondezas, ensinando. Palavra da Salvação!
Comentário do Evangelho[2]
Que sabedoria é essa?
A sabedoria que Jesus manifestava em seus ensinamentos deixava atônito o povo de sua cidade. Este não podia entender como o filho de um carpinteiro, conhecido de todos, podia falar com tanta segurança a respeito de coisas tão sublimes. Outro argumento: Jesus convivia com eles e com seus parentes. Tudo dentro da mais total normalidade, sem nada de extraordinário. Também não constava que o Mestre tivesse sido instruído por algum rabino famoso da época. Resultado: recusaram-se a dar crédito às palavras dele. Antes, puseram-nas sob suspeita.
Efetivamente, o povo de Nazaré não podia valorizar a sabedoria de Jesus, por julgá-la a partir de critérios humanos. A fonte da sabedoria do Mestre, porém, radicava-se no Pai, cujas palavras Jesus proclamava. Não era uma sabedoria adquirida com os meios humanos, nem tinha como ponto de partida concepções humanas. Suas palavras tinham o Pai como origem. Elas eram palavras que o Pai queria dirigir à humanidade. Por isso, era inútil comparar o ensinamento de Jesus com o dos mestres da Lei. Havia entre eles uma enorme diferença.
Jesus refez o caminho dos profetas rejeitados em sua própria terra, pelos de sua própria casa. O discípulo arrisca-se a rejeitar Jesus, se não reconhecer a origem divina de suas palavras.
São João de Brito[3]
Após viver uma infância principesca na corte portuguesa, optou pelo hábito da Companhia de Jesus. Deu adeus ao luxo da casa de seu pai, governador do Rio de Janeiro para viver evangelicamente aos 26 anos de idade, embarcando para Goa, que durante muito tempo foi a sede da Índia Ocidental. Lá completou seus estudos e então partiu para Malabar onde iniciou um trabalho de evangelização por 15 anos. Muito humilde, gostava de aprender com os amigos, estudou a língua, hábitos e costumes do povo. Em contrapartida os hindus apreciavam-no muito e por sua docilidade muitos se convertiam ao cristianismo. Depois retornou à Europa apenas para arrebanhar mais missionários para ajudá-lo no trabalho desenvolvido e retornou a Malabar. Mas nesses tempos houve um bárbaro levante de brâmanes. Revoltados os "sacerdotes" hindus queimavam igrejas e casas dos cristãos. São João de Brito foi preso e logo após ter as mãos e os pés cortados, foi degolado. Antes de morrer escreveu: "Agora espero padecer a morte por meu Deus e Senhor"
Deveríamos, às vezes, aproveitar para nós os conselhos que generosamente damos aos outros. (Sérgio Trémont)