Quarta-feira, 3 de setembro de 2008
22ª Semana do Tempo Comum, Ano Par, 2ª do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde
Tende compaixão de mim, Senhor, clamo por vós o dia inteiro; Senhor, sois bom e
clemente, cheio de misericórdia para aqueles que vos invocam.
Hoje: Memória de São Gregório Magno (Papa e Doutor), cor litúrgica branca, Dia das Organizações Populares, dia Nacional do Biólogo e dia do Guarda Civil
Santos: Ambrósio Agostinho Chevreux (Bem-Aventurado, 1792, Paris, mártir), Antonino (Séc IV, mártir, Apaméia, Síria), Zeno (ou Zenão, Nicomédia, mártir), Simeão Estilita (o Velho, 459 d.C.) e Guilherme (1070 d.C., bispo)
Oração: Deus do universo, fonte de todo bem, derramai em nossos corações o vosso amor e estreitai os laços que nos unem convosco para alimentar em nós o que é bom e guardar com solicitude o que nos destes. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
I
Leitura: 1ª Carta de Paulo aos Coríntios (1Cor 3, 1-9)
A comunidade de Corinto não compreende
muitas questões relacionadas a Cristo
1Irmãos, não pude falar-vos como a pessoas espirituais. Tive que vos falar como a pessoas carnais, como a crianças na vida em Cristo. 2Pude oferecer-vos somente leite, não alimento sólido, pois ainda não éreis capazes de tomá-lo. E nem atualmente sois capazes de receber alimento sólido, 3visto que ainda sois carnais. As rivalidades e rixas que existem aí, no meio de vós, acaso não mostram que sois carnais e que procedeis de acordo com os impulsos naturais? 4Quando um declara: "Eu sou de Paulo", e outro: "Eu sou de Apolo", não estais procedendo como pessoas simplesmente naturais?
5Pois, o que é Apolo? O que é Paulo? Não passam de servidores, pelos quais chegastes à fé. E cada um deles exerce seu serviço segundo dom recebido de Deus. 6Eu ,plantei, Apolo regou, mas Deus é que fazia crescer. 7De modo que nem o que planta, nem o que rega são, propriamente, importantes. Quem é importante é aquele que fez crescer: Deus. 8Aquele que planta e aquele que rega formam uma unidade, mas cada um receberá o seu próprio salário, proporcional ao seu trabalho. 9Com efeito, nós somos cooperadores de Deus, e vós sois lavoura de Deus, construção de Deus. Palavra do Senhor!
Comentando a I Leitura[1]
Nós somos cooperadores de Deus, e vós sois
lavoura de Deus, construção de Deus
Aqueles que anunciam o evangelho, diz Paulo, são “colaboradores de Deus” (V.9). Não falam a linguagem da sabedoria humana, mas falam pelo poder do Espírito. Aparentemente, Paulo não é Apolo. Mas o olhar de Deus, que se deve tornar também o do cristão, as diferenças são niveladas. Não só, mas diretamente alteradas em seu valor, porque “Deus escolheu as coisas frágeis do mundo para confundir as fortes, as coisas ignóbeis e desprezadas do mundo e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são” (1Cor 1, 27). A função de um cristão no corpo de Cristo não é algo que emerge de sua essência natural, mas se prende ao serviço que lhe foi atribuído pela cabeça (Ef 4, 11) e o coloca na Igreja em determinado posto para servir a todos os outros membros. Tudo se passa em Corinto, porém, como se os pregadores tivessem a iniciativa na obra da missão, quando não passam de intermediários de Deus, que é o verdadeiro realizador de sua obra (v.7).
Salmo
Responsorial: 32(33), 12-13.14-15.20-21 (R/.12b)
Feliz o povo que o Senhor escolheu por sua herança!
12Feliz o povo cujo Deus é o Senhor, e a nação que escolheu por sua herança! 13Dos altos céus o Senhor olha e observa; ele se inclina para olhar todos os homens.
14Ele contempla do lugar onde reside e vê a todos os que habitam sobre a terra. 15Ele formou o coração de cada um e por todos os seus atos se interessa.
20No Senhor nós esperamos confiantes, porque ele é nosso auxílio e proteção! 21Por isso o nosso coração se alegra nele, seu santo nome é nossa única esperança.
Evangelho: Lucas (Lc 4, 38-44)
A missão de Jesus não pode parar
Naquele tempo, 38Jesus saiu da sinagoga e entrou na casa de Simão. A sogra de Simão estava sofrendo com febre alta, e pediram a Jesus em favor dela. 39Inclinando-se sobre ela, Jesus ameaçou a febre, e a febre a deixou. Imediatamente, ela se levantou e começou a servi-los. 40Ao pôr-do-sol, todos os que tinham doentes atingidos por diversos males, os levaram a Jesus. Jesus colocava as mãos em cada um deles e os curava.
41De muitas pessoas também saíam demônios, gritando: "Tu és o Filho de Deus". Jesus os ameaçava, e não os deixava falar, porque sabiam que ele era o Messias. 42Ao raiar do dia, Jesus saiu e foi para um lugar deserto. As multidões o procuravam e, indo até ele, tentavam impedi-lo que os deixasse. 43Mas Jesus disse: "Eu devo anunciar a boa nova do Reino de Deus também a outras cidades, porque para isso é que eu fui enviado". 44E pregava nas sinagogas da Judéia. Palavra da Salvação!
Comentando o Evangelho[2]
Missionário incansável
Por onde passava, Jesus deixava as pegadas do Reino acontecendo na história humana. As inúmeras curas e a vitória sobre o poder demoníaco eram as demonstrações mais evidentes da novidade acontecendo na vida das pessoas. A expulsão dos demônios consistia em fazer com que Deus, novamente, fosse o único Senhor delas. Portanto, a ação de Jesus visava sempre restabelecer o senhorio de Deus. E isso deixava feliz a quem se beneficiava de sua presença libertadora!
Os benefícios recebidos através dos gestos misericordiosos de Jesus impelia o povo a querer retê-lo junto de si e a não deixá-lo seguir adiante. O Mestre opôs-se à esta tentativa de limitar seu campo de missão. Ele manifestava sua consciência de ter sido enviado para evangelizar não apenas um grupo restrito de pessoas. Sua missão de proclamar a Boa Nova do Reino deveria alargar-se mais e mais, de modo a estender o senhorio de Deus a todo ser humano.
Por outro lado, o afluxo de pessoas e a quantidade de gente a ser curada não constituíam argumento para que Jesus se detivesse num só lugar. Ele ia ao encontro dos necessitados, lá onde se encontravam. Seu peregrinar incansável não conhecia limites.
São Gregório Magno[3]
O Papa Gregório I recebeu dos pósteros o título de Magno e é considerado um dos quatro grandes doutores da Igreja no Ocidente, junto com Santo Agostinho, Santo Ambrósio e São Jerônimo.
Nascido em Roma por volta do ano 540, de família senatorial, ocupou cargos de grande importância na magistratura, até ser prefeito de Roma. Com a morte do pai, herdou uma das maiores fortunas de Roma. Contudo, Gregório colocava sua confiança não nos bens terrenos, mas em Deus a quem procurava com amor. Quis ser radical na vivência do Evangelho que diz: "Se quiseres ser perfeito, vai, vende o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; depois vem e segue-me".
Gregório usou de sua vasta fortuna para construir sete mosteiros para os monges beneditinos, a fim de que fossem faróis de evangelização em diversas partes da Itália, invadida pelos bárbaros. Transformou sua casa num convento bem no centro de Roma, deu o resto para os pobres e abraçou a vida contemplativa dos monges beneditinos.
Mas a Providência o tirou da solidão; o papa encarregou-o de uma missão delicada: a de ser seu representante na corte de Constantinopla. Lá ficou alguns anos, que lhe serviram de larga experiência no relacionamento com a Igreja Oriental. Depois voltou ao refúgio do seu mosteiro.
Vindo a falecer o Papa Pelágio II, o clero e o povo romano proclamaram Gregório sucessor. Em vão procurou ocultar-se, pois o povo descobriu seu esconderijo e o forçou a aceitar a pesada carga. O dia 3 de setembro (590) ficou sendo a data de sua festa.
Gregório foi o homem certo, posto no momento certo na Cátedra de São Pedro. O Império Romano estava em derrocada e invasões de bárbaros por toda parte provocavam a formação de um novo tipo de sociedade. Gregório é um marco na história da Igreja e da própria Europa e assinala o ponto de partida de uma nova época, a do tempo de transição do mundo romano para o novo mundo medieval que ia fundir as antigas culturas grega e romana, com as novas culturas germânica e eslava.
Como papa, Gregório relacionou-se com as várias Igrejas de sua época e com os poderes públicos da Europa, mediante ativa correspondência. Querendo conquistar para o Cristianismo os anglo-saxões, enviou para a Inglaterra Santo Agostinho com vários monges que conseguiram bastante êxito. Providenciou o abastecimento de víveres na cidade de Roma, em momento difícil de carestia e peste. Mitigou os estragos das invasões dos bárbaros.
Visando o afervoramento do clero, escreveu para ele a Regra Pastoral que pode ser lida com edificação também hoje em dia. A fim de incentivar a piedade e o amor à santidade, redigiu o Livro dos Diálogos, para edificação dos fiéis. Foi um orador inflamado e escritor fecundo de comentários sobre a Bíblia.
"Ficaria incompleta a fisionomia de São Gregório, se considerássemos unicamente sua face externa, o homem de ação prodigiosa. Ele foi também o homem de grande contemplação, de intensa vida espiritual. Ele próprio fez seu retrato espiritual, descrevendo o 'ideal do pastor'. O verdadeiro pastor das almas é puro em seu pensamento, irrepreensível nas suas obras, sábio no silêncio, útil sempre na palavra. Sabe aproximar-se de todos, com verdadeira caridade. Eleva-se acima de todos pela contemplação de Deus. Associa-se com humildade e simplicidade com todos os que trabalham pelo bem das almas mas levanta-se com anseios de justiça contra os vícios dos pecadores'”
Gregório passou seus últimos anos doente, acamado mas continuando a dirigir com prudência e lucidez os destinos da Igreja. Faleceu em 604, com 65 anos de idade.
Quantos corrompem com sua má vida o fruto de suas santas meditações. (S. Gregório)